Figura 15 - Ernestina Lamothe (Pompadour), Consuelo Venet (Santiago de Cuba) e Victoria Videaux (Bejuco). Arte: Andrey Moraes
A memória é um cabedal infinito do qual só registramos um fragmento. Frequentemente, as mais vivas recordações afloravam depois da entrevista, na hora do cafezinho, na escada, no jardim, ou na despedida do portão. Muitas passagens não foram registradas, foram contadas em confiança, como confidências. Continuando a escutar ouviríamos outro tanto e ainda mais. Lembrança puxa lembrança e seria preciso um escutador infinito. (BOSI, 1994, p. 39)
Usar a memória como instrumento e guia de pesquisa é por vezes desafiador pois, como bem pondera Bosi (1994), há uma infinidade de lembranças que ficam confinadas no gravador ou nas notas do diário de campo. Ao mesmo tempo em que compartilhamos com nossos parceiros de pesquisa momentos das suas memórias pessoais, nos deparamos também com a objetivação das memórias em práticas e rituais. Já mostrei de maneira breve, como as memórias da escravidão em Cuba foram reconstruídas à luz das mudanças políticas da Revolução de 1959. Aqui proponho iniciar o que chamo de embates da memória, onde a historiografia será questionada e dará voz aos próprios tumberos. Uso o termo embate43, que significa “choque, duelo, oposição ou qualquer manifestação de resistência”, pois acredito que ele traduz esse jogo de poderes que dita o tom da construção das memórias nacionais, dos grupos e das lembranças individuais. Trata-se de um embate sem fim, em que essas rememorações aparecem como um campo de conflitos: por trás de tudo que se escreve e do que se conta, há disputas em torno do que merece ou não ser lembrado (TROUILLOT, 2017).
Mas como surgiu a ideia de apreender as memórias como um campo de batalhas? Como estudante estrangeira, constantemente tinha que me apresentar e explicar o que estava fazendo em Cuba. Analisando algumas dessas situações de pesquisa, percebi as contradições que existiam em relação à Tumba Francesa. A primeira situação aconteceu logo na minha chegada em Havana quando fui hospedada por uma professora que me perguntou: “- O que você veio estudar?” Respondo: “- Venho conhecer as Tumbas Francesas!” Noto uma expressão incompreensível no rosto dela e explico o que são as Tumbas Francesas. Ela me confidencia que achava que eu iria estudar sobre os franceses sepultados no Cemitério Colón. Como ela, muitos lugares que visitei em Cuba, não tinham noção do que eram as Tumbas Francesas. Em outros momentos, apareceram versões conflituosas sobre a tumba, bem como a realização de ações pelo Estado Cubano buscando visibilizar as expressões afro-cubanas como a Tumba Francesa, tanto de modo local como em âmbito nacional através de programas de TV, eleição de lugares de memória, redação de materiais acadêmicos e a inclusão em turnês nacionais onde há a intenção de valorizar a raiz africana na ilha. A exemplo, temos a turnê que a Tumba 43 Definição retirada do dicionário Aurélio Buarque de Holanda.
Francesa Pompadour fez por várias províncias do país ou a participação no Festival Internacional Havana Music World que ocorre todos os anos em Havana. Para finalizar, e mostrar que as expressões afro-cubanas são lugares de conflito e embate, recordo a fala de uma criança tumbera do grupo infantil de Bejuco, quando participou do documentário do Unicef. A criança declarou: “Eu queria que a Tumba de Bejuco passasse na TV, que todo mundo pudesse conhecer a nossa Tumba”. Semelhante a esta fala, eu escutei outras mais, de tumberos de outras tumbas, com o mesmo desejo de reconhecimento.
Estes três exemplos mostram o silenciamento de uma memória marginada, os esforços governamentais e as percepções dos integrantes das tumbas. Neste sentido, quando se analisa diversas facetas de um mesmo fenômeno ou momento histórico, percebe-se que a memória é carregada de representatividade. Nos exemplos citados, a memória sobre a Tumba Francesa aparece sob diversas formas e demandas, cada indivíduo irá recordar algo que diz respeito às suas vivências e reproduzirá as narrativas históricas e sociais às quais teve acesso.
