3. Mobile IPv4 Route Optimization between Mobile Networks
3.1. Maintaining Route Optimization Information
No presente estudo, prevaleceram mulheres jovens, com média de 27,8 anos, 4 anos de estudo, de cor parda e desempregadas. Achado semelhante foi verificado em estudo realizado no Recife com mulheres que apresentavam fatores de risco para a mortalidade materna que, ao analisar o perfil sociodemográfico, constatou que a maioria das mulheres que foi a óbito tinha uma idade média 28,7 anos, era de cor parda, possuía menor escolaridade e era desempregada. Vale ressaltar que, a ocorrência da gestação nessa faixa etária é de menor risco para a mulher, evidenciando a carência na assistência de pré-natal, parto e puerpério (LEITE et al., 2011).
Nesta pesquisa, a maioria das mulheres é de procedência do interior (n= 63; 58,3%), destacando-se a região metropolitana de Fortaleza (n= 30; 46,2%), similarmente com um estudo que promoveu a avaliação do perfil das mulheres com CPAV internadas em unidade de terapia intensiva, pois concluiu que as mulheres do interior do estado tinham 70% mais chances de evoluírem para complicações (MONTE et al., 2017). Este indicador ressalta que a elevada porcentagem de mulheres do interior e da região metropolitana, advém do fato de estas estarem mais próximas da Maternidade, e aquelas, não possuírem assistência de qualidade, refletindo a precariedade do atendimento.
Outro resultado deste estudo é que a maioria das mulheres estava em sua segunda gestação demonstrando portanto, que o elevado número de gestação não foi um fator determinante para o óbito materno. Além do mais, a maioria apresentou mediana de um parto e nenhum aborto. Entretanto, uma pesquisa realizada no Paraná, ao promover a relação entre o número de gestações e a mortalidade materna, mostrou associação significativa da multigesta (cinco gestações ou mais) com o óbito materno, já que um quarto dos 822 óbitos maternos eram multigestas (SOARES, 2008). Já em outro, realizado por Monte et al. (2017), em relação ao perfil das mulheres com CPAV internadas em unidade de terapia intensiva, constatou que a maioria apresentou duas ou mais gestações, um parto e nenhum aborto, apresentando um perfil semelhante com o presente estudo.
A análise dos dados desta presente pesquisa demostra que as mulheres realizaram, em média, 4,8 (± 2,3) consultas de pré-natal o que, segundo o Ministério da Saúde, não encontra-se dentro dos parâmetros ministeriais que é de, no mínimo, seis consultas. Entretanto, no que se refere a idade gestacional na primeira consulta de pré-natal, consta-se que a maior parte das mulheres a realizou com média de 2,7 (± 7,9) semanas, tendo portanto uma assistência precoce como preconizado pelo Ministério da Saúde que é de até 16ª semana
de gestação (BRASIL, 2012). Porém, esse achado não corrobora com o de um estudo realizado em uma maternidade de referência do Ceará acerca do óbito materno do período de 2000 a 2008, pois verificou que a maioria das mulheres que evoluiu para óbito materno, realizou mais de seis consultas pré-natal (HERCULANO et al., 2012). Mediante o exposto, conclui-se que, apesar da expansão da assistência de pré-natal, que é evidenciado por seu início precoce, a precariedade da assistência é notada pelo fato de a maioria das mulheres ter tido acesso às consultas de pré-natal e não ter dado continuidade à assistência. Vale salientar que muitos prontuários não continham cartão pré-natal e, se tinham, os registros não eram realizados de forma adequada.
Neste presente trabalho, a maioria das mulheres teve parto com 25,2 (± 16) semanas. Contudo, Trocon et al. (2013), ao analisar sobre a frequência da mortalidade materna em um hospital terciário do Sudeste brasileiro, verificou que a maior parte das mulheres que foi a óbito teve parto entre 28 e 36 semanas, e a via de parto na maioria dos casos foi cesariana, realizada em mais da metade desses casos.
Além disso, uma pesquisa realizada em Juiz de Fora, ao promover a análise do perfil epidemiológico da mortalidade materna, constatou uma associação entre o aumento das notificações dos óbitos e a crescente da taxa de cesárea no município, tendo sido realizado em 38,8% das mulheres que foram a óbito (MARTINS; SILVA, 2018). Sabe-se que o parto cesáreo está associado a um risco de aumento dos desfechos maternos graves se comparado ao parto vaginal (VIANA; NOVAES e CALDERON, 2011). Apesar disso, neste estudo não é possível observar relação entre a via de parto e o óbito materno, tendo em vista que nossa amostra não trouxe um comparativo de mulheres que foram a óbito com as que não foram. É importante destacar que alguns estudos questionam se a cesariana é um fator de risco para
near miss ou se é uma consequência dessa condição (SAY et al., 2009). Vale frisar que, o fato
de os dados terem sido coletados em prontuários e fichas de notificação limitou a caracterização adequada da via de parto já que alguns não continham esse registro ou foram preenchidos inadequadamente.
