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Main assumptions and results

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0.3 Description du contenu de la th`ese

1.1.1 Main assumptions and results

É aquele em que a situação é apresentada como incompleta, ou seja, não se tem o todo da situação, e por conta disso, essa se apresenta, geralmente, em uma de suas fases de desenvolvimento. Por isso, segundo Travaglia (1994, p. 86), “[...] a noção que caracteriza o aspecto imperfectivo aparece juntamente com as noções aspectuais representadas pelas fases de desenvolvimento da situação. [...] ao contrário do que ocorre no perfectivo, é como se a situação fosse vista de dentro, enfocando-se não o seu todo”. Exemplo: (6) João dormia, quando sua mãe chegou.

Costa (1997, p. 30), por sua vez, comenta que o aspecto imperfectivo manifesta temporalidade interna, considera-a como um fragmento de tempo que se desenrola (cursividade), ou então, seleciona fases desse tempo interno (fase inicial, fase intermediária ou fase final).

A autora sobre a questão da perfectividade e imperfectividade ainda argumenta que

o morfema flexional de Pretérito Perfeito tem, em si mesmo, o valor perfectivo, singular; não acrescenta ao lexema o traço [+ durativo], ou

seja, não o transforma na expressão de um processo; por ser global, refere, inclusive, o ponto terminal da constituição temporal interna desse fato, e, por ser passado, afirma esse ponto terminal como anterior ao ponto-dêitico da enunciação. Já o morfema flexional do Pretérito Imperfeito, se acrescido a um lexema [+ durativo] o imperfectiviza [...] (COSTA, 1997, p. 49).

Oliveira (2001, p. 218) afirma que “o imperfectivo expressa ações abertas, inacabadas, enquanto que o perfectivo expressa ações fechadas, acabadas. Essa é uma diferença de aspecto”.

Chierchia (2003, p. 493), por sua vez, sobre esse assunto argumenta que

as línguas naturais permitem descrever um mesmo episódio a partir de diferentes pontos de vista. Suponham, por exemplo, que Eva chega em casa do trabalho e encontra Hugo que está acabando de lavar os pratos. Isso pode ser contado como segue:

(a). Ontem, Hugo lavou os pratos.

(b). Quando Eva voltou do trabalho, Hugo lavava os pratos.

Em (a), mediante o uso do pretérito perfeito, lavar os pratos é apresentado como um evento acabado; em (b), por meio do imperfeito, o mesmo evento é apresentado como em andamento. Os fatos são os mesmos, mas o ponto de vista muda. Fenômenos desse tipo dizem respeito ao aspecto do verbo. [...] o pretérito perfeito de (b) é um tempo de aspecto perfectivo (isto é, um tempo que apresenta a ação como concluída), ao passo que o imperfeito [...] é um tempo de aspecto imperfectivo (que apresenta a ação como em desenvolvimento).

Já Perini (2004, p. 256-257) define os valores aspectuais

imperfectivo e perfectivo com base nas seguintes sentenças:

(7) “Meu tio escreveu um livro” (PERINI, 2004, p. 256).

(9) “Cecília estava lendo quando eu entrei” (PERINI, 2004, p. 256).

A partir desses exemplos, Perini (2004) argumenta que tanto

escreveu na frase (7) quanto entrei na sentença (9) expressam o aspecto

perfectivo; e estava escrevendo e estava lendo nas frases (8) e (9), respectivamente, expressam o aspecto imperfectivo. Segundo o autor, é possível compreender “[...] o aspecto perfectivo como a expressão de um fato globalmente considerado, sem análise de suas fases, nem ênfase sobre uma ou outra dessas fases; já o imperfectivo inclui consideração das diversas fases, e por isso compreende várias modalidades” (p. 256).

Para Castilho (2010, p. 417),

o termo aspecto, que encerra o radical indo europeu spek, “ver”, capta outra propriedade dessa categoria: trata-se de um ponto de vista sobre o estado de coisas. E você, que está afiado em Lingüística Cognitiva, já percebeu que o aspecto é uma das gramaticalizações da categoria VISÃO37. É como se o falante, tangido por um inesperado transporte místico, vizualizasse de fora, do alto, do além, os estados de coisas que ele mesmo acionou, separando deligentemente (i) o que dura, (ii) o que começa e acaba [...]. Os aspectos imperfectivo, perfectivo [...] resultam desse lance. Castilho apresenta os exemplos:

(10) “A criança brinca no jardim” (CASTILHO, 2010, p. 416). (11) “A criança caiu do balanço” (CASTILHO, 2010, p. 416). E a partir dessas sentenças o autor argumenta que “[...] brincar constrói uma predicação imperfectiva, que exclui a pontualidade. Entretanto, para existir, a ação de cair tem que ter um começo e um fim quase simultâneos. Dizemos que cair constrói uma predicação perfectiva, que exclui a duração” (p. 416).

Castilho (2010) afirma que estas duas classes semânticas - (a) classe perfectiva e (b) classe imperfectiva - sempre foram reconhecidas na literatura, porém, em dados momentos, era lhes atribuída mais de um

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“É a categoria segundo a qual o falante pode considerar a ação verbal em seu todo ou parcialmente [...]”. (BECHARA, 2005, p. 216).

par de termos para a sua designação. Dessa maneira, Castilho (2010, p. 416) aborda que (a) Bello ao se referir a essas duas classes semânticas falava em verbos permanentes ao fazer alusão àqueles verbos que poderiam ser considerados durativos (verbos imperfectivos) e chamava de verbos desinentes àqueles que chegavam à sua perfeição (verbos perfectivos); (b) Jespersen, por sua vez, falava em verbos não

conclusivos (verbos imperfectivos) e em verbos conclusivos (verbos

perfectivos); (c) Sten fazia alusão aos verbos de fase (verbos imperfectivos) e aos verbos de ação global (verbos perfectivos); e, por fim, (d) Garey passou a denominar os verbos imperfectivos de verbos

atélicos e os verbos perfectivos de verbos télicos.

Segundo Castilho (2010, p. 416)

o que unifica os verbos

imperfectivos/permanentes/não

conclusivos/atélicos é que o estado de coisas que eles descrevem envolve diferentes fases em sua execução. É razoável supor que em brincar [na sentença (10) acima] haja um começo da ação, sua continuação e seu término. Não se pode dizer o mesmo de cair [na sentença (11) acima], em que o começo e o fim da ação coincidem.

Assim sendo, concluo que Castilho (2010, p. 421) propõe que o aspecto imperfectivo compreende fases: “[...] uma fase inicial (imperfectivo inceptivo), uma fase retratada em pleno curso (imperfectivo cursivo), ou uma fase final do estado de coisas (imperfectivo terminativo)”. Já o aspecto perfectivo apresenta a predicação em sua completude, sem qualquer menção a fases.

No caso do alemão, tanto Buscha e Helbig (1993) quanto Götze e Hess-Lüttich (1989), tal como, Welker (2008, p. 117), também defendem que há duas classes aspectuais distintas. Entre elas estão: 1ª CLASSE: Verbos Perfectivos - são aqueles verbos que exprimem uma ocorrência limitada.

2ª CLASSE: Verbos imperfectivos - também denominados de verbos durativos, os quais, segundo os autores, expressam o desenvolvimento de processo.

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