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63 II. Les marqueurs tumoraux

IV. Marqueurs pronostiques du mélanome et protéomique

RESUMO

Este artigo foi realizado como parte das atividades desenvolvidas no projeto Locast Civic Media, desenvolvido em parceria entre Famecos, RBS e MIT. Apresenta um estudo da visão dos autores sobre jornalismo colaborativo, o uso da ferramenta e as formas narrativas empregadas durante a execução do projeto.

PALAVRAS-CHAVE: Locast; jornalismo colaborativo; cidadão;

mobilidade; convergência; plataforma híbrida.

Pode-se dizer que a participação de não jornalistas na produção de conteúdo jornalístico nasceu praticamente junto com o jornalismo. Essa participação ocorreu, ao longo da história, em maior ou menor grau, variando conforme o envolvimento cívico e as possibilidades técnicas de cada região. Atualmente, o desenvolvimento em escala global, fundamentalmente na área técnica, possibilitou que o tráfego de informações crescesse vertiginosamente. Assim, a distância entre jornalistas e não jornalistas diminuiu a ponto de, em certos casos, ser difícil fazer distinção entre eles. A expansão da internet em banda larga e o surgimento de telefones celulares que permitem fotografar, gravar áudio e vídeo e produzir textos resultou na criação de uma cultura de convergência. Porém, como afirma Henry Jenkins, convergência não se trata de uma mera reunião de múltiplas funções de mídia no mesmo aparelho, mas “representa uma mudança cultural já que os consumidores são encorajados a procurar por novas informações e fazer conexões entre conteúdos de mídia dispersos” (JENKINS, 2006, p 3).

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Estudantes de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Participantes do projeto Locast Civic Media no segundo semestre de 2009.

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Dessa forma, com o movimento migratório das mídias e, consequentemente das notícias, para o ambiente de compartilhamento e relacionamento da internet – onde não mais existe um grande centro produtor de conteúdo, mas um conjunto de pontos produtores desse conteúdo – o jornalismo vem se valendo cada vez mais da participação de leitores/ouvintes/espectadores. Os espaços de publicação de notícias enviadas pelos “consumidores” nos portais de grandes empresas jornalísticas ainda tangenciam as possibilidades de construção conjunta de conteúdo que a internet garante. Isso se deve ao fato de essas matérias enviadas pelos não jornalistas estarem sujeitas ao crivo de um editor, ou seja, um jornalista profissional.

Isso é um reflexo do receio que a grande mídia tem do modo como a informação é produzida e circula na internet. Por estar habituada a ser a produtora do conteúdo e por partir dela a sua circulação, a grande mídia ainda não compreendeu que a “conversa” que se estabelece, ou que deveria se estabelecer, entre o jornalista e o consumidor de notícias não é uma ameaça. De acordo com Dan Gillmor (2006), a mudança do jornalismo “de uma palestra para uma conversa” é uma evolução que “obrigará as várias comunidades de interesse a se adaptarem. Todos, de jornalistas às pessoas que cobrimos, às nossas fontes e ao público, devem mudar seus modos de agir” (GILLMOR, 2006, p 5).

Disposta e aberta a essa conversa, a plataforma híbrida Locast Civic Media une dispositivos móveis à web. Tem como objetivo propiciar o engajamento das pessoas no processo de coletar, reportar e disseminar notícias relacionadas ao ambiente urbano colocando o cidadão no centro da produção e da divulgação de informações. De acordo com André Lemos, tem-se uma nova relação entre as pessoas, o lugar e a tecnologia:

As mídias locativas são dispositivos informacionais digitais cujo conteúdo da informação está diretamente ligado a uma localidade. Trata-se de processos de emissão e recepção de informação a partir de um determinado local. Isso implica uma relação entre lugares e dispositivos móveis digitais até então inédita (LEMOS, 2008).

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O termo “Locast” é resultado de uma alteração da palavra em inglês broadcast, que significa “transmitir, difundir”. O verbo inglês vem da junção entre broad (amplo, largo) e cast (lançar, projetar). A retirada de broad e a colocação de loc, de local, locativo, cria um neologismo que traz a ideia fundamental do projeto: transmitir informações hiperlocais, voltadas a uma comunidade determinada geograficamente.

