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MASTER CLASS SUR LA SCIENCE DU BIEN-ÊTRE ET SES APPLICATIONS AUX ORGANISATIONS

Dans le document LE BIEN-ETRE (Page 69-74)

O gabinete de reabilitação sócio-habitacional do centro histórico de Castelo Branco realizou um im- portante trabalho na identificação do património integrante da sua área de intervenção. Com o apoio de fichas técnicas elaboradas pelo mesmo, especialmente orientadas para os imóveis do período qui- nhentista, caracterizou o edificado da zona histórica, identificando os elementos notáveis presentes. Foi

executado um levantamento rigoroso dos portados quinhentistas, com especial atenção às marcas neles

presentes e o seu significado, resultando num roteiro turístico disponível virtualmente na Rede de Judia- rias de Portugal46. Além do aspeto formal do património, foi de igual forma elaborado o levantamento de

materiais, técnicas e cores utilizadas no centro histórico, de extrema importância para a regulação das intervenções desta área da cidade, com o objetivo de travar as dissonâncias.

Os projetos elaborados pelo gabinete seguem um princípio geral de salvaguarda, assente em crité- rios de conservação, consolidação e preservação do património. Cada projeto é específico e individual, mas podemos observar uma metodologia base de desenvolvimento, distribuída em várias etapas pro- cessuais. Na generalidade, a metodologia é composta por uma visita prévia/reconhecimento do espaço, identificação de elementos notáveis e/ou de valor histórico/arqueológico, desenvolvimento do projeto de arquitetura, execução de trabalhos arqueológicos, acompanhamento de obra, utilização de materiais

compatíveis com as preexistências, restauro dos elementos de valor e limpeza dos elementos pétreos

com recurso a técnicas não invasivas (jato de água ou ar de baixa pressão).

Tratando-se de reabilitações, é relativamente comum as intervenções abrangerem edifícios em es- tado de ruína, forçando o aproveitamento de apenas algumas partes da construção em melhor estado de conservação (habitualmente as paredes estruturais) e de alguns elementos de valor do interior. O aspeto formal é mantido, em especial o das fachadas, procedendo-se à sua consolidação e/ou remoção de elementos dissonantes.

As intervenções projetadas pelo gabinete que a mestranda teve oportunidade de acompanhar mais de perto localizam-se já fora do perímetro da cidade, situando-se em aldeias de xisto da freguesia de Al- maceda (pertencente a Castelo Branco). São exemplos de arquitetura vernacular local, para os quais fo- ram projetadas soluções assentes na filosofia geral de intervenção já acima mencionada, sendo um deles integrante de um programa específico, autor de regras particulares. Apesar da sua participação apenas na fase final das obras, foi possível à mestranda apreender todo o processo de desenvolvimento inerente. Reabilitação de Património arquitetónico vernacular - Martim Branco e o “Xisto Sentido”47

Martim Branco é uma pequena aldeia da freguesia de Almaceda, concelho de Castelo Branco e in- tegra a Rede das Aldeias do Xisto. Repleta de património vernacular, são as pequenas casas de xisto, com características construtivas peculiares, a identidade deste local. Algumas em estado avançado de abandono, outras já em ruína, parte foi adquirida pela Câmara Municipal com o objetivo de dinamizar a economia e a atividade turística locais. Um dos pontos de partida de revitalização foi a criação na aldeia de uma loja, a casa de artes e ofícios, que promove a venda de artesanato local e a união da comunidade local. Foi um dos edifícios que já sofreu um revés positivo, pela sua reabilitação e uso de acordo com cri- térios que permitiram a manutenção do seu valor patrimonial, sem cair em ruína total. Neste espírito de renovação, os restantes edifícios adquiridos foram alvo de projeto com um programa turístico, ficando a cargo do gabinete de reabilitação.

46 - Documento disponível em: [http://www.redejudiariasportugal.com/images/downloads/mapaquinhentista.pdf]. 47 - Unidade de Turismo em espaço rural, apresentação das instalações em: [http://www.xistosentido.pt/]

A intervenção abordou uma série de construções contíguas, num total de nove casas, com vista à criação de uma unidade de turismo em espaço rural. O espaço disponível foi distribuído por cinco quar- tos com entradas independentes (um dos quais adaptado para utentes de mobilidade reduzida), receção, espaço memória, cozinha, restaurante/bar e ainda um pátio exterior de generosas dimensões.

A parceria com a cidade de Røros - Património mundial da Unesco, delineou as restrições e as opções tomadas ao longo do projeto, impondo um método composto por um número de critérios rígidos que permitiram a preservação fidedigna do edificado, sem deturpar o seu valor patrimonial, tanto mate- rial, como imaterial. Sinteticamente, consistiu na documentação detalhada, no levantamento rigoroso do existente e na substituição do mínimo, e com o mínimo impacto possível, no restante edifício (através do recurso e compreensão dos métodos tradicionais, por materiais com as mesmas características e grau de qualidade dos substituídos). A aplicação desta metodologia reverteu-se numa intervenção consciente sobre as origens da construção, mantendo todo o carácter formal e expressivo, típico do conjunto de ha- bitações ancestrais interligadas pelo interior, de exíguas dimensões, baixos pés direitos e vãos diminutos. Claro é, que por mais que se tente manter a originalidade das preexistências, questões de segurança e salubridade obrigam a alterações imprescindíveis e perfeitamente justificáveis, sendo as únicas permi- tidas pelo programa Røros. Disso são casos a construção de um muro de contenção do edifício, em betão, ou o preenchimento das juntas nas paredes com argamassa à base de cal e areia, ao invés da simples ar- gamassa de barro (lavável pela a ação contínua das águas da chuva, gerando orifícios nas paredes através dos quais, em alguns casos, era possível vislumbrar o exterior).

Apesar de todas as restrições impostas, do desafio que é transformar um espaço de características morfológicas vincadas, e ainda de alguns constrangimentos financeiros, o projeto culminou num exem- plo extraordinário na área da reabilitação de património vernacular. Todos os seus elementos jogam numa harmonia simples, resultando num espaço acolhedor, funcional e inclusivo culminando numa sim- biose formada entre os interiores e o exterior, apenas conseguida com as opções certas no desenvolvi- mento dos interiores e na escolha adequada de mobiliário.

Figura 03.04 - “Xisto Sentido” visto pelo exterior, imagem da autora

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