A partir do depoimento da professora em Havana, que desconhecia a Tumba Francesa, podemos pensar que a exaltação desta na memória coletiva do país – que durante séculos ocultou as práticas e rituais de origem africana – é recente. O que se verifica, de modo geral, é a amnésia ou esquecimento destas expressões por parte da maioria da população. Por outro lado, as políticas estatais implementadas para a construção de uma nova narrativa histórica, possibilitam uma visibilidade maior a todos os indivíduos das mais diversas etnias, não suprindo o ideal de representatividade destes indivíduos. Mesmo tendo o Estado impulsionado ações para a inclusão destes grupos e promovido o fortalecimento das memórias que remetem ao período da escravidão, as memórias que sustentam estas narrativas historiográficas seguem carregadas de poder (TROUILLOT, 2017). Constataremos através das narrativas de origem dos três grupos de Tumba Francesas pesquisados, que memórias foram eleitas para compor a memória oficial da expressão e quais memórias os tumberos elegem para recordar do começo de seus grupos. Apresento as três tumbas enfatizando o começo da trajetória de cada um e destacando o papel fundamental que algumas mulheres desempenharam na preservação destes grupos.
2.1 Bejuco e a Escrava Candelária
“¡Hay montañas dificiles de subir, pero hay frutos que se pueden obtener subiendo esa montaña!” (Maritza Lamothe, Bejuco, 15 de agosto de 2017)
Minha primeira aproximação com os grupos de Tumba Francesa aconteceu através na Tumba de Bejuco. Assisti a um documentário44 ainda no Brasil que mostrava a vida de um grupo tradicional em uma zona montanhosa, dedicada ao cultivo de café e, muito embora conhecesse Cuba, não tinha eu a dimensão das dificuldades que me esperavam para chegar até o grupo. Movida pela curiosidade e pelo que vi no documentário, subestimei as dificuldades e logo pensei que essa seria a tumba mais fácil para etnografar.
A Tumba Francesa de Bejuco foi a primeira a ser visitada (em maio de 2016) e minha última atividade de campo na última viagem em agosto de 2018. Pensava que seria fácil fazer a etnografia, mas me deparei com muitos entraves burocráticos na primeira viagem, pelo simples fato da localização geográfica da comunidade.
Bejuco é um bairro rural de Ságua de Tánamo, município da província de Holguín. A cadeia de montanhas a qual pertence Bejuco é zona estratégica militar até hoje para Cuba o que implica um controle maior por parte do Estado. Até então, eu não sabia desta informação
44 O documentário “La voz de los sin voz” pode ser acessado pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=W- rau4reShQ&t=737s
Figura 16 - Localização da Tumba de Bejuco.
fundamental: isso tornou minha pesquisa (da construção da rede de interlocutores e da ida propriamente a Bejuco) muito difícil. Em Holguín, comecei a fazer contatos na Universidad del Oriente, com pouco ou nenhum sucesso. Foi na tentativa de me relacionar com os professores especialistas da Universidade que percebi o quanto o preconceito estava ainda presente, bem mais vivo que o Comandante Fidel gostaria. O racismo estrutural ainda persiste e nem mesmo as mudanças provocadas na realidade do povo cubano pela Revolução feita por Fidel conseguiram apagar as marcas deixadas pela escravidão. Para resumir minha passagem pela Universidad, trago o comentário de um professor que riu quando falei do meu tema de pesquisa e me disse: “Você está no lugar errado, aqui nós só estudamos os brancos”. Não posso generalizar, nem todos os profissionais daquela Universidade pensam da mesma forma, mas percebi que mesmo havendo a garantia de direitos resguardados por lei45 e medidas que incluam o negro em todas as esferas da vida cotidiana, o ranço de anos de preconceito persiste. O racismo, embora seja combatido no âmbito estrutural e constitucional, não deixa de também ser alimentado por discursos estatais que negam uma diferenciação étnica e apostam no discurso da mestiçagem, tratando o racismo apenas como um resquício do passado.