O conteúdo do site do Locast (http://locast.mit.edu/civic) é produzido através de smartphones com a plataforma Android do Google. É necessário instalar um aplicativo que permite a gravação de vídeo e áudio (casts). Com ele é possível criar projetos para classificar o material e editar o texto que o acompanhará. Pode-se, também, acrescentar conteúdo diretamente na página da web, mas o modo mais fácil e ágil é através do aplicativo. Trata-se de uma ótima ferramenta para o jornalismo colaborativo, pois é um meio capaz de reunir informação produzida por diversas pessoas, de modo organizado, prático e acessível. Transcende o modo tradicional de produção de conteúdo baseado num emissor único. Conforme Fonseca e Lindermann:

A principal característica dessa nova modalidade de produção e circulação é a superação do modelo transmissionista emissor-meio-mensagem-receptor, típico do modelo convencional, uma vez que o

receptortorna-se agente produtor. A ideia de

participação é, justamente, descentralizar a emissão, oportunizando que mais vozes tenham vez no espaço público (FONSECA; LINDERMANN, 2008).

Nosso projeto para plataforma Locast se chamou “Ruas da cidade” e surgiu da vontade de mostrar aspectos relacionados às ruas de Porto Alegre. A ideia original era reportar problemas de trânsito. Porém, ela foi um pouco modificada. Depois da produção dos primeiros casts, parecidos com a cobertura da mídia tradicional, optamos pelo aproveitamento de uma característica dos celulares: a mobilidade. Além disso, o projeto inclinou-se em direção à relação dos cidadãos e os problemas urbanos, não somente no trânsito. Os vídeos passaram a “inserir” o espectador na experiência de se deslocar pelas ruas de Porto Alegre. Desse modo, mostramos acontecimentos hiperlocais de uma forma mais próxima da visão do cidadão e realçamos a imersão na realidade, demonstrando

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como o fato reportado influi na vida da população local. Este tipo de jornalismo, que cobre eventos locais, é retratado por Nelson de Oliveira, que comenta o uso de redes sociais em Salvador e Fortaleza para as pessoas ajudarem a falar dos problemas que fortes chuvas causaram nas cidades. “O papel do cidadão foi fundamental na difusão de conteúdos hiperlocais, porque, por questões estruturais e econômicas, a cobertura jornalística não pode alcançar tal amplitude.”

No primeiro dia, utilizamos um formato de notas cobertas de telejornalismo, com movimento da câmera como se estivesse sobre um tripé e texto em off. No primeiro cast, “Retorno proibido na Avenida Princesa Isabel”, fomos ao local já sabendo que motoristas costumavam realizar uma manobra irregular. Então, procuramos um lugar próximo à esquina das avenidas Princesa Isabel e João Pessoa, de modo que pudéssemos enquadrá-la no vídeo e, com um breve movimento de câmera, conseguíssemos captar a rua que os motoristas deveriam utilizar para fazer o retorno. Estávamos em dupla, de modo que, enquanto um filmava, o outro falava ao microfone do celular, narrando o texto sem aparecer na filmagem, depois de algum ensaio. A diferença entre esse primeiro vídeo e o tipo de material produzido para televisão é, como se vê, muito pequena.

Depois, nos deslocamos para outra via da cidade que apresentava problemas: um retorno num ponto que ligava três avenidas havia sido fechado num dos sentidos pela prefeitura. Porém, uma placa permanecia no local indicando a existência daquele retorno e condutores faziam a conversão pela contramão ou contornando as peças de concreto do bloqueio. Mostramos ainda uma alternativa ao retorno fechado, através de uma rua sem pavimentação. Novamente, os casts produzidos tinham um estilo telejornalístico, com imagens do ambiente e áudio em off.

