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Mesure de Palm et cellule typique

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1.1 Outils de G´ eom´ etrie al´ eatoire

1.1.2 Mesure de Palm et cellule typique

O guasqueiro contemporâneo que atua nos centros urbanos é moldado pela influência contínua da cultura rural na criação de suas obras. De toda forma, conserva-se o jogo da memória entre passado e o presente, em que a tradição é a mediadora na construção e na transformação identitária que o guasqueiro sofre. O passado é a base de apoio que o possibilita ir adiante e enfrentar os desafios impostos pela modernidade.

A memória irá influenciar diretamente na transformação da identidade do guasqueiro e em suas tradições. Será por meio da rememoração das memórias do transmissor/mestre do saber fazer que o receptor/artífice irá atualizar suas técnicas para o presente de sua nova realidade social, o que lhe possibilita a comercialização de suas obras.

Com isso, tem-se a possibilidade da guasqueria ser ferramenta de potencial econômico e também, um recurso turístico que pode despertar interesse por parte dos turistas em adquirirem peças artesanais em couro cru, movimentando o mercado interno da cidade. Nessa direção, temos uma nova perspectiva, o guasqueiro começa a criar um objeto que se distancia da função original, de peças voltadas para o trabalho com o cavalo e passa a produzir obras com outro significado, mas que representam o objeto original, como, por exemplo a criação

de chaveiros em formato de boleadeiras ou ainda colares que representam laços. À vista disso, permanece a técnica base de criação do ofício de guasqueria, porém com uma nova concepção.

Essa nova concepção está baseada na mudança da própria identificação da guasqueria que passa a ser compreendida como artesanato, ou seja, respondendo a uma demanda de mercado que busca uma renovação constante de produtos. Nesse viés de pensamento, temos o artesanato tornando-se um produto cultural rentável, adequando-se em sua maneira de criação e comercialização de objetos.

Este artesanato deve ser compreendido como um ofício heterogêneo carregado de intricadas memórias e tradições, estruturando-se, na contemporaneidade, nas dimensões material, imaterial, econômica e cultural (LIMA, 2005) e fazendo com que tenha sua relevância a partir da promoção de renda econômica, para assim possibilitar a estabilidade financeira de seus praticantes e a inclusão social desses.

Todavia, o artesanato se desenvolve as margens da produção industrial, em confronto direto com a lógica de acumulação do capital. Sua presença está em uma constante oscilação entre o fazer manual e o industrial. À vista disso, o artesanato acaba por ser condicionado à necessidade de transformar/modificar sua forma de produção e atuação para se manter na sociedade contemporânea.

Vale ressaltar que o ofício artesanal, também, considerando a guasqueria, apresenta uma escala de produção em série, porém está é pequena, e por mais que a técnica e o estilo do objeto sejam semelhantes, ainda assim, o objeto será único, pois se afasta do padronizado, já que apresenta no momento de sua criação, a memória, a tradição, a identidade e o contexto do artífice que irão influenciar na obra final.

Apesar da inserção de materiais produzidos industrialmente na composição do objeto artesanal, esse ainda se destacaria em seu diferencial simbólico e estético. Em um período em que o massificado domina o circuito econômico as singularidades de um objeto tornam-se elementos essencial e necessários para a renovação do mercado consumidor.

A guasqueria apresenta-se como um artesanato tradicional que se posiciona no mercado de forma ativa e criativa, transformando-se com o tempo e os processos sociais. Assim, é possível identificar a autenticidade dos objetos, a carga simbólica e a realidade de ser algo único, que consegue manter-se a uma certa distância das influências externas, principalmente no que tange a técnica-base de transmissão e construção do objeto em couro cru.

É através do mercado informal que os guasqueiros comercializam suas peças, principalmente por meio de encomendas. É aí que temos o sujeito criador e o sujeito

consumidor do objeto, que irá influenciar na peça, porque fará a escolha do tipo de trançado, do material e do formato do objeto que deseja adquirir. A partir disso, o criador/artífice começará a criar a obra encomendada.

Assim sendo, temos o mercado informal como um espaço de sustentação, esse compreendido como afastado do rigor burocrático do comércio formal, possibilitando uma liberdade de atuação para os artesões/guasqueiros que comercializam suas peças em seus ateliês. Contudo, ao compreendermos o artesanato guasqueria como produção de renda para seu produtor e um patrimônio tradicional, devemos considerá-lo também, como um elemento que possui potencial para o desenvolvimento local principalmente como recurso turístico:

O desenvolvimento local é um assunto de atores locais[...] e o patrimônio é húmus[...], é um quadro, [...] é um recurso para o desenvolvimento. [...] O desenvolvimento local é um processo voluntário de domínio da mudança cultural, social e econômica, enraizado no patrimônio vivido, nutrindo-se deste patrimônio e produzindo patrimônios (VARINE, 2013, p. 18-20).

O desenvolvimento do turismo, por exemplo, tende a promover um olhar para as singularidades das pequenas comunidades, como a produção artesanal que ao ser reconhecida causa um grande impacto cultural e socioeconômico na sociedade local (BEZERRA, 2013), aguçando as memórias do passado

(saber-fazer) por meio da criação de objetos no presente, obras que serão consumidas e compartilhadas por aqueles que trilharem o caminho do turismo. Além disso, “la vinculación del patrimonio con el turismo equivale a su introducción en el mercado y produce cambios cualitativos en las activaciones y su evaluación” (PRATS, 2006, p. 73).