A província de Holguín é majoritariamente branca e uma das mais racistas dentre as quais tive oportunidade de viver. O histórico racista desta província foi analisado por Chacón (2012) que mostrou como a formação social e histórica desta província nos dão pistas para entender este cenário de preconceito racial. O episódio da Universidade não foi um caso isolado; os comentários racistas foram constantes, várias situações constrangedoras me fizeram refletir sobre os preconceitos numa província que elegeu um patrimônio da humanidade como a Tumba Francesa de Bejuco. Graças à solidariedade dos amigos46 já feitos em Holguín, pude construir minha rede de interlocutores junto à Tumba de Bejuco. Consegui contatos valiosos,
45 A lei que explicita claramente as sanções sobre casos de discriminação racial aparece de forma incipiente na Constituição de 1976. Depois ela é mais detalhada na reforma constitucional feita em 1992, que amplia o artigo 42 que trata deste tema, incluindo a liberdade religiosa e a condenação de qualquer discriminação neste sentido. A nova Constituição de 2019, não só contempla as pessoas negras mas também sinaliza uma inclusão de outras minorias que permaneciam excluídas do respaldo constitucional – como no caso da liberdade de gênero. “ARTÍCULO 42. Todas las personas son iguales ante la ley, reciben la misma protección y trato de las autoridades y gozan de los mismos derechos, libertades y oportunidades, sin ninguna discriminación por razones de sexo, género, orientación sexual, identidad de género, edad, origen étnico, color de la piel, creencia religiosa, discapacidad, origen nacional o territorial, o cualquier otra condición o circunstancia personal que implique distinción lesiva a la dignidad humana. Todas tienen derecho a disfrutar de los mismos espacios públicos y establecimientos de servicios. Asimismo, reciben igual salario por igual trabajo, sin discriminación alguna. La violación del principio de igualdad está proscrita y es sancionada por la ley” (Constituição da República de Cuba, 2019).
46 O Prof. Ciro Labrada que mesmo estando no Brasil foi fundamental no início deste processo pois me indicou pessoas chaves que facilitaram a chegada até os meus interlocutores.
como o da pesquisadora Haydee Toirac, responsável pela pesquisa do Atlas Etnográfico – que redescobriu a Tumba de Bejuco e foi minha referência nas primeiras entrevistas.
Mesmo enfrentando dificuldades com a burocracia em relação a minha condição de estrangeira, através de contatos familiares47, fiz minha primeira visita a Ságua de Tánamo em maio de 2016, levando comigo um bilhete de apresentação feito por Yasel Lobaina Revé48,
endereçado a Maritza Lamothe Robles, sua prima e coordenadora atual da Tumba Francesa, assim como o contato telefônico de Gerardo Muñoz, historiador de Ságua de Tánamo e da Tumba Francesa, indicado por Haydée Toirac e pela equipe da Oficina do Historiador de Holguín. Minha estadia em Ságua foi complicada pois me senti constantemente vigiada: por ser uma cidade com aproximadamente 56 mil habitantes e ter um centro urbano reduzido, fui facilmente identificada como “estrangeira”. Por causa da falta de pousadas na cidade, fiquei hospedada em uma casa na zona rural. A dona era a chefe do poder popular49 daquele bairro e teve que informar às instâncias oficiais50 que eu estava hospedada em sua casa. No entanto, ela me ajudou a fazer contatos com Elivânia Lamothe (liderança da Tumba de Bejuco) e com o historiador Gerardo
Muñoz que tinha sido
recomendado em
Holguín por Haydée Toirac, pesquisadora do Atlas Etnográfico.
Nesta primeira visita à cidade, tive como guia o historiador Gerardo Muñoz que esteve em todas as entrevistas que fiz. Ele
47Conforme sinalizo na introdução deste trabalho, fui casada com um holguinero. Com a ajuda dos familiares dele, que tinham parentes na região de Ságua de Tánamo, viajei para região e, mesmo com os entraves ocorridos, iniciei os contatos com a tumba de Bejuco.
