Purpose of this section
2. Mamook Kloshe (Prepare)
Para o grupo que Transferiu a soma das médias para as afirmações 7, 8 e 9 e sua comparação de resultados entre Homens e Mulheres permite afirmar que para este fator do Componente Instrumental não foram identificadas diferenças significativas. A média para Homens foi de 11,49 enquanto para as Mulheres foi de 12, 057, como consta na Tabela 07.
Tabela 08 – Componente Instrumental Fator 2 para Homens e Mulheres grupo que Transferiu
Em relação ao grupo formado pelas afirmações 10, 11 e 12, identificado em negrito na Tabela 08, em seu conjunto formam o Fator 1. Estatisticamente não foram identificadas diferenças significativas, porém, observa-se que as médias são menores, ou seja, os respondentes atribuíram menos concordância com o conteúdo dessas afirmações. Estas afirmações mencionam o “trabalhar em outro lugar”, enquanto as afirmações7 e 8 não faziam referência às possibilidades de trabalho em outras organizações. Quando da análise fatorial foi possível verificar que a afirmação 9 fica em uma posição intermediária entre os dois fatores.
Tabela 09 - Componente Instrumental Fator 1 para Homens e Mulheres grupo que Transferiu
Para o grupo que Não Transferiu também foram comparadas as médias das respostas dadas para as afirmações 7, 8 e 9 de Homens e de Mulheres e não foram identificadas diferenças significativas. A média para as Mulheres foi de 12,500 e para os Homens foi 10,316. Sendo uma universidade, a organização na qual este estudo foi conduzido e, sendo o trabalho docente o mesmo para ambos gêneros, pode-se supor que isto possa em parte explicar o porquê da semelhança das respostas. Nota-se, no entanto, que no grupo que Não Transferiu a média das mulheres para o componente instrumental é ligeiramente maior que a dos homens em ambos os fatores como pode ser observado na Tabela 09 e Tabela 10. Comparado ao grupo que Transferiu, as mulheres mostraram-se com respostas de concordância maior para o Fator 2 do componente instrumental.
Tabela 10 – Componente Instrumental Fator 2 de Homens e Mulheres grupo que Não Transferiu
Observa-se que P = 0,103. Se fosse menor ou igual a 0,100 seria possível reduzir a confiabilidade para 90%, o que é aceitável em ciências humanas e sociais porém, 89,7% já estaria abaixo do mínimo aceitável e, neste caso, optou-se por manter o entendimento de que não foram encontradas diferenças significativas quanto ao componente instrumental de Homens e Mulheres do grupo que Não Transferiu.
Em relação ao Fator 1, formado pelas afirmações 10, 11 e 12, do mesmo modo que no Fator 2, não foram identificadas diferenças significativas. A média feminina foi de 8,389, enquanto que a média masculina foi de 6,421.
Tabela 11 – Componente Instrumental Fator 1 Homens e Mulheres grupo que Não Transferiu
O Gráfico 21 apresenta a comparação para as afirmações relativas ao Componente Instrumental de ambos os grupos e sexo.
Grafico 21 – Componente Instrumental Fator 2 ambos grupos e Sexo Componente Instrumental F2: Transferiram x Não Transferiram e Sexo
F(1, 145)=,27148, p=,60313 Intervalo de Confiança de 0,95 NT T Sexo 9,5 10,0 10,5 11,0 11,5 12,0 12,5 13,0 Q 7 +Q 8 +Q 9
Como pode-se observar, não são encontradas diferenças quando comparados os resultados para o Componente Instrumental dos grupos que Transferiram e Não Transferiram, mesmo considerando as diferenças de respostas dadas por homens e mulheres.
O Gráfico 22 apresenta a comparação entre homens e mulheres e suas respostas para o Componente Instrumental Fator 2.
Gráfico 22 - Componente Instrumental Fator 2 e Sexo de ambos os grupos
Componente Instrumental F2: Transferiram x Nao Transferiram e Sexo F(1, 145)=2,1742, p=,14251 Intervalo de Confiança de 0,95 F M Sexo 9,5 10,0 10,5 11,0 11,5 12,0 12,5 13,0 13,5 Q 7 +Q 8 + Q 9
Pode-se observar que não há diferenças estatisticamente significativas, sendo que, quando o Fator 2 é analisado com os dois grupos em conjunto, as mulheres apresentam o Componente Instrumental maior.