No dia seguinte, escolhemos a pauta de modo mais genérico, procurando por lugares onde achávamos que encontraríamos assunto. Primeiro, circulamos pelo Centro de Porto Alegre para “procurar” por notícias. Lá, usamos pela primeira vez uma pessoa no vídeo ao coletarmos um depoimento de um engenheiro que trabalhava no projeto do Aeromóvel (um tipo de metrô). A gravação foi feita numa das

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plataformas do trem. Quem transmite as informações é alguém diretamente relacionado à notícia. Ainda assim, trata-se de um recurso tradicionalmente usado pela televisão.

No terceiro dia, ocorreu um fato que possibilitou testar o uso móvel e rápido do Locast: uma forte chuva atingiu Porto Alegre, e os ventos derrubaram alguns postes de luz na Avenida Ipiranga, próximo à PUCRS. A via foi bloqueada, causando congestionamento nas cercanias da universidade. Com o celular, conseguimos registrar imagens dos postes caídos sobre a avenida minutos depois do fato e o tráfego lento das avenidas de entorno ao campus. A experiência mostrou que a plataforma Locast pode ser muito útil no registro de ocorrências como esta, porque o aplicativo envia os dados para o site rapidamente, assim que o cast é finalizado. Porém, não é capaz de vencer o rádio para informar a população sobre um grande congestionamento por duas razões: o rádio já tem uma posição consolidada e seria difícil para um condutor acessar a internet enquanto dirige, mesmo pelo celular.

No dia seguinte à chuva, fomos à esquina da Avenida Venâncio Aires com a Rua Santana. A fachada do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) estava sendo restaurada. Neste cast, utilizamos a câmera em movimento representando os olhos de uma pessoa e sua voz narradando o acontecimento. Ao mostrarmos o percurso de atravessar a rua e percorrer o trecho destinado aos pedestres dentro da via, já que a calçada estava bloqueada por estruturas metálicas para a reforma, representamos a visão de uma pessoa fazendo aquele trajeto, imergindo na realidade. Este formato caracterizaria o Locast como mídia cidadã de um jornalismo colaborativo. Conforme Gillmor, “A audiência pode fazer parte do processo – e está ficando cada vez mais claro que ela deve ser” (GILLMOR, 2006, p 111). Por este motivo nunca utilizamos o próprio jornalista em cena.

Em uma rua próxima ao colégio, nos deparamos com um buraco com cerca de meio metro de profundidade que havia sido aberto em razão da chuva do dia anterior. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), responsável pela fiscalização de trânsito e pela sinalização das ruas, foi avisada e colocou um cavalete para sinalizar o local. O buraco permaneceu aberto por quase duas semanas.

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Comerciantes locais usaram um boneco para protestar contra a demora para reparar a via. A criadora do boneco afirmou que o conserto só foi feito depois que o buraco foi mencionado na grande mídia.

Para os casts produzidos nos dias subsequentes, continuamos nos deslocando a pontos da cidade em que pensávamos que encontraríamos pautas, como na Estação Rodoviária de Porto Alegre, local de grande circulação de pedestres. Deparamo-nos com uma pequena reforma numa das portas: o acesso próximo à estação do Trensurb havia recebido uma rampa com corrimão para facilitar a passagem de pessoas idosas e/ou com bagagens. Solicitamos a uma funcionária para filmá-la com o celular enquanto reportasse informações sobre a reforma, mas ela não nos atendeu, alegando ter outras atribuições. Assim, fizemos a gravação mostrando o ambiente e percorrendo o novo acesso. Num outro lugar com grande circulação, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, fizemos um cast sobre a sinalização confusa do estacionamento coberto. Antes de começarmos a gravar, pedimos autorização à administração. O funcionário que nos atendeu, ao perceber que usaríamos um telefone para filmar, aceitou prontamente nosso pedido, sem sequer se preocupar em saber quem éramos. Nestes dois casos, percebe-se uma aparente despreocupação ou desvalorização das mídias móveis. Algumas pessoas parecem ainda não terem percebido que a produção de conteúdo se adapta às novas tecnologias de comunicação.

