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A partir da década de 50, no contexto da política do Governo Federal de substituição de importações, a Bahia foi contemplada com vários projetos industriais que tinham por objetivo a produção de bens intermediários (intensivos em capital e tecnologicamente modernos) visando complementar a matriz de produção já desenvolvida na região Sudeste do país.

Tais projetos, desde a implantação da Refinaria Landulfo Alves (1950) até a chegada do Pólo Petroquímico de Camaçarí, propiciaram uma elevação da importância da indústria na economia baiana. Sendo assim, a dinâmica de acumulação de capital na Bahia passou a ser condicionada pela atividade industrial que gradativamente substituiu a agricultura exportadora na função de impor dinamismo à economia baiana.

O Pólo Petroquímico do Estado, situado no município de Camacarí, que teve sua implantação iniciada na década de 70, com a maior parte das empresas entrando em operação entre 1978 e 1985, concretiza esta dinâmica na medida em que possibilita a integração da economia baiana com a matriz industrial nacional através da produção de produtos intermediários. Conforme afirma Teixeira e Guimarães:

Esse complexo industrial, localizado na Região Metropolitana de Salvador é a principal atividade econômica do Estado da Bahia. Entre 1974 e 1989, a indústria petroquímica tinha trazido para a região investimentos da ordem de US$ 6 bilhões. As transformações na economia baiana, decorrentes da implantação do seu Pólo Petroquímico são evidentes: em poucas palavras, pode-se dizer que ela significou a definitiva industrialização do estado. Essas mudanças foram acompanhadas por importantes transformações sociais. Fortaleceu-se a classe média profissional, composta por técnicos, gerentes e prestadores de serviços. (TEIXEIRA; MAGALHÃES, 2000, p.10)

A origem do Pólo Petroquímico foi uma diretriz do Governo Federal, fundamentada em três princípios básicos: descentralização industrial, atenuação dos desníveis de desenvolvimento e fortalecimento do empresariado nacional. Guerra (1994) enfatiza que o papel do Estado é crucial ao promover e articular a implantação de vários setores industriais, utilizando-se para isto de concessão de diversos estímulos tributários e financeiros. Textualmente:

Em 1972, ao definir a instalação do segundo pólo petroquímico brasileiro na Bahia e ao criar a Companhia Petroquímica do Nordeste (COPENE) para produzir os petroquímicos de primeira geração e coordenar essa instalação, o Estado, de fato, assumiu explicitamente a formulação de uma política industrial que, além de procurar consolidar o setor, buscava incentivar o desenvolvimento regional. Desse modo, ficava clara a disposição do Estado brasileiro em liderar a dinâmica de crescimento na estrutura do mercado petroquímico brasileiro. (GUERRA, 1994, p. 139-140)

O trabalho de Guerra e Teixeira (2000) analisa que a inserção da Bahia na matriz industrial nacional como estado fornecedor de produtos intermediários para os setores de bens finais instalados do eixo Sul/Sudeste do país ocorreu através da chamada “especialização regional”. Ainda de acordo com o autor, o direcionamento da industrialização baiana para o ramo petroquímico deveu-se tanto ao fato do estado, à época, já possuir uma refinaria e ser o maior produtor nacional de petróleo como também pelo motivo de haver na década de 70 uma carência na produção nacional de insumos utilizados pela indústria de transformação no Centro-Sul.

O crescimento do setor secundário contribuiu de forma positiva para a dinâmica da RMS na medida em que possibilitou o aquecimento das atividades comerciais e de serviços. Em 1980, com dois anos de operação a petroquímica começou a mostrar os resultados ao contribuir fortemente para a liderança do setor industrial na composição do PIB setorial: o setor primário alcançou uma queda de 40% para 16,40% entre 1960 e 1980, sendo que o setor secundário quase triplicou sua participação passando de 12% para 31,6% no mesmo período. (GUERRA; TEIXEIRA, 2000)

A consolidação deste Complexo Petroquímico mudou, aos poucos, a feição da Bahia na medida em que a grande demanda pessoal, dividida em fases distintas de implantação e operação, gerada por este empreendimento teve forte impacto social na região. Na visão de Silva e Pereira (1987) um dos aspectos mais importantes referentes à implantação do setor petroquímico evidencia-se pela geração de emprego que em 1986 girava em torno de 45.000 pessoas distribuídas em 47 unidades industriais com vínculos empregatícios diretos e indiretos.

É fato conhecido que a indústria petroquímica se caracteriza por ser expressamente de capital intensivo, já que utiliza tecnologia altamente sofisticada. Sendo assim, o efeito positivo causado pela implantação do pólo em termos de desenvolvimento de mão de obra já é restrito por suas características tecnológicas. Contudo, apesar do setor químico/petroquímico ser intensivo em capital e em função disso ter baixa absorção de mão-de-obra, deve ser salientado o expressivo efeito multiplicador que esta atividade gerou na RMS ao impor modernização e ampliação ao comércio, serviços e construção residencial com reflexos positivos na geração de renda e empregos indiretos. (GUERRA; TEIXEIRA, 2000)

Pelo exposto, a instalação do complexo petroquímico de Camacarí significou um extraordinário esforço da economia brasileira (dada a grandiosidade da obra e a substancial demanda por recursos dela decorrentes) que se justificou pela necessidade de se substituir importações de produtos petroquímicos intermediários, bem como pelos efeitos multiplicadores esperados.

Na década de 1980, de acordo com Guerra e Teixeira (2000), a economia em âmbito nacional experimentou um período de grande retração, mas apesar na indústria local estar correlacionada com a matriz produtiva do centro-sul, a petroquímica baiana consegue atenuar estes efeitos na medida em que, ao aproveitar a conjuntura internacional favorável, busca o mercado externo para escoar sua produção. No início da década de 1990, devido à conjuntura do país em função do Plano Collor, a Petroquímica Baiana passa por um momento de reestruturação produtiva com as empresas buscando melhor se inserir no mercado mais competitivo.

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