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6.4.4 Menu CODE

Os documentos pedagógicos pouco mencionam sobre o trabalho do professor. Aparecem direitos e deveres, mas, em nenhuma das escolas, durante as suas leituras e análises, apareceu algo que servisse de suporte ao trabalho docente, algo que relatasse a sua importância ou que direcionasse sua ação pedagógica. Portanto, o que deveria nortear a ação do professor na escola, não o menciona e desconsidera-o como um dos atores principais do ambiente escolar.

Um trecho do Projeto Pedagógico da Escola A que chama atenção é o seguinte:

É importante destacar que o professor encontra-se hoje, desmotivado para o exercício de sua profissão em decorrência da desvalorização da carreira expressa nos baixos salários e precárias condições de trabalho. Percebem- se ainda sofrimentos físicos e psicológicos decorrentes das grandes demandas da educação exigidas ao professor e o pouco incentivo ao desempenho de suas funções. Sentimos urgência na retomada das políticas de valorização do professor sob pena de assistirmos grave desqualificação da educação escolar (Projeto Pedagógico, Escola A, p. 13).

Percebe-se que a escola A já nota o desinteresse de seus professores, no entanto, não propõem meios para estimulá-los. Em contrapartida, por mais que não haja referências concretas sobre o trabalho docente nos documentos, a escola B, segundo sua coordenadora, retoma constantemente os princípios, filosofia e objetivos da escola, como meios de consolidar a prática pedagógica de acordo com as finalidades da instituição.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde os primórdios da atuação docente no Brasil, há fortes evidencias de que o professor vem sofrendo com um contínuo processo de desvalorização profissional. Sem amparos seguros em sua profissão, seja financeiros, seja em materiais didáticos ou até mesmo o reconhecimento de seu importante papel na sociedade; logicamente, com o acúmulo de tais circunstâncias, o professor irá sentir- se desmotivado para exercer seu ofício e poderá percorrer um caminho de más práticas pedagógicas.

Dado a importância do planejamento para as boas experiências, e considerando que a gestão escolar tem um importante papel na produção desta ferramenta de auxílio e orientação do trabalho docente diário, a relação com as situações de abandono na área da EF, são então, bastante evidentes. É difícil compreender os processos que poderiam facilitar o abandono docente, no entanto, com relação ao tema proposto desta investigação, é possível perceber que a falta de formação continuada, tanto para o coordenador pedagógico, quanto para o professor, é um item altamente relevante e relembrado constantemente pelos sujeitos investigados.

Uma queixa da coordenadora pedagógica A foi a de não sentir-se preparada em sua formação para avaliar e até mesmo orientar o trabalho da professora de Educação Física, o que afirma desqualificar o seu trabalho. Outra situação é a formação continuada do próprio professor, o qual muitas vezes desconsidera a importância desta no exercício de sua prática pedagógica, como é o caso da professora A que julga desnecessário a participação nos processos de formação continuada oferecidas pela CRE. Nessa mesma perspectiva, a própria instituição educacional, no caso a escola A na especificidade desta pesquisa, demonstra certa incapacidade como gestão escolar e coordenação pedagógica, ao não exigir a participação dessa professora nas formações continuadas oferecidas. Demonstra, com isso, aceitar a sobreposição da escolha individual sobre as demandas profissionais e institucionais.

Entretanto, percebe-se que muitos cursos de formações descaracterizam os ideais construídos pelos professores, ou seja, vão completamente contra aquilo que o sujeito aprendeu na sua graduação e nas suas experiências docentes, tornando o trabalho realizado até então como algo impróprio. Seria errôneo e ingênuo pensar que o professor ou coordenador pedagógico se sentisse confortável frente a esta situação e modificasse sua atuação sem reinvindicações e/ou justificativas da sua atual prática pedagógica.

Diante disso, durante a pesquisa houve uma desconstrução da hipótese, deixando-a de ser enrijecida e tornando-a mais flexível frente as realidades escolares encontradas. Portanto, não há como afirmar que todas formas de gestão podem estar facilitando o desinvestimento pedagógico, mas, há algumas situações que fragilizam a prática pedagógica de ambos atores investigados.

Esclareceu-se, no entanto, que o professor é a principal figura responsável por permanecer atuando efetivamente em sua profissão. As escolhas de participar dos eventos de formação continuada ou não, de planejar e de legitimar seu lugar na escola e sua prática pedagógica, cabe apenas à ele e a sua atuação. O fato do professor se ausentar de seu compromisso profissional e ético não deveria ser justificado por uma eventual não “cobrança” de afazeres e avaliação por parte da coordenação.

Constatou-se, a partir das entrevistas, das observações e principalmente do contato com o ambiente escolar, seja na sala dos professores, corredores e conversas paralelas, que, apesar do professor ter a sua disposição a melhor quadra, os espaços e materiais esportivos abundantes, e de todos outros ambientes necessários para as práticas corporais oferecidas pela Cultura Corporal de Movimento, ainda assim, o professor pode negar suas responsabilidades pedagógicas.

