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O Mesopolo Econômico de Cascavel é composto por 05 Micropolos Econômicos, distribuídos na região mais especializada na produtividade de cereais e avicultura no estado do Paraná. Os Micropolos de Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Marechal Cândido Rondon e Toledo, cada qual polarizado os municípios no seu entorno devido à proximidade, aos fatores produtivos e econômicos, serviços públicos, que são facilitados pela infraestrutura viária, veja na figura 6.

Figura 6 - Micropolos Econômicos de Cascavel

Fonte: IBGE (2015), Ipardes (2008) Nota: elaborada pelo autor.

Essa região está inserida na faixa de fronteira16 e na prática, a produção não sofre com as restrições da legislação. O recorte regional faz fronteiras entre países e divisas estaduais. Em esfera internacional faz interface com a Argentina e Paraguai. Em esfera territorial faz interface com Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A zona de fronteira17 em tempos de paz, devido às características únicas desses espaços, se expande ou se retrai; afeta as relações sociais, comerciais e econômicas; miscigena a cultura; cria neologismos de elementos da linguagem e do idioma; desestabiliza a segurança nacional em ações locais; força a migração e, ao seu modo, cria a integração entre os países e sua população (FERRARI, 2015).

Trata do segundo maior Mesopolo Econômico do Paraná em número de municípios. Ao todo são 81 centros urbanos; terceiro maior em população, com 1.718.234 habitantes, pouco abaixo da região de Londrina e menos de 50% da população da região de Curitiba. É o segundo maior em Valor Adicionado Bruto (R$ 60.046.881), equivalente a 43,53% do VAB da região de Curitiba. A cidade de Cascavel representa o 3ª vértice na formação do anel rodoviário de integração, o que significa que seu potencial de crescimento e desenvolvimento foi planejado desde o Governo Jaime Lerner, na década de 1990. A posição geográfica e as vias de transporte rodoviário, ferroviário e aeroportos fazem de Cascavel um importante centro urbano nas escalas da economia regional, nacional e internacional.

Ao contrário do Micropolo Econômico de Paranaguá, a região polarizada por Cascavel cresce e se apoia no desenvolvimento regional, assim como seu crescimento é facilitado pelos municípios da região, também facilita o crescimento destes municípios, em um apoio que favorece ambos os lados. A densidade e o quantitativo populacional está na média das demais regiões.

Sua economia se destaca pela produção agrícola intensiva e altamente tecnificada. A região é capaz de desenvolver e produzir maquinários agrícolas com avançadas tecnologias; produz e atende o mercado nacional e exporta grandes volumes de carnes de frango e suínos. São fatores produtivos que geram uma

16 A faixa de fronteira brasileira é considerada área indispensável à Segurança Nacional, estabelecida

pela Lei nº 6.634, de 2 de maio de 1979, que determina sua dimensão em uma faixa de 150 km, medida a partir da linha da fronteira.

17 A zona de fronteira parte de um conceito mais dinâmico da área de fronteira, é mais fluida e há

mais comunicação e interação. Trata do espaço de uso nas inter-relações de diferentes meios. Não é um território, não é definido juridicamente, não é delimitado oficialmente. Seu alcance vai até onde as inter-relações de um meio entre dois ou mais estrangeiros criam trocas, partindo de um país para o outro.

dinâmica econômica regional, influencia as atividades produtivas de todos os setores, gera empregos, necessita e exige pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, além de facilitar a formação educativa e o acesso a bens e serviços.

É um celeiro cooperativista atualmente focado nos resultados econômicos positivos. Por acreditar que o fortalecimento econômico das cooperativas permite a criação de novas tecnologias e, consequentemente o aumento da produção, do lucro e posterior o bem-estar do produtor e da população, que pode usufruir da infraestrutura construída com o poderio econômico, as lideranças regionais acreditam na força do cooperativismo que se une frente à concorrência, vinculando a sobrevivência competitiva dos produtores rurais dessa região, através da estratégia de unificação e produção para exportação. Com isso, a região conta com um consórcio de cooperativas agropecuárias: C-Vale, Coopavel, Copacol e Lar, com sede nas cidades de Palotina, Cascavel, Cafelândia e Medianeira, de relevância econômica nacional e internacional, capaz de atender com grãos e carnes de suínos e frangos, diversos países consumidores (COTRIGUAÇU18, 2019)

O Oeste paranaense abriga as Universidade Federal da Integração Latino- Americana (Unila), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e diversas instituições particulares de ensino superior, que estão em constante pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para alavancar o desenvolvimento socioeconômico. Outra instituição de importante relevância é a Itaipu Binacional, que além de subsidiar e incentivar o desenvolvimento local, também influencia a dinâmica e a integração regional.

