4.2.1 Na Universidade Tecnológica no Brasil
Quando as universidades brasileiras começaram a se institucionalizar, no início do século XX, não havia a tríade ensino, pesquisa e extensão, nem mesmo o ensino e a investigação eram relacionadas. O que se tinha era uma concepção que relacionava ensino e pesquisa, mas como ações paralelas. O Estatuto da Universidade Brasileira, Decreto n° 19.851, de 11 de abril de 1931, conhecido como Lei Francisco Campos, menciona a Organização Didática, no Título VI, Art. 32, ao afirmar o duplo objetivo da universidade “ministrar ensino eficiente dos conhecimentos humanos adquiridos e de estimular o espírito da investigação original, indispensável ao progresso das sciencias [no original]” (BRASIL, 1931). O avanço entre ensino e pesquisa, nos termos da lei, chega com a Lei N° 5.540/68, a Reforma Universitária, em que se legitima a associação entre ensino e pesquisa e se impulsiona a pesquisa dentro da universidade, caracterizada como apoio financeiro do Estado. A institucionalização da pós-graduação e da carreira docente única, instaurada com o regime de dedicação exclusiva, foram medidas tomadas para efetivar a associação. (CASTRO; ALVES, 2017).
O Regimento Geral da UTFPR estabelece que o órgão superior da Reitoria responsável por planejar, coordenar e supervisionar a execução de atividades do ensino de Pós-Graduação e da Pesquisa na instituição é a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (UTFPR, 2009a, Art. 52 ). Nos câmpus, esse órgão tem apoio das Diretorias de Pesquisa e Pós-graduação (DIRPPG).
Segundo o Relatório de Gestão mais recente, a UTFPR tem 48 programas de Pós-graduação stricto sensu próprios, que ofertam 53 cursos (35 de mestrado
acadêmico, 11 de mestrado profissional e 7 de doutorado). Existem outros cinco programas de mestrado profissional que são em rede e que a universidade participa, (Matemática/PROFMAT, Ensino de Física/PROFIS, Química/PROFQUI, Administração Pública/PROFIAP e Regulamentação de Recursos Hídricos/PROFÁGUA) e um doutorado em associação com a Universidade Estadual de Londrina (UTFPR, 2018b).
A pesquisa na universidade tecnológica no Brasil está associada à pós- graduação e relacionada à ciclos. “Essencialmente elas [as pesquisas] estão hoje vinculadas à pós-graduação, grande parte dos nossos pesquisadores são aqueles que têm vínculos essencialmente à pós” (E17, 2018). Mesmo quando se trata da pesquisa no ensino, há relação com programas de pós-graduação, “a gente tem o vínculo maior com o ensino através da iniciação científica, hoje o número de bolsas é expressivo que a gente tem de iniciação científica. São os alunos que acabam tendo esse vínculo com alunos de mestrado, de doutorado” (E19, 2018).
A pós-graduação stricto sensu na UTFPR começou em 1988 a nível de mestrado e em 1999 a nível de doutorado, ambos em Curitiba, quando a nomenclatura era Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (UTFPR, 2009b).
Assim que aconteceu a transformação em universidade, em 2005, o primeiro ciclo foi estabelecido, o “de espalhar a pesquisa e a pós-graduação, nos diversos câmpus”, (...) “saímos de cinco programas de pós-graduação para 47 atualmente” (E20, 2018), conforme o relatório anual de gestão da UTFPR de 2018, esse número é maior, 48 (UTFPR, 2018b). A relação entre a pesquisa e a pós-graduação também fica marcada quando se afirma que “não é só doutor que faz pesquisa, quem tem mestrado apenas ou está cursando doutorado também está fazendo pesquisa” (E17, 2018).
