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M´ ethodes apprenant un unique dictionnaire global

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1.3 Applications

1.3.3 Classification supervis´ ee

1.3.3.1 M´ ethodes apprenant un unique dictionnaire global

É com a afirmação de que “o discurso semiótico é (...) a descrição das estruturas imanentes e a construção de simulacros que devem dar conta das condições e das precondições da manifestação do sentido e, de certa maneira, do seu ‘ser’”, que Greimas e Fontanille, em sua Semiótica das paixões (1993, p. 12), articulam o sensível no cotejo com o inteligível, em que o sensível regeria o inteligível. O sensível estaria para as precondições enquanto o inteligível para as condições do discurso, ao confirmar o sensível como precedente ao inteligível. Mas o sensível também apareceria nas condições de geração do sentido (em todos os níveis).

Tais precondições (o sensível), assim, permitem manter vizinhanças com aquilo de que se ocupa a fenomenologia husserliana quando preocupada com “o território de fundação do sensível” (1970). No caminho desse diálogo, vale lembrar acerca do não antagonismo posto entre as duas teorias no tocante à noção de simulacro, visto, pois, que para ambas o ser tecido na e pela linguagem, será sempre um sujeito do devir: jamais dado de uma vez por todas, antes em processo.

Avant la lettre, este diálogo já está posto no discurso fundador da Linguística,

porque “o signo lingüístico une não uma coisa, mas um conceito e uma imagem acústica. Esta não é som material, coisa puramente física, mas a impressão psíquica desse som, a representação que dele nos dá o testemunho de nossos sentidos; tal imagem é sensorial” (SAUSSURE, 2012, p.106). Em outras palavras, o signo só pode ser sentido – “impressão psíquica”; “sentidos”; “sensorial”. E, se o signo tem a grandiosidade de organizar (e criar) o mundo, transpassado, ao passo que transpassa,

pelas coordenadas mínimas de existência, o tempo e o espaço, o mundo só pode ser vivenciado por meio do signo, via percepção, via sensível.

O testemunho dessa percepção individual deságua na intersubjetividade e, portanto, numa percepção social. Disso resulta a possibilidade em se refletir acerca da arbitrariedade do signo, dado que ao não ligar mecanicamente, e de uma vez por todas, uma palavra e uma coisa, assenta-se numa não-motivação física, ao se assentar, então, numa arbitrariedade sensível. As coisas do mundo não possuem em si mesmas motivações para os signos lingüísticos. “Queremos dizer que o significante é imotivado, isto é, arbitrário em relação ao significado, com o qual não tem nenhum laço natural na realidade” (SAUSSURE, 2012, P.109). A arbitrariedade advém, portanto, das diferentes sensações das culturas perante o mundo, que agora será refletido e refratado em signo. Para se manter diálogo com a fenomenologia, seria a percepção individual posta em coletividade, compartilhada e testemunhada – “com efeito, todo meio de expressão aceito numa sociedade repousa em princípio num hábito coletivo ou, o que vem dar na mesma, na convenção” (SAUSSURE, 2012, p.108).

Tal questão, a de partilha do vivido e sentido, vai ao encontro da inquietação de Husserl, quando diz de “um mundo enquanto horizonte universal comum”, em que o vivido e sentido só pode ser atestado e validado quando posto em território de vizinhança com o “outro”. De tal forma, a percepção, isto é, o sentido e o vivido, envolve “uma troca na validação que se faz por correção recíproca” (HUSSERL, 1976, p. 186).

Ao se lançar olhar às noções discursivas, ou seja, ao superar o signo, porém sem descartá-lo, substitui-se as noções de significante e significado por plano da expressão e plano do conteúdo, respectivamente, a fim de dar conta para além da língua verbal de todas as linguagens. É neste sentido que Hjelmslev, segundo Fontanille, “defende que a diferença entre expressão e conteúdo não é ‘operatória’, pois ela é instável, determinada, e não determinante, estando sempre por ser estabelecida e fixada a cada análise” (2012, p.43). Dizer que essa relação é instável, determinada e não determinante, significa olhar para um corpo – seja ele próprio ou imaginário – que define as fronteiras entre um mundo interior e um mundo exterior.