A partir dessas características e especificidades, somadas aos dados sociais, ambientais e econômicos, entende-se que o Oeste paranaense apresenta as mesmas condições de desenvolvimento das demais regiões do Paraná. Seu potencial de crescimento e desenvolvimento não é diferente das demais regiões. Os deméritos existem, no entanto, estão menos aparentes que os méritos. O que o Oeste do Paraná tem e que falta às demais regiões, é o interesse de união entre todos os atores envolvidos nas ações de desenvolvimento regional.

Nas diversas literaturas estudadas para fundamentar os resultados dessa pesquisa, foi constatado um processo de territorialidade agindo sobre os atores

regionais. Nos esclarecimentos de Haesbaert (2006), essa territorialidade propicia a formação e fortalecimento de uma identidade coletiva, podendo ser chamada de identidade territorial. Nesse processo, a pessoa se sente acolhida no território e o toma como seu lugar, podendo ser de origem ou de aceitação. Assim, a identidade é construída a partir do território, tanto concreto, quanto simbólico, se tornando um espaço de identidade e de identificação.

Na literatura acadêmica produzida por professores, pesquisadores, cientistas e estudantes do Oeste paranaense, em manifestação da sua identidade territorial, cada qual busca divulgar a boa imagem da região. Com o apoio das instituições: Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná; PTI - Parque Tecnológico Itaipu; Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes; e instituições nacionais e internacionais de pesquisa, o Oeste paranaense é mostrado ao mundo como uma região de crescimento ascendente e progressivo.

Desta forma, olhamos para os dados da região e do seu desenvolvimento econômico, para entendermos o que a torna um importante recorte espacial no contexto estadual. A região é formada por municípios de pequeno e médio porte e de acordo com dados do IBGE (2019), a população estimada para o ano de 2016 está distribuída em: 21 municípios com até 5 mil habitantes, 22 entre 5 e 10 mil, 24 entre 10 e 20 mil, 10 entre 20 e 50 mil, 02 entre 50 e 100 mil e apenas três municípios têm acima de 100 mil habitantes que se configuraram como cidades médias.

O gráfico da dinâmica dos setores produtivos do Mesopolo Econômico de Cascavel, no período entre 2010 a 2016, apresentou uma parcial oscilação com tendência de crescimento do VAB total por município, com VAB total regional de R$ 60 bilhões. O VAB agropecuário participou com R$ 9.011.011 (15,0%), VAB indústria participou com R$ 17.250.102 (28,7 %), VAB Comércio e Serviços participa com R$ 26.249.021 (43,7%) e VAB serviços públicos participou com R$ 7.536.742 (12,6%).

O centro urbano de Cascavel, em relação aos demais centros urbanos polarizadores do Paraná, é privilegiado por possuir um entroncamento rodoviário, um terminal ferroviário e um aeroporto regional, que conecta com todas as regiões estaduais e alcança outros estados e países. A rodovia federal BR-277 inicia em Paranaguá, passa por Cascavel, segue em direção a Foz do Iguaçu e na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai, se conecta com a rodovia Panamericana, uma rede de rodovias que se estende de norte a sul no continente americano. A rodovia federal

BR-163, possui extensão total de 4.476 quilômetros e integra o Centro Norte do Brasil ao Centro Oeste e Sul, entra no Paraná passando por Guaíra em direção a Cascavel, segue até Capanema, margeando a fronteira e sai do estado por Barracão. A rodovia federal BR-467 inicia em Marechal Cândido Rondon e termina no Trevo Cataratas em Cascavel, passando pelo mesmo traçado da rodovia federal BR-163; no ano de 2019 foi quase toda duplicada. A rodovia federal BR-369, entra no Paraná por Jacarezinho, no distrito Marquês dos Reis, segue em direção a Londrina, Campo Mourão e termina no Trevo Cataratas em Cascavel.