O segundo ciclo foi “definir uma política de fomento e apoio a esses programas” (E20, 2018). Foi a fase que começou a surgir editais de fomento, apoios à pesquisa, ao professor, surgiram “as bolsas de iniciação científica e tecnológica, o apoio a eventos, apoio a tradução de artigos para que a gente possa publicar no exterior com maior visibilidade surgiu nesse período” (E20, 2018). Na transição entre a primeira fase e a segunda fase da pesquisa foi quando o Conselho Universitário aprovou, em 25 de maio de 2007, o regulamento da propriedade intelectual da UTFPR na Deliberação 05/2007. A terceira fase é a atual, é “a internacionalização, ela necessariamente passa pela excelência da pesquisa na universidade” (E20, 2018). É
uma fase com o foco nos “indicadores de pesquisa, na pós-graduação” (E20, 2018). A instituição está fazendo um trabalho de visita aos câmpus, explicando a atual fase da pesquisa na UTFPR, na tentativa de deixar mais robustos os indicadores. A “gente tá nesse momento de consolidação dos indicadores e de direcionamento de algumas políticas face a tudo que foi feito” (E20, 2018).
Os resultados do esforço na consolidação da pesquisa estão aparecendo. A UTFPR ficou classificada em 2ª posição no ranking dos depósitos de programas de computadores em 2017, segundo o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) do Brasil, “sete dos dez principais depositantes são universidades, com destaque para a Universidade Tecnológica Federal do Paraná” (JORGE et al, 2018, p.52). A instituição também ocupou a 2ª posição no ranking dos depositantes de modelo de utilidade em 2017. O resultado da UTFPR foi tão expressivo que a instituição foi selecionada para participar, em outubro de 2018, da Conferência Mundial de Propriedade Intelectual em Genebra, na Suíça.
A pesquisa básica, focada no avanço teórico da ciência, é desenvolvida na UTFPR ao lado da pesquisa aplicada, “nós temos pesquisa acadêmica e a pesquisa aplicada, mais a pesquisa aplicada que a acadêmica” (E18, 2018). Se de um lado a pesquisa básica é vista com a finalidade de “ter a qualificação” (E17, 2018), ser “de gabinete” (E17, 2018), ou ser para a “comunidade científica” (E17, 2018), de outro lado, “não raro a gente vê pesquisas, mestrados profissionais, em várias áreas, do ensino e na engenharia com essa preocupação de transferência de conhecimento para o setor produtivo” (E19, 2018). A prática da transferência de conhecimento produzido na instituição e aplicada começou na fase CEFET-PR da UTFPR. No Relatório da Avaliação dos CEFET'S procedida pela comissão designada pela portaria Ministerial Nº 67 de 26 de novembro de 1991 foram mencionadas as pesquisas aplicadas, em que se afirma que as “pesquisas tecnológicas no campo do desenvolvimento de produtos e processos de interesse do parque industrial, cujos resultados também têm sido transferidos para o setor produtivo” (MEC, 1992) em 1991, somavam 61 trabalhos concluídos e transferidos para o setor produtivo no CEFET-PR.
As pesquisas aplicadas da UTFPR “são desenvolvidas em parceria com instituições” (E18, 2018) não acadêmicas, com instituições acadêmicas e na própria instituição. Em Curitiba, “nós temos um grande projeto com a Petrobras, um projeto com múltiplos subprojetos, de parceria de desenvolvimento na área de águas
profundas em diversas áreas do campo do saber, é na área de eletrônica, na área de mecânica, na área de fluídos” (E18, 2018). No câmpus Ponta Grossa tem o “projeto com a Fiat, é um projeto de um montante expressivo de recursos”(E17, 2018).
Parcerias como essas evidenciam a aproximação da tríade ensino, pesquisa e extensão, pois “extensão tecnológica e pesquisa aplicada são duas áreas que estão intrinsicamente ligadas” (E18, 2018), assim como ensino e pesquisa. Ressalta-se, entretanto, que a pesquisa aplicada não acontece com a mesma intensidade em todos os câmpus da instituição, uma das razões percebidas nas entrevistas é que, “nem todo o mundo tem perfil para ser pesquisador, assim como nem todos têm perfil para ser extensionista” (E17, 2018). Fica evidente, sem embargo, que “o que falta para o nosso docente é entender que ele está contratado para fazer ensino, pesquisa e, não é ou, e extensão” (E17, 2018), afirma E17. Já para E20, quando a pesquisa acontece em uma “área que não necessariamente dialoga com a universidade tecnológica”, nessa fase da instituição ainda não se está cerceando, porque não é o momento, “a diretriz é a pesquisa (...) e o desenvolvimento com o viés tecnológico, que dialogue com o mundo do trabalho e também internacionalizado, esses são os nossos dois nortes hoje” (E20, 2018).
