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O conceito de blogue (weblog ou, abreviadamente, blog), entendido como página web de conteúdos ordenados cronologicamente e com ligações a outras páginas, foi

utilizado pela primeira vez em Dezembro de 1997, por Jon Barger (Canavilhas, 2005; Alvim, 2007; & Gomes, 2007). Uma possível definição deste conceito é dada por Gomes (2007, p.1):

(…) um weblog é uma página na Web que se pressupõe ser atualizada com grande frequência através da colocação de mensagens – que se designam “posts” – constituídas por imagens e/ou textos normalmente de pequenas dimensões (muitas vezes incluindo links para sites de interesse e/ou comentários e pensamentos pessoais do autor) e apresentadas de forma cronológica, sendo as mensagens mais recentes normalmente apresentadas em primeiro lugar.

Data de 1999 o aparecimento do Blogger, uma ferramenta fácil e intuitiva para a criação de blogues e que veio a revelar-se fundamental no crescimento da blogosfera. Em 2000, surge o Blogspot, um servidor de alojamento gratuito das páginas na Web e, a partir desta data, o crescimento da blogosfera foi verdadeiramente exponencial. Em Portugal, o primeiro blogue terá surgido em 1999 e a “grande explosão” ocorre em 2003 (Canavilhas, 2005). Num curto espaço de tempo, os blogues passaram de uma simples aplicação informática, a um poderoso dispositivo de comunicação. De acordo com Maness (2006), os blogues constituem um marco na história da publicação ainda mais importante do que as páginas web. Em diferentes áreas como o ensino, as artes, a ciência, o jornalismo, a política “o recurso aos blogues cresceu rapidamente devido à simultaneidade de duas características: baixo custo e facilidade de manuseamento” (Canavilhas, 2005, p. 86). A criação e manutenção de um blogue podem ser de iniciativa individual ou colaborativa e o seu perfil pode ser de tipo mais intimista, como um “diário eletrónico”, ou de tipo profissional ou organizacional.

Os blogues têm atraído a atenção da comunidade de professores e investigadores e registaram uma grande proliferação no ensino. Gomes (2007) analisa a sua potencial utilização no contexto educativo, quer como recurso pedagógico (espaço de acesso a informação especializada ou espaço de disponibilização de informação por parte do professor) quer como estratégia pedagógica (portefólio digital, espaço de intercâmbio e colaboração, espaço de debate e “role playing” e espaço de integração). Outra vertente de utilização considerada é a ligação da escola à comunidade e a aproximação aos pais e encarregados de educação.

No campo das bibliotecas, as principais vantagens da utilização de blogues estão relacionadas com o facto de estes permitirem promover e ‘dar voz à biblioteca’ no contexto digital, valorizar e divulgar recursos e coleções, manter o contacto com a comunidade, fomentar a criação de redes e comunidades de prática e preservar a

memória de projetos de trabalho (André, 2004). De acordo com Príncipe (2011), os blogues que têm sido dinamizados na área da biblioteconomia e ciências da informação podem ser classificados como do tipo pessoal, colaborativo ou institucional. Os blogues pessoais tratam, normalmente, de “temas diversos na área das bibliotecas e ciências da informação, com um enfoque particular nas tecnologias de informação e comunicação, recursos web e inovações tecnológicas”, “compilam notícias, novidades e eventos na área das bibliotecas”, filtrando a informação mais relevante e avaliando criticamente as notícias e “mostram outros olhares (cómicos, simpáticos, bizarros, esquecidos, ocultos…) dos profissionais” (Príncipe, 2011, p. 9). Os blogues de tipo colaborativo distinguem-se dos pessoais não tanto pelas temáticas, que podem ser idênticas ou mais específicas numa determinada área da biblioteconomia ou ciências da informação, mas porque se verifica a edição conjunta do blogue, com a contribuição de posts diferentes autores. Os blogues institucionais são “uma ferramenta de divulgação da atividade da biblioteca” (informam sobre os serviços, exposições, conferências e eventos locais), uma “extensão virtual da biblioteca”, divulgando aspetos da coleção, fundos bibliográficos e acesso ao catálogo e criando rubricas do tipo: novidades, destaque do mês, li e gostei, top leitores e/ou leituras, autores e outras. Constituem um espaço de interação com os utilizadores da biblioteca, onde estes são encorajados e deixar a sua opinião e a emitir comentários (Príncipe, 2011, p. 12). Do ponto de vista organizacional, o blogue institucional pode revelar-se uma ferramenta importante para a coesão das equipas de trabalho e o envolvimento da comunidade educativa. O blogue permite receber contributos dos diferentes colaboradores e é “uma mais-valia para enriquecer a comunicação interna e a difusão da cultura da organização, um processo de transparência que aproxima a equipa e quebra a centralidade da informação e os obstáculos hierárquicos” (Alvim, 2007b, p. 51).

