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Na formação de leitores, desempenha um papel fundamental a figura do mediador. Vejamos, então, o que se entende por mediador e quais as suas funções de acordo com Cerrillo (2006:35).

  

 A figura do mediador

Para o autor referido, mediador é alguém que funciona como ponte ou elo de ligação entre os livros e os leitores, propiciando e facilitando o encontro, a descoberta e o diálogo entre ambos. Cumpre o papel de primeiro receptor ou de receptor intermédio do texto e tem o poder de declarar quais são os livros bons para serem lidos. Tem como principais funções: criar e incentivar hábitos de leitura, seduzir os leitores, facilitar a tarefa de compreender, orientar a leitura, seleccionar ou ajudar a seleccionar os livros adequados ao leitor ou leitores, preparar, implementar e avaliar projectos de animação da leitura e de promoção/divulgação do livro.

Para que possam realizar com eficácia a importante tarefa que lhes é exigida, os mediadores devem reunir uma série de características que passamos a enumerar, continuando a seguir de perto Cerrillo (2006: 38):

 Ser um leitor habitual que gosta de ler e que gosta de livros.  Compartilhar e transmitir o prazer pela leitura.

 Conhecer o grupo e as suas capacidades para promover a sua participação.  Ter uma boa dose de imaginação, criatividade.

 Acreditar no trabalho de mediador e realizá-lo com sentido de responsabilidade e entusiasmo.

 Ter capacidade para aceder continuamente a informação suficiente e renovada.

 Possuir uma formação que abarque as áreas de literatura (incluindo a literatura para crianças e jovens), psicologia e didáctica.

De entre os mediadores possíveis, atribuímos particular importância aos professores, aos pais e aos professores bibliotecários. Estes intermediários são interlocutores privilegiados, tendo em conta a sua posição de proximidade com as crianças e os jovens e a existência de laços afectivos fortes, que são fundamentais na criação de ambientes favoráveis à leitura (Bastos, 1999; Azevedo, 2006).

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Familiares, professores e bibliotecários desempenham, em contextos diferentes, papéis diferentes mas complementares e seria desejável que entre eles houvesse articulação e colaboração, pois, apesar das especificidades, todos trabalham para o mesmo fim. A missão do mediador só se considera cumprida quando a leitura se tornou um hábito para o sujeito, hábito esse que deveria contemplar a leitura para fins informativos e instrumentais e a leitura recreativa como forma de evasão e libertação do imaginário.

Todos os mediadores são importantes, mas parece-nos que o professor é o mediador por excelência, embora se deva salientar que o papel de mediador é apenas um dos papéis que o professor desempenha no processo de formação de leitores. Para além de mediador, o professor pode, muitas vezes, ter ainda de desempenhar, junto dos pais, a função de formador de mediadores, ajudando-os a cumprir o seu papel na promoção da leitura em contexto familiar. O professor é também aquele que ensina a ler, transformando a criança num leitor autónomo e voluntário.

 O papel da família na formação de leitores

Os primeiros mediadores de leitura são aqueles que se movimentam no ambiente familiar. Podem ser os pais, os avós, os irmãos mais velhos ou outra pessoa próxima da criança. Estes mediadores podem desempenhar um papel muito importante na criação de hábitos de leitura ao longo da vida e na emergência da vontade de querer aprender a ler, numa fase inicial. Temos de ter plena consciência da dificuldade que representa a criação de hábitos leitura estáveis e de que, nem sempre a escola consegue cumprir esta missão sozinha.

Sendo um aspecto não estritamente ligado à implementação do Programa de Português, mas pelas implicações que reconhecidamente o contexto familiar tem nos desempenhos dos alunos em leitura4, justifica-se esta menção ao investimento da

escola em projectos de envolvimento dos pais na promoção da leitura. Muitos pais não cumprem este papel porque não estão sequer conscientes do que se espera deles. A primeira tarefa da escola é sensibilizá-los e convencê-los de que podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento da competência leitora dos filhos e depois explicar-lhes como podem fazê-lo.

Baseando-nos em várias perspectivas sobre esta questão, designadamente em Cerrillo (2006: 43), estes mediadores devem, pelo menos, ter em conta que:

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Cf., por exemplo, a análise dos resultados dos estudos Pisa (2000, 2003) e Inês Sim-Sim (2006).

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• As crianças pequenas, em geral, têm grande apetência pela leitura e esse interesse deve ser alimentado. Quando a criança ainda não sabe ler, pode-se ler para a criança escritos que encontrem no dia-a-dia, perguntar-lhe o que acha que está escrito num determinado lugar e para que servirá aquele escrito.

• A partilha de momentos de leitura é importante. É bom que os pais leiam histórias aos filhos5, que falem sobre a história, se a criança assim o quiser;

que partilhem leituras com os seus filhos, que falem de livros de que tenham gostado.

• É bom que os pais leiam à frente dos filhos e que juntos vão a bibliotecas para requisitar livros e livrarias.

• Sempre que possível devem oferecer livros que vão ao encontro dos interesses dos filhos

• As crianças devem manusear os livros que existam em casa, deixando-os ao seu alcance; devem também ter contacto com vários suportes da escrita: jornais, revistas.

• Ler não é uma perda de tempo e pode ser divertido.

A escola pode encarregar-se de fazer chegar esta mensagem aos pais. Para o efeito podem ser construídos e distribuídos folhetos ou brochuras; realizadas reuniões de pais, orientadas pelos professores ou por um outro especialista convidado; desenvolvidos projectos de leitura a par (cf. PNL). Estando-se conscientes de que nem sempre a mensagem chegará ao seu destino ou que, chegando, não terá o efeito pretendido, não podemos, no entanto, desistir das causas justas.