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1. ACERINOX, S.A

1.2 Environment

Para a pastora Ruth L. W. Musskopf, Paulo é libertador das mulheres e ao mesmo tempo não.

Ele é libertador e ao mesmo tempo não. Ao mesmo tempo que ele diz que não pode haver nem grego, nem judeu, nem homem, nem mulher, colocando os sexos em igualdade, por outro lado ele diz que as mulheres têm que ficar quietas na igreja. Ele mesmo se contradiz. E eu acho que ele é de uma época que tinha problemas para ser resolvidos (...) Ele escreveu tanta coisa boa e libertadora que essas passagens que dizem que o homem é o cabeça e essa que a mulher tem que ficar quieta eu o desculpo.251

Para esta pastora, ao analisar os escritos do apóstolo Paulo e perceber que ele fala muito mais em favor das mulheres do que contra, ele torna-se libertador, apesar das contradições.

A pastora Marion Freitag afirma que Paulo teve suas razões para escrever o que escreveu sobre as mulheres. Ao citar uma experiência vivida por ela, afirma que as mulheres, em determinados momentos, precisam ser advertidas, pois elas “falam muito”. É necessário que elas se calem em alguns momentos.

249 BÍBLIA. traduzida de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica Tridentina do Brasil. 1995.

1363 p.

250 Idem.

251 Ruth L. W. Musskopf. Entrevista realizada por Josilene da Silva, em 21 de junho de 2003, as 14:00, na

Por exemplo, há mulheres na OASE que temos que mandar ficar quieta, porque acham que somente elas sabem. Acho que esta é a situação de Paulo quando escreveu para Corinto. Ele tinha companheiras muito legais com ele. Então são situações. Eu também tenho situações, que como mulher não vou aparecer. Tive uma vez uma discussão com um estudante de teologia quando eu já estava no pastorado. Ele veio fazer uma entrevista comigo para ver como eu estava no pastorado, e as mulheres no meu lado “crocheteando”. Isso foi na faculdade de Teologia e numa reunião. Primeiro lugar, foi um desrespeito para com os homens. Acho que tem hora para tudo. Fazer crochetear na hora da reunião? Eu acho que esta é a situação do apóstolo Paulo. Era uma reunião, não era hora de ficar “crocheteando”.252

Um segundo aspecto a ser analisado é quando a mesma salienta a existência de momentos em que as mulheres “devem” e “podem” aparecer, enquanto que em outros não “podem” e não “devem” aparecer. Entende-se o termo “crochetear” como fazer fofocas.

Para a pastora Suzani, o apóstolo Paulo, em alguns momentos, é contraditório. Se por um lado fala de mulheres que o acompanharam em sua jornada missionária, por outro lado exorta as mulheres em inúmeras passagens para que fiquem quietas dentro da igreja. Mas, na sua concepção, ele dá abertura para as mulheres e, de certa maneira, torna-se libertador.

As próprias cartas não são interpretadas como deveriam. Eu, em primeiro lugar, coloco os Evangelhos. Nos Evangelhos Cristo ensina. Eles devem ter prioridade. Eles estão acima de qualquer carta. As cartas de Paulo, quando ele fala das mulheres, foram escritas num momento, naquela situação. As mulheres são muito curiosas. Os homens são mais da linha tradicional. Então eu acho que as próprias mulheres queriam mais do que os homens poderiam dar. Como elas não poderiam estudar, acabavam exigindo mais dos homens e, por isso, toda essa questão de Paulo. Mas nós vemos que Paulo é muito contraditório, porque se um momento disse que a mulher deveria falar, por outro lado, exorta as mulheres a não falarem. Ele esteve preso com uma mulher, Júnia, que é colocado como homem, mas que, na verdade, é uma mulher. Então, ele também dá abertura e mostra que as mulheres trabalhavam. 253

Ao falar sobre Paulo, Suzani reporta-se ao texto da criação de Adão e Eva, e ao pecado da mulher. O problema, segundo ela, está na maneira como os homens, por muito tempo, interpretaram este texto encontrado em Gênesis. Diante disso, as pessoas não entendem