Para que as manifestações culturais como a guasqueria sejam potencializadas, há a necessidade do desenvolvimento de projetos e programas municipais de turismo voltados para a incorporação e reconhecimento do patrimônio local48. Partindo de

um prévio mapeamento dos sujeitos que produzem artesanato, reconhecendo a originalidade de seu trabalho, exclusivo e único e também, buscando um espaço para que esses sujeitos atuem e sejam percebidos em meio a paisagem urbana da cidade.

Dessarte, a paisagem rural da cidade também pode ser potencializada como recurso turístico, principalmente pela grande procura, que se nota na contemporaneidade de vivenciar a natureza, de conhecer os territórios e lugares de memória do meio campestre, incentivando a permanência do peão/guasqueiro no campo, com o auxílio da comercialização da guasqueria, essa, defendida neste ensaio, como um recurso cultural, econômico e turístico.

Importante frisar que os projetos de valoração do patrimônio local devem ser construídos em conjunto com a comunidade, em uma relação de troca entre poder público e sociedade, considerando uma produção coletiva de reconhecimento dos bens culturais, para que assim se efetive de fato, pois: “o patrimônio não é nem intocável, e inalienável. Ele é essencialmente consumível, destrutível, mas somente em função do desenvolvimento. [...] ele também é capaz de gerar um novo patrimônio” (VARINE, 2013, p. 39).

Uma vez que, um patrimônio isolado não existe por si só, ele precisa de um contexto e de bagagem cultural (memórias) para se manter em sociedade e ser ativo, deve ser reconhecido e vivenciado pela comunidade, para que não se perca e se torne desconhecido, como no caso da guasqueria.

8.4 Considerações finais

O artesanato, então, pode ser considerado um recurso turístico cultural que surge dos hábitos, das crenças, do cotidiano e dos saberes populares. Com foco na guasqueria, surge através da criação de objetos materiais, carregados de imaterialidade, em que o uso de ferramentas industriais é mínimo, utilizando o lugar, o espaço, as memórias e o ambiente como matriz de inspiração.

de inserção da cadeia produtiva do turismo, acaba por somar valor a essa prática social, principalmente se reconhecermos esse saber fazer da tradição campeira como um patrimônio cultural local, que se transmitido aos visitantes (turistas) proporcionará inúmeras experiências de caráter único a esses sujeitos.

Já, a guasqueria, quando pensada em uma dimensão tradicional manifesta o patrimônio cultural produzido e acumulado pelo guasqueiro, principalmente quando voltado para a transmissão de técnicas tradicionais entre gerações. Os guasqueiros quando adotam a produção de novos objetos que se diferem da função original (lida campeira), com a criação de chaveiros, joias e objetos ornamentais (artesanato artístico), abrem um leque de oportunidades de comercialização de seus objetos, pois os sujeitos que não possuem uma ligação com o cavalo (meio rural) irão adquirir peças que remetem a esse, porém com uma nova significação, que preza pelo estético, o técnico e o criativo da obra.

A trajetória de vida dos guasqueiros é cercada de memórias das experiências no campo e do trabalho de peão, que ainda permanecem no presente de cada um, apesar das dificuldades enfrentadas para exercer esse ofício. Esses sujeitos retomam a este passado constantemente com sentimento de saudosismo, por meio da pratica da guasqueria. Essa é algo que eles criam, em certo sentido para eles mesmos, para estarem sempre

reafirmando suas identidades em meio a troca existente entre artífice e objeto.

Portanto, cada peça criada corresponde a uma memória do processo de criar, do porquê criar, como criar, para quem criar e como ela será utilizada. Estabelecendo assim uma forte conexão com todas as etapas de desenvolvimento da obra. De certa forma, o guasqueiro é uma extensão do ser peão.

Por fim, a produção de guasqueria é uma forma de retirar esses sujeitos da linha da invisibilidade e lhes proporcionar protagonismo político, cultural e inclusive, turístico, tanto no espaço urbano quando no rural, desde que haja investimento na elaboração de projetos municipais de reconhecimento e valoração da produção artesanal local.

REFERÊNCIAS

ARRUDA, G. Para que serve o ensino de História? Revista

História e Educação, Londrina, v. 01, n. 01, 1995.

BEZERRA, L. T. Turismo e favela: A influência do imaginário para o consumo da comunidade Santa Marta /Rio de Janeiro. Monografia (Graduação em Turismo) - Universidade Federal do Rio Grande, 2013.

BENHAMOU, F. A Economia da cultura. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007.

HESKETI, J. Desenho industrial. Tradução: Fábio Fernandes. 2.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

LIMA, R. G. Artesanato: Cinco pontos para discussão. Brasília: Ministério da Cultura - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, 2005.

LUVIZOTTO, C. K. As tradições gaúchas e sua racionalização

na modernidade tardia. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo:

Cultura Acadêmica, 2010.

PRATS, L. La mercantilización del patrimonio: entre la economía turística y lasrepresentaciones identitarias. Investigación. PH

Boletín del Instituto Andaluz del Patrimonio Histórico, n. 58,

mayo 2006.

SILVA, J. G. da. A industrialização e a urbanização da agricultura brasileira. In: BRASIL em artigos. São Paulo: SEADE, 1995. VARINE, H. de. As raízes do futuro: o patrimônio a serviço do

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