Para iniciarmos nossas considerações sobre esse tópico que trata da estrutura física da Escola Estadual Dr. Isaac Sverner, principalmente no que deve favorecer a utilização dos Recursos Tecnológicos enquanto alternativa didática, vale lembra que a escola compõe-se de dezesseis salas de aulas, uma sala de mídia (anteriormente somente destinada a TV escola), usada para projeção de vídeos e aulas com recursos áudio e/ou visuais, além de um laboratório de informática com trinta e um computadores.
As condições físicas da escola, na ocasião de nossas visitas, apresentaram estar em boas condições, no entanto, a visão passada pelas contribuições dos atores escolares investigados nos dá uma ideia ampliada e mais próxima da verdadeira realidade. Essa visão superficial pode nos dar uma noção de como a imagem de uma primeira impressão pode ser interpretada de forma errada se não buscarmos aprofundar o olhar sobre as diversas problemáticas da escola, isto é, o que antes estava colocado como “em boas condições”, passou a ser passível de um estudo mais minucioso e assim sendo, provocando análises capazes de apontar caminhos mais coerentes às necessidades.
Dito isso, inicialmente, nos deparamos com a afirmação da gestora escolar que ao tratar dos ambientes que permitem a utilização dos recursos e suportes didáticos para os professores afirma:
[...] a estrutura não está adequada, é preciso muito, o laboratório não comporta uma sala inteira. A sala de mídias que nós temos é improvisada (GESTORA ESCOLAR. Entrevista realizada em 06 de abril de 2016).
A fala da gestora demonstra claramente sua insatisfação como a dimensão dos ambientes, mas não se reporta diretamente às condições da sala, o que pode ser percebido e, portanto, completado pela opinião do Professor 1, também falando sobre o espaço designado para funcionar como sala de mídias afirma:
Eu não utilizo a sala de mídias, porque são muito alunos, porque tem que estar deslocando de um lado para outro, fica a maior bagunça (PROFESSOR 1. Entrevista realizada em 06 de abril de 2016).·.
Já no que se refere ao laboratório de informática, é importante verificar a opinião expressa pelos alunos ao avaliarem as condições desse ambiente a partir do que encontramos no Gráfico 3 a seguir.
Gráfico 3 - Considerações dos alunos sobre as condições do laboratório de informática
Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do Questionário aplicado aos alunos do turno matutino em abril de 2016.
Compreendemos que os aluno tem como parâmetro para tal avaliação apenas a ótica visual a partir daquilo que vivenciam em suas visitas ao mesmo, isto para aqueles que chegaram a ir, sendo assim a indicação de 75,1% dos alunos aponta negativamente para as condições do laboratório de informática, existindo até mesmo aqueles que não sabem da existência dele (18,1%). Isso denota uma suposta falta de utilização, justificada pelo fato de que o professor tem encontrado grandes dificuldades para realização de atividades educativas nesse ambiente, principalmente porque a sala não abarca todos os alunos ao mesmo tempo, o que já é um fator limitador de sua dinâmica didática.
O conjunto das respostas dos alunos, do depoimento do professor e da gestora, indica que os espaços destinados para a execução de uma dinâmica didática a partir dos Recursos Tecnológicos não estão atuando para que se atenda a essa demanda, a sala de mídias deveria ser uma estrutura escolar constituída para diminuir o tempo gasto com a montagem de equipamentos, não está provocando essa vantagem.
Podemos ilustrar ainda mais essa realidade quando o professor 1 lamentando a situação estrutural diz:
A nossa realidade de dia a dia, a gente planeja, mas quando chega, cadê? Por exemplo, se o computador já tivesse já pronto, eu acho que seria mais viável, uma sala para 10 professores, é muito! Se uma sala tivesse com tudo pronto para um professor, tipo matemática, por exemplo, eu já enviaria do meu computador para o computador daqui, abriria uma pasta diretamente, o que já teria planejado lá, ficaria mais fácil dar uma aula visual para eles. (PROFESSOR 1. Entrevista realizada em 06 de abril de 2016).
Fica claro, em se tratando da sala de recursos multimídia, segundo o professor, a utilização do espaço físico fica comprometida, pois, uma única sala um amplo contingente de professores limita o trabalho. Acreditamos que mais do que a insuficiente quantidade de sala, o que está posto como maior problemática é a estrutura da única sala, pois ela é pequena, e não comporta uma turma toda, além de ter os Recursos Tecnológicos insuficientes.
Essa realidade, que a propósito não é desconhecida pelos gestores da educação no âmbito do macrossistema, encontra eco nas palavras da Coordenadora Distrital, que reconhecendo essa precarização, resultado da dificuldade de manutenção afirma “a gente tinha uma manutenção muito mais intensa, intensiva realmente, com a reposição de equipamentos também” (COORDENADORA DISTRITAL. Entrevista realizada 01 de abril de 2016). E conclui dizendo que no atual momento, a atribuição de manutenção está sob a responsabilidade da própria escola ao dizer:
Esse é um momento em que cada gestor está tentando com suas próprias condições, dentro de seu próprio ambiente ir resolvendo seus problemas, suas situações (COORDENADORA DISTRITAL. Entrevista realizada 01 de abril de 2016).
O que fica subentendido que esta situação possivelmente relaciona-se a questões de dificuldades econômicas que vive a esfera governamental do estado.
Cabe dizer, diante dos achados aqui postos, que as dificuldades em relação à estrutura, contribuem bastante para que uma prática mais dinâmica da utilização dos Recursos Tecnológicos como possibilidade didática na escola não se coloque em prática com a intensidade que se pretende nos programas desenhados, e, portanto
tais indicações devem ser levadas em consideração no momento que se propuser uma ação em que se pretenda dinamização da inserção tecnológica como alternativa didática no processo ensino-aprendizagem.