• Aucun résultat trouvé

Memory Organization

Dans le document PIC16F87XA Data Sheet (Page 17-35)

A globalização tem sido estudada por muitos estudiosos como um fenômeno político e econômico, decorrente da evolução do sistema-mundo capitalista, no qual se encontra diferentes abordagens analíticas que buscam compreender as transformações ocasionadas com as grandes guerras mundiais e com a nova ordem mundial na atualidade. Como mostra Carlos Eduardo Martins (2004), em seu artigo “Globalização e Ciências Sociais”, o fenômeno da Globalização pode ser observado a partir de cinco bases analíticas, sob: (i.) A abordagem Globalista (Kenich Omae [1996]; Robert Reich [1993]; Francis Fukuyama [1992]; Octávio Ianni [1992; 1999]; Rene Dreifuss [1996; 1999]; Toni Negri [2001]; Michael Hardt [2001]; e, Jurgen Habermas [2001]); (ii.) A teoria da Hegemonia Compartilhada (internacionalização da economia mundial); (iii.) A abordagem Neodesenvolvimentista (François Chesnais [1996; 1998a e 1998b]; Samir Amin [1997]; Maria da Conceição Tavares [1995; 1998]; José Luis Fiori [1998; 1999; 2001]; Celso Furtado [1999; 2000]; e, Susan Strange [1997]); (iv.) A teoria do Sistema-mundo (Immanuel Wallerstein [1979; 2001]; Giovani Arrighi [1996; 2000]; Beverly Silver [1999]; Andre Gunder Frank [1990; 1998]; e, Barry Gills [1996]); e, (v.) A teoria da Dependência (Theotônio dos Santos [1978; 2001]; Ruy Mauro Marini [1973; 1996]; Orlando Caputo [1973; 2001]; e, Aña Esther Ceceña [1995]).

Segundo Peter Newell (2012), o fenômeno da globalização é descrito na literatura como algo “natural”, abordado por Harvey (2010), Marx e Engels29 (1848), referindo-se normalmente a algo que possui um caráter aparentemente descontrolado. A expansão do capitalismo, desde o século XIII (do capitalismo comercial, ao industrial para o financeiro), explica Lewis30 (1996) e Rosenburg31 (2000), desenhava a globalização como um fenômeno contemporâneo “indomável”. Conforme a literatura analisada por Newell (2012), as tendências políticas atuais se valem da ideologia da globalização naturalizada e “inevitável”. Kaplinsky (2001 apud NEWELL, 2012, p.9) explica que a globalização adapta o Estado para embarcar em uma “máquina sem condutor”. Essa literatura, para Newell (2012) e Mittelmann (2000 apud Newell, 2012, p.10), apresenta uma abstenção teórica por não tratar da intervenção do ator político, ao apresentar a globalização como um fenômeno “apolítico e benigno” havendo, desse modo, um impedimento para a realização de um projeto promissor de desenvolvimento sustentável.

Desse modo, a literatura abarca a globalização como um “fenômeno sem controle”, propiciado pelo capital volátil e pela flexibilização das corporações transnacionais. Para Newell (2012, p.4), essa abordagem não se sustenta teoricamente, porque esse fenômeno tem “sempre sido e continua a ser impulsionado por ações deliberadas. Principalmente, no modo evidente como os governos tem sido submetidos às Organizações Mundiais”, desenvolvendo “acordos jurídicos para promover e proteger direitos de investimento das empresas transnacionais”. Apesar da retórica ambientalista, a “nova arquitetura financeira” ou a criação de um Novo Acordo (Green

New Deal) não se aplica rigorosamente ao controle de um ecossistema equilibrado assegurado

pelo Estado. Portanto, explica o autor, “a relação entre globalização e meio ambiente está mediada por políticas, instituições e processos, desde o nível local até o global, por setores público e privado, e não em sua maior representação por parte de forças anônimas e/ou econômicas incontroláveis, como convém descrever a caricatura popular” (NEWELL, 2014, p.5).