O financiamento das pesquisas “se dá por diversas fontes, o principal delas é a fonte governamental” (E18, 2018), “vêm do Tesouro Nacional” (E20, 2018), “temos projetos Finep”, (...) “o CNPq e a Capes”, (...) “a Fundação Araucária, a nossa Fundação de apoio do estado do Paraná”, (...) “a Renault” (E18, 2018), a “Repsol, aquela petrolífera espanhola”, (...) “o Incra” (E20, 2018). Apesar do Estado financiar a maioria das pesquisas, “a gente observa ao longo dos anos, uma tendência (...) de recursos privados com o parceiro” (E20, 2018). Para E19, os recursos do setor privado aumentariam as possibilidades de pesquisa na UTFPR, representando um desafio a “pesquisa mais aplicada ao setor produtivo, uma pesquisa tecnológica, para buscar financiamento da indústria”(E19, 2018).
Outro desafio da pesquisa para UTFPR é “a maior interação com a comunidade” (...), “não quer dizer que todos os problemas existentes (...) em uma cidade serão solucionados por meio da pesquisa, por diversas razões, principalmente por investimento” (E17, 2018). E17 expressa a questão da interação como um desafio da pesquisa, mas logo se percebe que há um outro desafio interno, “buscar um problema real” (E17, 2018). A palavra problema refere-se a um problema de pesquisa, um problema que não tenha ainda solução e que esteja sendo percebido por alguém
externo a instituição. O desafio é “aumentar fortemente a pesquisa aplicada” (...) “com a sociedade, diretamente na sociedade, para a sociedade” (E18, 2018).
A ideia da pesquisa nessa linha é a instituição se apropriar de um problema percebido na sociedade, analisá-lo e propor soluções, para isso, “temos um conjunto de professores, uma massa crítica espetacular numa universidade, tanto de docente como de aluno, seja ele de graduação ou de pós-graduação” (...) “o que falta é esse interesse do professor, a universidade tem o interesse” (E17, 2018).
Uma das consequências da atuação da pesquisa aplicada com a sociedade é o impacto de crescimento regional que a universidade pode provocar em uma área, por isso E18 afirma que a “universidade deveria ser mais regional” (...) “quanto mais pulverizada” (...), “mais impacto a gente vai causar na sociedade que nos abriga” (E18, 2018).
A proposta é uma parceria entre a universidade e a sociedade. Para a sociedade participar, ela precisa saber o que acontece dentro da universidade, que pesquisas são possíveis de serem realizadas. “Eu tenho a impressão que a sociedade (...) não sabe (...) onde os resultados [das pesquisas] aparecem” (E18, 2018).
Na área de pesquisa, os resultados são registrados em forma de texto, mesmo a pesquisa aplicada têm essa forma, “paper e citação de paper é o mecanismo que a acaba tendo como divulgação. É difícil a gente ver pesquisas publicadas em meios não científicos, meios não acadêmicos” (E19, 2018).
A divulgação da pesquisa é “mais institucional, no portal” (E20, 2018). Uma ação atual para centralizar as pesquisas “são os nossos repositórios institucionais” (E20, 2018). O repositório é um espaço dentro do portal da UTFPR, concentra as pesquisas da instituição e permite o acesso de qualquer pessoa. A Diretoria de Comunicação (DIRCOM) trabalha para “acabar com o pdf nas dissertações e teses nas páginas dos programas” (E20, 2018). Significa que as pesquisas eram setorizadas por programas de pós-graduação, o usuário precisava acessar os programas da instituição (48) para acessar as pesquisas representadas por dissertações e teses. Ao findar da ação, o usuário externo à UTFPR poderá acessar todas as pesquisas da universidade, em uma única base de dados.
