CHAPITRE 6 : NORMES APPLICABLES AUX MAISONS MOBILES
6.7 MARCHES
Neste horizonte, propusemo-nos a pensar um professor para o novo milênio. Aqui, se coloca uma questão fundamental que a todos deve preocupar: por que me tornei um professor? Que sentimento me mobilizou a falar deste lugar? Naturalmente, ligada a esta questão, tantas outras poderão se formular. Por exemplo: o que significa para mim “ensinar” e até que ponto estou também eu comprometido em “aprender”? Uma tenta- tiva de construir respostas para as questões que se colocam, vislumbra, no próprio conteúdo delas, uma outra possibilidade de pensar o docente diferente daquela restrita a uma educação bancária, sem, contudo, imaginar que existam modelitos aos quais cada um deve estar adequado para bem desempenhar suas funções.
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Poderemos traçar o seguinte perfil deste professor:
• supera o desgastado conceito da sala de aula como o espaço, onde se pronunciam conteúdos programáticos; • o seu compromisso com o ensinar é grande, à medida em
que é grande, também, seu compromisso com o aprender; • mais que ensinar as cento e tantas páginas do livro de sua disciplina, interessa percorrer, com o estudante, um caminho que o leve a produzir seu próprio conhecimento sobre determinado assunto;
• é interativo e respeita o limite de cada um sem conformar- -se com o nivelamento por baixo, mas, buscando liderar um processo onde cada um produza seu próprio conhe- cimento dentro dos condicionamentos e das limitações presentes ao mesmo;
• está comprometido com a Educação e busca criar laços de amizade, respeito e corresponsabilidade com os estu- dantes que são amados e valorizados como pessoas. Entretanto, seria ingenuidade de nossa parte se levásse- mos a crer que o professor é isto ou aquilo, dependendo, unica- mente, de sua opção individual. Sem dúvida nenhuma, suas opções políticas, ideológicas, e por que não dizer, sua história de vida, estarão presentes, de forma preponderante, em sua prática pedagógica. Mas, o professor não é um anjo, não é um extraterrestre, é uma pessoa concreta, com todos os limites e condicionamentos, presentes a qualquer outra pessoa. Portanto,
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passível daquela consciência ingênua que credita, para o além, a redenção das adversidades pessoais e sociais; ou, ainda, daquela que, apesar de conseguir fazer a leitura dos mecanismos de dominação e manutenção do sistema, não se apercebe respon- sável, ou capaz, de intervir para a transformação da injustiça estrutural. Contudo, o professor é um trabalhador que, pelo exercício profissional de seu ofício, realiza um trabalho de amplas dimensões sociais.
Assinalamos a consciência de que um quadro desfavorá- vel se armou, nos últimos anos, implementando políticas que desvalorizam, mais e mais, o professor. Porém, insistimos na convicção da crescente consciência política de seu lugar e papel, na sociedade, de sua capacidade de organização e mobilização, a busca de sua profissionalização, de sua luta incessante para fazer ver e valer sua fundamental importância, para o presente e o futuro da sociedade.
A tentativa de perscrutarmos o tipo de profissional que desejamos nesse novo milênio defrontamo-nos com outras inda- gações, como: Qual é o projeto histórico que alimenta nossas ações? Que valores? Que ideias e ideais? Falamos em professor desejado não como mera fantasia que desconsidera a realidade, mas como utopia que dela emana. É a dimensão do possível que brota do existente.
Pensamos professor como gente em movimento. Nesse sentido, retomamos nossa reflexão (MATOS, 1999, p. 211), na qual indicamos algumas características que julgamos funda- mentais ao perfil desse novo docente:
• buscando tornar-se pessoa, interagindo com o mundo e com os outros;
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• construindo-se em suas motivações existenciais mais profundas, suas relações fundamentais, na abertura inerente à condição do ser humano, em sua história de vida, seus condicionamentos socioeconômicos, na capacidade de escolher e edificar “bandeiras” de vida; • formando-se para o trabalho pedagógico, em proces-
sos contínuos e renovados; • sendo, no chão da escola;
• solidário consigo mesmo, sua classe, seu povo; • trabalhando, dialeticamente, as riquezas e os limites
de sua experiência de vida, como saber dinâmico que se elabora, o aprendizado sistêmico, técnico e políti- co das academias, como conhecimento efetivado em sínteses provisórias, o saber tecido no trabalho diutur- no, na sala de aula, que confronta teoria e prática, prática e teoria, como saber docente em construção. É necessário que todos tenhamos clareza de que não existem receitas prontas, modelos a serem importados. Quando falamos da fundamentalidade do relacionamento do professor com o estudante e concebemos a escola como um palco no qual se dão distintas relações, compreendemos que os atores legíti- mos desse palco são as pessoas na sua mais profunda concre- tude, e, portanto, nos seus limites e valores. Nesse horizonte é pertinente perscrutar esse contexto globalizado, tecnologiza- do, ou neotecnologizado, veloz e incandescente para recolocar, contextualmente, a questão do perfil do professor. Trata-se não
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de uma receita, uma camisa-de-força: um modelo que uma vez definido ganha o caráter de compulsoriedade. Tal esforço refere-se a ver que uma realidade dinâmica pede respostas, igualmente, dinâmicas.
Como será o/a professor/a do novo século? Eis a ques- tão. As repostas? Serão construídas no próprio chão onde esse profissional se desenvolve.
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