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Mesure de la pression artérielle et définition du statut hypertensif

Chapitre IV. Apports en sodium et en potassium dans la maladie rénale chronique et lien

3. Population et méthodes

3.3 Mesure de la pression artérielle et définition du statut hypertensif

Dos 20 entrevistados da pesquisa, alguns caracterizam a diversidade de estratégias de comercialização estudadas. Os entrevistados tiveram ciência prévia do objetivo da pesquisa; o anexo I reproduz o modelo do termo de consentimento prévio e esclarecido para a realização das entrevistas. A identidade dos personagens foi preservada substituindo seus nomes pela letra P (de produtor rural) seguida de um número sequencial: P1, P2 até P15, e A (de apoio) de A1 a A5.

Procurou-se identificar e selecionar produtores que considerem a sério o processo de transição agroecológica e ao mesmo tempo valorizem o papel das transações econômicas para sua qualidade de vida. A diversidade de estratégias de comercialização adotadas varia num espectro de menor a maior inserção no mercado. Desde o agricultor P9, que paga frete pelo transporte da sua produção até a feirinha; até P7, que possui uma frota de quatro caminhões abastecendo diariamente o grande varejo e restaurantes em três capitais do

Estes não foram destacados aqui, mas seu ponto de vista foi discutido no capítulo anterior, seção 1.3, págs. 26 e 27.

Algumas informações foram colhidas verbalmente, sem registro em vídeo. Abaixo, os seis principais personagens da história viva aqui contada. As fotos para cada caso não necessariamente retratam a pessoa, pois os seus ambientes também são significativos e dizem muito sobre o perfil do agricultor.

P2 é agricultora desde que nasceu, vive num assentamento e vende tudo que produz na feirinha de Remígio. Há dez anos ela e o marido receberam um lote de 04 hectares num assentamento da reforma agrária. Naquela época, diz ela, já estavam convencidos sobre a agroecologia e decidiram não usar veneno nessa nova terra. Produzem feijão e batata – dois dos alimentos mais produzidos e vendidos pelos camponeses na região. Mas produz também inúmeras hortaliças, numa horta toda consorciada (figura 5). Apesar de fortemente engajada com a proposta das feiras agroecológicas, sente falta de um selo para certificar seu produto. Esse desejo destoa de alguns entrevistados que apostam na certificação participativa como atitude de resistência camponesa.

O marido produz com ela na lavoura, mas a feirinha ela faz sozinha ou com a ajuda dos filhos, de 20 e 15 anos. Ela não tem condições de transportar seus produtos até a cidade; anda cerca de um quilômetro com os caixotes num carrinho de mão até a beira da estrada, onde paga um transporte alternativo (caminhonete). Sua renda é muito baixa, menos de 250 reais por mês, e seu maior sonho é construir o alpendre da casa. Sente orgulho do filho mais novo, que é muito inteligente. Quer que os filhos mantenham o amor pela terra, mas estudem e trabalhem em outra coisa, “porque o agricultor é muito desvalorizado e essa vida é muito dura” (entrevista P2 em 25/07/2013).

P3 é um dos mais bem-sucedidos da feira de Remígio, onde vive com a esposa e dois filhos pequenos. O casal trabalha junto na lavoura e na feira (figura 6). Produzem hortaliças em grande variedade e quantidade, além de beneficiar polpas de frutas. Utiliza regularmente o crédito para produtor rural oferecido por bancos e programas do governo. Além da feirinha, vende para mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Mas não quer saber de vender para supermercados nem intermediários. Ele é um dos coordenadores da Associação Ecoborborema – uma das organizações do PSB, criada por agricultores para promover seu acesso aos mercados.

P7 é filho de agricultores, nasceu e se criou em Alagoa Nova, é casado e tem 2 filhos pequenos. Completou o ensino fundamental mas não fez outros cursos nem recebeu assistência técnica. Nunca utilizou serviços de crédito, e mesmo assim conseguiu expandir suas terras para 66 hectares, dos quais 36 são cultivados (figura 7). Possui 50 cabeças de gado que lhe fornecem esterco, e também compra esterco de terceiros para adubar o solo. Sua produção não é 100% agroecológica, mas a parte orgânica é certificada. Ele não tem interesse em participar de feiras. Diz que é totalmente satisfeito com sua renda e seu trabalho. Vende toda a produção para supermercados e restaurantes em três capitais do Nordeste, mas compra seus alimentos no mercadinho do povoado. Cuscuz com leite é o seu prato preferido e ele manteria os hábitos alimentares se tivesse maior renda. Não revelou suas expectativas para o futuro (“só quem sabe é Deus”). Destaca-se sua preocupação com a água, que é o fator limitante do seu aumento de produção.

