3. RESULTATS
3.6. Difficultés rencontrées lors de la consultation
3.6.7. Manque de formation médicale
Como ponto de partida para a realização deste projecto questionei+me em relação à minha prática profissional, inserida numa equipa multidisciplinar, e de que maneira a minha experiência profissional e pessoal poderá influenciar a dinâmica e as práticas de enfermagem desenvolvidas, no serviço onde desempenho funções, permitindo uma aprendizagem e desenvolvimento de competências mais efectivas.
Constituindo o fenómeno da dor um dos problemas actuais presentes no contexto de prestação de cuidados e tratamento do doente crítico e paralelamente um dos elementos mais importantes da perda de qualidade de vida no idoso, torna+se pertinente desenvolver todos os esforços no sentido de melhorar a avaliação e tratamento da dor na pessoa idosa em situação crítica, contribuindo deste modo para o alívio da dor e melhoria dos cuidados de enfermagem.
Os avanços técnico+científicos na abordagem da dor têm sido crescentes, no entanto, são múltiplas as barreiras que se colocam à pessoa ao longo do ciclo vital, nomeadamente aos grupos mais vulneráveis como os idosos e o doente crítico, constituindo novos desafios à prática de cuidados. Sensível a esta realidade, o governo português criou em 1999, o Dia Nacional de Luta Contra a Dor (uma iniciativa da
Associação Portuguesa para o Estudo da Dor19), com o objectivo de sensibilizar a
população e a opinião pública para a importância da dor, enquanto grave problema de saúde pública, com elevados custos económicos e sociais. Posteriormente, na perspectiva de encarar o controlo da dor como uma prioridade e factor decisivo na humanização e qualidade dos cuidados de saúde prestados, a Direcção+Geral da Saúde,
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A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), capítulo Português da International Association for the Study of Pain (IASP), é uma associação científica sem fins lucrativos, fundada desde 1991. Tem como objectivo principal a realização e promoção de todos os esforços que permitam aos cidadãos as acessibilidades necessárias ao tratamento da dor aguda e crónica num período curto e adequado, de forma a reduzir o seu impacto, assim como, promover o estudo, o ensino e a divulgação dos mecanismos fisiopatológicos, meios de prevenção, diagnóstico e terapêutica da dor de acordo com os parâmetros estabelecidos pela IASP e pela Organização Mundial de Saúde (http://www.aped+ dor.com/index.php?lop=)
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através da Circular Normativa nº 9/DGCG de 14/06/2003, considera a dor o “5º sinal vital”, salientando que:
O controlo eficaz da Dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito e um passo fundamental para a efectiva humanização das Unidades de Saúde;
O sucesso da estratégia terapêutica analgésica planeada depende da monitorização da Dor em todas as suas vertentes;
A avaliação e registo da intensidade da Dor, pelos profissionais de saúde, tem que ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos sinais vitais, de modo a optimizar a terapêutica, dar segurança à equipa prestadora de cuidados de saúde e melhorar e a qualidade de vida do doente.
Por outro lado, existem normas que devem ser seguidas na avaliação e gestão da dor dos doentes críticos, salvaguardando o seu direito à adequada analgesia e à eficaz gestão da sua dor, sendo para tal imprescindível uma avaliação regular através de um instrumento ajustado a esta população de doentes (JACOBI et al, 2002). De igual modo, a evidência científica mostra+nos que:
Os doentes críticos estão particularmente vulneráveis à dor;
A dor tem sido identificada como um factor que agrava a condição clínica do doente;
A eficaz gestão só pode ser alcançada com uma avaliação precisa da dor;
A dor não tem sido considerada uma prioridade dos cuidados por parte da equipa multidisciplinar, nomeadamente nas pessoas idosas;
A dor persistente nos idosos é subvalorizada, subavaliada e subcontrolada quer pela família/pessoas significativas, quer pelos profissionais de saúde/cuidadores (JACOBI et al, 2002; DGS, 2010).
Assim, tendo em conta a constatação diária, as experiências vivenciadas na UCI, as minhas percepções e convicção de que os registos de enfermagem não são completos,
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nem efectuados de forma sistemática quanto às características da dor, intervenções realizadas para o alívio da mesma, assim como a reavaliação de todo o processo efectuado no sentido de estabelecer novas estratégias se necessário, emergiu a necessidade de contribuir de forma efectiva para a melhoria da prática dos cuidados de enfermagem à pessoa idosa com dor e em situação crítica, bem como, para a melhoria do padrão de avaliação e monitorização sistemática da dor na unidade de cuidados intensivos, visando o desenvolvimento de competências por parte de toda a equipa de enfermagem e permitindo uma abordagem de excelência à pessoa idosa. Tendo em conta estes pressupostos e fundamentada pela OE que determina como áreas prioritárias (entre outras) de investigação em enfermagem, a “Qualidade dos cuidados de enfermagem – projectos, indicadores e critérios” e “Viver com doença crónica e a promoção da qualidade de vida” (OE, 2010, p. 23), foi definido o problema fulcral deste projecto de aprendizagem que consiste na carência, por parte da equipa de enfermagem, de uma avaliação e monitorização sistemática da dor na pessoa idosa em situação crítica, internada na UCI,
traduzindo+se no registo20 deficiente dos cuidados prestados. De realçar que a temática
da dor no doente crítico, em todas as suas vertentes, constitui desde sempre uma preocupação partilhada pela equipa de enfermagem pelo que, a realização deste projecto foi encarada com grande satisfação, optimismo e consciência de que era emergente a adopção de estratégias de intervenção promotoras das boas práticas no que diz respeito à avaliação e monitorização da dor na pessoa idosa em situação crítica.
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Os registos de enfermagem na UCI são baseados na “Classificação Internacional para a Prática de
Enfermagem” (CIPE versão Beta 2), processo que resultou de um intenso estudo e investigação da prática
de enfermagem, por parte de um grupo de enfermeiras do Conselho Internacional de Enfermagem, no sentido de uniformizar a linguagem utilizada na prática dos cuidados de enfermagem. Considerando que a existência de uma linguagem comum numa determinada área de conhecimento é condição essencial para que esse conhecimento seja reconhecido como ciência credível, era imperioso que a enfermagem fizesse parte desta realidade. A criação de uma linguagem comum, adequada a todos os profissionais de saúde, facilita o desenvolvimento da investigação conferindo de igual modo, uma nova dinâmica à formação. Deste modo, como forma de dar resposta aos requisitos e ao modelo adoptados pelo hospital, a UCI elaborou o seu próprio padrão documental e, após parametrização do mesmo, deu+se início à informatização dos registos de enfermagem, através da aplicação do “Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem (SAPE)”. Neste contexto, é definido pelo Enfermeiro, um diagnóstico de enfermagem relativamente a um determinado fenómeno de enfermagem, para o qual serão delineadas acções/intervenções de enfermagem com a finalidade de produzir um resultado de enfermagem (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS, 2005).
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