Entretanto, a mesma retórica infundada é justificada pela alegação das perdas e dos prejuízos para o Estado, tanto com relação à exploração dos recursos naturais e/ou a perda de competitividade, quanto com o capital no mercado internacional. A globalização, enfatiza Newell (2012, p.10), reflete institucionalmente no próprio tratamento com o qual a regulação ambiental - nacional e supranacional - confere à aplicabilidade da legislação internacional em âmbito local. Dessa forma, para o autor, deve-se observar nas “restrições que a globalização na verdade impõe aos governos”, a permissividade para “desmistificar o mercado e revelar as

relações de poder por trás dessas abstrações”. Para o autor, Polanyi32 (1980) quem melhor explicita o “mito do mercado autorregulado” em sua obra “A grande transformação”, quando mostra que o mercado desenfreado é na verdade mantido pelo Estado, através de ideologias de governança econômica e gestão ambiental. Dessa maneira, as ideologias são legitimadoras do fenômeno da globalização contemporânea, defendendo um “ponto final da evolução econômica”, teorizado por Fukuyama33 (1993) como “o fim da história (the end of history and

the last man)”.

Por outro viés, a Teoria do Sistema-Mundo, proposta por Wallerstein (1979 a 2001), Giovani Arrighi (1996 a 2000) e Beverly Silver (1999), abarca o conceito da globalização para entender a economia mundial no moderno sistema-mundo. Para tanto, os autores vão se basear no estudo de Fernand Braudel sobre ciclos sistêmicos, de expansão e crises, e nas tendências seculares norteadoras do desenvolvimento, no movimento de ascensão e decadência dos Estados hegemônicos na condução da economia mundial. Segundo Wallerstein (1996), o modelo do sistema-mundo moderno foi o primeiro a consolidar a si mesmo como a economia-mundo capitalista. Este modelo partiu da lógica interna da Europa e se expandiu para fora de suas fronteiras, tendo no final do século XIX alcançado quase todo o mundo.

Todavia, enfatiza Wallerstein (1996, p.92), na gênese da história do sistema-mundo moderno, entre os séculos XVI ao XVIII, até antes da Revolução Industrial, a “geocultura” existente sustentava os valores dominantes da estrutura da economia-mundo capitalista. Mesmo na Revolução Francesa (1789-1799), pouco se mudou na estrutura econômica e política do sistema-mundo ou no sistema interestatal (porque o Congresso de Viena vinha para ampliar as estruturas do Tratado de Vestefália – elaborada sob o princípio da soberania do Estado Moderno). Desse modo, dois conceitos dantes não autorizados vinham à tona e eram debatidos mais abertamente pela opinião pública: “a normalidade da mudança política” (ou a legitimidade da mudança mesmo que pequena); e, “soberania popular”, na qual destituía o representante do Estado absolutista para outro tipo de representação política mais participativa.

Portanto, a “geocultura” do sistema-mundo passou a aceitar essa mudança política, mas a soberania popular ainda mantinha um receio quanto a democratização da política desestabilizar a economia mundo capitalismo no sistema interestatal. Wallerstein (1996, p.93) ressalva que foram perseguidos três domínios institucionais: “a invenção das ideologias”; “a reconstrução do sistema de conhecimento e triunfo do cientificismo”; e “a domesticação dos movimentos anti-sistêmicos”. Era necessário forjar uma “geocultura construída em torno de uma antinomia

simbiótica”, cujas ideias perpassavam a noção de “universalismo” e “racismo/sexismo”. Dessa forma, os teóricos do sistema-mundo capitalista vão considerar sempre a relação desigual e de polaridade entre o centro, a semiperiferia e a periferia. Para estes teóricos, a globalização é a expressão moderna do sistema mundial capitalista (terceira fase), na qual predomina uma tendência secular, principalmente diante de conquistas sociais que têm conduzido para a estruturação do capitalismo histórico (MARTINS, 2004, p.4).