No que se refere ao momento do óbito, este trabalho teve a maioria dos óbitos no puerpério/ pós-aborto (n= 64; 62,7%), semelhante ao estudo realizado no Ceará que promoveu a análise epidemiológica da mortalidade materna por causas hipertensivas e hemorrágicas, constatando que a maioria dos óbitos maternos ocorreu no período do puerpério (SOUSA et
al., 2014).
Os resultados deste trabalho demonstraram que, em relação às intercorrências no trabalho de parto, a pré-eclâmpsia (n= 24; 32,4%) e a síndrome HELLP (n= 17; 60,7%) tem
maior porcentagem. Herculano et al. (2012), ao analisar o perfil das mulheres que foram a óbito materno, concluiu que o maior percentual de óbitos maternos ocorridos entre os anos de 2000 e 2008 foi relacionado às síndromes hipertensivas gestacionais representadas por pré- eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP, corroborando com este estudo no que se refere às intercorrências no trabalho de parto. Além disso, dados da secretaria de vigilância em saúde mostram que as síndromes hipertensivas juntamente com as hemorragias, constituem a principal causa de óbito materno país (BRASIL, 2013). É importante salientar que as síndromes hipertensivas aumentam o risco de morte materna por aumentar riscos de complicações como encefalopatia hipertensiva, função renal comprometida e falência cardíaca (ZANATELLI et al., 2016).
Quanto as intercorrências no parto, neste trabalho, dentre as mulheres que apresentavam esse registro, a atonia uterina (n= 11; 33,3%) foi a mais frequente. Esse achado se assemelha com a tendência encontrada em países desenvolvidos pois, em um estudo realizado nos hospitais do Canadá, constatou-se o aumento da taxa de atonia uterina se comparada às outras intercorrências (LOTUFO et al., 2012).
Quanto ao local do óbito, neste estudo, a maioria ocorreu no hospital (n= 106; 98,1%) tendo apenas, do total de registros analisados, dois com este tópico ignorado. Esse achado se assemelha ao de Martins e Silva (2018) que, ao analisar o perfil epidemiológico do óbito materno, apurou que a maioria dos óbitos ocorreu no hospital.
Em relação às CPAVs, nesta presente pesquisa, a hemorragia (n= 29; 40,8%) é mais prevalente, seguida da pré-eclâmpsia grave (n= 24; 33,8%), sepse ou infecção sistêmica grave (n= 24; 33,8%) e eclâmpsia (n= 11; 15,5%). Em conformidade com Nakamura et al. (2013) que, ao avaliar o desempenho do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde na identificação de casos de near miss materno ocorridos em hospital do Rio de Janeiro, concluiu que há predominância dos quadros de hemorragia (n= 11; 40,7%) e das síndromes hipertensivas (n= 8; 29,6%) como os principais determinantes da ocorrência do
near miss materno.
Troncon et al. (2013) realizou um estudo em um centro de referência do sudeste brasileiro e as causas mais frequentes de morte materna foram as infecciosas, hipertensivas e hemorrágicas, semelhante ao presente estudo alterando, apenas, a prevalência. Já Leite et al. (2011), ao analisar os fatores de risco para morte materna, constatou o predomínio das doenças hipertensivas, as infecções, as hemorragias, semelhante a este estudo.
Com relação à assistência prestada às mulheres, neste estudo foi verificado que a utilização de hemoderivados e laparotomia foram as intervenções críticas mais realizadas com
74 (98,7%) e 25 (33,3%), respectivamente, resultado similar ao de uma pesquisa realizada no Sudeste brasileiro sobre a frequência da mortalidade materna em um hospital terciário, pois apurou que a maioria das mulheres teve a necessidade de intervenções críticas como a transfusão sanguínea e procedimentos cirúrgicos complementares como laparotomia, além da necessidade de cuidado intensivo (TRONCON et al., 2013).