No Perfil de blogues portugueses na área das Ciências da Informação, traçado por Príncipe (2007), os blogues institucionais das bibliotecas escolares são caracterizados por percorrem os diferentes níveis de ensino e faixas etárias dos alunos, desde o pré- escolar ao ensino secundário, darem maior relevo às atividades desenvolvidas pelas bibliotecas, anunciando ou relatando eventos, “com muitas imagens a ilustrar”, por elegerem como temáticas centrais “os livros e a leitura (promoção da leitura, clube de leitores, sugestões de leitura, poemas e contos, textos de alunos, oficinas de escrita) ”. De acordo com este autor, os blogues refletem o “dinamismo de muitos profissionais” e a “relevância da biblioteca no seio das escolas” (Príncipe, 2007, p. 14). Como sugestões

de melhoria, é sugerida a inclusão de um motor de busca, a utilização de marcadores e etiquetas na organização e apresentação do conteúdo e, uma vez que situam na área das biblioteconomia, serem mais cuidadas as funcionalidades associadas à pesquisa geral e por assunto (Príncipe, 2007). Tal como vimos com respeito aos catálogos bibliográficos, a clareza e a precisão na escolha dos termos de indexação são fatores de grande utilidade para a recuperação da informação num mais curto espaço de tempo.

O número crescente de blogues na área das bibliotecas e ciências da informação leva Alvim (2007) a apresentar uma proposta de avaliação qualitativa deste tipo de páginas web que, pensamos nós, é extensível ao contexto das bibliotecas escolares. Os blogues podem ser analisados quanto ao seu conteúdo, arquitetura e design gráfico, sugerindo-se a aplicação de uma grelha de avaliação qualitativa, na qual são definidos os critérios e apresentados, de forma sistemática, os diferentes parâmetros (aspetos genéricos em análise) e indicadores (questões concretas a observar em cada parâmetro) (Alvim, 2007). A preocupação em estabelecer critérios de qualidade para os blogues, enquanto meios de difusão da informação fiáveis e eficazes no contexto do ensino superior, está na origem de um artigo de Hidalgo e Bruna (2007), onde se analisam os aspetos relacionados com a estrutura formal dos blogues, como a identidade, a acessibilidade e a usabilidade. Muitos dos aspetos referidos são idênticos aos apresentados em Alvim (2007) e igualmente válidos para as bibliotecas escolares, embora este modelo não inclua a análise dos conteúdos. Segundo estes últimos autores, a assunção de determinadas normas e especificações na construção dos blogues não implica, desde logo, maior visibilidade ou popularidade do blogue mas permite tornar mais sólida a estrutura formal que enquadra os conteúdos, que são, em última estância, o critério decisivo para o êxito do blogue (Hidalgo & Bruna, 2007). Os blogues das bibliotecas têm ainda um longo caminho a percorrer em termos de desenvolvimento formal mas, em termos de conteúdos, os blogues atualmente existentes têm já a perfeita consciência do seu potencial em termos promoção da biblioteca e disponibilização de informação relevante, tanto ao nível local como global, tanto para o público utilizador das bibliotecas como para outros profissionais das área das biblioteca e da informação (Bar-Ilan, 2007). Contudo, para “obter credibilidade e interesse junto do público, da instituição que o blogue representa, e resistir no tempo, deverá definir um propósito e uma missão à partida, e explicitar os princípios orientadores pelos quais se vai dirigir” (Alvim, 2007b).

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