O corpo próprio é um invólucro sensível (uma fronteira) que determina, assim, um domínio interior e um domínio exterior. Seja qual for o lugar em que se desloca, ele determina, no mundo no qual

toma posição, uma clivagem entre universo exteroceptivo, universo interoceptivo e universo proprioceptivo; entre a percepção do mundo exterior, a percepção do mundo interior e a percepção das modificações do próprio invólucro-fronteira. Portanto, a cada nova posição, o corpo reconfigura a série ‘intero-extero-propriocepção” (FONTANILLE, 2012, p. 44)

A noção de fronteira só pode ser entendida com a noção de posição. Melhor, tomada de posição: há um sujeito que entende sua posição, única e inalienável, no mundo e por ela “digladia” (se se tomar, com Bakhtin, o diálogo enquanto “arena discursiva”). De tal forma, “embasada em uma teoria do campo do discurso e em uma teoria da enunciação, a ‘tomada de posição’ que determina a separação entre expressão e conteúdo torna-se o primeiro ato da instância de discurso pelo qual ela instaura seu campo de enunciação e sua dêixis” (FONTANILLE, 2012, p. 44).

Comprova-se o sensível regendo o inteligível, ao trazer ao centro das questões discursivas, o corpo. Corpo que habita um tempo e um espaço únicos, e que responde por tal singularidade. Corpo que é o limite entre o mundo interior e o mundo exterior. Corpo que é “a medida de todas as coisas”, porque para que haja significação, é preciso pressupor um mundo de percepções. A semiótica a partir daí pensará não só nos estados das coisas, mas também nos estados da alma, em que o corpo não mais será apenas um denominador comum entre os dois mundos, antes um “operador semiótico complexo”.

Trata-se da palavra na carne e da carne na palavra. Ou da carne que se faz palavra. Do signo que se faz carne. Semanticamente o sujeito-do-mundo se encarna em seus enunciados. O enunciado abstrato e concreto ao mesmo tempo aponta para a enunciação e seu ator. O álbum de Pitty, um enunciado, aponta para a enunciação pressuposta, e então ao ator que a faz e se faz ao mesmo tempo. Esse ator é Pitty – nome assinado na obra. Da assinatura se depreende uma identificação enquanto marca autoral, que é o

estilo. Em concordância com Discini (2015) é possível, a partir do corpo do enunciado,

encontrar o corpo do ator da enunciação aí projetado e instalado.

Sob os parâmetros de análise oferecidos pelo percurso gerativo do sentido e pelo o que está pressuposto a ele, o nível tensivo, fica patente que, para obter o corpo que encerra sistematizações, seja as de juízos predicativos, seja as de visadas da percepção, operamos na

imanência de cada enunciado e nas bordas deles para, desse modo, confirmar-se um estilo.(DISCINI, 2015, p. 142)

Dizer que se examinam tanto as “sistematizações” quanto as “bordas” é o mesmo que afirmar que se lança olhar à “estrutura” que é fechada e também autônoma, sem perder de vista aquilo que lhe está ao redor e lhe toca as “bordas” que é a transcendência. Significa atentar aos signos e a seus “vizinhos”. Mais que isso, é escancarar a transcendência latente na imanência, ao se notar que a vida transcendente já se alojou no enunciado sistematizado e estruturado que se faz imanente. Isso faz com que a análise esmiúce os corpos do enunciado e aí aponte um modo recorrente de dizer que remete a uma recorrência de ser. É caminhar do actante ao ator. Do enunciado à enunciação. Esse movimento implica e pressupõe um movimento inverso. “O homem está na língua desde a definição saussuriana de signo, pois o significante é imagem ou memória do som e o significado é conceito, logo interpretação conceitual. Mas a língua está simultaneamente no homem, realizada como fala inevitavelmente conotada” (DISCINI, 2015, p. 143)

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