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Considere-se o cabo AB da Fig. 3.3 submetido, agora, ao seu peso próprio p (x). A Fig. 3.5 considera o diagrama de corpo livre de um elemento infinitesimal do cabo com comprimento

dS0, submetido somente seu peso próprio, p(x), onde dx e dy são os comprimentos infinitesimais nas direções x e y, H0 e H0 + dH0 as forças horizontais, V0 e V0 + dV0 as forças verticais nas

extremidades do elemento, bem como o ângulo A que representa a inclinação do elemento

Figura 3.5 - Diagrama de corpo livre de um elemento de cabo sujeito ao peso próprio Aplicando-se as condições de equilíbrio no elemento e considerando que o termo de ordem superior dx2 seja aproximadamente igual a zero, pode-se escrever as seguintes expressões:

𝐻 = → = (3.37)

𝑉 = → = − (3.38)

∑ = → = ′ = 𝑉

𝐻 (3.39)

Da Eq. (3.37) pode-se concluir que a força horizontal H0 no cabo é constante. Derivando-se a

Eq. (3.39) e com auxílio das Eqs. (3.38) e (3.12) tem-se a Eq. (3.40), que é a equação diferencial do elemento de cabo na sua posição de equilíbrio.

" = −𝐻 √ + ′ (3.40)

Integrando-se a Eq. (3.40), tem-se a tangente à curva do cabo ou rotação A, dada pela

expressão:

= sinh −

𝐻 + (3.41)

Integrando a Eq. (3.41), chega-se a equação da curva do cabo representada por uma catenária, dada pela Eq. (3.42).

= −𝐻 cosh −𝐻 + + (3.42)

Como já dito anteriormente, as constantes C1 e C2 dependem da geometria inicial do cabo e

serão definidas a seguir considerando-se as variáveis conhecidas h, A, xv e fv. H0+ dH0 y x A B dx A p (x) dy H0 V0 V0 + dV0 dS0

3.2.3.1 Cabos suspensos com os apoios desnivelados

Analogamente ao estudo desenvolvido para o cabo parábola, considere a estrutura da Fig. 3.3 com os apoios desnivelados, onde o apoio B (L, h) apresenta um desnível h em relação ao apoio

A (0, 0). São analisadas três condições em função das variáveis conhecidas: h e A, ou h e xv, ou h e fv.

a)

Variáveis h e A conhecidas

Para se determinar os valores das constantes C1 e C2 das Eqs. (3.41) e (3.42) consideram-se as

seguintes condições de contorno: para x = 0  ′ = tan (A) e yA = 0, obtendo-se:

= sinh− [tan ] (3.43)

= 𝐻 cosh{sinh− [tan ]} (3.44)

Levando-se as Eqs. (3.43) e (3.44) nas Eqs. (3.41) e (3.42), encontram-se a equação da tangente à curva do cabo, Eq. (3.45), e a equação da configuração de equilíbrio do cabo dada pela equação catenária, Eq. (3.46).

= sinh {−

𝐻 + sinh− [tan ]} (3.45)

= −𝐻 {cosh {−𝐻 + sinh− [tan ]} − cosh{sinh[tan ]}} (3.46)

A força horizontal H0 é calculada por tentativas aplicando-se a condição de contorno: para

x = L  yB = h, que substituindo-se na Eq. (3.46) obtém-se:

ℎ = −𝐻 {cosh {−𝐻𝐿+ sinh− [tan ]} − cosh{sinh[tan ]}} (3.47)

Conhecendo-se a força horizontal, H0, e integrando-se a Eq. (3.12) com o auxílio da Eq. (3.45),

= −𝐻 {sinh {−𝐻𝐿+ sinh− [tan ]} + sinh{sinh[tan ]}} (3.48)

Como já mostrado, a força de tração no cabo, T, tendo em vista a Fig. 3.5, onde H0 é constante,

é definida pela Eq. (3.15), dada por:

T = 𝐻𝜃

Sabendo-se que cos = , com a ajuda das Eqs. (3.12) e (3.45), obtém-se à força de tração (T) no cabo que varia continuamente em intensidade e direção ao longo de toda a sua extensão.

= cosh {−𝐻 + sinh− [tan ]} (3.49)

Dessa forma, conhecidos o peso próprio do cabo, p, a inclinação do cabo no apoio A, A, e o

desnível h, é possível determinar, por tentativas, a força horizontal, H0 através da Eq. (3.47).

Com o valor de H0, a curva do cabo, y, o comprimento do cabo, S0, e a força de tração no cabo, T são determinados pelas Eq. (3.46), (3.48) e (3.49), respectivamente.