Pesquisas, não necessariamente oriundas de dissertações e teses, com uma linguagem acessível para o público de fora da academia, passaram a serem divulgadas pela Revista Tecnológica UTFPR, digital e impressa, com duas edições anuais, a partir de abril de 2015, e produção da DIRCOM. A revista, apesar de
atualmente apresentar o conteúdo em língua nacional e em inglesa, contempla uma ínfima parte do total da pesquisa realizada na UTFPR.
A divulgação de todas as pesquisas realizadas na instituição, sejam aplicadas ou básicas, é produção textual do professor pesquisador e sua equipe. É ele quem submete os textos à divulgação. Publicar em língua nacional tem um alcance, publicar em língua estrangeira tem outro alcance. Visando a ampliação do público leitor das pesquisas, a UTFPR oferta um serviço de tradução de textos para o inglês. Outro desafio “é qualificar os indicadores de pesquisa” (E20, 2018), não o Qualis, que é nacional, mas “indicadores internacionais” (E20, 2018). A ideia é que se um pesquisador tem produção internacionalizada significa que produziu um texto com conteúdo relevante a ponto de ter sido aceito para uma publicação. Um pesquisador da UTFPR tendo um artigo em uma base de dados internacionais de indexação como a JCR (Journal Citation Reports), oportuniza a ele concorrer a editais internacionais, o efeito é uma cascata, divulga a pesquisa da instituição, forma redes, atrai outros pesquisadores, outros alunos, outras parcerias, enfim, aumenta uma rede de pesquisa.
Para E19, o desafio vai além de publicar em revista internacionais de respaldo conhecido pelos pares, o desafio é “qualificar a produção com papers não mais só em revistas indexadas ou com JCR ou qualquer índice de qualificação, mas também citações, começar a medir o quanto ela [a pesquisa] é citada, ou seja, o quanto ela é reconhecida pelos pares como importante” (E19, 2018). Quando uma pesquisa é citada significa que tem uma relevância para fundamentar uma outra pesquisa, tem algo singular para contribuir com o avanço da ciência.
4.2.2 Nas Universidades de Tecnologia na França
A pesquisa dentro da universidade de tecnologia francesa surgiu no projeto da instituição como parte integrante do ensino na graduação, com o tempo, criaram- se os espaços de pesquisa e as parcerias. No começo, “l’organisation de la recherche
était horizontale15” (E01, 2017), existia um conselho científico e os indivíduos, os
proponentes da pesquisa. Uma pesquisa ou um projeto de pesquisa era proposto e o conselho julgava pertinente ou não. Dizer sim ou não, controlar, organizar e financiar
as pesquisas, “ce n’est pas bom, c’était la recherche par projet16” (E01, 2017), esse
não era o objetivo da pesquisa na universidade de tecnologia, entretanto funcionou por três anos.
“On a commencé par créer des divisions pour gérer le matériel17” (E01, 2017),
de fato, no início não havia material, mas logo se percebeu a necessidade de alguém que se ocupasse dos materiais. “Après on a créé des laboratoires, ensuite on a passé
des accords avec le CNRS pour avoir des laboratoires mixtes qui sont CNRS – Université, puis on a créé des laboratoires communs avec l’Étranger”18 (E01, 2017). O
CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique/Centro Nacional de Pesquisa Científica) é o maior órgão público de pesquisa científica da França, está vinculado ao Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa. O órgão foi criado em 1939 com o propósito de aumentar o rendimento da pesquisa científica no país. No estrangeiro, a UTC tem laboratório comum com o México, “puis des laboratoires avec l’entreprise,
laboratoire avec le CETIM, industrie mécanique, on avait un laboratoire avec RENAULT”19 (E01, 2017). O CETIM (Centre Technique des Industries
Mécaniques/Centro Técnico das Indústrias Mecânicas) é um centro criado em 1965
com o objetivo de tornar competitivas as empresas por meio da engenharia mecânica, transferência da inovação e soluções avançadas de manufatura.
