Educadoras(es) Sociais sentiram de aprimorar suas práticas, regulamentar a profissão e encontrarem seu espaço dentro das políticas públicas de assistência social. Essas(es) Educadoras(es) Sociais já atuavam na Fundação de Ação Social (FAS), órgão gestor da Política de Assistência Social no município de Curitiba, antes mesmo da implementação da PNAS, e foram percebendo que precisavam atuar de forma mais incisiva e lutar para serem mais respeitadas(os) pelas(os) demais profissionais. No entanto, em um primeiro momento, o projeto de articulação e organização das(os) Educadoras(es) Sociais não se consolidou.
Somente em 2014, surge novamente a vontade e um contexto favorável para iniciar uma associação e, após diversos contatos, em 22 setembro, acontece a primeira reunião informal, com apenas quatro pessoas: Alessandra Leite Magno da Silva, Aline Francielle Faria Santos Mendes, Charli Regina da Silva Padilha e Dirceu José Rodrigues Serino. Dessa reunião partiu um convite para toda a categoria e 2 dias depois, em 25 de setembro, realizou-se a Assembleia de Fundação da AESCRM, no espaço cedido pelo Sindicato dos Professores das Redes Públicas Estadual e Municipais no Paraná (APP/Sindicato). Estavam presentes nessa assembleia 10 Educadoras(es) Sociais consideradas(os) sócias(os) fundadoras(es). Naquele momento, a intenção era que a associação abrangesse apenas Curitiba, mas por sugestão de José Pucci Neto, que já tinha um trabalho individual nesse sentido e levou um representante da Região Metropolitana, Alceu Ferreira Filho, a sugestão foi acatada e o âmbito da associação ficou como Curitiba e Região Metropolitana.
No dia 15 de outubro de 2014, Dia da(o) Professora(or), aconteceu a assembleia de formalização da primeira diretoria da AESCRM: Presidente José Pucci Neto; Vice-Presidenta Aline Francielle Faria Santos Mendes; Secretária Alessandra Leite Magno da Silva; Tesoureiro Marcos José Franco. Estavam presentes também Dirceu José Rodrigues e Alceu Ferreira Filho. A assembleia de aprovação do Estatuto foi realizada no dia 1º de maio de 2015.
56 Todas as informações contidas neste tópico nos foram gentilmente enviadas pela colega Educadora Social Alessandra Leite Magno da Silva por e-mail. Consta na lista de referências como AESCRM, 2018.
A AESCRM não tem filiadas(os), pois nunca se chegou a regularizar sua documentação, no entanto, o Estatuto aprovado é sempre respeitado em suas ações e forma de organização. Além das pessoas já citadas, participaram também da Diretoria após a Fundação: Célia Regina Kamymuria; Marlon Luiz Lima; Sintia Eugenio Rosa Vieira e Vera Paixão.
No início de 2017, Aline Francielle Faria Santos Mendes e Charli Regina da Silva Padilha formalizaram carta de renúncia da AESCRM, ambas alegaram motivos pessoais, e também Marlon Luiz Lima, por ter assumido cargo de gestão na FAS, o que o impediria estatutariamente. Mais tarde, José Pucci Neto e outras(os) integrantes da AESCRM, que já haviam iniciado atividades de um Fórum de Educadores Sociais do Paraná (FESP/PR), optaram por se desligar da associação e, atualmente, a AESCRM passa por período de reconstrução. As principais pautas de luta da AESCRM são: jornada de 30 horas, respeito, aposentadoria especial 25 anos, identidade profissional, promoção da Educação Social, valorização profissional, formação continuada, regulamentação da profissão e elaboração de um Código de Ética Profissional.
