1.2 Audio-visual perception
1.2.3 Material perception
Há um novo take away de pizzas napolitanas
O Verdachado abriu um pequeno espaço em Lisboa, tem mais de 15 variedades de pizza e preços económicos — a mais cara custa 7€. Perto da Praça da Alegria, em Lisboa, abriu no início de julho a Verdachado. O pequeno espaço na Rua Conceição da Glória faz pizzas tradicionais napolitanas para fora. Paolo Tramaglino é o responsável pela Verdachado. Em 2004, abriu uma pizzaria na Amadora, que já não existe. “Na altura tinha pensado abrir no centro de Lisboa, mas as rendas estavam muito caras", diz à NiT, com sotaque italiano. E continua: "O espaço na Amadora fechou há dois anos e como agora as rendas estão mais em conta, abri aqui”. A ajudá-lo a fazer as pizzas tem o jovem Matteo Leombruni. O chef só chegou a Lisboa há seis meses, mas tem mais de dez anos de experiência a fazer pizzas em Itália.
Os ingredientes são todos frescos e portugueses. Para estender a massa, que tem uma fermentação mínima de 24 horas, não é usado qualquer rolo ou máquina. “Em Nápoles, se trabalhas com rolo é porque não sabes fazer pizzas”, diz Matteo Leombruni. As pizzas são preparadas à mão na bancada enfarinhada — sim, e Matteo faz aquela brincadeira de a atirar ao ar. Depois é composta com o molho de tomate e os restantes ingredientes.
Na Verdachado há 17 variedades de pizza, todas com o mesmo tamanho — uma espécie de individual um pouco maior —, ainda duas versões de calzone e por fim a pizza “faça ao seu gosto”, onde pode escolher até quatro ingredientes (7€). As pizzas começam nos 4,50€, uma Margherita (só com molho de tomate e mozzarella), e vão até os 6,50€, como a Capricciosa (com mozzarella, azeitonas, fiambre e cogumelos) ou a Verão (com presunto, rúcula e queijo grana).
O forno a gás, que tem capacidade para cozer seis pizzas de uma vez, atinge os 400 graus, por isso, em pouco mais de cinco minutos tem a pizza pronta. Apesar do espaço na Verdachado ser pequeno, há três mesas e um balcão onde se podem sentar até dez pessoas. Pode comer por lá ou então levar para casa em caixas próprias. Durante o próximo mês de setembro é possível que façam entregas ao domicílio, mas só na zona.
In,http://www.nit.pt/article/08-24-2015-ha-um-novo-take-away-de-pizzas- napolitanas
O mundo fantástico de "Avatar"
James Cameron regressa com "Avatar" e promete revolucionar o
cinema
Florestas luxuriantes com criaturas exóticas, habitantes com três metros e pele azul, naves espaciais e seres biónicos, aventura, acção, romantismo e efeitos especiais nunca vistos. Junta-se tudo e mistura-se cuidadosamente à tecnologia 3D. Esta é a receita de James Cameron para o seu novo filme "Avatar", a obra mais aguardada do ano em Hollywood e que estreou esta semana.
O resultado final promete deslumbrar os espectadores, mesmo quando se percebe que algumas das ideias base são inspiradas noutros filmes. O enredo é em tudo semelhante a "Danças com Lobos": um guerreiro infiltra-se na tribo inimiga, apaixona-se e acaba por combater a sua própria civilização de origem. As armaduras robotizadas já se viram em Alien. O romantismo é copiado de Titanic (precisamente, o última longa metragem de Cameron, feita já no século passado). E até tem pormenores de "Matrix" e "eXistenZ", de David Cronemberg, só para citar as referências mais óbvias.
Só que tudo isto resulta e encaixa na perfeição. Até as criaturas digitais atingem novos patamares de humanidade, nunca até agora alcançados por seres criados por computador. E Cameron consegue tirar o máximo proveito da tecnologia tridimensional, onde até as legendas em português são estrategicamente colocadas para não "atrapalhar" a magia da folhagem que parece real e ao alcance da mão dos espectadores. O realizador até se deu ao luxo de contratar vários biólogos para tornar a fauna e flora imaginárias mais credíveis e uma consultora linguística que criou uma língua totalmente de raíz do povo Na'vi, a tal tribo imaginária extraterrestre. Fez até uma enciclopédia com 500 páginas com todos os pormenores do planeta Pandora.
