A autoavaliação institucional colabora para a melhoria do trabalho escolar como um
todo, não tendo como propósito a punição ou premiação dos envolvidos. Este tipo de
avaliação, portanto, fornece informações para processos de planejamento e implementação de
ações que possibilitam à escola cumprir seu papel educativo. Sendo assim, o processo
avaliativo da instituição deve se respaldar em princípios básicos como: 1. globalidade; 2.
comparabilidade/unidade delinguagem; 3. respeito à identidade da escola; 4. não-premiação
ou punição; 5. permanência.
Para autores como Dias Sobrinho (2008), Ristoff (2008) e Fernandes (2002) o
princípio da globalidade se expressa no intuito de avaliar a real necessidade da instituição
como um todo e não apenas a partir de uma de suas atividades ou características. Para além da
participação de todos os segmentos da comunidade escolar, Fernandes (2002, p. 43) considera
que esse princípio se refere à "[...] utilização de pontos básicos de análise abrangendo todos os
aspectos da escola. É um instrumental de coleta de informações respondido por todos".
Esse princípio refere-se, então, à necessidade de trabalhar os diversos setores
institucionais, evitando que se enfoquem uns em detrimento de outros. A escola é composta
por diferentes segmentos que precisam funcionar adequadamente e articular-se entre si, para
que a atividade fim, que é o processo de ensino-aprendizagem, ocorra a contento. Para
Libâneo, Toshi e Oliveira (2012, p. 412), "[...] as formas de organização e gestão são sempre
meios, nunca fins, [...] os meios existem para alcançar determinados fins e lhes são
subordinados".
São consideradas atividades meio, portanto, além da própria equipe gestora,
responsável por motivar e coordenar a ação dos diferentes setores, as tarefas desempenhadas
tanto pelo setor técnico-administrativo (secretaria, zeladoria, multimeios, cozinha) quanto
pelo setor pedagógico (coordenação e orientação escolar). Em um processo de avaliação
institucional, portanto, a atuação de cada um desses setores precisa ser avaliada, tendo em
vista a melhoria da qualidade dos serviços prestados e o suporte prestado ao processo de
ensino-aprendizagem.
Essa prática avaliativa não tem finalidade de comparar a atuação dos profissionais
entre si, de forma que o segundo princípio que se refere à comparabilidade e/ou unidade de
"linguagem", consiste não no sentido de promover ranqueamentos institucionais ou dos
sujeitos, mas sim o de buscar "[...] uma uniformidade básica de metodologia e indicadores
[...]” (RISTOFF, 2008, p. 42). Em outras palavras, significa apresentar uma linguagem
comum nos diversos instrumentos de avaliação, de fácil compreensão à comunidade
educacional, que propicie "[...] um entendimento comum dos conceitos, princípios e
finalidades do projeto, já que há várias concepções de avaliação", segundo Fernandes (2002,
p. 44). Corroborando com essas ideias, Dias Sobrinho (2008, p. 69) explica que a
comparabilidade se refere
[...] à união de propósitos, de linguagem, de instrumentos e procedimentos metodológicos que evite a dispersão e as rupturas do processo. Além disso, cada instituição deve estabelecer as comparações entre os seus projetos e compromissos e aquilo que consegue realizar, entre o seu passado e o seu presente, entre o que está sendo e aquilo que julga dever ser [...].
A comparação refere-se, portanto, ao que se pretende fazer ou ao que já foi feito, ao
que fomos, somos e queremos ser. Esse princípio está diretamente articulado a outro, que diz
respeito à identidade da escola, que “[...] busca contemplar as características próprias das
instituições e visualizá-las no contexto das inúmeras diferenças existentes no país [...]”
(RISTOFF, 2008, p. 43). Cada instituição de ensino é única e constroem lógicas, tarefas,
valores que lhes são próprios, geralmente expressos no seu projeto educativo. Isso requer
instrumentos avaliativos próprios que traduzam a especificidade da ação educativa, capaz de
desvelar a lógica dos nexos internos e colabore para a sua melhoria.
