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Materials and methods

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CHAPTER 3 - Tree inventories and ethnobotanical surveys in coffee-agroforestry systems

3.2. Materials and methods

POLÍTICOS

O conceito de identificação partidária tem sido central na literatura internacional sobre comportamento político (MAINWARING, 2001; MAINWARING; TORCAL, 2005b; PAYNE, 2007).Weisberg e Greene (2003) afirmam que a identificação partidária constitui o eixo da compreensão moderna das democracias eleitorais e que esta posição teórica provavelmente se manterá, o que se verifica ao constatar que tal medida é tidacomoindicador primordial do desenvolvimento e da

institucionalização dos sistemas partidários(MAINWARING; SCULLY, 1995; MAINWARING, 2001; DALTON; WELDON, 2007; DALTON, 2007; 2013; PAYNE, 2007). Além disso, níveis elevados de partidarismo podem minimizar a volatilidade eleitoral (DALTON; WELDON, 2007; MAINWARING; ZOCO, 2007).

Em termos gerais, há estudos que apontam que o partidarismo tende a estruturar e dar significado “ao sistema de crenças individuais” (DALTON; McALLISTER; WATTENBERG, 2003, p. 295), da mesma maneira como a existência de vínculos dos eleitores com partidos políticos estrutura, em alguma medida, o voto dos indivíduos, tanto em democracias consolidadas (GREEN; PALMQUIST; SCHICKLER, 2002; WEISBERG; GREENE, 2004; DALTON, 2014)4 quanto em regimes mais novos (CARREIRÃO; KINZO, 2004; CARREIRÃO, 2007; RODRÍGUEZ, 2013; LUPU, 2015)5.

Em se tratando das teorias que se dedicam a analisar os determinantes da identificação partidária, destaco a distinção entre a abordagem que interpreta tal medida como um fenômeno identitário, decorrente do processo de socialização política (GREEN; PALMQUIST; SCHICKLER, 2002), e aquela que trata tal indicador como um atalho informacional utilizado pelos eleitores como produto de sua avaliação acerca do desempenho dos partidos (DOWNS, 1957)6.

A abordagem psicológica interpreta a identificação partidária como elemento central da análise das atitudes e do comportamento político dos indivíduos, construída ao longo de seu processo de socialização. Tal modelo, elaborado por Campbell et al (1960), da

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No que se refere especificamente aos Estados Unidos, a identificação partidária é parte menor da maneira como os cidadãos típicos se auto-conceituam, uma vez que características como sexo, etnia, religião, classe social e local onde residem são aspectos tomados como identidades sociais fundamentais. No entanto, quando se trata de temas relacionados à política, o partidarismo revela-se altamente influente, superando a capacidade de predição das variáveis identitárias sócio-demográficas (GREEN; PALMQUIST; SCHICKLER, 2002).

5Em que pese tal suposição enfrentar questionamentos na literatura recente sobre

comportamento eleitoral. Para um balanço da literatura, ver Rennó (2001). Lupu (2015) ressalta que a determinação causal da relação entre partidarismo e escolha eleitoral é complexa e depende de estudos temporais que acompanhem os indivíduos, o que não é possível por meio dos bancos de dados coletados por grandes institutos, mas por estudos de painel. Ainda que estes deem conta de uma população reduzida e que, portanto, sejam capazes de produzir inferências limitadas, tem como aspecto positivo a verificação da causalidade da relação, o que permite avanços nas interpretações acerca do partidarismo tanto no período eleitoral quanto para além dele.

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Com relação às teorias explicativas da identificação partidária, há as correntes sociológica, psicológica e racional. Considerando os objetivos desta tese, não me deterei à discussão sobre a primeira e exponho apenas os argumentos centrais das demais. Um balanço sobre tais correntes encontra-se competentemente abordado em Freire (2001) e Cervi (2010).

Escola de Michigan, entende que a identificação partidária se constituiria a partir de bases afetivas e seria, pela ênfase atribuída ao processo de socialização, resistente a alterações. Seu caráter central na constituição do indivíduo lhe conferiria a posição de “extensão do ego” (RICO, 2010).

