A propósito, já que estamos tratando de estudar uma língua, vejamos algumas distinções com relação às duas terminologias: aquisição e aprendizagem. Dois termos que, à primeira vista, muitas vezes são tratados como sinônimos. Mas há características próprias a cada termo que explicam diferenças entre eles. A aquisição e a aprendizagem de língua estrangeira são processos diferentes.
Inclusive, o processo de aquisição da língua materna sempre foi um fenômeno que despertou a curiosidade de várias teorias. Por certo, a aquisição da língua materna constitui um dos temas fundamentais da Psicolinguística. Mas, a modo de exemplo, citaremos a seguir as principais teorias que trataram de explicar o fenômeno da aquisição da linguagem.
Uma delas é a teoria comportamentalista de Skinner durante os anos 50, a qual concebe o processo de aquisição da língua como fruto de imitação por meio de estímulo e reforço, e desse modo, as crianças aprenderiam a língua copiando e repetindo emissões linguísticas dos adultos. Trata-se de uma concepção behaviorista da aquisição da linguagem pela formação de hábitos linguísticos.
Da teoria gerativista de Chomsky surge a hipótese inatista, que se estendeu a partir dos anos 60. Diante da evidência de que as crianças eram capazes de produzir enunciados nunca ouvidos, Chomsky argumentou sobre a hipótese de que há um dispositivo inato, inerente à espécie humana, de tipo fisiológico localizado no cérebro para a aquisição da linguagem, como uma espécie de processador específico para o processo de aquisição da língua materna. “Con esta teoría se pretende explicar y justificar la rapidez con que somos capaces de comenzar a hablar y el modo similar en que ello se produce en distintos niños y lenguas (PASTOR CESTEROS, 2004, p.32)”. Nessa hipótese, todos os seres humanos nascem com tal dispositivo para desenvolver a linguagem ao serem expostos à fala, aos dados linguísticos do ambiente.
Na teoria cognitiva, Piaget e Vygotsky psicólogos contemporâneos, ambos também versaram sobre o tema da aquisição da língua, na relação entre pensamento e linguagem com opiniões divergentes. Para Piaget,
el lenguaje no es sino una consecuencia, un reflejo de la evolución del pensamiento infantil. Este pensamiento evoluciona y madura desde una forma de relación con el entorno de tipo sensorio-motor, hasta la aparición de la función simbólica y representativa (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2015, p.51).
É importante ressaltar que o interesse fundamental de Piaget estava centrado nas etapas do desenvolvimento da inteligência na criança.
Enquanto para Vygotsky, aproximadamente na idade de dois ou três anos, existe “un pensamiento prelinguístico, sin palabras, y un lenguaje pre-intelectual sin pensamiento, que siguen caminos distintos. A partir de un momento dado, los dos caminos se juntan y el pensamiento se hace verbal y el habla racional (GONZÁLEZ ÁLVAREZ, 2015, p.51)”.
Ainda podemos citar a hipótese do input de Krashen (1985), teórico que estudou a fundo a respeito da aquisição de segundas línguas. Este teórico ressalta a importância de input compreensível adicionado a um nível de dificuldade para que a aquisição ocorra (PAIVA, 2005). Seguindo a Pastor Cesteros (2004, pp.154-155):
El aprendiz es expuesto a la lengua meta (tanto oral como escrita), que se considera fuente de input comprensible; por otra parte, no deberá practicar de inmediato, sino que atravesará lo que se denomina un <<período silencioso>>, en el que se procederá primero a la exposición y comprensión de la lengua, para sólo después usarla (del mismo modo en que actúa un niño). [n ] la comprensión del input comporta la adquisición automática y natural de la gramática.
Sabe-se que para adquirir a própria língua materna, não é necessário um ensino explícito da mesma para aprender a falar, pois é algo que se faz de modo natural, muito antes da escolarização da criança.
Podemos pensar que, todas essas teorias representam esforços para explicar partes de um mesmo fenômeno, que reunidas servem como uma visão global do processo.
Em resumo, trazemos algumas características e diferenciações entre aquisição e aprendizagem feitas por Pastor Cesteros (2004, pp.74-75):
La adquisición de la LM está restringida biológicamente, lo cual significa que se produce desde que nacemos hasta una edad que oscila entre los 6 ó 7 años. Si durante esa etapa no se dan las condiciones necesarias para ello [n ], la adquisición no podrá producirse a partir de una cierta edad (es lo que sucede con los casos denominados de «niños salvajes»). [n ] se suele hablar del carácter «natural» de la adquisición de la L1, frente al carácter «artificial» del aprendizaje de la L2, porque así como la primera se produce de modo inconsciente, no implica ninguna dificultad y tiene lugar sin
intervención voluntaria por parte de la persona, el segundo representa una actividad plenamente consciente, a menudo dificultosa, con una decisión de aprender por parte del individuo y con la participación de elementos que condicionan y facilitan el proceso.
Quando se fala em aprendizagem, se supõe um processo consciente de esforço, de vontade própria também. Por conseguinte, a aprendizagem de uma LE envolve processos que sofrem mediações diversas, podendo ocorrer em contextos diversificados, e que segundo Paiva (2005, p.30) “não funciona de forma igual com todos os indivíduos. Como cada ser humano é diferente do outro, os processos semióticos, as conexões efetuadas, serão também diferentes”.
De todo modo, podemos considerar que uma das principais características da aquisição da língua materna em comparação à aquisição/aprendizagem de uma LE é justo a semelhança dos resultados independentemente das variáveis pessoais. No sentido de que, nos dois casos, na aquisição ou na aprendizagem existem as tentativas, os erros etc., nos caminhos para aprender uma língua.
3.6 CONTRIBUIÇÕES DA LINGUÍSTICA CONTRASTIVA PARA O