Chapitre III : La représentation du fournisseur par la maison de vente
B. Manifestation de la volonté d’agir pour le compte d’autrui
O segundo objetivo específico compreende a elaboração de uma ferramenta para Gestão da Clínica, mais especificamente para a Gestão do Caso de TBMR pelo CR, tendo em vista sua necessidade de comunicação com outros pontos de atenção, em especial com a Atenção Primária, que irá conduzir o TDO.
Sua construção foi baseada nas recomendações do Guidelines for the programmatic management of drug-resistant tuberculosis (WHO, 2008). Nesse documento, a OMS dedica um capítulo para tratar dos registros a serem realizados com a finalidade de acompanhamento dos
casos, monitoramento do desempenho do programa e os resultados do tratamento, de maneira padronizada. Dentre os relatórios entendidos como essenciais está o Cartão de Tratamento.
Ainda que existam atualizações deste guideline, inclusive no ano de 2016 (WHO, 2016), o documento utilizado neste estudo é a versão atual mais completa e que designa questões referentes ao registro e condução dos casos de maneira ampla. Normalmente, as versões mais atuais (WHO, 2011; 2016a) update, principalmente do tratamento medicamentoso a ser empreendido e dos novos métodos diagnósticos incorporados.
Compreende-se que o Cartão de Tratamento deva ser preenchido logo após a instituição da terapia medicamentosa específica e acompanhar o doente pelos pontos de atenção nos quais ele transita, sendo atualizado diariamente com a realização do TDO. Admite-se, até, que seja utilizado como formulário de notificação e encerramento do tratamento.
A OMS define, inclusive, os temas, conteúdos e disposição das informações. A saber: Primeira seção:
Informações básicas demográficas e clínicas: nome, endereço, sexo, idade, peso e local de contágio;
Número e data de registo, atuais e anteriores, se houverem;
Classificação da resistência;
Tratamentos anteriores para TB, com destaque às drogas de segunda linha já utilizadas;
Registro das decisões de grupos de especialistas – discussão do caso em comissões e comitês.
Segunda seção:
Informações de teste de HIV, uso de terapia antirretroviral e fluxos relacionados ao tratamento desta infecção;
Monitoramento de peso com registro inicial e mensal;
Monitorização dos resultados de exames laboratoriais.
Terceira seção:
Diagnósticos médicos além da TB, incluindo diabetes, hipertensão, cardiopatia, HIV, infecções oportunistas, dentre outras;
Monitoramento e registro de efeitos adversos, com data, efeitos adversos observados/relatados e suspeita de droga (s).
Quarta seção:
Resultados de teste de sensibilidade, com data de coleta;
Acompanhamento de resultados de cultura e registro de resultado inicial;
Monitoramento da radiografia de tórax.
Quinta e sexta seções:
Regime farmacológico empregado, com registro de alteração de drogas ou dosagem;
Registro do TDO;
Resultado de tratamento: registro do desfecho do tratamento medicamentoso e resultados bacteriológicos finais.
(WHO, 2008)
Com base nessas recomendações, foi construída para esse estudo a “Caderneta de Controle do Tratamento”. Este material foi confeccionado após a realização das visitas técnicas aos CR e agregam esforços já em desenvolvimento por esses serviços. Assim, a Caderneta proposta integra as sugestões padronizadas internacionalmente aos contextos e necessidades nacionais, direcionando-se do CR à APS.
Além disso, a organização da Caderneta e escolha da linguagem foram norteadas pelo Referencial Teórico adotado. Desta forma, a Gestão da Clínica guiou a construção do material no sentido de instrumentalizar os doentes para a correponsabilização por seu processo de saúde- doença-reabilitação, formando as bases para realização do autocuidado apoiado, como prevê o Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MENDES, 2012). Assim, o material proposto foi composto da seguinte forma:
1. Identificação:
Nome; data de nascimento; idade; números de carão SUS, SINAN e registro no SITETB, além de TBWEB para o estado de São Paulo; endereço; telefone; e-mail;
Informações sobre a Unidade de Saúde em que realiza o TDO: nome; nome do enfermeiro responsável; telefone e e-mail;
Informações sobre o Centro de Referência: programa, endereço, telefone, nome do Gestor do Caso, telefone, e-mail e horário de funcionamento do serviço;
Dados Clínicos com datas de notificação, diagnóstico e início do tratamento; altura e peso iniciais; padrão de resistência; registro de tratamentos prévios para TB; classificação da resistência quanto a primária ou adquirida; outras condições de saúde, exceto a TB, e medicamentos utilizados para seu tratamento; ocorrência de condições especiais, como gestação e amamentação, por exemplo;
Tabela para registro do agendamento de consultas no CR;
2. Apresentação: descrição da caderneta e esquema de organização deste documento;
3. Informações para os doentes e familiares:
Definição da condição de saúde;
Aspectos relacionados ao tratamento: necessidade de uso de medicação injetável, tempo de tratamento, possível ocorrência de efeitos colaterais;
Necessidade de avaliação dos contatos e medidas de biossegurança a serem utilizadas;
Reforço da necessidade de portar a Caderneta em todos os serviços no qual se insere;
4. Seção de uso dos profissionais de saúde:
Informações sobre o doente que está adentrando a APS: nome do doente, CR em que realiza o tratamento, data de início e previsão do término do tratamento com programação de drogas a serem administradas (via e quantidade de meses);
Descrição do TDO, papel da APS em sua efetivação e da importância acrescida devido a se tratar de um caso de resistência, bem como dicas para melhor condução da terapia;
Descrição dos exames a serem realizados para o acompanhamento do tratamento, necessidade de exame dos contatos, medidas de controle da infecção na comunidade;
Critérios de cura e acompanhamento pós-cura;
Folha de registro de resultados de exames: baciloscopia, TRM, outros exames laboratoriais, radiografia de tórax, acompanhamento mensal de baciloscopia e cultura;
Folha de registro de peso mensal;
Controle do TDO: folha específica para o controle mensal, dividida em dias da semana para anotação do nome do profissional que realizou e carimbo; medicamentos em uso naquele mês;
Espaço para troca de informações entre os pontos de atenção: CR e APS, com definição na lateral de qual espaço era destinado o preenchimento.
Assim, ao final desta etapa, foi encaminhado aos especialistas pertencentes aos CR, o material a ser validado: uma Caderneta de 76 páginas que acompanharia o doente por todo seu período de tratamento, em todos os pontos de atenção envolvidos em seu cuidado (Apêndice C).