O desenvolvimento da autoavaliação institucional não deve prestar-se, conforme já dito,
à premiação ou punição dos profissionais, mas consiste em processo contínuo que visa à
melhoria das ações. Nesse sentido, as falhas, as dificuldades enfrentadas e as condutas devem
ser examinadas para que se busquem soluções para os problemas e assim, aprenda com as
experiências. Ristoff (2008, p. 43-44) destaca que
[...] o processo de avaliação não deve estar vinculado a mecanismos de punição ou premiação. Ao contrário, deve prestar-se para auxiliar na identificação e na formulação de políticas, ações e medidas institucionais que impliquem atendimento específico ou subsídios adicionais para o aperfeiçoamento de insuficiências encontradas.
A avaliação deve constituir-se em processo dialógico e construtivo que contribua
para a melhoria da qualidade educacional, visando consolidar “[...] um conjunto de valores
[...], atitudes e formas coletivas de conduta que tornem o ato avaliativo parte integrante do
exercício [...] de nossas funções” (RISTOFF, 2008, p. 49). A punição e a premiação incitam a
concorrência e a separação dos sujeitos entre si, distanciando-os de um trabalho participativo,
cujos membros se empenhem na melhoria de processos e produtos educacionais.
Por fim, defende-se a permanência do processo avaliativo como subsídio ao
planejamento e implementação das ações, para a melhoria contínua das ações. Dias Sobrinho
(2008) considera que a avaliação que possui orientação qualitativa, formativa e prospectiva,
deve ter uma permanência garantida na vida da instituição. Por isso, devem persistir para além
dos mandatos daqueles que os instituíram, tornando-se permanentes pelo impacto que
produzem nos processos e produtos educacionais.
Construir uma avaliação nessa perspectiva requer profissionais envolvidos, cultura
de planejamento e avaliação e participação. Requer, também, método e organização racional
das ações tendo em vista os fins almejados. Nesse sentido, Fernandes (2002) apresenta três
fases indispensáveis a sua efetivação: preparação, implementação e síntese. A autora explica,
porém, que não existe uma única forma de empreender esse intento. Essas fases, portanto,
consistem em sugestão, pois cada escola elabora sua avaliação conforme realidade própria,
uma vez que cada instituição é única, as estratégias também o são.
comissão responsável por elaborar o projeto de avaliação institucional. Cabe a ele construir e
discutir as propostas avaliativas com os vários segmentos: pais, alunos, professores, gestores,
funcionários e representantes da comunidade local, para que todos tenham conhecimento do
projeto a ser construído e das reais necessidades da instituição. Nessa etapa, constam:
[...] todas as ações que antecedem a implementação do processo avaliativo. Para que seja um processo organizado e consequente, é preciso termos clareza do que queremos, o que só será possível através da elaboração do projeto da Avaliação Institucional. E como a avaliação é um processo coletivo, esse projeto terá que ser elaborado por um grupo de trabalho e discutido entre os vários segmentos que formam a escola (FERNANDES, 2002, p. 49).
É importante a participação dos diversos segmentos escolares para que todos
conheçam e se comprometam com o projeto de avaliação institucional o qual deve se
constituir em uma ação integrante do projeto político pedagógico. Assim, cabe aos
representantes da comissão articular-se com seus pares para que se tenham uma visão geral da
escola e possam construir juntos o projeto de avaliação institucional.
Fernandes (2002, p. 49) destaca que o projeto de avaliação deverá contemplar “[...]
justificativa, princípios, problematização, contextualização, objetivos (gerais e específicos),
etapas, procedimentos metodológicos e cronograma”. Observa-se que um projeto avaliativo
não deve ser construído de forma aleatória, mas contemplar todos os segmentos e aspectos
institucionais, observando os princípios de globalidade e a continuidade do processo. Também
é necessário se pensar estratégias para que a avaliação seja aplicada, além de testes de
aplicação dos instrumentos de coleta de informações.
Todas as questões que foram levantadas na elaboração serão discutidas na etapa
posterior, a implementação. Nesta fase, discute-se com mais precisão todas as questões
elaboradas, em função da realidade vivenciada e dos dados provenientes dos vários segmentos
que atuam na instituição. Sobre essa fase, Fernandes (2002, p. 49) afirma que:
[...] constam as ações de elaboração e aplicação de instrumentos de coleta informações e de organização e análise dessas informações. É o momento de ouvir a comunidade interna e externa da escola e de compreender o que as informações indicam como anseio dos vários segmentos.