Essas foram as principais ações da AESCRM nesses poucos anos de existência e atuação: Criação do Dia e da Semana Municipal do Educador Social, Lei nº 14.392/2013 de iniciativa do vereador Pedro Paulo (PT/PR); Evento de Natal para famílias em vulnerabilidade social com a Transcaixa, em 20 de dezembro de 2014; estudo sobre plano de carreira para remeter ao sindicato, em 22 de janeiro de 2015; visita ao Município de Pinhais, em agosto de 2015; Seminário AESCRM “Educador Social, uma profissão em construção”, em 18 de setembro de 2015; início das discussões acerca da criação do Curso Tecnólogo de Educador Social – Uninter, em 16 de novembro de 2015; 1º Encontro da Educação Social – Pedagogia Social do Paraná, em 5 de dezembro de 2015; evento em Comemoração ao Dia do Educador “Educador Social: uma identidade em construção, em 20 de setembro de 2016.
As participações da AESCRM em eventos foram: Colóquio Pedagogia Social e a formação do Educador Social na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 10 de junho de 2015; Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Paraná sobre a regulamentação da profissão da(o) Educadora(or) Social, em 16 de junho de 2016; EdusoParaná, Ponta Grossa, de 6 a 8 de julho de 2016; 2º Encontro Estadual de Educação Social, Novo Hamburgo/RS, em 16 de setembro de 2017; Encontrão de Educação Social, Maringá/PR, de 11 a 13 de outubro de 2017.
Antes de passarmos para os próximos tópicos, em que apresentaremos as experiências de organização autônoma das(os) Educadoras(es) Sociais de Porto Alegre, precisamos registrar que, recentemente, duas outras associações que declaram representar as(os) Educadoras(es) Sociais em abrangência nacional foram criadas. Em 30 de junho de 2017, durante o EdusoVitória, foi fundada a Associação Brasileira de Educação Social e Pedagogia Social, a EdusoBrasil57, um esforço conjunto de Educadoras(es) Sociais e pesquisadoras(es) da área, muitas(os) dessas(es) participantes das iniciativas citadas anteriormente. A EdusoBrasil “surge como instrumento de luta, para defender os interesses dos Educadores Sociais brasileiros, apoiar reinvindicações da classe, viabilizar cursos de formação, lutar pela regulamentação da profissão de nível superior” (EDUSOBRASIL, 2017), além disso, “atuará em perspectiva de colaboração entre associações profissionais e sociedades acadêmicas de vários países”.
Em 14 de outubro de 2017, durante o VII Enes, em Fortaleza, com grande apoio da AEESSP, foi fundada a Associação Nacional de Educadores e Educadoras Sociais (Anees). Conforme consta em sua carta pública de fundação, a Anees “se constitui em instrumento de organização e articulação de educadoras e educadores sociais, destinado a contribuir com a resistência democrática” (ANEES, 2017). A Anees declara como seus fundamentos:
A educação social como conjunto de princípios ético-políticos fundados na concepção de nosso papel como agentes de transformação social, visando à construção de uma sociedade mais justa, igualitária e plural, combatendo todas as formas de discriminação, opressão e exploração;
A unificação de uma agenda de lutas com movimentos, coletivos, associações, segmentos, fóruns, frentes e outras organizações do campo popular, buscando fortalecer a mobilização e a participação para uma maior potencialidade de nossa ação política social;
A internacionalização de nosso diálogo e solidariedade em torno das bandeiras comuns aos princípios dos direitos humanos e sociais, especialmente focando em nossa identidade latino-americana;
A ampliação do diálogo democrático para retomar o compromisso de horizontalidade em nossas relações e reflexão crítica sobre o contexto nos locais, grupos, comunidades, redes, espaços, coletivos e outros, potencializando sua auto-organização;
O fortalecimento da pluralidade de saberes reconhecendo nossa história e nossas raízes como instância fundadora da educação social popular latino- americana em que o saber tradicional e a cultura popular são centrais na nossa formação sem subordinação ou submissão ao campo acadêmico e escolar, tendo como perspectiva o notório saber;
O recorte de classe, afirmando que nossa educação social tem compromisso com o enfrentamento dos sistemas e projetos neoliberais, fascistas, conservadores, antidemocráticos e excludentes. (ANEES, 2017).
57 http://www.edusobrasil.com.br/
Na carta, a Anees também se afirma como uma organização da classe trabalhadora, contra opressões e a favor da construção de uma sociedade de justiça e liberdade (ANEES, 2017).