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Mesure de matrice de Mueller d’une monocouche orientée de nanofils d’argent

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4. FILMS DE NANOFILS D’ARGENT ORIENTES POUR L’ETUDE DE

4.2. F ILM MONOCOUCHE DE NANOFILS D ’ ARGENT ORIENTES

4.2.3. Mesure de matrice de Mueller d’une monocouche orientée de nanofils d’argent

O debate multidisciplinar é o caminho para a superação das atuais grandes crises da humanidade. Conforme Adger et al. (2005), por seu caráter transversal e multinível, o enfrentamento das mudanças

climáticas exige a mudança de foco da ação do nível global para o local e a análise das formas pelas quais processos sociais e políticos interagem com diferentes níveis e sistemas de governança (ver item 3.4, p. 197).

Um grande número de estudos relativos à governança do clima tem sinalizado para o desenvolvimento de um “regime climático” internacional (OKEREKE et al., 2009) e tem sido compreendido por muitos países como uma excelente oportunidade para a promoção de padrões mais sustentáveis de urbanização e melhoria da qualidade de vida de sua população (LANKAO, 2007a). Esses processos possuem uma dimensão local importantíssima, já que as cidades concentram grande parte das atividades humanas relacionadas às crescentes emissões de GEE; além disso, pela impermeabilização do solo por concreto e asfalto, com a consequente formação de “ilhas de calor”, as cidades têm se transformado em células de baixa pressão, comportando-se quase como os desertos (PUPPIM DE OLIVEIRA, 2009).

Apesar de sua complexidade de interações, o tema das mudanças climáticas relaciona-se com a discussão de cidades e governos locais, pois parte significativa das emissões de GEE é gerada em centros urbanos como resultado do modo de vida urbano. Além disso, os impactos das mudanças climáticas têm implicações diretas sobre centros urbanos e suas infraestruturas (SATTERTHWAITE et al., 2009). No caso brasileiro, 82% da população mora em áreas urbanas e, destes, 60% moram em áreas metropolitanas (PHILLIPI JR., 2005). Existem inter-relações entre medidas relacionadas às mudanças climáticas e o desenvolvimento urbano sustentável que resultam na busca de inovações sociais e tecnológicas por parte dos governos (BULKELEY et al., 2009). Como resposta, alguns países vêm aumentando a autoridade e jurisdição de seus governos locais para melhorar a efetividade de políticas públicas pelo fato de estes estarem mais próximos aos cidadãos e, consequentemente, de seus anseios e problemas.

Para Viola, Barros-Platiau e Leis (2008, p. 8), “a mitigação da produção de GEE e a adaptação aos extremos climáticos através da preparação da população e o fortalecimento da defesa civil são totalmente compatíveis com os objetivos da segurança ambiental”. Por outro lado, deve-se levar em conta a observação de Bott (1976, p. 6) de que seria “de grande valia para a pesquisa se pudéssemos confiar mais na observação e menos nas entrevistas”. Outra preocupação diz respeito a um possível senso comum em relação ao tema, que pode estar impregnado nos atores entrevistados (SANTOS, 1989), bem como

a propensão à ação individual, desconectada, das pessoas e de suas corporações.

De acordo com o Relatório sobre Mudanças Climáticas da CBI,

as transformações necessárias para evitar- se uma eventual catástrofe com altos custos socioeconômico-ambientais somente ocorrerão na escala necessária e a um custo acessível, se os governos, as empresas e os consumidores trabalharem juntos. Por si só, os governos não têm condições de serem bem-sucedidos; as empresas por conta própria também não. Juntos, porém, somos capazes de mobilizar o mundo.[grifo nosso] Portanto, para termos êxito, precisamos encarar a agenda de mudanças climáticas como um assunto que diz respeito a todos nós [grifo nosso] (CBI, 2007, p. 11).

Por outro lado, os participantes não podem desenvolver as normas em que se corporificam interesses comuns senão a partir de uma perspectiva plural, que deve, por sua vez, ser construída por meio de uma troca reversível das perspectivas de todos os envolvidos (TUGENDHAT, 1997).

A escolha do município de Joinville no desenvolvimento deste estudo justifica-se por ser esta a maior e mais pujante cidade do estado de Santa Catarina, resultante do seu perfil econômico eminentemente industrial, com um polo metal-mecânico, de plásticos e software altamente desenvolvido, o que a torna a primeira economia do estado e a terceira do sul do Brasil. Entendemos que tal pujança não deve estar à mercê de condições climáticas que venham a interferir na qualidade de vida de seus cidadãos.

Viola, Barros-Platiau e Leis (2008) afirmam que o conceito de segurança climática ainda é praticamente desconhecido na América do Sul e que este continente constitui um exemplo emblemático da dificuldade e da complexidade inerentes ao enfrentamento desse problema, dada a percepção no geral atrasada e de uma atuação reativa em face dele. O quarto relatório do IPCC (2007) deixa claro que a América do Sul e suas cidades são altamente vulneráveis a mudanças climáticas.

Somente agora suas elites (Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia) sugerem uma mudança de perspectiva sobre a vulnerabilidade de seus respectivos países e um incipiente progresso atitudinal entre setores mais educados desses países. Essa mudança poderia conduzir num futuro de meio prazo a uma efetiva governança e governabilidade regional da mudança climática. No entanto, a região ainda se vê como vítima e carrasco das mudanças climáticas (VIOLA; BARROS-PLATIAU; LEIS, 2008, p. 10).

Para deixarmos de ser vítimas locais e passarmos a ser atores no processo de reação às mudanças climáticas é necessário podermos avaliar a governança climática na cidade de Joinville e se, à medida que o problema se agrave, os interesses de governo, empresários e sociedade civil organizada convergiriam para uma proposta de ação conjunta, ou seja, se os atores estariam agindo sobre valores e objetivos comuns e se existiria um consenso sobre a questão.

O que governo, empresários e sociedade estão dispostos a fazer e se a mudança climática é encarada como uma questão estritamente técnica ou também como questão política e tema de segurança pública são questões que necessitam de resposta imediata para a cidade de Joinville.

É preciso refletir também se a típica democracia − isto é, decisões colegiadas e de consenso − serve para tratar essa questão ou se, em função da urgência de ações, não seria de se esperar uma proposta de governo apontando as principais diretrizes para o enfrentamento da questão.

Estamos diante de uma necessidade imediata de ação, pois, como bem refletem as palavras de Gould (1994, p. 37), se tratarmos o planeta bem, este nos suportará durante um tempo mais. Se lhe arranharmos a pele, sangrará, revidará e porá uma venda, tratando de ocupar-se de seus próprios assuntos em sua própria escala.

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