P9 tem 64 anos, é agricultor em Alagoa Nova. Nasceu filho de agricultores, criou-se e casou-se na região. Nos anos 1980, chegou a ser monitor da Emater/PB, colaborando nas ações de assistência técnica a outros produtores com seu conhecimento empírico dos cultivos. Participou da rede de agricultores-experimentadores (SABOURIN, 2001; PETERSEN E SILVEIRA, 2007) e foi um dos precursores da transição agroecológica no território:

Eu usei veneno, não sabia que era ruim. O veneno já era parte do pacote quando a gente contratava um empréstimo no banco. Mas aos poucos eu fui vendo que os passarinhos sumiam, que as abelhas estavam morrendo. O veneno atrapalhava mais do que ajudava a produção. E se fazia mal pros bichos, fazia pra gente. Meu filho mais velho tem problema respiratório até hoje. Então eu parei de usar veneno. Até inventei uma calda, que não faz mal nenhum. E fui um dos primeiros produtores agroecológicos daqui. Na época a gente não falava esse nome, agroecologia. Isso veio depois, quando os professores começaram a visitar o sítio. Hoje eu recebo turmas da universidade, programas de tevê, todo mundo vem aqui pra saber como é a minha produção. E ela é 100% agroecológica. (depoimento de P9 em 29/07/2013)

Há cerca de um ano e meio P9 se desentendeu com um dos coordenadores da Ecoborborema e decidiu se afastar das feirinhas. Hoje vende toda sua produção para uma empresa que fornece ao grande varejo. A empresa paga anualmente o custo da sua certificação.

P12 é agricultor em Lagoa Seca e um dos mais bem-sucedidos pequenos agricultores da região. Sua propriedade não chega a dois hectares e é completamente irrigada e produtiva. Ele tem acesso a crédito e construiu um galpão de beneficiamento das verduras. Vende para todos os canais de comercialização disponíveis e possui um serviço de teleentrega, além de participar da feira agroecológica do Museu do Algodão (a mais lucrativa das organizadas pela Ecoborborema) e de manter contrato com a distribuidora Mocó Agropecuária (ver box 3 à frente). Foi escolhido para um projeto do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Micro Empresa (Sebrae) de montar hortas circulares ao redor de galinheiros (figura 9). O galinheiro no miolo da mandala não deu muito certo... Mas, como ele próprio acrescenta, tomou gosto por avicultura e mudou o galinheiro para um cercado maior. O agricultor tem apoio do Sebrae e de universidades e viaja pelo Brasil para contar sua história.

P15 é professora do ensino fundamental, agricultora especializada em tangerina e presidente da cooperativa de citricultores do município de Matinhas. Com o apoio do Sebrae, conseguiu recursos para construir uma fábrica de suco e assinou contrato com o Clube dos Produtores. Com a mudança do governo do estado nas eleições de 2010, as obras da fábrica foram interrompidas (figura 10). Mesmo sem nunca ter conseguido vender para o grande varejo, ela acredita firmemente no discurso de empreendedorismo do Sebrae, e tem expectativas altas em relação ao futuro da cooperativa.

Figura 10 – Cooperativa de Cítricos e entrevistada P15. Matinhas, 15/03/2013. Foto: Cynthia Sims

Os agricultores P7 e P15 foram os únicos do Território da Borborema que disseram ter estabelecido contato com o Programa Clube dos Produtores (CdP). Nenhum dos dois tem assistência técnica nem envolvimento direto com o PSB. P7 alavancou sua produção por meio do seu próprio empreendedorismo, sem assistência técnica nem crédito. Ele conta que, há 10 anos, vendia cerca de 80% da sua produção para o CdP. Hoje vende apenas 25% para o Walmart (o maior varejista do mundo), 25% para outro grande varejista (o maior do Brasil), e os restantes 50% para clientes diversificados, o que lhe garante autonomia na negociação com cada um. Enquanto os negócios de P7 cresceram com a parceria do varejista, a cooperativa de tangerina não saiu do lugar, e talvez nunca saia. P15 continua à espera de um governo que decida investir novamente na fábrica, o que demonstra que empreendedorismo – apesar dos esforços do Sebrae - é coisa difícil de ensinar.