Portanto, a economia-mundo capitalista, reitera Wallerstein (1996), é um sistema social estruturado por uma “divisão do eixo integrado do trabalho”, guiado pelo princípio da acumulação do capital, cujo mecanismo adotado será o de produção dos bens primários, nas múltiplas fronteiras políticas. Na formação das “cadeias de produção”, estas operações são conceituadas e historicamente formadas por “nós” entre os produtores e os países, e em alguns casos a força de trabalho é paga por meio de salários (wages). No caso da ordem nuclear, são cadeias formadas por “nós” entre Estados, na qual a cooperação técnica e material se torna a estratégia para estruturar uma rede atrelada à produção nuclear. O lucro obtido dessas cadeias advém em grande parte da monopolização desse “nó”, em particular. Esses “nós” são concentrados em pequenas áreas, quando mais rentáveis são chamadas de “zonas centrais”, e quando a rentabilidade é menor, se encontra dispersa geograficamente, nas “zonas periféricas”. Nesse caso, os termos utilizados por Wallerstein (1996) - centro-periferia - são relacionais e não espaciais. Ou seja, o centro-periferia tem a ver com a monopolização dos setores de produção e maior competitividade, reverberando no valor do salário e lucro das atividades de produção. Essa relação entre capital mundial e trabalho mundial é também a relação entre capitalistas fortes e fracos, e a consequência disso é a transferência do valor excedente do setor periférico para o setor central, dos trabalhadores para os proprietários (controladores), da periferia para os controladores das atividades de produção do centro – os Grandes Capitalistas. A relação entre centro e periferia, nesse sentido, não necessariamente é geográfica, mas existe uma tendência para existir a segregação espacial e a concentração pesada das atividades econômicas na periferia, entre atividades padrão “transformacional” (agricultura, mineração, indústria) ou de “serviços” (publicidade, informática, transporte, financeiro).

Entretanto, para autores como, Andre Gunder Frank (1990 a 1998) e Barry Gills (1996), não existe um sistema moderno, mas a continuidade de um movimento de expansão sistêmica, datado desde a revolução neolítica, há 5.000 anos. Nessa formação, as rotas marítimas teriam papel fundamental para articular as trocas comerciais e conduzir o sistema de acumulação do

capital no centro e na periferia. Para esses autores, desde os primórdios até o século XVIII, a Ásia foi considerada o centro do sistema-mundo, e a partir do século XIX, a Europa e o Ocidente assumem a hegemonia, resguardando ao Oriente o status de região periférica. Em suma, essa analise denota o caráter sistêmico da história e reflete a globalização dentro dessa dinâmica cíclica, na qual o centro da economia se desloca sempre, sendo novamente o Oriente o centro no futuro próximo (MARTINS, 2004).

Embora exista diferentes analises sobre a globalização, explica Martins (2004), é possível identificar os elementos teóricos convergentes, por exemplo, entre aquelas que enfatizam a “crise no capitalismo” e a “transição do sistema” (por exemplo, em Arrighi e Silver). O autor observa, contudo, que apesar da constatação do ponto de inflexão para uma economia em crise, o sistema capitalista permanece hegemônico e continua a se globalizar por meio do neoliberalismo. Todavia, como destaca Martins (2004), a proposta metodológica braudeliana (dos ciclos sistêmicos), ao tratar da articulação do tempo com as estruturas, propicia uma compreensão das crises em suas dimensões estrutural e cíclica, a partir dessa realidade histórica, na qual podemos traçar a dinâmica e as tendências da globalização.

Nesse sentido, explica Martins (2004), a melhor matriz analítica para entender a globalização é a proposta por Wallerstein (1991; 1996; 1998), sobretudo, por esclarecer a necessidade de superação do legado científico do liberalismo. Assim, Wallerstein (2006) sustenta a premissa na qual considera a hegemonia britânica pioneira na expansão das bases ideológicas do capitalismo histórico e que, posteriormente foi incorporada pelos EUA, para reconversão da hegemonia americana. Portanto, reitera Martins (2004), essa abordagem denota na expansão do capitalismo a tentativa de naturalizar seu aspecto anárquico com relação aos Estados, levando em consideração que a globalização sofre auto regulação do mercado, o que implica em uma visão epistêmica radical da ciência, ao representar a análise crítica mais aderida por muitos pensadores estadunidenses. Para compreender a gênese da formação da cadeia global de produção nuclear, será abordado no próximo tópico a descoberta da radioatividade e sua contribuição para o progresso da ciência, bem como para a consolidação da globalização, sob a qual os Estados periféricos estão submetidos ao poder de coerção dos Estados do centro do sistema-mundo capitalista.

Dans le document PIC16F87XA Data Sheet (Page 17-35)