48 Yasel Lobaina Revé é neto de Victoria Robles Robles, professor da Universidade do Oriente, quando conheci Yasel ele tentava fazer sua dissertação de mestrado sobre a Tumba da sua família, mas foi desencorajado pelos próprios pares da Universidade e levado a pesquisar sobre a presença protestante em Holguín.
49 Os conselhos populares em Cuba são grupos que estão presentes em todos os municípios da ilha. Servem de base para a indicação dos candidatos que representam as províncias a âmbito regional e nacional, assim como são responsáveis pela demanda dos moradores daquela região.
50 Em Cuba, todos os estrangeiros precisam estar em casas de aluguel autorizados pelo Estado, ou em Hotéis. Caso o estrangeiro venha a se hospedar na casa de amigos, o dono da casa tem que informar aos agentes migratórios que tem um estrangeiro em sua casa.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.
Figura 19: Trator que nos levou até Bejuco, parada no bairro El Progreso.
foi indicado por Haydée Toirac ainda em Holguín. Gerardo Muñoz tem bastante proximidade com os tumberos, mas essa proximidade ou o fato de ele representar uma instância governamental, já que é o chefe do Museu dos Ex-combatentes afetou o contexto de interlocução das primeiras entrevistas que fiz. Em algumas situações ele queria responder às minhas questões sem deixar que os tumberos se expressassem de maneira espontânea. Por isso, voltei a refazer as entrevistas sem sua presença, constatando que o ambiente e a forma de expressão dos tumberos eram mais descontraídos. Sinalizo isto porque o lugar de fala de cada interlocutor e a situação onde acontece a entrevista se reflete no que é dito, na relação com o entrevistado e no ato de rememorar o passado (GOODY, 2012; POLLAK, 1990).
Nesta primeira visita, Gerardo Muñoz organizou junto com a Casa de Cultura uma atividade em que a tumba de Bejuco participou na zona urbana de Ságua de Tánamo. O grupo foi homenageado através de uma exposição de quadros feitos por um artista plático de Ságua de Tánamo e se apresentou para a comunidade na praça central da cidade. Minha pesquisa de campo em Ságua e Bejuco sempre demandou um cuidado especial, pois desde a primeira visita percebi que a região é bastante controlada51 pelo Estado. Alega-se que a região está dentro de um circuito de montanhas que são zonas usadas pelos militares até hoje, assim como fazem parte do Plan Turquino – plano que o Estado implementou com objetivo de melhorar a assistência de serviços públicos básicos nestas zonas de difícil acesso. Em 2017 e 2018, fiz novas entrevistas, desta vez sozinha, pois voltei a visitar pessoas que havia entrevistado no ano anterior. Também fui acompanhada em outros momentos, como na subida até Bejuco. Antes de apresentar a Tumba de Bejuco, quero apenas pontuar que estive na comunidade de Bejuco, nas montanhas por apenas um dia devido às dificuldades burocráticas. Em Ságua de Tánamo estive semanas, mas na comunidade de fato, um dia. Na segunda parte do campo em 2017, consegui uma permissão junto aos órgãos migratórios para poder ir
51O controle no meu caso foi sentido desde a chegada, por ter que informar onde estava hospedada, nos museus e bibliotecas, onde para acessar o material fora de circulação precisava de uma constância de vinculação a universidade ou instituição de pesquisa. Para chegar a Bejuco, há pontos de controle militares onde é preciso se identificar, os próprios tumberos precisam informar minha presença na comunidade.
Figura 20 - Ruínas da Fazenda La Dolorita.
até Bejuco. Esperei por vários dias em Holguín até receber o aval e seguir para Ságua com esta autorização. No dia em que fui subir a Bejuco, aluguei um trator em que somente três tumberos de Bejuco, o agente de segurança estatal que estava vestido a paisana e meu companheiro a época puderam ficar. A ideia e o combinado é que eu ficaria uma semana na comunidade, mas quando cheguei lá, o agente de segurança que me acompanhava me disse que eu teria que regressar no mesmo dia tarde/noite. Em 2018, estive em Ságua (centro urbano) e em partes da zona rural revendo alguns tumberos que vivem fora de Bejuco.
