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MAXIMUM TABLE SIZES

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CALLING THE SLOT MACRO

2.07.04 MAXIMUM TABLE SIZES

A etapa da cadeia operatória posterior à preparação da pasta é a construção da vasilha cerâmica. Gosselain (2018) propõe que sejam diferenciados os procedimentos gerais de produção (técnicas) das sequências específicas (métodos), como nos estudos de tecnologia lítica. As técnicas empregadas na confecção das vasilhas Konduri não diferem de outros estilos cerâmicos amazônicos do período pré-colonial tardio ou utilizadas por vários grupos indígenas contemporâneos. As técnicas identificadas são o roletado e o modelado. Esta última é empregada no estilo Konduri na confecção de bases e apliques, sendo o corpo das vasilhas sempre construído pela sobreposição de roletes. Essas técnicas são as mesmas em toda ao longo de toda a sua dispersão tanto a partir de nossas análises quanto os resultados disponíveis na bibliografia (PANACHUK,

53 Durante a análise da coleção Aricy Curvello não foi possível medir o comprimento máximo das inclusões de 122 fragmentos devido a um erro do sistema do microscópio digital Cooling Tech. Foram considerados nos gráficos apenas os dados disponíveis, sem indicar sua ausência.

0 20 40 60 80 100 120 140 ≤0,5 ≤1 ≤1,5 ≤2 ≤2,5 ≤3 >3,5 Chamote Bolota Quartzo Óxido de ferro Caraipé Carvão

2016a; GUAPINDAIA, 2008; GUAPINDAIA; LOPES, 2011; CHUMBRE, 2014; CASTRO, 2018).

Figura 37. Métodos de construção das vasilhas: uso de ranhuras de ligação (a-d), produção de assadores sobre trançado (e-f), furos para unir borda de paredes (g-h).

Em termos de comparação regional, os métodos tendem a ser mais localizados espacial e geograficamente, mas tem uma visibilidade arqueológica menor, sendo pouco mencionados (GOSSELAIN, 2018). Os métodos de construção das vasilhas muitas vezes precisam ser observados a partir de petrografia, raio X ou outro meio de

observações em escalas microscópicas. Os métodos que pudemos identificar são bastante restritos em relação ao total da amostra e se relacionam a conjuntos específicos, como os assadores e/ou os pés modelados.

O uso de trançados como suporte para a produção e secagem de vasilhas com bases de grande diâmetro, denominadas genericamente como assadores, é um método encontrado na cerâmica Konduri, mas é bastante generalizado em cerâmicas amazônicas, o que o torna pouco diagnóstico – ao contrário do que pensou Hilbert (1955a). As marcas em negativo de traçado não são muito frequentes nas coleções analisadas: apenas 1354 (10,2%) das 127 bordas de assadores analisadas apresentam marcas de cestaria55 (Figura 37 e-f). No sítio Oriximiná 3, por exemplo, menos de 3% do material coletado apresenta impressões de cestaria (SCIENTIA, 2013). Diferentes de outras áreas, como a Amazônia Central, são conhecidas marcas de folhas vegetais no fundo dos assadores (NORDENSKIÖLD, 1924; NIMUENDAJÚ, 2004; MACHADO, 2005-2006).

O motivo para a manutenção dos negativos deve resultar da dificuldade em deslocar essas peças durante a secagem. Barbosa Rodrigues (1876, p. 18) explica que os oleiros de sua época faziam torradores de farinha de até 2,5 m diâmetro, que “demandam muito cuidado no seccar, porque pelo seu tamanho (...) com muita facilidade se quebram”. Por isso também o torrador “é feito sobre um tupé [esteira] ou sobre folhas de bananeiras, cujas fórmas e nervuras sempre ficam impressas. Quase sempre depois de secco ao sol, fazem fogo sobre elle, no mesmo lugar em que foi fabricado”. Essa parece ser uma explicação satisfatória para os exemplares pré- coloniais, que fazem parte da mesma tradição de processamento de mandioca e milho (NORDENSKIOLD, 1924). No caso de outros elementos do vasilhame tanto é possível que as bases tenham sido feitas em suportes planos (MACHADO, 2005, p. 101) como a parte de trás de raladores de maneira ou tábuas (YDE, 1965; VELTHEM, 2017). As impressões também podem ter sido apagadas, uma vez que as vasilhas menores podem ser movimentadas com mais facilidade, como pode ser o caso de algumas vasilhas Wai Wai feitas sobre peneira (YDE, op. cit.; RYE, 1981).

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Outras três bases sem referência foram contabilizadas na coleção Barbosa de Faria/Comissão Rondon. 55 As impressões de trançado em sua maioria apresentam tramas relativamente largas e apenas uma marca apresenta tramas finas. As técnicas de traçado são quase sempre o sarjado e em um único caso, trata-se de trançado cruzado (Igor Rodrigues, com. pess., 2019). O sarjado com tramas largas predomina em outras coleções analisadas.

Figura 38. Apliques ocos e com furo de ventilação. a – pé oco; b- pé oco com furo retilíneo; c- pé oco com furo cônico; d- pé maciço com furo com o dedo; e – pé maciço com furo; f – pé com ocagem pouco profunda; g- pé com ocagem profunda. h- pé oco com ocagem rasa e furo; i- apêndice oco com furo; j – apêndice aplicado em borda oco. Proveniência/procedência:a-Terra Preta (Col. Peter Hilbert); b- Ponta da Mafada (Col. Peter Hilbert); c- Sucurijú (Col. Barbosa de Faria); d – Babaçu (Col. Peter Hilbert e Harald Schultz); e- Posto Aurora II (Col. Aricy Curvello); f – sem proveniência (Col. Tapajônica); g- Araticum (Col. Aricy Curvello); h- Lago Batata (Col. Aricy Curvello); i- Posto Aurora II; j- sem proveniência (Col. Tapajônica).