Em estudo acerca do eleitorado norte-americano, Converse (1964), um dos colaboradores da referida Escola, “publicou o que viria a ser um dos mais influentes trabalhos sobre opinião pública dos Estados Unidos” (RENNÓ, 2001, p. 86), o livro The natureofbelief systems in masspublics, no qual tratou das discrepâncias na estruturação dos sistemas de crenças de massas e de elites7. Segundo o autor, a identificação partidária se sedimentaria ao longo do tempo, à medida que as gerações acumulassem experiência eleitoral e teria a função de atalho cognitivo para a minimização das dificuldades de cidadãos com pouca cognição diante de escolhas eleitorais, uma vez que a diferença entre a quantidade de informações abarcadas pelos sistemas de crenças dos mencionados grupos de indivíduos se deve, em grande parte, à educação. A partir desses resultados, o autor norte-americano classificou as dimensões ideológicas de avaliação dos indivíduos em estratos hierárquicos, por níveis de conceitualização8.

Em se tratando da abordagem racional ou econômica, esta afirma que os atores políticos racionais buscam a maximização de suas satisfações subjetivas e se utilizam, para tanto, de atalhos de informação,

7“[...] mesmo com as críticas que tal abordagem recebeu a partir da década de 1970, vários

trabalhos recentes têm apresentado evidências empíricas relevantes sobre a importância da socialização política na explicação da IP (MILLER; SHANKS, 1996; GREEN; PALMQUIST; SCHICKLER, 2002; RICO, 2010)” (GIMENES et al, 2015, p. 5).

8 Segundo Baquero e Prá (2007, p. 143), “a referida classificação deu origem à tipologia de

estratos de eleitores e que se constitui na contribuição mais relevante do autor, bem como no instrumento analítico conceitual que permitirá compreender a dinâmica do comportamento político”. Em escala decrescente, os níveis de conceitualização seriam: ideólogos, quase- ideólogos, interesse de grupo, natureza dos tempos e sem conteúdo político. Ideólogos seriam aqueles que manifestaram confiar mais ativamente em dimensões conceituais normativas, ao passo que quase-ideólogos seriam os indivíduos que trataram de tais dimensões em suas respostas, porém de maneira periférica, mas ainda assim com forte interesse e conhecimento sobre política. O terceiro estrato, interesse de grupo, congrega os eleitores que demonstraram conhecimento restrito a situações que envolvem punições ou recompensas diretas ao seu grupamento e baixo interesse por política. O nível denominado natureza dos tempos remete a posicionamentos decorrentes de situações retrospectivas e possui caráter residual no sistema de Converse (1964) por contemplar “[...] aqueles que fizeram considerações políticas de alguma natureza em suas avaliações, mas que não empregaram argumentos que mereçam ser enquadrados nos níveis anteriores” (BAQUERO; PRÁ, 2007, p. 144). O último grupo abarca indivíduos que não compreendem em nenhuma medida o cenário ou questões políticas, por isso denominados sem conteúdo político.

elaborado pelos eleitores a partir das imagens de partidos, candidatos e ideologias partidárias com a finalidade de diminuir os custos de obtenção e processamento de informações políticas (DOWNS, 1957)9.

Já Fiorina (1981) apresenta uma perspectiva revisionista, segundo a qual mesmo que considerada a relevância da socialização dos indivíduos, a avaliação de sua experiência acumulada como eleitores ao longo da vida adulta exerce peso maior sobre sua identificação partidária. Em sua interpretação, os eleitores emitem juízos de valor acerca das propostas e do desempenho partidário ao longo do tempo, de modo a balizar seu julgamento sobre a preferência partidária. Nesse sentido, o autor busca explicar tanto manifestações de estabilidade quanto de alterações na identificação partidária do eleitorado, uma vez que o início da vida política dos eleitores é permeado por uma identificação partidária estável, construída por sua socialização prévia10, a qual pode ser alterada ou mantida conforme os indivíduos adquirem experiência política e ainda de acordo com alterações em sua condição social e econômica, já que mudanças em tais padrões interferem diretamente nos interesses dos cidadãos.