Vai ser (já é!) uma revolução no cinema. A não perder.
Luís Silvestre
A qualidade britânica
O Amor Acontece
"O Amor Acontece" faz lembrar a história da galinha dos ovos de ouro. Richard Curtis, que aqui se estreia na realização (depois de vasta carreira como argumentista), tem sido um abono de família do cinema britânico na última década. Procure-se um grande sucesso oriundo de Inglaterra e é certo e sabido que também por lá se encontra Curtis, autor dos argumentos de "Quatro Casamentos e um Funeral", "Notting Hill" e "O Diário de Bridget Jones". De certa forma, se não inventou um género, a comédia romântica "à inglesa", fez muito por isso.
Para a sua passagem à realização (também escreveu o argumento) escolheu uma súmula, uma versão "total" do tipo de comédia romântica que ajudou a criar - "O Amor Acontece" é um "pot pourri" que junta os ingredientes dos outros filmes num só, ficando por saber se restará mais algum ovo de ouro. Na verdade, mais do que um filme, são vários, como várias curtas-metragens montadas em paralelo, tendo como traço de união a relação vaga entre as personagens de algumas histórias e os apontamentos do princípio e do fim, na zona de chegadas do aeroporto de Heathrow, descrito pelo filme como o lugar onde se deve ir para se confirmar que o amor "actually happens".
É inevitável reconhecer que, passe o lado descosido de semelhante programa (um Altman em versão ligeira, suave e televisiva), alguma coisa acontece. A coisa "escorrega" surpreendentemente bem, e isso terá a ver com uma capacidade de fazer aparecer personagens vindas do nada. "O Amor Acontece", no fundo, é um típico "filme de personagens", onde é menos importante aquilo que elas fazem do que o simples facto de estarem ali.
Claro que é impossível dissociar desse pormenor a galeria de actores, que, de Hugh Grant a Emma Thompson, de Alan Rickman a Colin Firth (ou o menos conhecido Bill Nighy, no papel de um velho e decadente rocker, que leva a palma), passa por ser um desfile da nata do "star system" britânico, pleno de "coolness" e "britishness" (e há pessoas para quem essas duas coisas são irresistíveis).
E toda esta gente passeia-se apenas no filme? Não, fazem um bocadinho mais do que isso. Se Hugh Grant repete pela enésima vez o desajeitado cheio de charme (é, imagine-se, o novo primeiro-ministro, solteiro e apaixonado por uma das secretárias) e toda a sua história é talvez o "weakest link" do filme, outros são mais sólidos. Liam Neeson, por exemplo, no papel de um recém-viúvo a ajudar o enteado na sua iniciação sentimental. Ou Colin Firth, a usar às mil maravilhas o seu registo de carantonha impassível (é um escritor que se encontra com uma emigrante portuguesa de Marselha, Lúcia Moniz). Ou o casal interpretado por Alan Rickman e Emma Thompson, na história mais "séria" do filme que ambos interpretam com notável subtileza. É sobretudo por eles que o filme acontece.
Luís Miguel Oliveira
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-qualidade-britanica--1652396
Recensão crítica ao Palácio Nacional da Vila de Sintra45
Localização: Largo Rainha Dona Amélia, 2710-616 Sintra. Site: http://pnsintra.imc-ip.pt/pt-PT/Default.aspx
Com fundação árabe, o Palácio de Sintra torna-se, a partir do século XII e por cerca de oito séculos, residência da Família Real Portuguesa. Único sobrevivente dos Paços Reais medievais, a sua configuração actual não se alterou substancialmente desde meados do século XVI, resultando de campanhas de obras sucessivas de D. Dinis, D. João I e D. Manuel I. Reunindo vários estilos arquitetónicos, como gótico, mudéjar e manuelino. Foi muito utilizado na Idade Média como refúgio da Corte durante os meses de verão e para a prática da caça. Mundialmente reconhecido pelo perfil das duas monumentais chaminés cónicas das suas cozinhas exibe no seu interior um acervo único de azulejaria hispano- mourisca e colecções de artes decorativas do século XVI ao século XVIII. Por tudo isto, foi considerado Monumento Nacional em 1910 e integrou em 1995 a classificação da Unesco de Sintra Paisagem Cultural da Humanidade e é frequentemente utilizado para eventos culturais
ou encontros oficiais.
