Chapitre 2 Élaboration et caractérisation des verres d’aluminosilicates
III. TECHNIQUES DE CARACTÉRISATION
III.4. Mesure et contrôle de la fugacité en oxygène (fO 2 )
São todas as medidas de proteção realizadas e gerenciadas por cada motorista, porém entendidas como prática reconhecida pelo grupo social dos quais os indivíduos fazem parte.
As ações e reações adotadas individualmente diante da percepção concreta do risco e/ou durante ataques contra os taxistas não se apresentam de forma homogênea, estática, mas ganham forma de acordo com o grau de risco atribuído pela vítima e recursos disponíveis para defesa. Muitos recorrem a conhecimentos acumulados de experiências próprias de vitimização ou de colegas, socializadas entre os membros do grupo.
As diferentes respostas são caracterizadas pelo comportamento da vítima de forma passiva ou reativa, sendo definida pelo reconhecimento da gravidade dos efeitos que a vitimização pode alcançar. Entre os entrevistados todos adotam e recomendam comportamento passivo e não reativo, sob pena de agravar a situação de crise. E acreditam que os agressores querem levar dinheiro, aplicar golpes, utilizar o táxi para fuga e não necessariamente ferir a vítima. Alguns taxistas respondem com maior ousadia ao crime, porém a grande maioria responde recorrendo às medidas utilizadas coletivamente acreditando serem mais eficazes.
5.1.1 As defesas primárias individuais 1. Leitura de sinais corporais
Os sinais são um conjunto de informações corporais, ambientais, captadas através de recursos cognitivos e intuitivos do taxista. Os sinais corporais compreendidos como expressões corporais e microexpressões, linguagem, diálogo, vestuários, acessórios, comportamento, aspectos emocionais (humor, irritabilidade, agressividade) que são identificados pelos motoristas de táxi objetivam identificar possíveis agressores, evitando ações criminosas contra eles. A eficácia dessa leitura se dá antes de tomar a decisão de realizar a corrida, pois, quando o passageiro adentra o veículo, diminuem as chances de evitar a agressão. A partir do momento em que o taxista aceita a corrida e o
passageiro entra no carro, as medidas de defesas são para gerenciar os ataques e minimizar os efeitos da vitimização, quando esta se concretiza.
A interpretação de sinais para identificação de situações consideradas de risco e gradação desse risco tem um alto custo para os taxistas, pois eles dependem da eficácia dessa interpretação e tomadas de decisão coerentes que venham a não garantir a proteção contra ações criminosas, mas permitir a sobrevivência na própria profissão.
“Eu gosto de olhar bem nos olhos do passageiro. E quando ele foge o olhar ou se esconde fico desconfiado, pois quem não tem nada a esconder encara a pessoa. E homem, principalmente, que tem boa intenção olha sem medo. A gente percebe a intenção pelo olhar. (F.R., 60 anos, taxista).
Para Gambetta e Hamil (2005), trata-se de um jogo de sinais considerados como microformas de expressão que são captadas e emitidas por um conjunto de recursos linguísticos com o comportamento, tom da fala, expressão corporal e, principalmente, da face, gestos, movimentos, palavras que são transmitidas simultaneamente.
a. Vestuários e acessórios
Evitam passageiros que usam roupas (calças e camisas) folgadas, que possam esconder uma arma. Acessórios como chapéus e bonés colocados de maneira que escondam parcialmente o rosto são considerados como adereços que despertam desconfiança. “É assim, quem vem com boas intenções não precisa esconder o rosto. Se
quer esconder o rosto é para não ser visto, reconhecido. Não é boa coisa.” (E.T., 41
anos, taxista).
Também despertam desconfiança as pessoas que carregam sacolas, mochilas, malas, geralmente solicitando do taxista que transportem a bagagem no porta-malas. Em algumas situações o taxista solicita revistar a mochila ou a sacola antes de entrar no táxi.
“Não permito que o passageiro entre com mochila nas costas. Ele pode muito bem esconder uma arma” (E.P. 38 anos, taxista auxiliar). Alguns motoristas condicionam o
passageiro a manter a mochila nas costas durante o trajeto e sentados do lado direto do motorista. Nessa situação, o passageiro passa a ter os movimentos corporais intensamente vigiados pelo taxista. Pessoas do sexo feminino, idosos e crianças não costumam serem revistados, ao contrário de homens, negros ou pardos, jovens e adolescentes.
“Na Pituba, eu estava no ponto do Bom Preço (supermercado) e chegou um rapaz, novo, de pouca idade, uns vinte anos. Com mochila cheia de coisa. A gente não sabe se tem droga, sem tem roupa, se tem alguma arma escondida. Para aceitar a corrida só se ele aceitar revistar a mochila, senão não levo.”( C.A., 49 anos, taxista)
b. Comportamento do passageiro quando pede a corrida
“O sujeito que fez coisa errada às vezes chega correndo, com pressa, entra no táxi com cara de medo, a gente pensa logo que praticou alguma coisa errada e está fugindo. Sempre que possível recusamos a corrida” (L.I., 42 anos, taxista).
O comportamento apressado de um passageiro que chega ao ponto para pegar o táxi é visto com suspeita. Evitam atender a passageiros que apresentam sinais de irritabilidade, agressividade, impaciência ou com sinais de entorpecimento, confusão mental, dentre outros estados que possam significar uso de drogas e medicamentos.
“Outro dia chegou ao ponto um homem agoniado, que queria sair dali e repetia
várias vezes. Percebemos que ele não estava bem. Ficamos enrolando ele, até que apareceu uma pessoa e informou que ele tinha problemas mentais” (C.A, 44 anos,
ex-taxista).
c. Expressões corporais
Taxistas revelam a expressão corporal como sinais importantes. “Olhar no olho
é importante para verificar as intenções do passageiro. Aquele que fica fugindo ao olhar para ele. Dá para ficar desconfiado” (R.A., 55 anos, taxista auxiliar). A
capacidade de identificação dos sinais pode ser diferenciada entre os taxistas. Porém observa-se que se trata de percepção complexa, sutil, captando microexpressões, sentimentos viscerais, mas com racionalidade. E muitos falaram de um
“comportamento”, ”um jeito suspeito”, “às vezes é um gesto”, o que pode ser
interpretado como sinal de alerta da exposição ao risco. Um sistema de alerta que está em prontidão.