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Une meilleure exploitation des possibilités ouvertes par l’article 299- 2 du traité

Dans le document AVIS SÉNAT N° 73 (Page 34-37)

III. LES APPORTS DE L’INTÉGRATION À L’UNION EUROPÉENNE

1. Une meilleure exploitation des possibilités ouvertes par l’article 299- 2 du traité

Thorn e Soo (2006, p. 19, tradução nossa), no texto intitulado Latin American Universities and the Third Mission Trends, Challenges and Policy Options, comentam que “a chamada ‘terceira missão’ é um fenômeno relativamente novo na América Latina”. Os autores mencionam que as universidades têm sido premidas a se engajarem em atividades de capitalização de conhecimento devido a percepções crescentes da relevância para a sociedade da sua atuação. Desse modo, cada vez mais, estas instituições tem sido consideradas importantes instrumentos de desenvolvimento social e econômico.

Percebe-se que o argumento dos autores de Thorn e Soo (2006) reflete um entendimento que tem sido quase um senso comum entre grande parte dos estudiosos da relação universidade-sociedade, especialmente entre aqueles que utilizam enfoques mais voltados às relações econômicas, qual seja: que a terceira missão estaria ligada diretamente às contribuições das universidades à inovação, seja

patenteando, transferindo tecnologia, seja formando e treinando pesquisadores, preparando estudantes para o empreendedorismo. No entanto, se entendermos que a terceira missão vai além da contribuição para a capacidade de inovação, capitalização de conhecimento e outros, será possível afirmar que não se trata de um fenômeno tão recente, pelo contrário, suas primeiras manifestações datam do início do século XIX, com a extensão universitária na Inglaterra, e depois, nos Estados Unidos.

Mencionou-se, no Capítulo 2, que a extensão universitária representa a primeira experiência de aproximação da universidade com o seu entorno, e que nasceu com um caráter assistencialista, de entrega de saberes, e não de intercâmbio. Palestras, cursos, leituras, serviços de extensão rural, atividades culturais estão entre as práticas que fazem parte do desenvolvimento histórico da extensão. Nesse sentido, Chatterton e Goddard (2000) mencionam que os (i) serviços prestados à comunidade, seja por meio de atividades extramuros (palestras, participação na mídia) realizadas individualmente; (ii) a educação de adultos; (iii) a possibilidade de acesso às instalações (museus, bibliotecas e outros); (iv) as consultorias, os pareceres e análises tecnológicas; (v) as palestras abertas ao público, entre outras atividades nesse campo, geralmente têm sido reconhecidas “como um terceiro papel da universidade, ao lado do ensino e da pesquisa”. Provavelmente, muito mais que os outros papéis, este seja o que mais incorpora as instituições de ensino superior às suas regiões, mas, algumas vezes, essas atividades refletem “o paternalismo do século XIX” (CHATTERTON; GODDARD, 2000, p. 489).

Arocena e Sutz (2005) entendem que que embora a contribuição da universidade para o desenvolvimento seja uma meta tanto no Norte”, como na América Latina, é importante considerar que as diferentes concepções de desenvolvimento podem levar a diferentes metas (crescimento econômico, sem transformação das relações sociais prevalecentes, ou mudança social e das relações entre “centro e periferia”). Fica claro que os autores entendem que a terceira missão, no “Norte”, tem uma conotação de envolvimento mais estreito da universidade com o setor produtivo. Os autores também entendem que a “inserção da América Latina na economia internacional é fracamente ligada ao ensino superior e à geração endógena de conhecimento” (AROCENA; SUTZ (2005, p. 590).

Sanchez (2013, p. 1-2) entende que nos dias atuais a extensão universitária deve ser conceituada por sua natureza, conteúdo, procedimentos e propósitos:

Pela sua natureza, a extensão universitária é missão e função orientadora da vocação universitária. Pelo seu conteúdo e procedimento, a extensão universitária está fundada nos estudos e atividades filosóficas, científicas, artísticas e técnicas, por intermédio das quais se auscultam, exploram e recolhem do meio social, nacional e internacional, os problemas, dados e valores culturais que existem em todos os grupos sociais. Pelas suas finalidades, a extensão universitária deve propor-se como fim fundamental, projetar dinâmica e coordenadamente a cultura e ligar todas as pessoas à universidade. Além desses fins, a extensão universitária deve procurar

estimular o desenvolvimento social e elevar o nível espiritual, espiritual, intelectual e técnico da nação [...]. Assim entendida, a extensão universitária tem por missão projetar da forma mais ampla possível, em todas as esferas da nação, os conhecimentos, estudos e pesquisas da universidade, para permitir que todos participem da cultura universitária.

Vinculação e cooperação acadêmica, segundo Sanches (2013), é a função que dá sustentação ao envolvimento de professores, alunos e outros membros das instituições de ensino superior com o entorno, com a sociedade. Embora possam existir diferentes interpretações a respeito da maneira como esse envolvimento deva ocorrer, das formas como realizar as interações, é possível identificar uma ideia compartilhada por todos, qual seja, que a universidade deve relacionar-se com a sociedade (SANCHEZ, 2013).