A visita a este monumento começa no sítio eletrónico. Neste portal encontra-se uma versão portuguesa e espanhola. De fácil navegação o site é esclarecedor nas informações básicas para a visita ao Palácio, tal como os contactos, horários, preços, descontos e nas várias alternativas de percurso. Os horários são flexíveis e dirigidos a todas quase todas as idades e disponibilidades profissionais, ao propondo para os mais ocupados, perante marcação prévia visitas fora do horário estabelecido. O mesmo para o preço das entradas, para além da gratuidade aos domingos até às 14h, o mesmo acontece para menores de 14 anos, para professores e alunos perante marcação prévia, e membros de instituições associadas, o que permite, de alguma forma, o acesso de todas as camadas sociais ao Palácio. De resto este portal fornece igualmente o percurso Histórico do monumento e frisa sucintamente as suas originalidades. Destaco ainda para a visita virtual em 360°, isto é, imagens panorâmicas que ligadas entre si, mostram ao visitante a totalidade dos espaços do
45 Carolina Soares, colaboradora do Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Investigadora do Instituto PAEHI-ASSOCIAÇÃO PARA ESTUDOS HISTÓRICOS
Palácio, este sim, um marco original entre os muitos sítios eletrónicos de museus e Palácios portugueses.
A visita ao museu, sem guia turístico, começa nas bilheteiras, onde não se encontra nenhum folheto que resuma o percurso do museu ou a sua história no caso de não se ter consultado o site, ainda que alguma informação esteja numa placa informativa em inglês e português, na entrada do Palácio. De resto o percurso pelos vários espaços está bem organizado e delimitado. Todas as salas, pátios, quartos, a capela e a cozinha têm um painel informativo, em português e inglês, e algumas como a Sala dos Cisnes ou a Sala das Pegas têm um monitor que passa imagens ou fotografias desse mesmo espaço em períodos anteriores, sendo fotografias com a família real no século XIX comuns. Com esta iniciativa julgo que o visitante tem a oportunidade de visualizar o espaço em real funcionalidade e de ver outra disposição dos objetos, coleções e pessoas, o que torna esse espaço autêntico e palpável, realçando o encanto e importância do monumento, contextualizando as salas, e retirando o misticismo enganoso que muitos podem formular. Não se encontram em todos os espaços um guia para esclarecer algumas dúvidas ou curiosidades, mas esses estão presentes nas salas principais, como a já referida Sala dos Cisnes ou na conhecida sala dos Brasões, onde me foi esclarecido a seguinte frase gravada nas paredes: COM ESTAS E OUTRAS TAIS DEVEM DE SER COMSERVADAS POIS COM ESFORÇOS LEAIS SERVIÇOS FORAM GANHADAS (ou com estas e outras tais devem de ser comservadas pois com esforços leais serviços foram ganhadas)
Na visita pelo palácio encontra-se inúmeras peças de arte, relíquias, ornamentos, objetos decorativos, entre outros, que na minha opinião poderiam estar mais esclarecidas, no que toca ao que é representado ou à funcionalidade do objeto. De qualquer das maneiras, a grande maioria encontra-se identificado e com uma contextualização adequada para os visitantes. Por fim, o percurso leva o visitante a sair pelo mesmo lado pelo que entra, acabando a visita com a famosa cozinha e a Sala Manuelina. De seguida pode com mais calma aceder à loja onde encontrará várias recordações do monumento, para depois desfrutar da maravilhosa paisagem que o rodeia, esta efetivamente mística, e deixar-se envolver pela riqueza histórica da região.
In, http://instituto-prometheus.org/trabalhos_cientificosrecensoes_criticassrecensao- critica-ao-palacio-nacional-da-vila-de-sintra-2/
Recensão Crítica: Literatura Portuguesa/Romance
José Manuel Lopes, Fragmentos de uma Conspiração, Lisboa, Saída de Emergência, 2006
O título deste romance, assim como a capa, são bastante apelativos. Mas não pense o leitor mais incauto tratar-se de um romance, como muitos dos que por aí abundam — e até entrando nos topos de vendas — em que se busca o efeito fácil. Neste caso, trata-se de um livro de prosa ficcional, ultrapassando em pouco as 200 páginas, e que deixam o leitor preso desde o primeiro instante, devido ao ambiente de mistério e suspense sabiamente doseados e que se adensam e ramificam à medida que a leitura avança.