Apoio A (0, h) com desnível h em relação ao apoio B (L, 0)

Analogamente à condição anterior determinam-se as constantes C1 e C2 das Eqs. (3.41) e (3.42)

aplicando-se as condições de contorno do problema: para x = 0  ′ = tan (A), para x = 0  yA = h, têm-se:

= sinh− [tan ] (3.50)

= 𝐻 cosh{sinh− [tan ]} + ℎ (3.51)

Substituindo-se os valores das constantes C1 e C2 nas Eqs. (3.41) e (3.42), encontram-se as

equações da tangente à curva do cabo, Eq. (3.45) e a equação da catenária, Eq. (3.52), definindo- se a configuração de equilíbrio do cabo suspenso.

= −𝐻 {cosh {−𝐻 + sinh− [tan ]} − cosh{sinh[tan ]}} + ℎ (3.52)

A força horizontal H0 é calculada ao se aplicar a seguinte condição de contorno: para

ℎ =𝐻 {cosh {−𝐻𝐿+ sinh− [tan ]} − cosh{sinh[tan ]}} (3.53)

Então, conhecidos p, L, h, A, determina-se H0 por tentativas pela Eq. (3.53), com isso, encontra-

se y, T e S0, através das Eqs. (3.52), (3.49) e (3.48), respectivamente.

b)

Variáveis h e xv conhecidas

Voltando-se à Fig. 3.3 e substituindo-se na Eq. (3.45) a condição de contorno em que para

x = xv y’ = 0, tem-se:

tan = sinh 𝐻 (3.54)

Pode-se ver que a Eq. (3.54) ainda continua indeterminada porque está em função da força horizontal, H0. Para se obter esse esforço, deve-se substituir a Eq. (3.54) na Eq. (3.46), que será

calculado por tentativas, onde se sugere que para a primeira tentativa seja utilizado o valor de

H0 dado pela Eq. (3.22). Após calculado, o valor de H0 deverá ser substituído na Eq. (3.54) para

que seja corrigida a tangente de A.

No caso em que o apoio A (0, h) com desnível h em relação ao apoio B (L, 0), a condição de contorno e a equação são as mesmas utilizadas anteriormente para obtenção da variável A.

Portanto, segue-se o mesmo procedimento descrito, onde sugere-se a Eq. (3.24) para a primeira tentativa de se obter o valor de H0.

c)

Variáveis h e fv conhecidas

Voltando-se à Fig. 3.3 e substituindo-se na Eq. (3.46) a condição de contorno em que para

x = xvy = fv, e com o auxílio da Eq. (3.54), tem-se:

tan = 𝐻 (√ + 𝐻 ) (3.55)

onde, a força horizontal, H0, é obtida por tentativas, substituindo-se a Eq. (3.55) na Eq. (3.47),

Eq. (3.28). O valor calculado de H0 deverá ser substituído na Eq. (3.55) para que seja obtida a

tangente de A corrigida.

No caso em que o apoio A (0, h) com desnível h em relação ao apoio B (L, 0), a condição de contorno é a mesma utilizada anteriormente, x = xv y = fv, para obtenção da variável A.

Substituindo essa condição com o auxílio da Eq. (3.54) na Eq. (3.52) obtém-se:

tan =𝐻 (√ − ℎ + 𝐻 − ℎ ) (3.56)

Desta forma, a força H0 é obtida por tentativas substituindo a Eq. (3.56) na Eq. (3.53), que para

primeira tentativa é aconselhável utilizar a Eq. (3.31). O valor calculado de H0 deverá ser

substituído na Eq. (3.56) para que seja obtida a nova tangente de A.

3.2.3.2 Cabos suspensos com os apoios nivelados

Considerando-se a estrutura de cabo da Fig. 3.3 com os apoios A e B nivelados (h = 0) e aplicando-se nas Eqs. (3.41) e (3.42) as condições de contorno, onde para x = L/2  y’ = 0 e

x = 0  yA = 0, respectivamente, têm-se C1 e C2 dados por:

= 𝐻𝐿 (3.57)

= 𝐻 cosh 𝐻𝐿 (3.58)

Levando as Eqs. (3.57) e (3.58) nas Eqs. (3.41) e (3.42), respectivamente, encontram-se as equações da tangente à curva do cabo e a equação da catenária que define a configuração de equilíbrio do cabo suspenso com apoios nivelados.

A força H0 pode ser obtida levando a condição de contorno em que x = 0  ′ = tan (A) na

Eq. (3.41), com o auxílio da Eq. (3.57):

= − 𝐿[ 𝜃 ] (3.59)

Levando-se a condição de contorno em que para x = L/2  y = fv na Eq. (3.42), com auxílio das

= −𝐻 [ − cosh 𝐻𝐿 ] (3.60) Conhecida a variável fv, a força H0 é calculada através da Eq. (3.60), por tentativas, onde se

sugere utilizar a Eq. (3.35) como primeira tentativa.

3.3 Formulação Numérica para os Sistemas de Cabos e Treliças Espaciais

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