No início da UT, as outras escolas de formação do engenheiro não comtemplavam a pesquisa, realizar pesquisa associada à graduação de engenharia foi um diferencial à época, atualmente “toutes ont compris le bénéfice qu’il y avait à
tirer de la recherche dans la formation d’ingénieurs20” (E10, 2017).
Embora “l y a des liens naturels, par exemple les masters qui sont plus orientés
vers la recherche21” (E07, 2017), o foco da pesquisa é a graduação. “On embarque
pas mal nos étudiants dans la recherche22”(E07, 2017), tem pesquisas simples, dentro
das UVs, e pesquisa mais complexas, que levam mais tempo, “il y a des stages dans
les labos, dans les équipes où les étudiants font des stages (…) on enseigne dans la
16 não era bom, era pesquisa por projeto (tradução nossa).
17 Começamos criando divisões para gerenciar o material (tradução nossa).
18 depois criamos os laboratórios, então fizemos acordos com o CNRS para ter laboratórios mistos
que são CNRS - Universidade, então criamos laboratórios conjuntos com o estrangeiro.
19 depois os laboratórios com a empresa, laboratório com o CETIM, indústria mecânica, tivemos
um laboratório com RENAULT (tradução nossa).
20 todos entenderam o benefício da pesquisa em educação em engenharia (tradução nossa). 21 existem ligações naturais, por exemplo, mestrados que são mais orientados para a pesquisa
(tradução nossa).
recherche et on enseigne des concepts de recherche, on leur montre et on enseigne23” (E08, 2017). Existe a pesquisa “qu’on appelle les TPE, travaux
personnalisés, là ils [os estudantes] participent vraiment à la recherche, on a des idées, des projets, on a besoin de quelqu’un qui fait un outil, une recherche sur un thématique et on demande aux étudiants de le faire24” (E08, 2017). Também tem uma
UV denominada de travaux de laboratoire (trabalho de laboratório), isso na UTT, em que os professores solicitam aos estudantes pesquisarem um aspecto específico de determinados assunto, que pode ser um recorte de uma tese de um estudante de doutorado, que trabalha no laboratório junto com o professor pesquisador, assim, o estudante de graduação entra em contato com a pesquisa e também realiza publicações, “pendant ce travail-là, c’est un travail libre, ils [os estudantes] viennent,
ils sont encadrés par les thésards et par le chercheur25” (E12, 2017) o mais importante
é que “ils font une immersion dans un laboratoire de recherche26”(E12, 2017) e a
atividade os prepara para o mundo da pesquisa.
Os entrevistados, embora usem termos diferentes, comentam “qu’un
ingénieur c’est quelqu’un qui cherche des solutions, sans forcément comprendre au fond pourquoi ça marche, qui s’assure que cela marche par différentes manières, par différents moyens27” (E10, 2017), enquanto que um pesquisador “il s’attache à
comprendre pourquoi cela marche28” (E10, 2017). Em síntese, “la qualité des
formations [do engenheiro] dispensées dépend de l’activité de recherche d’un établissement29” (E11, 2017).
A escola de doutorado (l’école doctorale), também fortemente ligada à pesquisa, surgiu na UTC em 1985 e foi uma das primeiras na França (UTC, 2013). O
23 há estágios em laboratórios, em equipes onde os alunos fazem estágios (...) nós ensinamos em
pesquisa e ensinamos conceitos de pesquisa, mostramos e ensinamos (tradução nossa).
24 que chamamos de TPE, trabalho personalizado, lá eles [os estudantes] realmente participam de
pesquisas, temos ideias, projetos, precisamos de alguém que faça uma ferramenta, uma pesquisa sobre um tema e atribui aos alunos de os fazer (tradução nossa).