O leitor acompanha com prazer os pensamentos, deambulações e investigações de Adriano, cineasta pouco conhecido, preso numa conspiração que o mergulha no universo propagandístico nazi, em rituais satânicos de inspiração templária e numa clínica psiquiátrica em Sintra, de nome Lusitânia. (Re)visitamos com agrado a cidade de Lisboa dos anos 40 e 50 em que ficção e realidade documental se mesclam inextrincavelmente. Mas as deambulações geográficas levam-nos a evocar igualmente Sintra, Óbidos ou o Porto.
Mas como é que se inicia essa terrível conspiração? Muito simplesmente, quando num café da Baixa lisboeta é entregue a Adriano uma mala repleta de cenas/fragmentos cortados de um filme intitulado Lisboa, 1942. Movido pela curiosidade e pela paixão cinematográfica, Adriano entra no universo do filme, realizado em segredo com pacientes do foro psiquiátrico. No entanto, a paixão pela actriz principal, e o perigo que o vai cercando, como uma teia, mudarão o curso da sua vida.
A actriz Aida, repleta de ambiguidades ideológicas e identitárias, converte Adriano em seu confidente: «Adriano a custo conseguia acreditar na espontaneidade com que Aida lhe revelava tais confissões. Não sem um certo tom quase magoado na voz ainda lhe perguntou: “E ele?... Vindo aqui quase todos os meses, nunca lhe relembra essas sessões a dois?”...»
Sabe que está proibido de o fazer... Proibido de revelar sequer a alguém o que eu lhe acabei de contar... Há coisas, meu caro Adriano, que adquirem um valor que talvez nunca tivessem tido, por isso mesmo... pela aura de segredo que as envolve... É como quem olhasse para um tecido muito antigo e demasiadamente frágil, sabendo que ao tocar- lhe este se iria desfazer em pó... em nada, afinal...»
Apesar de se ler tão bem como um romance policial, que possui mesmo uns laivos de thriller, trata-se de uma obra literária, feita por alguém que possui igualmente profundos conhecimentos teóricos sobre a teoria literária e que os aplica com destreza, ou não fosse professor universitário e investigador no âmbito da Literatura Comparada. O estilo, apesar de fluente, é burilado, o vocabulário é escolhido criteriosamente e o autor domina com mestria a técnica da descrição. José Manuel Lopes já anteriormente (em 2001) publicara o seu primeiro romance intitulado Naufrágios e Neblinas: Forro Alto, 1927, onde se anuncia a sua predilecção em evocar ambientes de mistério e uma certa ambiguidade que caracteriza as personagens.
Faz-se aqui um convite à leitura atenta, mas sempre agradável, e por que não um convite — nesta nossa era de novas práticas estético-semióticas — à adaptação cinematográfica deste romance que tão rico é em afinidades entre as duas artes: a literária e a fílmica? Tal como nos disse Camilo Pessanha «Imagens que passais pela retina dos meus olhos, porque não vos fixais?»
Ana Cristina Tavares – Professora na Universidade Lusófona Babilónia nº 4, pp. 267 - 268
BABILÓNIA: Revista Lusófona de Línguas, Culturas e Tradução Centro de Línguas e Culturas, in http://revistas.ulusofona.pt/index.php/babilonia/article/viewFile/1748/1403
Resenha do livro Criação de curta-metragem em vídeo digital
Criação de curta-metragem em vídeo digital: Uma proposta para produções de baixo custo, escrito por Alex Moletta, publicado pela editora Summus em 2009.
Criação de curta-metragem em vídeo digital: Uma proposta para produções de
baixo custo é um guia prático para a realização audiovisual através de tecnologias digitais.
Alex Moletta, o autor, é graduado em filosofia e já trabalhou em teatro, cinema, banda desenhada e televisão, além de ter organizado oficinas sobre realização audiovisual. A sua abordagem prioriza curtas de baixo custo no Brasil e a sua linguagem é bastante acessível para não-iniciados, o que se deve também ao tamanho relativamente reduzido do livro (144 páginas), em comparação com livros semelhantes.