Fernández-Larrea e González (2013, p. 8) entendem que “o termo mais objetivo e completo para denominar a interação universidade-sociedade, é extensão universitária, porque envolve difusão cultural, ação social, projeção e interação social, entre outros”. Os autores também entendem que extensão é o termo mais adequado devido ao seu caráter histórico, pois foi a primeira manifestação de ação social da universidade, e também porque identifica-se mais com uma ação transformadora. Segundo os autores “as universidades latino-americanas adotaram, há muitas décadas, a “sua particular ‘terceira missão’ (a extensão)”, que difere em muitos aspectos do que vem sendo desenvolvido nos países desenvolvidos” (FERNÁNDEZ-LARREA; GONZÁLEZ, 2013, p. 6).

Para Alcántara (2007), a missão social da universidade, ou seja, a sua responsabilidade de promover e coordenar ações de compartilhamento de cultura e conhecimentos com os mais pobres e menos instruídos, para promover justiça social, foi atribuída à extensão universitária. Para Angeles (1992), a preocupação em vincular a universidade mais diretamente à sociedade não deve ficar restrito a um conceito ou definição, mas sim a uma redefinição das missões da universidade, em especial da sua função social. Desse modo, serviço ou extensão deve permitir que as universidades se envolvam mais ativamente com o seu entorno.

Freire (1983), entretanto, tinha severas restrições ao termo “extensão” por entender que este apresentava um forte caráter assistencialista, de entrega de saberes, preferindo a palavra “comunicação”. O quadro 3.2, a seguir, traz o resultado de uma análise semântica realizada por Freire (1983) na obra “Extensão ou Comunicação?”, com o fim de estabelecer um campo associativo para o termo:

Quadro 3.2 - Campo Associativo do Termo Extensão

Extensão Transmissão

Extensão Sujeito ativo (o que estende)

Extensão Conteúdo (que é escolhido por quem estende)

Extensão Recipiente (do conteúdo)

Extensão Entrega (de algo que é levado por um sujeito que se encontra “atrás do muro” àqueles que se

encontram “além do muro”, “fora do muro”. Daí que se fale em atividades extramuros)

Extensão Messianismo (por parte de quem estende)

Extensão Superioridade (do conteúdo de quem entrega)

Extensão Inferioridade (dos que recebem)

Extensão Mecanicismo (na ação de quem estende)

Fonte: elaborado pela autora com base em Freire (1983, p. 12).

Para Freire (1983), nem extensão, nem extensionismo representavam uma prática verdadeiramente educativa e transformadora, mas sim uma “domesticação”. Comunicação, no entanto, seria mais adequado porque pressupõe troca, diálogo, entendimento, pois “a comunicação verdadeira não nos parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro, mas em sua coparticipação no ato de compreender a significação do significado. Esta é uma comunicação que se faz criticamente” (FREIRE, 1983, p. 47). Entende-se que o pensamento freireano foi essencial para o movimento pela extensão crítica. Benneworth et al. (2009b) comentam que “um modelo de engajamento mais socialmente comprometido que se generalizou na América Latina” teve a sua inspiração no Movimento Reformista de Córdoba e no pensamento freireano.

No âmbito do Projeto VINCULAENTORNO, financiado pela Comissão Europeia, e que contou com a participação de universidades latino americanas, constatou-se que na América Latina há preferência pela utilização da expressão (termo) “extensão universitária” (em primeiro lugar), enquanto “vinculação com o entorno ou com a sociedade” (GRAO et al., p. 15) costuma ser a segunda mais utilizada. “Terceira missão”, por outro lado, costuma ser muito pouco referida, todavia entende- se que os três termos: i) terceira missão; ii) extensão; e iii) vinculação, apresentam aspectos comuns, quais sejam: “colocar o conhecimento da universidade à serviço da sociedade, colaborar com os diversos agentes do seu entorno”, o que constitui uma missão específica da universidade latino- americana (GRAO et al. 2014; MORA; VIEIRA, 2014).

Entretanto, os autores mencionam que na América Latina, a extensão tem uma conotação diferente dos enfoques da terceira missão dos países desenvolvidos, qual seja: a de difusão cultural e de serviços sociais direcionados a grupos desfavorecidos. Contudo, os autores também concluíram o seguinte:

Apesar da relutância de alguns setores, na virada das universidades latino- americanas para as demandas do setor produtivo, o conceito de extensão, na

atualidade, se liga ao de terceira missão para orientar a transferência de conhecimento para a sociedade, resolvendo juntas os problemas e as demandas de ambos, e isso incluindo uma visão empreendedora e da inovação (GRAO et al. 2014, p. 18).

No Manual de Valência, Documento de base para un ‘Manual de Indicadores de Vinculación de la universidad con el entorno socioeconómico’, D’Este, Castro-Martínez e Molas-Gallart (2014) mencionam que o termo terceira missão foi empregado (no Manual) com a mesma significação de vinculação, pois, segundo os autores, o primeiro é muito mais amplo e envolve todas as atividades e relacionamentos da universidade com o seu entorno. Entretanto, os autores reconhecem que não existe consenso a respeito da sua utilização.

Para Pedrosa (2014, p. 219) “as atividades de extensão se diferenciaram e se expandiram, abrangendo vários aspectos, e passaram a receber a designação de terceira missão das universidades”, sendo que a questão da inovação e transferência de tecnologia são temas que têm ganhado atenção das análises nesse campo.

3.2 PARA COMPREENDER E MEDIR A TERCEIRA MISSÃO: CONCEITOS, PRÁTICAS E

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