252 Marion Freitag. Entrevista realizada por Josilene da Silva, em 28 de abril de 2003, na cidade de Blumenau. 253 Suzani Elisabeth Wander Hepp. Entrevista realizada por Josilene da Silva, em 28 de abril de 2003, na

direito sobre o pecado da mulher por não conhecerem o hebraico, língua originária na qual foi escrita a Bíblia. O texto bíblico de Gênesis, ao falar sobre o pecado da mulher, na verdade não está tratando de homem e mulher, mas de carne e espírito. Segundo sua interpretação, o homem (Adão) é encarado como carne, enquanto a mulher (Eva) é vista como espírito, vida. Na verdade, quem caiu em pecado foi o espírito e conseqüentemente, a carne também caiu, pois a mesma, seguindo as escrituras, é fraca. Nesse sentido, quem caiu foi o espírito, o qual é uma parte complementar do homem. Ou seja, na concepção da Pastora Suzani, homem e mulher se complementam. O homem (Adão) é a carne e a mulher (Eva) é o espírito.

A questão realmente é a interpretação que os homens fazem desses textos. É dada mais ênfase no segundo relato da criação, onde Deus tirou a mulher da costela do homem, do que onde Deus criou o homem e mulher. Esse relato que Deus tirou a mulher da costela de Adão é um relato bem posterior. As pessoas não entendem sobre o pecado da mulher se não estudarem o hebraico. Eu digo que ali os próprios homens estão colocando a mulher acima deles, porque, na Bíblia, Adão é ser humano. Eva não é nome de mulher, é a vida. É a inteligência, a sabedoria dentro de você. O próprio Paulo diz que a carne é fraca, mas o espírito é forte. Então, Adão foi tentado pelo espírito do homem, e não a carne. Por isso que não foi Adão quem pecou, mas Eva, o espírito. Se o espírito cai, automaticamente a carne também cai. Isso, no hebraico faz sentido, mas na nossa tradição não, porque é colocado como homem e mulher.254,

Ainda para a pastora, os escritos de Paulo não têm sido interpretados como deveriam. Segundo ela, os livros que deveriam ter prioridade para pensar as mulheres são os textos de Mateus, Marcos e Lucas, que são os chamados livros do evangelho. Esses livros falam sobre a vida de Jesus e em especial, sobre seus ensinamentos. São os únicos livros onde Jesus fala, manifesta-se, ensinando através das parábolas. São os livros onde os feitos de Jesus são narrados.

Para a pastora Mariane, o apóstolo Paulo teve uma evolução dentro de seu pensar teológico. Se ele no início do seu ministério foi muito machista com as mulheres, no final de sua jornada tornou-se menos machista e, de alguma maneira, libertador das mulheres. Salienta ainda que é importante lembrar que Paulo estava preso a um tempo histórico e isso deve ser levado em consideração. No início de seu ministério, Este apóstolo chegou a escrever, por exemplo, que as mulheres ficassem caladas na Igreja. Mas, no final de seus escritos, afirmou que “já não há mais judeu, nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem e nem mulher”.

254Idem.

A pessoa é ordenada para um ministério, em ser nova criatura. A pergunta não é mais se é um homem ou mulher. A pessoa está ali para o Evangelho. Por isso, eu respeito a opinião do apóstolo Paulo, pois sabemos que ele estava dentro de um pensamento e dentro de seu tempo. No entanto, suas manifestações foram totalmente de uma nova visão, de um novo horizonte. Dentro deste pensar também que a igreja admitiu mulheres. Ela não ficou presa ao tempo do apóstolo Paulo.255

Por sua vez, a pastora Adriane B. Dalferth Sossmeier, analisando os escritos de Paulo, entende ser possível percebê-lo como libertador das mulheres. Na verdade, ele não poderia escrever diferente do que escreveu na sua época, porque tinha impregnado em si o valor de verdade daquele tempo e, mesmo que estivesse liberto da ideologia preconceituosa da época, não poderia escrever de uma maneira mais libertadora, pois poderia levá-lo a morte. Ela salienta também que a palavra submissão não está traduzida como deveria.

Eu não sou fundamentalista. Este é um primeiro passo. Se você vê a questão de Paulo como um todo, você consegue enxergá-lo como libertador. As pessoas precisam responder o que elas entendem por submissão. A palavra

submissão não está traduzida direito. Ela não é bem submissão. A palavra submissão é nós estarmos abertos para o outro. (Negrito

nosso)256

Esta pastora mencionou também que, para tornar Paulo libertador, é necessário pensar a mulher a partir dos Evangelhos e não somente a partir dos seus textos.257

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