Contudo, o momento mais significativo de todas as filmagens ocorreu durante uma gravação numa rua na Zona Sul de Porto Alegre. O asfalto da Otacílio Gonçalves da Silva Filho estava em condições bastante precárias, com dezenas de buracos, que aumentavam a cada chuva. Além disso, a falta de um bueiro para escoar a água impossibilitava a reparação da pista. Enquanto filmávamos, um morador das proximidades se aproximou e perguntou se o que fazíamos se tratava de algum tipo de protesto. Ele, então, manifestou o desejo de que houvesse algum tipo de mobilização das pessoas que usavam aquela rua para que fossem tomadas providências para o conserto da pavimentação. Uma plataforma como o Locast pode servir como ligação

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entre as pessoas dispostas a apontar problemas de uma localidade e aquelas responsáveis por encontrar soluções para estes problemas.

A evolução do jornalismo e das mídias em geral tem proporcionado um debate sobre como a informação pode ser passada de uma forma que atinja todos os públicos e seus interesses. O Locast surge nessa ideia como uma plataforma de ajuda para que a informação seja disseminada e buscada de uma forma mais prática e rápida. Já que o interesse de um morador de Porto Alegre pode não ser o mesmo que o de um morador de Fortaleza, a hiperlocalidade do fato surge como fator preponderante para a consolidação do jornalismo cidadão.

Segundo Vírgínia Fonseca e Cristiane Lindemann (2008), a liberdade garantida às pessoas de produzir e disseminar conteúdo através da internet pode representar uma volta ao jornalismo meramente opinativo do século XV, uma vez que todos podem “exercer o papel de jornalista, articulista, analista dos fatos do dia”. Além disso, “também podem ser difundidas inverdades ou matérias comprometidas por interesses políticos, pessoais, econômicos etc.”. Contudo, a divulgação de informações viciadas não é privilégio da internet e, na mesma medida em que é possível noticiar fatos não comprovados na realidade, pode- se, através da própria internet, potencializar o alerta sobre as informações inverídicas. Para Gillmor, esse problema pode ser ao menos reduzido a partir do momento em que se desenvolva uma cultura de credibilidade:

Quando eu vejo ou escuto algo que eu acho que possa valer a pena reportar ao meu público, eu verifico, ou cito pessoas com credibilidade que poderiam saber mais ou ir até a fonte (humana ou documental). Se eu linko algo intrigante no meu blog, mas não sei se é verdade, eu ofereço essa advertência.Geralmente, eu não repito simplesmente um post anônimo. Se o fato em questão não veio de uma fonte em que eu confie, eu o verifico. Usuários de informações online precisam desenvolver filtros semelhantes. Eles precisam de uma hierarquia de credibilidade (GILLMOR, 2006, p 189).

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O Locast possui um sistema democrático para apontar a credibilidade de quem cria conteúdo para a plataforma. Os próprios usuários classificam a qualidade do material baseados em critérios como relevância e veracidade, garantindo a quem o produziu um status de maior credibilidade. Dessa forma, a ideia comumente disseminada de que a informação divulgada na internet não tem fundamento cai por terra, pois é um conhecimento produzido pelas pessoas, para as pessoas e, principalmente, verificado por elas.

REFERÊNCIAS

FONSECA, V.; LINDEMANN, C. Webjornalismo participativo: repensando algumas questões técnicas e teóricas. Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia, v. 3, n. 34, 2008.

GILLMOR, D. We the media. Editora O’Reilly Media Inc., Califórnia, 2006.

JENKINS, H. Convergence Culture: where old and new media collide. New York University Press, 2006.

LEMOS, A. Mídia locativa e territórios informacionais. Estéticas

tecnológicas. Novos modos de sentir, organizado por Priscila Arantes e

Lúcia Santaella, ed. Educ/sp, 2008.

OLIVEIRA, N. Jornalismo participativo e informação hiperlocal: o papel de mashups e hashtags na construção da notícia em redes sociais. Apresentado no DT Comunicação Multimídia no XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

LOCAST CIVIC MEDIA: JORNALISMO COLABORATIVO

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