A frase que abre este capítulo, dita por Maritza Lamothe expressa muito bem meu sentimento em relação às condições de pesquisa nesta província, pois se eu não tivesse subido a montanha, feito o duro trajeto cruzando 18 vezes o rio em um trator, eu jamais teria compreendido, mesmo que minimamente, o que é a Tumba de Bejuco. O caminho até Bejuco era a chave para entender a história, a resistência, a relação com a terra, o silêncio e o desejo de manter esta tradição.
A descrição deste caminho e da cadeia montanhosa onde está Bejuco e outros bairros onde tumberos vivem atualmente são fundamentais para conhecer as memórias da Tumba Francesa. O trajeto até Bejuco pode ser feito de trator, caminhão ou veículos que tenham força para enfrentar o caminho feito de areia, pedras e as muitas vezes em que se cruza o rio. Leva- se aproximadamente uma hora e meia do ponto de embarque que fica fora do centro urbano até a comunidade. Os moradores locais contam com caminhões que fazem o abastecimento das diferentes localidades para deslocar-se. Na época do inverno em Cuba, o rio fica cheio e essas comunidades ficam praticamente isoladas.
As diversas localidades desta zona montanhosa estão situadas às margens do Rio Santa Catalina, afluente do rio Ságua. A razão disso é que a água é fundamental para a sobrevivência das populações e para o cultivo do café, principal plantio da região. Segundo os tumberos, a proximidade com o rio se deve à necessidade de descascar com mais facilidade os grãos de café, além do fato de que é do rio que provém à água para outras demandas básicas das famílias
Figura 21 - El Furnial.
que ali vivem. Durante o caminho que percorri, Elivânia Lamothe Lara, tumbera de Bejuco, foi indicando vários pontos importantes, como as ruínas da fazenda “La Dolorita” que hoje tem como lugar de referência o nome de Vega Larga. É um lugar que é recorrente na memória dos tumberos de mais idade, como Victoria Robles Videaux,
Había en Vega Larga, porque aún está la casa de los esclavos, se conserva bien, una casa rústica que tiene muchas lajas, de mampostería del año de la cometa, no sé si fueron los esclavos que la construyeron pero sé que habían esclavos, hay unas matas que producen unas frutas que dicen guapén, ahy nacieron alrededor de la casa, están llenos de esas matas. (Victoria Robles Videaux, tumbera de Bejuco, 74 anos, entrevista em 16/08/17).
Como podemos constatar nas memórias de Victoria, durante o difícil, mas impressionante caminho que se faz até Bejuco, há vários lugares de memória, marcos naturais que levam aos moradores da região a relembrar seu passado, sejam de momentos que não participaram fisicamente – como é o caso da escravidão –, seja de lugares que remetem à Revolução – que alguns tumberos compartilharam do desenrolar dos acontecimentos, como é o caso das memórias sobre o lugar “El Furnial”.
Hay una zona que es una de las montañas más alta que circunda El Progreso y Bejuco, que es una cueva, mucho antigua, que se llama El Furnial. Esta cueva, es muy molesto de llegar, no se llega con carro pues hay una parte de camino muy dificil, y ese Furnial, vea si no es de referencia, en la última fase de la Revolución, también se ocupó por el ejército rebelde ese cueva, que es inmensa, la utilizaban como refugio y cárcel de opositores del proceso revolucionario, entonces es casi seguro que los esclavos también la utilizaban y seguro era más molesto pues estaba más inexplorado. (Miriam Cruzata, historiadora local, entrevista em 16/08/17)
Se observarmos o mapa, podemos constatar a proximidade de Vega Larga com o conjunto de Montanhas El Furnial, ambos os lugares de memória são tidos como estratégicos em vários momentos históricos do país. Essas cavernas foram também abrigo para os escravos que fugiam das fazendas de café da zona, como é o caso da “La Dolorita” e “La Catalina”. A partir das memórias que coletei, essa é uma zona de cimarronaje (quilombo), ou seja, propícia