A seguir, no Gráfico 23, estão apresentados os resultados obtidos para o Fator 1 formado pelo conjunto de afirmações do Componente Instrumental considerando-se o sexo dos respondentes.
Gráfico 23 – Componente Instrumental Fator 1 de ambos os grupos e Sexo Componente Instrumental F1: Transferiram x Não Transferiram e Sexo
F(1, 145)=,00280, p=,95784 Intervalo de Confiança de 0,95 NT T Sexo 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 Q 1 0 + Q 1 1 + Q 1 2
Gráfico 24 – Componente InstrumentalFator 1 para Homens e Mulheres de ambos grupos
Componente Instrumental F1 e Sexo F(1, 145)=,02504, p=,87450 Vertical bars denote 0,95 confidence intervals
F M Sexo 6,0 6,2 6,4 6,6 6,8 7,0 7,2 7,4 7,6 7,8 8,0 8,2 8,4 8,6 Q 1 0 + Q 1 1 +Q 1 2
Como se pode observar, não há diferenças significativas entre homens e mulheres; pode ser interessante destacar, porém, que nas afirmações 7, 8 e 9, relativas ao Componente Instrumental, as mulheres apresentavam respostas com média mais elevada, ao passo que para as afirmações 10, 11 e 12 os homens apresentam médias ligeiramente maiores. Parece que elas concordam mais com as afirmações quanto a “... ficar na organização é na realidade uma necessidade tanto quanto um desejo”; que mesmo que quisesse “... seria muito difícil deixar minha organização agora” e caso houvesse a decisão de deixar a organização agora “... minha vida ficaria bastante desestruturada”. Os homens concordam mais com afirmações que remetem à falta de alternativas como “... acho que teria poucas alternativas se deixasse essa organização” e “uma das poucas consequências negativas de deixar esta organização seria a escassez de alternativas imediatas”. Diferenças também são encontradas nos estudos de Correia, Gomes e Moreira (2010) e Cantarelli (2012).
Correia, Gomes e Moreira (2010), em seu estudo com professores do ensino básico, não encontram diferenças significativas quando comparam homens e mulheres. O mesmo ocorre ao analisarem a experiência de estresse, burnout, comprometimento organizacional e satisfação/realização com o trabalho desses profissionais.
Porém, estes resultados diferem, por exemplo, dos estudos de Mesquita (2010), para quem o objetivo foi avaliar o grau de comprometimento, nas bases afetiva e instrumental, de dois grupos distintos de médicos: anestesiologistas e peritos médicos previdenciários. O grupo dos anestesiologistas se caracteriza por ser predominantemente masculino e mais jovem, enquanto o grupo dos peritos em sua maioria era composto por mulheres e com idade mais elevada. Este autor não encontra diferenças, nos focos ou bases do comprometimento, que pudessem ser explicadas pelas características pessoais e profissionais. Identificou relação positiva entre comprometimento dos anestesiologistas com a organização e com a carreira e, quanto aos peritos, relação negativa entre o comprometimento e esses dois focos.
Os níveis de comprometimento dos anestesiologistas foram significativamente mais elevados do que os peritos. Os primeiros apresentam sua base afetiva do comprometimento com resultados positivos e moderadamente positivos na base instrumental, enquanto os peritos apresentam em sua base afetiva e resultados moderadamente negativos e moderadamente positivos na base instrumental. Foram encontradas diferenças entre os sexos: as mulheres mostram-se com
predomínio da base instrumental; igualmente têm mais idade e poderiam ser esperados resultados maiores de comprometimento, mas, neste caso, foram encontrados níveis menores de comprometimento.
Do mesmo modo Cantarelli (2012), para o fator escassez de alternativas, identifica diferença entre as médias dos homens e mulheres. De acordo com seus resultados, homens e mulheres percebem de forma diferente este fator: eles mostraram-se menos positivos, pois sua média foi menor que a média das mulheres.