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Manipulation cohérente d’ondes de matière

Alfredo Dib1

Resumo: O texto tem como objetivo analisar a aprendizagem como expressão maior da educação, desde o problema do excessivo e contínuo abandono dos estudos dos universitários brasileiros. Discute que estudar sem aprender é uma grande injustiça e articula com a paz e não-violência ativa. O artigo faz uma releitura da educação enquanto crítica, problematizadora e, essencialmente, política. Confronta o modelo instrucionista e busca elementos de análise de superação para sua permanência. Relaciona formação e desenvolvimento eco- nômico, e a cultura da gestão universitária com a vida acadêmica. Apresenta percalços e avanços de ação inovadora sistemática com ênfase na aprendizagem. A metodologia é de natureza básica, de caráter exploratório, com levantamento de dados bibliográficos e telematizado e análise quali-quantitativa. Como consi- derações finais, o docente como mobilizador e sensibilizador do protagonismo do discente na sua aprendizagem, bem como o envolvimento da sociedade e a superação do conflito de interesses na gestão universitária e, especialmente, na cultura organizacional.

Palavras-Chave: Educação de Adultos; Aprendizagem; Didática; Não-Violência Ativa

Abstract: The text aims to analyze learning as a major expression of education, from the problem of excessive and continuous abandonment of the studies of Brazilian university students. It discusses that studying without learning is a

1 Pós-Doutorando PNPD/Capes, no Programa de Mestrado em Educação Matemáti-

ca, PPGEM, Universidade Estadual de Santa Cruz, UESC, Ilhéus, BA; coordenador do projeto de pesquisa Relação entre consumo de bebidas alcoólicas e o rendimento acadêmico de universitários do sul da Bahia.Universidade Portucalense, Instituto Jurídico Portucalense, IJP, Porto, Portugal. E-mail: <[email protected]>.

Dib, Alfredo

great injustice and articulates with peace and not active violence. The article makes a re-reading of education as critical, problematizing and essentially political. Confronts the instructional model and seeks elements of overcoming analysis for its permanence. It links training and economic development, and the culture of university management with academic life. It presents mishaps and breakthroughs of systematic innovative action with an emphasis on learning. The methodology is of a basic nature, of an exploratory nature, with bibliographical and telematized data collection and qualitative-quantitative analysis. As final considerations the teacher as a mobilizer and sensitizer of the protagonism of the student in their learning, as well as the involvement of society and overcoming conflict of interest in university management and especially in organizational culture.

Keywords: Adult Education; Learning; Didactic; Non-Active Violence.

Introdução

Este texto discute uma situação inusitada no Brasil: Por que ainda que consciente e praticante de estratégias educativas inova- doras o que se consolida é uma educação largamente criticada e não comprometida com a aprendizagem conforme os resultados das avaliações nacionais e internacionais?

Estudar sem aprender é uma grande injustiça. O reconhecimen- to de falha na aprendizagem desperta uma sensação de enganação, a culpa do autoengano e a baixa estima protagonizada pela impo- tência. A dificuldade de fazer conexões por falta de informação e a ausência ou falhas do aprimoramento das habilidades afastarão o recém-formado das melhores ofertas de trabalho e de uma ação mais promissora. Estudar sem aprender é um desatino: uma lacuna no processo educativo poderá levar anos para ser preenchida, a diferen- ça entre as classes sociais se acentua, e a injustiça social camuflada na expectativa de chances de vida que a formação acena, perpetua. É nesse sentido que este texto argumenta e discute a educação é resultado que se manifesta intrinsecamente na aprendizagem.

Educação é resultado independente do regime econômico, da faixa socioeconômica, do estilo de vida, do que se quer aprender e do âmbito. Conceitos como abandono e baixo rendimento ressaltam a essência do resultado como fruto da educação. Educação, educar a ação, é essencial- mente resultado. Para educar a ação se somam agentes e ações, como,

por exemplo: a ambiência incentivará com fatores sociais, psicológicos e estruturais. A didática orquestrará o processo de aprendizagem. O currículo irá traçar o que se espera alcançar após a intervenção educati- va. A avaliação, o acompanhamento, a mensuração e o direcionamento do aprendido para que o desejado pelo currículo seja atingido. As políticas públicas, os marcos educativos, a mobilidade estudantil e do docente, e a consolidação de uma rede chamada nação que se interliga com o mundo. A administração escolar, a ponte entre didática e gestão, planejamento e aplicação de recursos em pró de maiores patamares de aprendizagem. Pais e familiares corresponsáveis no processo educati- vo. O discente como protagonista da sua aprendizagem e da sua ação social. O docente agente da mudança e da aprendizagem. O conjunto desses fatores é a educação, educação é resultado.

Para Chanlat (1993), os seres humanos são seres biopsicosso- ciais. Acrescentamos o pedagógico-didático. Somos então biopsi-

cossociopedagógicos: como seres não programados biologicamente,

a espécie desenvolveu a particular manifestação de aprender, de se adaptar e de transmitir este conhecimento e sabedoria. Assim, a educação é a principal manifestação da cultura, e a linguagem (verbal, corporal, simbólica...) sua maior expressão, fenômeno possível via aprendizagem. Uma das características da educação é o resultado, enfim o processo educativo e a aprendizagem devem ser significativos para discente, docente e sociedade.

A aprendizagem se identifica no caso do discente que no iní- cio do ano aprenderá a somar e subtrair (multiplicar e dividir). O que se espera é que no final do curso ele saiba realizar operações aritméticas. Ele, então, aprendeu a somar: contabiliza suas coisas; questiona descontos nas ofertas de lojas; confere o troco prontamen- te; calcula diferença de idades entre ele e os mais idosos e reflete sobre isso. Operações de soma começam a fazer parte da sua roti- na. O discente aprendeu a somar, e quer saber mais, sente-se bem, emocionalmente, fisicamente, psicologicamente, porque o processo educativo é resultado. Porém, supondo que no final do ano ele não aprendeu a somar, ou aprendeu, mas não quer mais apreender e já esquecer, daí temos, claramente, um sério problema! Esse proble- ma é de fato inusitado, pois educação é resultado que se manifesta na aprendizagem do saber e do ser. Se o processo educativo não obteve resultado efetivo, temos (ou deveríamos ter) um problema.

Dib, Alfredo

Para superar esse desafio podem ser feitas um conjunto de ações como levantamento das práticas educativas, conversa com os dis- centes, discussão junto aos demais colegas, curso de formação.

Essa aprendizagem se caracteriza como significante para o dis- cente e para o docente, ou seja, que proporcione entender o mundo criticamente e, assim, atuar como agente de mudança. Aprender a somar por si só não se caracteriza como sucesso do processo educa- tivo. O ato educativo é político e por isso sempre que se realiza, por exemplo, uma operação aritmética se faz com algum teor político. Soma-se um valor determinado para quê? Subtrai-se para obter o quê, em troca de quê? O resultado do processo educativo deve ser recheado de criticidade. A visão crítica do fenômeno se fomenta por seu tom político.

A criticidade do mundo e seu papel de agente de mudança na leitura do mundo atribui à educação ser caráter político. Qualquer prática educativa tem conotação política, esteja o educador conscien- te dela ou não. O teor político da aula se manifesta, por exemplo, na escolha do conteúdo programático, na eleição dos textos de leitura, ou mesmo no sistema de avaliação.

A escolha de uma educação crítica exige que se afaste da prática pedagógica que valoriza a instrução, e se aproxime da prática da educação de aprendizagem: inteligência e sensibilidade.

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