25 durante este trabalho, é um trabalho livre, eles [os estudantes] vêm, eles são supervisionados
pelos estudantes de doutorado e pelo pesquisador (tradução nossa).
26 eles fazem uma imersão em um laboratório de pesquisa (tradução nossa).
27 que um engenheiro é alguém que procura soluções, sem necessariamente entender no fundo
por que funciona, que se certifica que aquilo funcione de maneiras diferentes, por diferentes meios (tradução nossa).
28 ele se dedica a entender por que aquilo funciona (tradução nossa).
29 a qualidade da formação [do engenheiro] ofertada depende da atividade de pesquisa de uma
tripé ensino, pesquisa e inovação é presente nos três níveis de ensino, “il y a beaucoup
de liens entre la recherche, l’enseignement et l’innovation30” (E07, 2017).
Quanto aos tipos de pesquisa que são realizadas na universidade de tecnologia, “on va avoir de la recherche technologique avec, à la fin, de la recherche
fondamentale, des recherches appliquées31” (E09, 2017). “Quand on dit
technologique, c’est développer de meilleures connaissances, de meilleures compréhensions du monde mais sous un aspect technologique32” (E03, 2017). Isso
significa que a aplicação é na indústria, mas não exclusivamente, pode-se desenvolver pesquisa tecnológica na área de saúde para melhorar a circulação sanguínea ou para prever partos prematuros em gestantes. Existe a pesquisa tecnológica aplicada para desenvolver carros, navios, smartphone ou computadores do futuro, mas “ce qui est important c’est que dans une université technologique il y a
aussi ce champ sociétal de la recherche”33 (E03, 2017). “il y a beaucoup de sujets de
société pour lesquels la technologie et la recherche associées sont des facteurs d’avancement”34 (E03, 2017). Por exemplo, assuntos como intermodalidade de
transporte podem ser tratados. Na UTBM, em que os meios de transportes são o foco regional, a parceria com a SNCF (Société Nationale des Chemins de Fer
Français/Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro Francês), empresa nacional que
além de se ocupar com o transporte de passageiros e mercadorias, é a responsável pela exploração e manutenção da rede férrea na França, proporciona que áreas de humanas e sociais realizem projetos. “Moi-même, en SHS, sciences humaines et
sociales, j’ai passé des contrats, on va dire, industriels ou de recherche avec la SNCF pour évoquer l’intermodalité des transports35” (E13, 2017).
A “recherche technologique, c’est ce qu’on fait ici36” (E04, 2017) é entendida
como aquela “qui trouvera une application future chez un partenaire, il trouvera une
30 há muitas ligações entre pesquisa, educação e inovação (tradução nossa).
31 teremos a pesquisa tecnológica como última instância, a pesquisa básica, as pesquisas
aplicadas (tradução nossa).
32 Quando dizemos tecnológica, é para desenvolver melhor conhecimento, melhor compreensão
do mundo, mas sob um aspecto tecnológico (tradução nossa).
33 o importante é que em uma universidade tecnológica existe também este campo social da
pesquisa (tradução nossa).
34 existem muitas questões sociais para as quais a tecnologia e a pesquisa relacionada são
impulsionadoras do progresso (tradução nossa).
35 Eu mesmo, em SHS, ciências humanas e sociais, tenho contratos, diremos, industriais ou de
pesquisa com a SNCF para discutir a intermodalidade do transporte (tradução nossa).
application future dans le privé ou dans le public37” (E04, 2017). A pesquisa pode focar
um estudo meio ou fim. Por exemplo, na UTBM, tem pesquisadores que fazem ciência fundamental, pessoas que estudam, em nível atômico, os componentes elementares da matéria e tem os que preferem as ciências dos materiais relacionadas aos problemas de inovação, a parte de computador, de desenvolvimento de sistemas de visão em tempo real em veículos autômatos, que é classificada como pesquisa fim. A importância da pesquisa fundamental é que um dia ela se torna fim, “on a des
chercheurs qui travaillent sur des modèles théoriques mathématiques assez élevées,