Diante das considerações acerca da identificação partidária, cabe ressaltar que entre os pesquisadores e nos surveys sobre cultura política empreendidos por organismos internacionais de pesquisa, como World ValuesSurvey(WVS), ComparativeStudiesofElectoral Systems (CSES), Latinobarômetro e Latin American PublicOpinionProject (LAPOP), tal medida não é unânime. Além da identificação partidária, as discussões e os bancos de dados são permeados por medidas distintas, como filiação, sentimentos e simpatia partidária.

A filiação diz respeito ao registro formal de indivíduos como membros de partidos políticos11 (HEIDAR, 2006) e se constitui numa medida problemática do relacionamento entre eleitores e partidos, principalmente por dois motivos. O primeiro problema diz respeito às relações de filiados a partidos em órgãos oficiais, as quais sofrem críticas por conta da ausência de atualização permanente tanto no

9 A discussão empreendida por Downs (1957) sobre a teoria econômica da democracia trata o

processo político-eleitoral de maneira semelhante àquela adotada para a análise do mercado nas Ciências Econômicas, com destaque ao cálculo empreendido por partidos e por eleitores em diferentes circunstâncias às quais estão sujeitos quando da necessidade de tomar decisões.

10 A socialização primária, nos termos de Rokeach (1968) e de Dahl (1997).

11Heidar (2006) distingue três formas de filiação partidária: individuais, auxiliares e coletivas.

A adesão individual é estabelecida pela simples filiação de um indivíduo a um partido. Filiações auxiliares se referem a organizações auxiliares, para jovens e mulheres, por exemplo. Já as filiações coletivas correspondem àquelas vinculadas a organizações próximas aos partidos, como sindicatos ou associações de agricultores, por exemplo.

contexto internacional (HEIDAR, 2006; VAN BIEZEN; MAIR; POGUNTKE, 2012) quanto nacional brasileiro (NICOLAU, 2012a; CERVI, 2012; SPECK, 2013), o que pode gerar uma superestimação dos dados diante da desatualização de informações sobre desfiliações, seja por questões organizacionais ou de legitimidade (HEIDAR, 2006; NICOLAU, 2012a; VAN BIEZEN; MAIR; POGUNTKE, 2012; CERVI, 2012). Além disso, Heidar (2006) e Speck (2013) atentam para a possibilidade de falsificação de registros, por meio da inscrição de membros sem seu conhecimento.

O segundo problema diz respeito a efetividade da atuação dos filiados, questão já diagnosticada por Weber (2012 [1922], p. 544) no início do século passado:

Mesmo no caso de uma forma muito democrática de organização dos partidos de massas (que, como

sempre, tem como consequência o

desenvolvimento de um funcionalismo

remunerado), a grande maioria dos eleitores, mas também dos simples “associados”, não participa (ou apenas formalmente) na determinação dos programas e dos candidatos.

Considerando tal diagnóstico, corroborado atualmente por estudos desenvolvidos em democracias consolidadas (WHITELEY; SEYD, 1998; 2002; MAIR, 2003, WITHELEY, 2011, DALTON, 2013), o conceito de filiação apresenta fragilidade enquanto categoria analítica.

Já os sentimentos partidários consistem numa combinação entre medidas de preferência e rejeição a partidos políticos, as quais são internalizadas pelos indivíduos no decorrer dos processos eleitorais, conformados pela construção de imagens positivas ou negativas de legendas e propostas (RIBEIRO; CARREIRÃO; BORBA, 2011; BRAGA; PIMENTEL JUNIOR, 2011). Por sua vez, a simpatia partidária representa uma medida parcial dos sentimentos, qual seja a avaliação favorável do eleitorado acerca dos partidos, entendida como produto histórico dos processos eleitorais dos quais os indivíduos participaram, de modo que, por desconsiderar avaliações desfavoráveis, é menos complexa que aquela de sentimentos partidários.

Independente da medida utilizada para avaliação, os estudos culturalistas têm identificado que a natureza do comportamento político dos cidadãos vem se transformando, de modo que é salutar entender quais são as bases dessa alteração.

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