3. La déficience
3.2 La maladie dégénérative et le PPH
As perguntas do público constituíram o segundo bloco do debate, para o qual foram destinados quinze minutos. O público teve direito de fazer dez perguntas no máximo, cada uma tendo de ser feita em trinta segundos e suas respectivas respostas em dois minutos. Caso alguém do público não ficasse satisfeito com a resposta, poderia fazer uso do direito à réplica em um minuto. Os candidatos, nesse caso, teriam também um minuto para formularem a tréplica. Esse bloco serviu para que alguns alunos pudessem fazer perguntas que não foram dirigidas aos candidatos no primeiro bloco.
A Figura 9 registra o momento em que uma aluna, no momento em que a palavra foi passada para o público, fez um questionamento acerca das medidas que estavam sendo realizadas pela atual gestão voltadas para a melhoria da segurança no
campus e, somado isso, que outras ações a chapa estava planejando efetivar com vistas a
manter essa segurança. Isso ilustra a possibilidade que o debate dá aos alunos para que eles se posicionem diante dos candidatos a respeito de questões problemáticas que têm influência não apenas na vida de toda a comunidade acadêmica. Diante do que foi indagado, a candidata a reitora discorreu a respeito de duas medidas tomadas, a saber, a reestruturação da equipe de segurança do campus e o reforço do aparato tecnológico de que essa equipe faz uso.
Figura 9 – Pergunta do público
Fonte: Acervo da pesquisa (2015)
A seguir, façamos uma leitura mais atenta de outra pergunta elaborada por um aluno que fazia parte do público no momento do debate.
(5) “Bom dia a todos. Bom dia aos professores candidatos. Meu nome é R..., sou aluno daqui do curso de Bacharelado em Ciências e Tecnologia, segundo semestre. Eu primeiro gostaria de parabenizar a senhora pela gestão, que eu acompanho desde o ensino médio e das lutas lá de Santa Cruz para a revitalização da Universidade da minha cidade. Mas, aqui, desde que eu entrei na ECT, a gente vê que existe uma tentativa muito boa e a intenção é muito boa de se fazer uma gestão democrática, né, aqui na Universidade? Só que o grande problema é que, na maioria das vezes, a gente não tem conselhos que realmente representem todos os seguimentos da Universidade. E hoje a gente tem, na verdade, né, conselhos que ficam à mercê muitas vezes somente da opinião de um dos grupos, né, da nossa Universidade que deveria ser tripartida entre os estudantes, os técnicos, os professores. Só que muitas vezes a gente vê que os conselhos não representam esses segmentos da Universidade, muitas vezes tomando medidas antidemocráticas como nós tivemos aqui na nossa Escola de Ciências e Tecnologia. Inclusive, eu até já entrei com uma representação lá na Ouvidoria por causa disso. Mas por causa do entendimento que o Conselho é soberano, nada foi feito. Enfim, qual é a opinião de vocês sobre isso, sobre a representatividade dos conselhos e se é uma coisa que deve ser assim, na opinião dos senhores, ou que deve ser alterado. Obrigado.”
O autor da pergunta de número 5 a inicia parabenizando a candidata a reitora pela gestão por ela desenvolvida naquele momento. Em seguida, a pergunta muda de perspectiva: de um comentário em que o desempenho da atual reitora demostrava merecer reconhecimento, congratulação, para um cenário do qual um ponto específico precisava ser debatido, a saber, a “representatividade” de “segmentos da Universidade” por parte de “conselhos” da UFRN.
Assumindo a voz de uma coletividade (alunos do BCT), o que é sinalizado pelo uso da expressão “a gente” (mais comum em situações informais de interação, e que, por esse motivo, é inadequado para o debate que estava sendo realizado, um evento de letramento de caráter formal), o autor se refere ao ato de “fazer uma gestão democrática” na Universidade como uma “tentativa muito boa” e uma “intenção” também “muito boa”.
Se fazer esse tipo de gestão é visto como “tentativa” e “intenção”, é possível, desse modo, compreender que tal maneira de gerir uma instituição não está se efetivando como o esperado, de acordo com a perspectiva do autor da pergunta. Este aponta como causa da situação abordada a inexistência de “conselhos que realmente
representam todos os segmentos da Universidade”, o que o autor considera como “o grande problema” para a implantação da gestão democrática.
Em vez de haver conselhos que representem os estudantes, os técnicos, os professores, o que “a gente tem, na verdade”, para o autor, é “conselhos que ficam à mercê muitas vezes somente da opinião de um dos grupos”. Apesar de afirmar a existência de uma espécie de centralização da voz de um dos conselhos, o autor não explicita a qual conselho se refere especificamente, talvez por considerar inconveniente fazer tal exposição, preservando, então, a identidade do grupo apontado. O modo velado de mencionar esse grupo não impediu o autor de imputar-lhe a tomada de “medidas antidemocráticas”, as quais figuram como contraditórias em uma universidade que se diz democrática.
Essas “medidas” são outra informação que o autor não esclarece, não explicita de que medidas ele está tratando e, mesmo que elas tenham o influenciado a recorrer à “Ouvidoria” da Universidade, possivelmente para fazer uma reclamação, a lacuna indicada não favorece a compreensão de uma evidência apresentada para sustentar a opinião de que alguns conselhos da UFRN não representam todos os segmentos da Universidade. Isso torna possível que algumas medidas desses conselhos sejam avaliadas (conforme a própria visão do autor, por exemplo) como “antidemocráticas”.