Pelo Trevo Cataratas, ainda passam as rodovias estaduais PR-486 e PR-180. A primeira vai em direção a Tupãssi e a segunda vai de Cafelândia, passando por Cascavel em direção a Boa Vista da Aparecida. A rodovia BR-196, no trecho de Capitão Leônidas Marques, se conecta com a rodovia estadual PR-182 que conecta com a rodovia PR-483 em direção a Francisco Beltrão e Pato Branco. A rodovia federal BR-280, com péssima pavimentação e via simples, no sentido contrário da sua denominação quilométrica, segue de Barracão, costeando a divisa do Paraná com Santa Catarina, até União da Vitória e depois para Joinville.

O modal ferroviário é a segunda opção do Oeste paranaense em importância de volume de transporte da produção de grãos para exportação. A Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), inicia com um terminal em Cascavel e se conecta no município de Guarapuava com a ferrovia da Rumo Logística até o porto de Paranaguá. Tem sua produtividade e eficiência comprometidas devido à baixa velocidade média comercial na ferrovia; são 280 km de Cascavel até Guarapuava, percorridos em 19 horas a 15 km/h. Por falta de dados, não foram contabilizados os custos de transporte e o tempo para percorrer o trecho ferroviário do terminal de Guarapuava até o Porto de Paranaguá (FERROESTE, 2017).

Segundo os dados tabulados pela Ferroeste (2017), no ano de 2016, o Porto de Paranaguá movimentou 45 milhões de toneladas; 09 milhões de toneladas (20,00%) via modal ferroviário e 36 milhões de toneladas (80,00%) via modal rodoviário. Das 09 milhões de toneladas movimentados via modal ferroviário, somente 500 mil (5,56%) tiveram origem no Oeste do Paraná. As outras 8.5 milhões de toneladas saíram do Norte Paranaense. Somente a região econômica de Cascavel, tem a capacidade de produzir mais de 09 milhões de toneladas, que são transportadas anualmente para o Porto de Paranaguá.

O Micropolo Econômico de Cascavel é composto por 24 municípios, com exceção do polo, são considerados de pequeno porte, com população que não alcança a marca de 20 mil habitantes. Segue praticamente as mesmas configurações da microrregião e da região geográfica imediata de Cascavel. Isso se dá devido aos fatores produtivos, econômicos, sociais, geográficos, facilitados pela infraestrutura, que juntos criam demandas específicas do centro urbano de Cascavel.

O Micropolo Econômico de Foz do Iguaçu é composto por 10 municípios, que juntos somam mais de 400 mil habitantes. Não é, de forma alguma, uma região homogênea e tampouco agregada. Os poucos fatores que criam esse Micropolo são a proximidade dos centros urbanos, a rodovia federal BR-277 que direciona todo o fluxo do tráfego para Foz do Iguaçu e a capacidade de oferta de bens e serviços especializados por este polo. A economia gerada pelo turismo é a principal fonte de renda do aglomerado urbano da Tríplice Fronteira. Os municípios que compõe o Micropolo Econômico de Foz do Iguaçu se beneficiam, direta e indiretamente, com a geração de emprego e renda do turismo.

A microrregião de Francisco Beltrão, de acordo com o IBGE (1990), está conectada ao polo de Guarapuava. A ponderação do modelo gravitacional aplicado, mostrou que os 31 municípios do Micropolo Econômico de Francisco Beltrão apresentam uma relação direta com o Mesopolo Econômico de Cascavel. A rodovia federal BR-163, com reinício no trevo de Santa Tereza do Oeste em direção a Francisco Beltrão, é a principal via de conexão destas duas regiões e conduz o tráfego entre o Oeste paranaense, Oeste catarinense e Rio Grande do Sul. A distância, a condição e meandros das rodovias que conectam Francisco Beltrão a Guarapuava, são os fatores que afastam esses dois polos econômicos.

O Micropolo Econômico polarizado por Marechal Cândido Rondon é composto por 07 municípios, com uma população aproximada de 100 mil habitantes e pouco mais de R$ 3,5 bilhões de VAB anual. São centros urbanos próximos conectados por rodovias estaduais de pista simples e somente os municípios de Mercedes e Quatro Pontes se conectam a Marechal Cândido Rondon por rodovias federais, BR-163 e BR- 467, que no ano de 2020 foram duplicadas de Toledo até Guaíra.

O Micropolo Econômico de Toledo é composto por 09 municípios, com uma população estimada de 270 mil habitantes. A população, assim como o VAB total do município de Toledo representam quase 50,0% do total da região. Todos os

municípios dessa região apresentam altos índices de produção, produtividade, lucratividade nos cultivos de soja e milho.

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