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4. Agir sur la demande SI SIAO

4.2 Manipulations de base

... no final ano de 2001... eu mudei pra Minas Gerais... fui morar em Uberlândia... já tinha morado aqui em São Paulo quase 10 anos... fui para Uberlândia... quando eu

fui pra lá... na escola que eu fui trabalhar eu contava história e aí lá eles começaram achar isso diferente... ah você não lê só, você conta... Conto... Como é que se faz pra contar? Por que você tem tantas histórias na sua memória? Eu comecei a me perguntar isso também...POR QUE TENHO TANTAS HISTÓRIAS NA MINHA MEMÓRIA? ...algumas eu ouvi... mas outras eu pesquisei... vi que existiam e fui estudando e conhecendo... eu lia e guardava na minha memória... e ia contando aos meus alunos... pra mim era muito fácil isso acontecer para aquelas as pessoas não... nessa escola tinha também professores universitários... ou era pai de aluno ou era colega... todo mundo da federal de Uberlândia... daí começaram a me convidar pra ir na extensão... na formação... ah faz uma oficina... vem contar alguma coisa... eu dizia... gente oficina eu nunca fiz... mas eu posso ir contar e aí eu conto como é que eu conto...

(...) eu lembro que uma vez eu fui contar histórias num curso de extensão na universidade e tinha aluna cega... isso foi muito fundamental pra mim... eles me disseram quem era o grupo... quantas pessoas eram... e falaram que haveria uma aluna cega... NOSSA nunca contei uma história para pessoa cega... pensei... aí eu comecei a contar... uma das histórias que eu contei... eu fiz uma brincadeira que eu soprava... era uma história de vento e chuva... tinha vento e tinha chuva... e eu fiz uma brincadeira... eu levei um tecido... uma coisa meio plástica... quando encostava parecia mesmo uma chuva... e levei esse sopro ((sopra com a boca)) que parecia vento e eu lembro que a moça tava distraída... a que era cega... quando eu comecei a contar essa história... ESSA MULHER MUDOU ATÉ A POSIÇÃO CORPORAL... ela começou a escutar... e depois ela ficou muito comovida... e aí ela falou assim... nossa acho que nunca ninguém contou uma coisa pra mim... pensando em mim... eu falei porque você acha que eu pensei em você? Ah... você pensou porque todas as suas histórias... tinha alguma coisa...que me aguçava... dizia ela... não tinha né? só essa que eu achei que tinha... e ela citou isso como exemplo... mas ela soube citar das outras também... aí esse negócio de contar histórias foi ganhando força pra mim... ai falei nossa esse negócio é importante... eu vou me preocupar mais com isso. (...) foi quando eu comecei a ler o material da Regina... “O Acordais”... isso... eu já tinha voltado aqui para São Paulo... aí... eu continuei contando muito lá... mas via que no Brasil existiam coisas... inclusive uma senhora escritora de livro... Martha Pannunzio... me falou do Boca do céu... olha você ia gostar... porque...

aí... as pessoas iam falando comigo... e iam achando que era diferente a minha prática com os alunos... porque eu sempre... comecei o ano contando histórias...sempre... e eventualmente em algum acontecimento que me levava pra contar... ainda não era uma uma coisa da rotina... mas era muito forte isso... eu preparava... organizava... sentava e contava histórias... era um corte no cotidiano... no rotineiro... naquele momento que contava histórias.... o que acontecia? As pessoas ficavam sabendo como por exemplo... a Martha Pannunzio... que o Neto era meu aluno... o Neto falou que tinha uma professora que contava hisórias... Ela foi lá ver quem era a professora que contava histórias... Ah... convidou a professora para ir no movimento que ela fazia... um prêmio lá... de escrita com as escolas... você vai fazendo uma teia de relacionamento e atribuindo valor... NOSSA deve ser diferente mesmo... deve fazer diferença para esses meninos isso... de alguém que conta história... de maneira que quando eu voltei aqui pra São Paulo... foi lá no Boca do Céu... a primeira vez que eu foi no boca do céu foi no SESC Pompeia... eu foi com a Martha Pannunzio... nos encontramos lá e ela disse... foi esse evento que eu tinha falado pra você...aí ficamos juntos o evento inteiro...NOSSA... isso abriu um leque para mim...

e... aí... eu comecei a ler o livro da Regina Machado...de como você se prepara pra contar história... e tinha algumas coisas ali que eu falei... NOSSA... imagine se eu fizer isso? porque tinha algumas coisas que eu fazia... esse contato que você tem com a história... coisa de ser um conto da tradição oral... o que é um conto da tradição oral... e aí eu já conhecia o Câmara Cascudo... fui aprofundando... foi conhecendo mais ainda... e o que que aconteceu? eu já entrei no plano da formação... comecei a me preocupar com esse repertório... comecei a fazer isso profissionalmente... por exemplo... em livraria... uma livraria aqui na zona norte... é uma livraria de fomento... chama Companhia Ilimitada... comecei a contar lá... eles tem uma tarde de contos... eu contava nessa tarde de contos... e aí eu comecei a pensar que história que eu vou contar? o que faz parte dessas histórias? AH... eu foi me preocupar com as músicas... as brincadeiras... com tudo que tem a ver com cultura popular... Comecei uma formação... mais intensa e eu via que isso alimentava a profissional contadora e aí fui me formando nisso... passei a frequentar O Boca... foi frequentar o curso da Regina de contadores de histórias... e aí a gente estreitou a relação... passei a ter isso intencionalmente lá na sala de

aula.... aí eu tinha proposições pra mim mesmo... por exemplo... contar uma história por dia... durante um mês... uma história por dia... aí você se imagina o que é você se preparar? durante um mês eu vou contar uma história por dia... que histórias são essas? começo estudar... começo a me preparar... aí vejo que aquilo tem um impacto muito grande com meus alunos... por quê? porque eu via... por exemplo... uma carência imaginativa... eu via... eu percebia isso... falei... NOSSA... eu preciso fazer isso... contar histórias pro meus alunos... imagine uma criança de 10 anos não se encantar... não ter encantamento... quando ouve alguém contar? eu preciso investir nisso...aí eu comecei a fazer isso... de contar uma história por mais tempo... a mesma... repetir... aí que história que eu conto? Aí... eu escolhi umas as histórias que dava pra você ficar mais tempo... NOSSA... isso fazia uma enorme diferença... em muitos aspectos... não é uma... um ponto só... não... é enorme a diferença... qualificava a minha relação humana com meus alunos... era outro patamar de relação... é até hoje... outro patamar... o vínculo que se estabelece... de maneira que os estudantes que não são meus alunos... ainda... mas que já me viram contar... porque ai na escola você começa a entrar na sala dos colegas... teus seus alunos vão contar lá pra eles... as crianças te olham com um outro olho... elas buscam... o olho dela te chupa... assim... elas querem outra coisa... aquela mulher tem encantamento... ela tem coisas encantadas que ela traz pra mim... é um jeito até de se colocar fisicamente para o outro... como que eu me dirijo pra aquela contadora... porque ela é uma contadora... ela tem um encanto até me comove (( chora))...

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