Em relação à distribuição espacial, há bases com marcas de trançado nos sítios do baixo Trombetas e Nhamundá, mas em nenhuma amostra do município de Juruti. Em coleções obtidas em prospecção ou escavação sistemática foram encontrados exemplares em praticamente toda a dispersão do estilo Konduri (SCIENTIA, 2003; SCIENTIA, 2013; GUAPINDAIA, 2008). Um pé modelado também apresenta marca

“positiva”, devido a sua junção a uma vasilha feita sobre cestaria. Isso mostra que a adição do aplique ao corpo da vasilha (assador?) foi feita depois de secar (Figura 37 c).

Gráfico 12. Porcentagem e frequência de uso do método de ocagem e/ou furo de ventilação em pés modelados.por proveniência.

Outro método encontrado na cerâmica Konduri é denominado “costura” nas artes plásticas (Figura 37 a-d). Esse é caracterizado pela produção de ranhuras visando conectar com maior segurança partes modeladas separadamente. Hilbert (1955, p. 48) afirmou que este método não foi identificado na cerâmica Konduri, mas era frequente no estilo Santarém. A análise sistemática das coleções mostrou que, mesmo na coleção Peter Hilbert há ranhuras nas áreas de fixação de pés modelados. Quantitativamente o uso do método é muito baixo; em todo o material analisado foram identificadas apenas 10 peças com ranhuras (7 pés modelados e 3 bases/bordas de assadores). As peças Konduri com ranhuras são provenientes de sítios de toda a área de dispersão, sendo mencionado em outras pesquisas sobre esta área (SCIENTIA, 2008; CASTRO, 2018). Ao contrário do que sugeriu Hilbert (1955a), a costura não era desconhecida pelos produtores da cerâmica Konduri, mas por algum motivo, tinha uma baixa frequência de uso. Um método similar à costura foi identificado apenas na amostra do sítio Posto Aurora II. Em uma base com uma série de pontos feitos com dedos na face interna,

3 8 12 3 1 5 3 4 2 4 2 1 5 2 1 1 1 1 1 1 2 0% 20% 40% 60% 80% 100% Babaçu Fortaleza Posto Aurora II Porto Trombetas Maciço/Furo Maciço/Furo falso Maciço/ Sem furo Maciço/Indeterminado Oco/Furo

Oco/ Furo falso Oco/Indeterminado Indeterminado

provavelmente para uni-la aos roletes aplicados na sequência. Uma borda com pasta diferente da base exibe pequenas protuberâncias que podem indicar o “positivo” da aplicação de pontos com os dedos. O uso da costura em baixa frequência pode estar relacionado ao fluxo de informações e mobilidade de pessoas no Baixo Amazonas. Esse método é mais frequente na cerâmica Santarém, tanto na fixação de apêndices quanto pés modelados. No sítio Santa Rita, a cerâmica pintada (Paredão?) apresenta junção de roletes.

Outros dois métodos identificados durante a análise se reStringem ao uso de apliques:ocagem e furo de ventilação, relacionados à manufatura de apliques (apêndices e pés) e usados em combinação ou separadamente (Figura 38). Os dois são empregados como complementares em escultura em argila para evitar a explosão de objetos muito espessos durante a queima (PETERSON; PETERSON, 2003). A porção oca permite que a peça queime homogeneamente, enquanto os furos permitem a circulação do ar preso dentro da modelagem. Em relação aos apêndices a combinação de ocagem e furo ocorre apenas em um conjunto muito específico de figuras maiores aplicadas ao bojo – mais a frente denominadas “calotas”. Muitos dos apêndices são finos ou achatados, anulado a necessidade da aplicação de ambos os métodos Apesar da expectativa suscitada pela consulta de manuais de escultura em argila, alguns dos maiores apêndices e pés modelados encontrados nas coleções não apresentavam furos (Gráfico 12). Ao mesmo tempo, alguns pés apresentam furos rasos feitos com as pontas dos dedos, muitas vezes em peças maciças. A produção de modelagens ocas, a julgar pelas coleções analisadas, é menos frequente. Além disso, a profundidade da porção oca varia em grande medida. Entre os pés coletados no sítio Araticum, por exemplo, quase todo o comprimento é oco. Na maioria das modelagens, entretanto, trata-se de uma concavidade relativamente rasa limitada à parte superior com maior diâmetro. Como no caso do método de costura ou uso de trançado como suporte, é interessante notar que mesmo sendo conhecida a ocagem, sua aplicação estava longe de ser uma “regra”. A amostra do sítio Posto Aurora II é um bom exemplo dada a quantidade de exemplares de uma única localidade. Entre os 26 exemplares de pés modelados, a maioria é maciça e exibe furo, mas há maciças com sem furo e ocas com furos muito rasos feito com os dedos. Os menores pés modelados são sólidos e sem furos. Em alguma medida, a preparação da pasta ou outros processos técnicos devem ter sido mobilizados para evitar

a fragmentação dos apliques. Os furos de ventilação e a ocagem são muito frequentes em apliques da cerâmica Santarém.

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