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Development and selection of policy measures

A comunicação da ciência nunca foi apenas um privilégio do espaço institucional da escola, esta comunicabilidade teve como parceiros os próprios museus com maior destaque para os interactivos e para os centros de ciência.

Os museus de ciência são bastante diversificados, cada um deles tem as suas características próprias de acordo com as colecções que exibem e a forma como as apresentam ao público. McManus (1992 cit. por Santos 1996 e Botelho 2001) distingue no desenvolvimento histórico dos museus de ciência três gerações. Os da primeira geração têm a sua origem nos Cabinet de Curiosités, pequenas salas e galerias pertencentes a privados, que deram origem aos maiores museus de História Natural, e os que apresentam colecções de instrumentos utilizados na investigação científica estreitamente ligados às disciplinas académicas das universidades, onde as colecções eram apresentadas em belíssimas peças de mobiliário o que permitia serem exibidas a

amigos e importantes convidados. Portugal também não escapou ao culto riquíssimo dos famosos Cabinets. O gosto de coligir minerais e pedras preciosas aumentou, de forma evidente, talvez vindas do Oriente.

A primeira geração de museus de ciência tinha uma forte filiação às disciplinas académicas nas universidades. A sua principal finalidade era contribuir para o conhecimento científico, apesar de a educação pública ser um dos objectivos contemplados nos documentos administrativos.

Durante o século XIX, e ainda século XX, as exposições existentes nos museus apresentavam colecções, como se fossem armazéns abertos ao público, modelo que ainda hoje continua a perdurar nos museus de algumas universidades. As exposições eram preparadas pelos conservadores e os objectos valiosos eram apresentados usualmente, como livros de informação a três dimensões. Ainda hoje, neste tipo de museus, há uma saturação dos objectos expostos e de informação a par com a ausência de pessoal responsável pela educação e interpretação verbal da exposição.

O segundo estádio no desenvolvimento dos museus de ciência de primeira geração ocorreu recentemente, na segunda metade do século passado. Os responsáveis dos museus interrogaram-se sobre o fracasso de exibições que pareciam ser compreensíveis para o público. No cerne da mudança estava o desejo de desviar a atenção do arranjo taxonómico dos objectos das exposições para explicações de ideias e de conceitos científicos como, por exemplo, o de Evolução ou de Ecologia.

Gradualmente foi surgindo esta nova perspectiva centrada no público, com o aparecimento de exibições com informação cuidada e estruturada que envolviam o visitante. Esta mudança, verificada nos museus de primeira geração, levou a que a função educacional dos museus passasse para primeiro plano, enquanto a função de investigação, mesmo continuando vigorosa, deixou de transparecer para o público. Desta forma as secções educacionais dos museus tornaram-se mais sofisticadas e com mais recursos. A mudança significou permitir que pela primeira vez, fosse possível dizer que as exposições de ciência eram um meio para comunicar com o visitante. Esta nova orientação dos museus foi a percursora do recente desenvolvimento e estabelecimento dos museus de ciência.

Foi com o período Pombalino que esta institucionalização dos museus se iniciou em Portugal, sendo um bom exemplo o Museu de Física da Universidade de Coimbra que recria o gabinete de Física Experimental (Chagas 1993).

A segunda geração de museus de ciência corresponde essencialmente à sua criação como instituições de utilidade pública. O seu objectivo principal não foi o preservar de velhas colecções mas sim a necessidade de encontrar aplicações práticas na indústria que pretendiam fornecer formação a técnicos e operários. Um exemplo é o Conservatoire des Artes et Métiers, criado em Paris no século XVIII, cujo estatuto de fonte de informação, promoção do mundo trabalho e progresso científico é amplamente reconhecido.

A terceira geração de museus de ciência difere das anteriores devido à mudança de filosofia das peças expostas. Centram-se na transmissão de ideias e de conceitos científicos, mais do que na contemplação de objectos científicos ou na história do desenvolvimento científico. O seu principal objectivo é manifestamente a educação pública, enquanto locais de investigação informal sobre ideias intuitivas de ciência. A ênfase desta terceira geração de museus de ciência está na ciência contemporânea, na tecnologia e no facto de se usarem módulos interactivos, os quais requerem a atenção ou manipulação do visitante, como veículos de comunicação. Tipicamente, os módulos expositivos presentes nestes museus são preparados por equipas de projectistas que incluem grande variedade de profissionais: especialistas nas temáticas abordadas pelos módulos, analistas, engenheiros, arquitectos e desenhadores, fabricantes, produtores de vídeo e editores.

Os centros de ciência são então a terceira geração de museus de ciência, cujo aparecimento obrigou a repensar na forma como se apresentam actualmente os museus de primeira e segunda geração. Estes têm de competir com a eficácia didáctica das exposições mais atractivas, que privilegiam a transmissão de ideias e conceitos científicos, em detrimento da mera contemplação de objectos da ciência ou a história do desenvolvimento científico que os caracterizava.

O teor das exposições museológicas também difere entre as que permitem ao visitante um papel mais passivo ou activo; há as que passam pela simples contemplação dos objectos expostos, lendo legendas explicativas, há as que inserem as exposições num contexto e sequência significativa da experiência que se pretende proporcionar,

mas não permitem a manipulação, apenas interagir através da utilização de quase todos os sentidos e, por fim, as exposições em que o visitante é convidado a interagir, manipular e descobrir experimentando. São estas últimas que apresentam os aspectos científicos e os fenómenos naturais de maneira que incentivam a exploração e a descoberta individual de forma interactiva. Este valor participativo que se assume como “hands-on” tem vindo a aumentar consideravelmente.

De acordo com Rennie e McClafferty (1996 cit. por Santos 1996), os termos “hands -on” e interactivos são utilizados muitas vezes como sinónimos, no entanto, estes dois autores consideram-nos diferentes na medida em que o primeiro implica um maior envolvimento físico do visitante com o módulo e o segundo pressupõe uma acção do visitante e uma resposta posterior. Significa, deste modo, que “hands-on” não implica necessariamente “minds-on”, enquanto os módulos interactivos pressupõem que determinada acção surta determinado efeito, o que permite relacionar observação, selecção, reacção. Basicamente podemos dizer que testam capacidades.

Os centros de ciência, que começaram por estar associados aos museus de ciência, preconizam esta nova filosofia, com base nesta participação, estimulação da curiosidade, comunicação e interacção com conceitos científicos que privilegiam o receptor. Verificando-se hoje que uma das maiores preocupações dos museus de ciência é certamente encontrar vias apropriadas para responder aos desafios dos centros de ciência, integrando os interesses tradicionais e as responsabilidades dos museus com estes poderes óbvios dos centros de ciência.

Museus de ciência e centros de ciência são locais visitados pelo público em geral que têm muito em comum; ambos proporcionam módulos expositivos para informar os visitantes acerca da ciência e ambos procuram, pelo menos em parte, convidar os visitantes a explorarem os fenómenos com a ajuda de demonstrações interactivas e experiências.

Mas também têm diferenças quer na apresentação mais aberta ou mais fechada do espaço da exposição, quer na forma como se apresenta o conhecimento em ciência, algo já definido e do qual se dá conhecimento ao visitante ou algo em construção e para a qual o visitante vai contribuir. Os museus de ciência são mais direccionados para o passado enquanto os centros de ciência encontram o seu enfoque no presente e no

sobre a utilização educativa, por outro lado, a sua utilização educativa poderá conduzir a uma ainda maior evolução dos Museus como espaços de promoção a cultura científica” (Freitas 1999, p.1).