Embora tenha recorrido à Ouvidoria, o autor afirma que “nada foi feito” devido ao “entendimento [de] que o Conselho é soberano”. A fonte (pessoa ou grupo de pessoas) desse “entendimento” não é sinalizado na pergunta, mas é possível ter sua origem nos conselhos apontados pelo autor ou na Ouvidoria. Deixando em aberto esse outro trecho da pergunta, o autor instaura uma polêmica “sobre a representatividade dos conselhos” e solicita que os candidatos da Chapa 2 assumam um posicionamento frente à questão. Vejamos a resposta dada à questão elaborada pelo aluno.
Candidata: “Obrigada, R... Sua pergunta é excelente, tá? A gente tem que ter o exercício sempre presente da crítica para fazer as propostas de melhoria. Em relação::: você é de Santa Cruz, então? Você sabe o quanto foi transformado aquele município depois de UFRN e IFRN. Foi a presença do ensino público federal no interior do Estado que é uma diretriz da nossa gestão e dos nossos desafios do futuro. eh::: a gestão democrática, ela:: isso tá no nosso PDI, no nosso plano de gestão, ela é participativa, democrática e numa forma específica é definida nos nossos estatutos e regimentos. Então, nosso estatuto e regimento eles são da década de 90, tiverem algumas reformulações, alguma emendas. A Universidade está maior e muito mais complexa e:: é um compromisso nosso iniciarmos uma discussão sobre a reformulação do estatuto e de regimento. Isso é necessário, por mais que estivéssemos satisfeitos com a organização dos conselhos, mas há outros aspectos eh:: que precisam ser revisados, por exemplo, aqui eu cito [...] uma escola [ECT] que tem um curso que tem 1.120 alunos entrando por ano não pode ter um coordenador
só. O curso que tem 40 alunos/ano também tem um coordenador só. Então, essa é uma discrepância na Universidade que nós precisamos corrigir, e por que que eu não faço? Por que que eu não coloco, eu peço o nome, que vocês escolham um outro coordenador, pra a gente fechar aqui? Por problemas no estatuto e regimento. Então, vamos revisar sim. A participação se dá de/ eu diria que a democracia acontece, a participação acontece, mas ainda precisa de ter, precisamos ter uma reestruturação dessa participação pela modificação das estruturas que a Universidade teve. A própria Escola [ECT] está em discussão sobre o seu, a sua estruturação. As unidades acadêmicas, como a Escola, estão todas trabalhando com a Pró-reitoria de Planejamento pra uma reestruturação inclusive da forma de organização dos seus conselhos. Esse é o nosso compromisso, não é? Para a próxima gestão, a gente ter as unidades acadêmicas com uma visão e uma participação mais plena. Obrigada.”
Em resposta à pergunta de número 5, a candidata tratou da gestão democrática, conforme é definida nos “estatutos e regimentos” da Universidade. Esses documentos, segundo a candidata, foram escritos na década de 1990. Mesmo tendo passado por “algumas reformulações, algumas emendas”, eles apresentam “problemas” limitadores das possibilidades de ação que podem vir a ser necessárias, tanto por parte da reitora quanto dos alunos.
Isso posto, a candidata constrói um exemplo, ao comparar e confrontar dados referentes ao BCT e a outro curso qualquer da Universidade. Naquele ano, apesar de o BCT somar uma média de “1.120 alunos entrando por ano”, o curso tinha “um coordenador só”. Outros cursos da UFRN também têm “um coordenador só”, mas a entrada de alunos por ano totaliza apenas 40 discentes.
Por meio dessas considerações, a candidata demonstra não ser a favor dessa diferença de número ou, de acordo com a resposta dada, dessa “discrepância”. Ao assumir posição contrária a uma realidade encontrada na UFRN, a candidata se refere aos “estatutos e regimentos” como favorecedores dessa situação. Ela responsabiliza tais documentos pela manutenção, por exemplo, de uma possível dinâmica antidemocrática na gestão da Universidade. Isso significa que, se há medidas antidemocráticas, há devido a direcionamentos legitimados por dispositivos legais que regulam as ações das pessoas dentro da própria instituição.
A candidata, entretanto, não deixa de defender que “a democracia acontece, a participação acontece”. Mediante essa afirmação, ela refuta o ponto de vista do autor
da pergunta 5, ou seja, de que a gestão democrática, na UFRN, consiste em uma “tentativa” (palavra usada pelo autor) de se fazer esse tipo de gestão. O impedimento, portanto, para “uma participação mais plena” encontra-se na estrutura imposta pelos documentos legais da Universidade. Na visão da candidata, a estratégia para desfazer esse entrave é “revisar” os estatutos e regimentos.
Após esse jogo de perguntas e respostas, de defesa e refutação de pontos de vista, a mediadora do debate, uma das professoras de PLE-II, fez uma reflexão antes do último bloco, tratando da ação de votar conscientemente, como se verifica na Figura 10. A fala da mediadora serviu para lembrar aos alunos a necessidade de participação, por parte deles, em eventos como um debate regrado no período de eleições, a fim de que o eleitor possa conhecer as propostas e as possíveis ações já realizadas pelos candidatos que estão no pleito.
Figura 10 – Reflexão da mediadora sobre o voto consciente
Fonte: Acervo da pesquisa (2015)