Chapitre III : Rôle du microenvironnement inflammatoire dans le développement de la
B- L'inflammasome dans les maladies du foie
1- Maladies alcooliques du foie
É difícil definir exatamente onde começou o processo de revitalização dos bairros históricos na baixa de Lisboa. Isto porque é um processo lento que, como já vimos anteriormente, depende de imensos sectores diferentes e até de sobreposição de políticas. Porém, vários autores têm diferentes opiniões sobre os acontecimentos, motivos e datas que resultaram na restauração das zonas históricas da cidade.
Proença (2015, p.32) explica o problema que os centros citadinos sofreram com o processo de globalização no final do séc. XX. Isto porque aqui começou a transferência das indústrias para a periferia das cidades, até na Ásia, resultando no abandono de espaços urbanos que perderem a sua utilidade na nova economia global.
Assim, os antigos centros perdem a posição de destaque que tinham, ficando resumidos a áreas residenciais degradadas. As cidades concentram-se nas novas construções, espaços inteiramente novos e modernos, para mostrarem ao mundo o seu novo ideal de “cidade-progresso” (Proença, 2015, p.33). No caso português, é possível que seja esta a história por detrás do declínio da Baixa Lisboa e, consequentemente, o crescimento de toda a área do Parque das Nações (Craveiro, 2004, p. 225).
Ferreira (2005), Costa (2005, p.281) e Caldeira (2014, p.22), por sua vez, explicam que em Portugal, o interesse e a valorização pelo património cultural renasceu com o fim da ditadura Salazarista. No final da década de 70, com um novo regime democrático, foi possível reconhecer o valor de variados tipos de cultura e a sua importância na criação da imagem da cidade.
Contudo, a autora confirma que o crescimento desta promoção cultural foi muito lento em relação ao de outros países desenvolvidos, significando assim que apenas a partir da década de 90 é que se começa a falar de regeneração de centros históricos (Ferreira, 2005, p. 32).
Craveiro (2004) afirma que já em 1998 estavam em marcha diversos projetos culturais de reabilitação das zonas históricas, sendo alguns eles o Teatro Taborda na Mouraria e a Casa de Fado em Alfama. Não só isso, mas a autora garante também que esta intervenção não era apenas um simples caso de reabilitação urbana, mas também uma tentativa de resolução de problemas específicos dos bairros históricos (Craveiro, 2004, p.231).
Apesar deste modelo de remodelação de Lisboa se focar inteiramente no desenvolvimento sustentável da cidade, a autora aponta ainda para situações que acredita não terem uma fácil resolução, como é o caso da acessibilidade dos bairros históricos devido aos complexos problemas de tráfego na cidade, como uma rede insuficiente de transportes públicos (Craveiro, 2004, p. 236).
Apesar dos escassos estudos em Portugal em relação aos centros históricos enquanto produtores culturais, os poucos que existem de facto comprovam que o Chiado e o Bairro Alto são exemplos vivos disso (Ferreira, 2005, p.31). A autora também oferece uma definição para bairro cultural que nos permite confirmar a afirmação anterior, ainda com mais certeza:
“Trata-se de um novo espaço cultural, vanguarda de uma produção inovadora que transforma os centros históricos em laboratórios da produção cultural do futuro, que deve ser usufruído por todos os seus cidadãos, independentemente de serem residentes ou turistas. (…) Esses bairros culturais e de entretenimento podem ser definidos como a área geográfica que contém a maior concentração de equipamentos culturais e de entretenimento da cidade ou da vila, constituídos por teatros, cinemas, estúdios, galerias de arte, salas de concertos, livrarias, cafés, restaurantes.” (Ferreira, 2005, p.28 e p.33).
É por possuírem muitas destas características que Matos (2015, p.62) afirma a importância destes bairros no turismo local. Para além do interesse que possui ao nível de turismo cultural, a vasta oferta de comércio e restauração no mesmo espaço tornam tudo isto altamente apelativo, transformando-se assim num fator de competitividade para Lisboa (Caldeira, 2014, p.246).
Outros autores nunca chegam a mostrar dúvidas de que os bairros históricos são de facto marcos culturais das cidades, tomando esse facto quase como garantido desde o princípio. Menezes (2012, p.19) fala de como a imagem da cidade de Lisboa é afetada especificamente por este conjunto de bairros, que são referências histórico-culturais únicas. Já numa outra situação, o autor afirmou que a intervenção urbana é necessária e o mínimo que se pode fazer pelo património (Menezes, 2011, p. 89). Sá (2015, p.1) afirma que foi esta revitalização urbana que deu origem ao revivalismo do Fado.
Ao nível geográfico estes bairros parecem ter uma certa plasticidade em termos de contornos (Proença, 2015, p.25). Esta autora aponta ainda para o facto de que por vezes os mesmos bairros podem ser interpretados de maneiras diferentes pela mesma fonte, devido à variedade de possíveis leituras que se podem fazer do espaço. Estas podem ser de carácter social, político, cultural, etc. (Proença, 2015, p.23).
Por enquanto e para melhor compreensão da área discutida nesta fase de revisão de literatura, seguimos a mais recente classificação realizada pela própria Câmara Municipal de Lisboa da zona histórica:
Os bairros sujeitos a análise nesta tese encontram-se todos presentes nas áreas assinaladas a cinzento no mapa. O conhecido Bairro Alto ocupa um espaço de destaque aqui e não resta dúvidas em relação à sua localização. Nesta segunda área do mapa temos ainda a zona Bica a sul, e a zona do Príncipe Real no extremo norte.
Outro bairro importante nesta análise, Alfama, fica no limite sudeste da área da Baixa. Ainda aqui, onde se encontra o Castelo de São Jorge e como o nome indica, temos o bairro do Castelo. Logo acima a nordeste fica o famoso bairro da Mouraria, que também será mencionado mais extensivamente em capítulos futuros.
A primeira e a quarta área do mapa também são marcados de bairros cheios de história, a primeira contendo a Lapa, a Estrela e Campo de Ourique e, a última, contendo a Graça e São Vicente.
Devido a estes contornos pouco definidos que estão dependentes de uma série de fatores, é possível que alguns autores façam uma interpretação diferente destes espaços. Uma vez que esta tese procura enfrentar uma problemática que é geral a todos os bairros históricos de Lisboa, todos eles serão abordados de maneira igual.