No decorrer das conversas paralelas com os integrantes da pesquisa, ambos mencionam as relações políticas partidárias como uma dificuldade crucial no relacionamento entre os atores escolares, principalmente entre gestão escolar e professor. Essa situação colabora com o surgimento de conflitos internos de caráter pessoal que influenciam na prática docente, a qual gera, principalmente segundo o discurso da professora A, má vontade em trabalhar e entregar o que é solicitado pela gestão da escola dentro dos prazos, bem como, uma profunda rivalidade dentro do ambiente de trabalho que é repassada para a sala de aula.

Percebe-se que, devido ao efetivo acompanhamento e envolvimento da coordenação pedagógica da escola B com os professores, e com as propostas previstas nos documentos da instituição, há uma qualificação do processo de ensino, há diálogo entre as partes, há auxilio e há supervisão do trabalho docente. Essa assistência profissional faz com que o professor acredite em seu trabalho e faz com que ele perceba que não está desamparado para enfrentar a realidade da escola. Isso confirma a teoria de Nóvoa (2009, p. 31), em que o autor constata que “os novos modos de profissionalidade docente implicam um reforço das dimensões coletivas e colaborativas, do trabalho em equipa, da intervenção conjunta nos projetos educativos de escola”.

Parece que estamos todos de acordo quanto aos grandes princípios e até quanto às medidas que é necessário tomar para assegurar a aprendizagem docente e o desenvolvimento profissional dos professores: articulação da formação inicial, indução e formação em serviço numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida; atenção aos primeiros anos de exercício profissional e à inserção dos jovens professores nas escolas; valorização do professor reflexivo e de uma formação de professores baseada na investigação; importância das culturas colaborativas, do trabalho em equipa, do acompanhamento, da supervisão e da avaliação dos professores; etc. (Ibid., p. 14).

Por fim, é importante compreender que embora “cada caso é um caso”, também devemos reconhecer que não é um caso estritamente particular. Há semelhanças neles e há também singularidades e individualidades que podem torná-los únicos. Assim, é possível generalizá-los em suas características semelhantes conforme propõem Geertz (1989 apud DAOLIO, 2015, p. 120) que considera este modo a “generalização dentro dos casos”.

Não se generalizam os dados encontrados em um contexto para outros contextos de forma direta, mas as características específicas de um dado fenômeno social e sua forma de ocorrência são uteis para análise de outros grupos em outras situações. Assim, os procedimentos realizados para interpretar um grupo, podem ser estendidos para outras interpretações (Ibid., p. 120).

A partir disso, pode-se constatar que a generalização dentro dos casos permite conhecer e compreender outros casos. É preciso inserir-se por um longo tempo na escola e acompanhar efetivamente o trabalho dos atores que serão investigados em todos os momentos possíveis, ou seja, em todos os processos

escolares, seja em reuniões mensais e trimestrais, cursos de formação de professores oferecidos pela escola, planejamento do professor (individual e com a coordenadora pedagógica), e até mesmo um acompanhamento na própria sala dos professores para compreender profundamente as práticas pedagógicas vinculadas entre a coordenação pedagógica e professor. Por isso concluo com a ideia de que a investigação dessa temática não pode findar-se aqui.

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REFERÊNCIAS

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ANEXO A – TERMO DE LIVRE CONSENTIMENTO

TERMO DE CONSCENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Título do Projeto: Abandono Docente e Gestão Escolar Pesquisador responsável: Gabriele Panke Scheleski Autora: Gabriele Panke Scheleski

Orientador: Paulo Evaldo Fensterseifer

Instituição/Departamento: Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul / Departamento de Humanidades e Educação

Telefone para contato: (55) 99162-7996

Convidamos o (a) prezado (a) professor (a) a participar deste estudo, o qual tem como objetivo geral compreender como as relações sociais estabelecidas entre o professor de Educação Física e a equipe gestora da instituição educacional pode ou não facilitar o desinvestimento pedagógico, analisando quais as medidas utilizadas para modificar as práticas dos docentes caracterizadas como abandono. Também, a pesquisa busca evidenciar como a cultura escolar pode influenciar no imaginário social da Educação Física como componente curricular e no prestígio desse professor.

Este estudo justifica-se pelo fato de que o professor que está em situação de abandono docente não cumpre com sua função pedagógica o que leva a crer que há uma falta de compromisso ético, político e social. Dessa forma, é de suma importância identificar esse profissional, pois, ele não afeta apenas a si mesmo, mas priva o direito que o educando tem de aprender, experimentar e vivenciar, que por consequência debilita o avanço da sociedade.

Para se atingir o objetivo desta pesquisa faz-se necessário a realização de um estudo de campo afim de se adquirir informações para a discussão da presente temática.

