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3.6 La PCV de communication

3.6.2 Le menu 3D

Após realizar a análise individual, cabe agora fazer uma análise comparativa, de forma a complementar as respostas aos objetivos inicialmente delineados para a investigação. Ao nível do contexto, verifica-se que o programa escolhido para a preservação deste património pode ser fundamental, tanto para o sucesso do conjunto edificado, como para a própria comunidade e revitalização da economia local onde o mesmo se insere. Por um lado, pode ficar aquém do espectável, não ser autossuficiente e não contribuir verdadeiramente para o desenvolvimento em comunidade. Por outro lado, pode ultrapassar as espectativas, e gerar uma dinâmica que o descaraterize a ele próprio, e consequentemente, à comunidade onde se encontra inserido.

De qualquer forma, da análise efetuada aos três tipos edificatórios de referência, a multifuncionalidade do conjunto apresenta-se como uma vantagem. Atividades compatíveis e que se complementem, parecem abrir um novo leque de oportunidades para tornar o conjunto mais autossuficiente, criando dinâmicas económicas e sociais que se podem refletir na própria onde se insere, como parece estar a acontecer com o Centro de Inovação e Logística instalado na Quinta dos Pinto da Mota em Valença. A valorização do conjunto e as suas relações com a envolvente próxima parecem ser mais consensuais. Parece assim conveniente, fazer uma abordagem global, relacionando os espaços que o compõem entre si e com a própria envolvente, como fez o arquiteto Sérgio Fernandez na Quinta dos Pinto da Mota, ao assumir a responsabilidade de corrigir o que considerava como "zona eventualmente menos interessante", libertando o restante terreno para prováveis ampliações, tudo isto em benefício do conjunto.

A organização funcional e a hierarquização dos seus espaços são também fundamentais para o sucesso da intervenção. Tanto na Quinta da Malaposta como na Quinta dos Pinto da Mota, é evidente essa preocupação. Já na Quinta de São Roque, parece não ter havido demasiado cuidado com esse aspeto, podendo criar alguns momentos de tensão na transição dos diferentes usos.

Nos aspetos construtivos, assinala-se a preocupação dos três arquitetos em preservar as caraterísticas construtivas das edificações existentes, nomeadamente nas proporções, formas e texturas das superfícies no caso da Quinta da Malaposta e a diferenciação na utilização de técnicas construtivas tradicionais ou contemporâneas, para os edifícios preexistentes e ampliações, respetivamente, no caso da Quinta dos Pinto da Mota. No caso da Quinta de São Roque, o arquiteto refere-se a uma "limpeza" dos acrescentos que forma impostos ao edifício ao longo dos anos, sem especificar o método utilizado,

verificando-se alguma dificuldade em identifica-la no caso da Quinta de São Roque, contrariando os princípios da Carta de Veneza (1964) que refere que os elementos de integração devem ser sempre reconhecíveis e reduzir-se ao mínimo necessário, para assegurar as condições de conservação do monumento e restabelecer a continuidade das suas formas.

Tanto nos casos da Quinta da Malaposta como na Quinta dos Pinto da Mota, os arquitetos demonstram uma particular sensibilidade para esta questão, nomeadamente na primeira através da incorporação de novos materiais de caráter mais contemporâneo nos vãos que rasga na fachada sul e no novo edifício a poente, bem como a seleção de "elementos leves" na transição das construções existentes para a ampliação proposta na segunda, cuja reversibilidade salvaguarda a autenticidade das preexistências, indo ao encontro dos princípios da intervenção direta já citados no capítulo II.

Destaca-se ainda a preocupação, tanto no primeiro como no segundo tipo edificatório de referência em integrar o novo com o antigo. No caso da Malaposta, através da sua permuta de influências e harmonização do conjunto, e em Valença, quando transforma a ruína no elemento de maior impacto do novo conjunto, devolvendo-lhe a dignidade e o significado de representação que esse elemento teve nos tempos áureos da sua atividade, conforme o próprio explica.

Nos critérios de intervenção, torna-se evidente que são tão importantes as motivações explícitas como as implícitas. Para valorizar e promover o património, nem o edifício pode ser visto apenas pelas questões tangíveis, nem exclusivamente pelas questões intangíveis. Ambas devem ser devidamente avaliadas e reconhecidas, permitindo uma interpretação isenta para o reconhecimento dos critérios da intervenção a realizar. Das motivações explícitas, refira-se a valorização do espaço exterior nos três tipos edificatórios de referência. A valorização da memória mantida nos pavimentos da Quinta dos Pinto da Mota e no da Malaposta, representam as motivações implícitas.

O nível de impacto que o arquiteto está disposto a aplicar na sua intervenção é identificado por "grau de intervenção". Os diferentes graus de intervenção estão definidos nas Cartas Internacionais sobre o Património e existem alguns que se cruzam e complementam.

Conforme já referido no capítulo II, tanto o património arquitetónico como os elementos que o compõem, "resulta de uma dialética entre os diferentes momentos históricos e os respetivos contextos socioculturais" (Carta de Cracóvia, 2000), e a intervenção pode mesmo incluir mais do que um grau na mesma obra (Orbasli, 2008).

Por vezes, como se verificou nos tipos edificatórios de referência analisados, nem a terminologia utilizada corresponde à intervenção praticada, nem o grau de intervenção escolhido se adequa às definições estabelecidas nas Cartas Internacionais para o Património ou, pior que isso, não se adequam ao objeto a intervencionar, como aparentemente aconteceu na Quinta de São Roque.

É nesse sentido que uma adequada metodologia de análise e intervenção se torna fundamental para ajudar o arquiteto a interpretar corretamente o objeto a intervir, e a tomar as decisões mais acertadas para o proteger, valorizar e promover.

CAPÍTULO IV

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