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Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las.
Sêneca
A educação está diante de um cenário onde questionamentos emergem em relação ao real papel da escola na atualidade. A escola tem como missão preparar o indivíduo para uma vida social, política, ética, tornando-o produtivo capaz de contribuir de forma significativa para a sociedade na qual está inserido.
É preciso que a escola se integre mais ao mundo tecnológico no qual estamos inseridos, de forma que a educação não se torne obsoleta em relação à formação desse sujeito, pertencente ao ambiente educacional.
É relevante analisarmos a temática da inserção da Tecnologia na educação, tendo em vista a formação dos futuros profissionais capazes de lidarem com diferentes situações, tendo sempre que estar aprendendo.
Esta etapa da pesquisa aborda a Tecnologia no contexto educacional. Para uma compreensão mais aprofundada, dividimos a mesma em três etapas.
A primeira etapa desvela o papel das tecnologias no contexto educacional, propriamente dito. Tem ênfase na perspectiva da Informática Educacional como ferramenta no processo ensino aprendizado. Aportamos em autores como Kenski (2012); Bahia (2012); Fernandes (2004); Oliveira (2012); Valente (1998); Tajra (2003), para elucidar a temática.
A segunda etapa explana a temática da EaD (Educação a Distância), que hoje está em ascensão no contexto educacional. O objetivo é clarificar a importância da EaD no processo de formação docente. Para tal temos os autores Bahia (2012); Silva (2010); Sathler, Josgriberg e Azevedo (2008); Kenski (2003); Litwin (2003); Silva, Pesce e Zuin (2010), como base na discussão proposta.
Diante do desafio das tecnologias na educação, a última etapa, da pesquisa, destaca a importância das Competências e Habilidades na área das
Tecnologias Educacionais, apresentando algumas questões relacionadas à formação continuada do professor. Nesta etapa temos como âncoras Alarcão (2010); Masetto (2003); Imbernóm (2002); Bettega (2010); Nóvoa (1992); Kenski (2013); Moran (2006).
A discussão procura esclarecer o papel das tecnologias na educação, para que não sejam vistas como um modismo do século atual, mas como uma ferramenta de transformações no ambiente escolar, bem como nos sujeitos que compõem este espaço privilegiado.
2.1 – TECNOLOGIAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Indubitavelmente as TIC’s revolucionaram o ambiente educacional, principalmente as formas de circulação de textos verbais e não verbais. Observamos uma inovação de termos, conceitos e ações que exigem do professor uma reflexão da sua prática educacional, de forma a potencializar a construção do conhecimento, bem como dos saberes significativos para uma ação efetiva do discente, tornando o ensino eficaz, vinculado às atividades do cotidiano educacional.
Na perspectiva teórica defendida por Kenski (2012),
Assim como na guerra, a tecnologia também é essencial para a educação. Ou melhor, educação e tecnologias são indissociáveis. [...] Para que ocorra essa integração, é preciso que conhecimentos, valores, hábitos, atitudes e comportamento do grupo sejam ensinados e aprendidos, ou seja, que se utilize a educação para ensinar sobre as tecnologias que estão na base da identidade e da ação do grupo e que se faça uso delas para ensinar as bases dessa educação. (p.43)
Ao considerar tal perspectiva, Kenski (2012) concebe a possibilidade de um olhar diferenciado, num novo ângulo, o da “socialização da inovação”. Para que seja incorporada, faz-se necessário que ocorra o processo de divulgação, ou seja, a “nova descoberta” precisa ser ensinada e informada a todos que estão inseridos no ambiente educacional.
É necessário proporcionar os mais diferentes meios para que este conhecimento seja apreendido. “É preciso buscar informações, realizar cursos, pedir
ajuda aos mais experientes, enfim, utilizar os mais diferentes meios de aprender a se relacionar com a inovação e ir além” (p. 44); reinventando novas formas de uso, de forma a gerar outras utilizações. Quando assimilada, as tecnologias tornam-se parte integrante da prática docente, podendo será aproveitadas dentro das possibilidades e necessidades do cotidiano educacional do docente.
Kenski (2012) ressalta que
[...] a maioria das tecnologias é utilizada como auxiliar no processo educativo. Não são nem o objeto, nem a sua substância, nem a sua finalidade. Elas estão presentes em todos os momentos do processo pedagógico, desde o planejamento das disciplinas, a elaboração da proposta curricular até a certificação dos alunos que concluíram um curso. A presença de uma tecnologia pode induzir profundas mudanças na maneira de organizar o ensino. (p. 44)
A relevância auferida à tecnologia evidencia-se no interior da obra de Kenski (2012) que ressalta a necessidade de escolher com cautela a maneira pela qual será usada no contexto educacional, visto que a sua presença proporciona mudanças profundas no processo educativo, bem como, na comunicação entre os agentes.
De acordo com os PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais - 1998).
A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para a qualidade do ensino. A simples presença de novas tecnologias na escola não é por si só, garantia de maior qualidade de educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino PLANEJAMENTO DAS DISCIPLINAS PROPOSTA CURRICULAR PROCESSO PEDAGÓGICO CERTIFICAÇÃO DOS ALUNOS TECNOLOGIA
tradicional baseado na recepção e na memorização de informações. (p.141)
Nessa perspectiva, um esclarecimento em relação à situação das TIC’s no contexto educacional brasileiro, se faz oportuno. Compreende-se que o processo educacional brasileiro vem sofrendo mudanças significativas ao longo dos anos, contudo no âmbito tecnológico não é diferente. A tecnologia desafia a educação, bem como as novas gerações, no sentido de atender as demandas dos alunos nascidos a partir da década de 1990 e, que se encontram matriculados na Educação Básica.
Nesse sentido, vale destacar o documento “Orientações Curriculares – tecnologias de Informação e Comunicação – 2010”, elaborado pela prefeitura da cidade de São Paulo – SP que destaca as profundas e abrangentes mudanças, no ambiente educacional, ocorridas com a inserção da internet no nosso cotidiano.
Neste viés de mudanças tecnológicas, o documento (2010) destaca algumas mudanças ocorridas a partir da década de 90 na educação brasileira:
Quinze anos atrás não havia internet comercial aberta;
Quinze anos atrás ninguém sabia, fora de algumas universidades, o que era um email, site, um endereço eletrônico;
Quinze anos atrás ninguém tinha celular;
Quinze anos atrás ninguém podia colocar seu vídeo caseiro na Internet para o mundo ver;
Quinze anos atrás ninguém ouvia mp3, e nem existia tocador de mp3; (p.20)
Hoje, no Brasil é difícil encontrarmos alguém, em idade escolar, que não tenha ouvido falar de internet, endereço eletrônico, site, e-mail. Entretanto as mudanças educacionais não estão acompanhando, na mesma velocidade. Isso é recorrente do processo lento e pouco eficiente das ações políticas educacionais do país. Significa que é preciso mudar a educação que é oferecida em nossas escolas para este público, denominado por muitos autores de “nativos digitais”.
Diante desse panorama o documento (2010) enfatiza que o uso das TIC’s nas escolas brasileiras tem como base tanto a situação real da escola, bem como as novas perspectivas que estão sendo disseminadas em alguns lugares fora do território brasileiro. Realça que as TIC’s contribuem para:
Apoiar (suportar) o que ali se faz, melhorando a qualidade dos resultados ou reduzindo os custos dos processos;
Estender (suplementar) o que ali se faz, sem, entretanto, romper o paradigma pedagógico vigente;