Será importante a gravação das entrevistas, se assim aceitarem os sujeitos, para não se perder detalhes importantes das suas falas. Após a realização das entrevistas, elas serão transcritas e devolvidas aos sujeitos, para que esses possam incluir, excluir ou reescrever os seus depoimentos.

O material coletado através das entrevistas será utilizado exclusivamente com caráter científico, sendo lidas apenas pelo pesquisador responsável e pela autora da pesquisa, estando estes, responsáveis por qualquer extravio ou vazamento das informações confidenciais.

O anonimato dos sujeitos será preservado em quaisquer circunstâncias previstas nesta pesquisa, sendo esses livres para desistirem de participar da pesquisa a qualquer momento, sem que isso venha a prejudicá-los, não gerando prejuízos morais, físicos ou custos aos mesmos.

Desde já, informamos que se pretende divulgar os resultados encontrados nesse estudo em periódicos e eventos da área da Educação e/ou Educação Física.

Mesmo não sendo a nossa intenção, esse estudo poderá trazer algum constrangimento aos sujeitos do estudo, mas que serão amenizados pelo tratamento ético que teremos com os mesmos.

A autora compromete-se em esclarecer devida e adequadamente qualquer dúvida ou questionamento que os sujeitos venham a ter no momento da pesquisa ou, posteriormente, através dos telefones: (55) 99162-7996 ou por e-mail com o seguinte endereço: [email protected]

Após ter sido devidamente informado (a) de todos os aspectos desta pesquisa, seus propósitos, procedimentos e garantias de confidencialidade e ter esclarecido minhas dúvidas, eu _________________________________________________________________,

concordo voluntariamente em participar deste estudo e autorizo a realização de entrevista sobre a temática proposta, podendo retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidades ou prejuízo.

Assinatura e CI do entrevistado:

_________________________________________________________

Declaramos, abaixo assinado, que obtivemos de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste sujeito de pesquisa para a participação no estudo.

Assinatura do pesquisador responsável: ___________________________________ Assinatura da autora do estudo: _________________________________________

ANEXO B – ENTREVISTA COM O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

A) Sobre a escolha profissional:

1. Há quanto tempo exerce a função docente?

2. Enquanto educador físico, atua na área desejada? 3. Desde que ano trabalha nessa escola? Quantas horas?

4. Trabalha em outra escola? Se a resposta for sim, a escola faz parte da rede de ensino privada ou pública?

4.1 Percebes alguma diferença na forma de gestão da escola? Quais são as mais significativas?

5. Como se percebe enquanto professor de Educação Física perante a realidade da escola e dos alunos? Seu trabalho é reconhecido no ambiente escolar?

6. Tens investido em sua carreira profissional após o término da graduação de ensino superior?

7. Possui horário de planejamento? É suficiente? Consegue cumpri-lo?

B) Sobre a Gestão Educacional:

8. Há trabalho colaborativo no ambiente escolar?

9. Há algum acompanhamento por parte da coordenação escolar em relação ao planejamento de aulas e para a construção do plano de ensino? Como tem sido esta relação?

10. Em sua opinião, qual deveria ser a tarefa da gestão da escola?

11. Em sua opinião, qual deveria ser a tarefa da coordenação pedagógica?

12. A escola investe e estimula o professor a permanecer em sua prática pedagógica? De que formas?

13. Você se sente cobrado de alguma forma em seu trabalho? Há alguma ferramenta para avaliar o trabalho do professor?

14. O que você considera que seria uma atuação ideal do professor de Educação Física?

15. Você já leu ou ouviu algo sobre “abandono docente”? Tens alguma ideia do que seja e o que levaria a esta situação?

16. A escola toma alguma medida quando identifica um professor em abandono? Se sim, avalias como positiva estas medidas?

ANEXO C – ENTREVISTA COM A GESTÃO ESCOLAR

A) Sobre a escolha profissional:

1. Há quanto tempo exerce a função docente? 2. Atua na área desejada?

3. Desde que ano trabalha nessa escola? Quantas horas?

4. Trabalha em outra escola? Se a resposta for sim, a escola faz parte da rede de ensino privada ou pública?

B) Sobre a Gestão Educacional:

5. Há trabalho colaborativo no ambiente escolar? 6. Qual a tarefa da gestão da escola?

7. Qual a tarefa da coordenação pedagógica?

8. Há algum acompanhamento por parte da coordenação escolar em relação ao planejamento de aulas e para a construção do plano de ensino? De que formas ela auxilia?

9. A escola investe e estimula o professor a permanecer em sua prática pedagógica? De que formas?

10. Há alguma ferramenta avaliativa do trabalho docente?

11. O que você considera que seria uma atuação ideal do professor de Educação Física?

12. Você já leu ou ouviu algo sobre “abandono docente”? Tens alguma ideia do que seja e o que levaria a esta situação?

13. A escola toma alguma medida quando identifica um professor em abandono? Se sim, avalias como positiva estas medidas?

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