A obra não dispensa leituras mais complexas e específicas, mas traz uma boa noção do processo de realização como um todo, dessa maneira, sendo útil para realizadores das mais variadas áreas no audiovisual e de variados graus de experiência. Através do livro, Alex distingue e explica as diferentes funções no set de filmagem e as fronteiras entre as tarefas e responsabilidades de cada um, temas que podem não ser muito claros aos olhos dos cinéfilos não-iniciados na realização. Essa amplitude de assuntos se percebe logo no Sumário, que divide pragmaticamente as etapas da realização: Prefácio; Introdução; 1. Um caminho para a produção em vídeo de baixo orçamento; 2. O roteiro; 3. A direção; 4. A fotografia; 5. Sobre a produção; 6. A montagem e a finalização; Conclusão; Referencias
O livro considera a falta de dinheiro e ocasionalmente evoca o perigo de “não conseguir o que foi proposto” (p.104). Contra isso, propõe soluções criativas e um processo de pré-planeamento vívido, mas ao mesmo tempo sóbrio em relação às condições dadas. Segundo o autor, não se trata de desqualificar o processo cinematográfico, mas de qualificar o vídeo digital de curta-metragem (p.11). Alex procura ainda deixar clara a importância da colaboração e coesão do grupo como estratégia para produzir cinema com recursos limitados. Embora o autor escreva de maneira acessível para um público amplo, também é útil para realizadores já iniciados: introduz alguns termos técnicos, trata de questões burocráticas (p.111), e, dessa maneira, escapa a enquadrar-se numa abordagem superficial. Traz informações úteis sobre os formatos de vídeo, preciosas dicas de mais de 20 “Sites interessantes” na web, comenta as leis de incentivo entre outros aspectos.
É interessante perceber que na época do lançamento do livro eram consideradas sofisticadas as tecnologias de Full HD e Blu-Ray, que hoje são bem mais acessíveis e
comuns. Com o passar dos anos, parece que a tendência é que as ferramentas específicas ao processo de realização se tornem progressivamente mais baratas e complexas e, dessa maneira, se torne ainda mais usual a criação audiovisual. Nesse mesmo sentido, é interessante notar a importância que o autor atribui à internet como difusora do audiovisual através do Youtube e outros canais. Tudo indica que também o papel da internet na vida quotidiana se adense nos anos seguintes. Soma-se a essa facilidade de veiculação dos filmes a proliferação de festivais de cinema pelo Brasil e pelo mundo, demonstrando uma constante demanda global por filmes de qualidade.
Enfim, o livro é bastante interessante tanto para realizadores iniciados tanto quanto para curiosos no processo de realização de curtas-metragens. Não é extenso e nem pesa demais para algum aspecto específico, dessa maneira servindo como uma espécie de panorama geral sobre o assunto. Embora nesses 6 anos algumas das informações ali postas estejam desfasadas (como a menção à Programadora Brasil, atualmente inactiva) , certamente a obra de Alex Moletta pode ser interessante e esclarecedora, especialmente se combinada com leituras mais específicas.
© obvious: http://obviousmag.org/cinema_e_sociedade/2015/07/resenha-criacao-de- curta-metragem-em-video-digital.html#ixzz3frrbE7nX (adaptado)
Vítor Sérgio Ferreira, Marcas Que Demarcam
Marcas que Demarcam. Tatuagens, Body Piercing e Culturas Juvenis, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2009, 343 páginas.
O livro Marcas Que Demarcam. Tatuagens, Body Piercing e Culturas Juvenis, editado em 2009 pela Imprensa de Ciências Sociais, constitui uma contribuição de relevo para o panorama dos estudos juvenis em Portugal. Esta obra, da autoria do sociólogo e investigador do ICS Vítor Sérgio Ferreira, resulta de uma pesquisa desenvolvida no âmbito do seu programa de doutoramento em Sociologia.
Os estudos juvenis têm representado em termos internacionais uma área de investigação sólida e importante no contexto das ciências sociais, nomeadamente na disciplina sociológica. Tal facto deve-se, em grande medida, à relevância e visibilidade que esta categoria social e etária foi adquirindo ao longo da última metade do século passado, sendo um alvo fácil de discursos mediáticos e políticos. Muitos dos fenómenos sociais e culturais mais marcantes do século XX ocidental foram protagonizados por determinadas culturas juvenis. A capacidade para questionar e afrontar a ordem parece ser, desde há