Neste estudo observa-se que, dentre os critérios clínicos de near miss, a parada cardiorespiratória foi a mais prevalente com 83 (81,4%), seguida do choque com 61 (65,6%). Apesar da perda de consciência prolongada não ter sido tão prevalente, teve associação estatisticamente significante com o puerpério (p= 0,044; 81,8%). Esse achado é semelhante a de um estudo que realizou a análise de prontuários das pacientes admitidas na unidade de terapia intensiva obstétrica de um hospital terciário do Recife, para avaliar o perfil epidemiológico de mulheres com near miss materno e concluiu que, os principais critérios clínicos de near miss materno incluíam choque, frequência respiratória superior a 40ipm, e perda da consciência por 12 ou mais horas (OLIVEIRA; COSTA, 2015). É importante enfatizar que, Novo e Gianini (2010), ao avaliar os fatores associados à mortalidade materna causada por eclâmpsia, observaram que uma das complicações clínicas mais frequentes foram coma cerebral e parada cardiorrespiratória, apresentando perfil semelhante a este estudo
Quanto aos critérios laboratoriais, nesta presente pesquisa foram mais prevalentes a acidose grave (n= 36; 36,4%) e a hipoperfusão grave (n= 24; 25,8%), seguidos da hipoxemia e trombocitopenia com 23 (24,7%) e 16 (16,2%), respectivamente. No mesmo estudo realizado em um hospital do Recife, destacou-se a trombocitopenia aguda grave, azotemia aguda grave e hipoxemia grave, corroborando com o presente estudo já que a hipoxemia foi a terceira mais frequente (OLIVEIRA; COSTA, 2015).
Já entre os critérios de manejo, neste presente estudo, o uso contínuo de drogas vasoativas (n= 78; 72,9%), reanimação (n= 64; 61%) e intubação (n= 63; 60,6%) foram mais prevalentes, assemelhando-se parcialmente com o estudo realizado em Recife pois a intubação orotraqueal, a histerectomia e a transfusão de cinco ou mais concentrados de hemácias foram, respectivamente, os mais realizados. Além disso, enquanto no estudo realizado em Recife os critérios clínicos e laboratoriais surgiram, principalmente, durante a gestação e os de manejo, especialmente no puerpério, neste presente estudo, a maioria dos critérios foi mais prevalente no puerpério/ pós-aborto (OLIVEIRA; COSTA, 2015).
Um estudo promoveu a identificação de casos de near miss materno ocorridos em hospital do Rio de Janeiro e em relação aos critérios diagnósticos, a plaquetopenia aguda (40,7%), choque (37%) e creatinina ≥ 3,5mg/mL (18,5%) foram os mais frequentes,
corroborando, em parte, com este estudo já que o choque (65,6%) foi um dos critérios clínicos mais prevalentes. Vale ainda ressaltar que, nesse mesmo estudo realizado no Rio de Janeiro, a cianose aguda, gasping, perda da consciência, hipoperfusão grave, perda da consciência e ressuscitação cardiopulmonar foram itens não encontrados em nenhum dos 27 casos de near
miss do estudo. O presente estudo, entretanto, percebe-se que a cianose aguda (n= 33; 35,1%)
foi a terceira mais prevalente. Já a perda de consciência (p= 0,044; 81,8%) e hipoperfusão grave (p= 0,000; 47,6 %) tiveram associação estatisticamente significante com os óbitos ocorridos no puerpério/pós- aborto (NAKAMURA et al., 2013).
Uma pesquisa ao analisar 158 casos de morbidade materna grave que foram classificados de acordo com os desfechos de morte, near miss materno e condições potencialmente ameaçadoras à vida. A presença de choque, hipoxemia grave e uso contínuo de drogas vasoativas foram, respectivamente, os critérios clínicos, laboratoriais e de manejo mais prevalentes, corroborando com o presente estudo (LOTUFO et al., 2012).
Em uma pesquisa realizada em uma maternidade pública de Fortaleza, além do puerpério ter sido o período em que mais houve óbito, houve associação estatística entre as mortes ocorridas nesse período e a síndrome hipertensiva e infecção. Neste estudo, em contrapartida, a maioria dos óbitos também ocorreu no puerpério contudo teve associação estatística com hemorragia (p= 0,022; 82,8%) (HERCULANO et al., 2012).
Em outro, ao promover a análise epidemiológica da mortalidade materna por causas hipertensivas e hemorrágicas, constatou que a maioria dos óbitos ocorreram no puerpério, como no presente estudo, e as causas hipertensivas e hemorrágicas foram as que tiveram associação estatística com esse momento do óbito, semelhante a este estudo alterando apenas a ordem de prevalência (SOUSA et al., 2014).