Os mais destacados usos proporcionados pela TI, de acordo com os autores pesquisados, são observados no quadro 11 a seguir.
Usos da Tecnologia de Informação
- Processa dados para gerar informações; Cautela e Polloni (1986)
- Promove a comunicação; Albertin (2001), Lévy (1993)
- Possibilita novos contatos (relações), conforme a configuração adotada;
Lévy (1993)
- Controla e alavanca o aprendizado; Lévy (1993), Gates, Rinearson e Myhrvold (1995), Demo (1994)
- Promove entretenimento; Lévy (1993)
- Tem possibilitado crescente interação dos usuários, em especial na busca por informações;
Lévy (1993)
- Possibilita a vigilância e controle das ações humanas. Vasconcelos, Motta e Pinochet (2003) Quadro 11: Usos da Tecnologia de Informação.
Segundo Mitchell et al (2003), a TI ajuda a unir e dá suporte a práticas científicas, práticas culturais e práticas de negócios. Conforme já foi mencionado anteriormente, o foco deste estudo está nas práticas de negócios, e mais especificamente na criação de novos produtos a serem oferecidos ao mercado consumidor.
Dentro das organizações, ao pensar na concretização de seus negócios, a noção básica que se pode ter sobre o uso da TI, é com a finalidade de processar dados a fim de gerar informações para a tomada de decisão dentro de organizações, mas essa idéia só se tornou notória depois do surgimento e disseminação dos computadores. “O processamento eletrônico de dados praticamente eliminou os sistemas mecânicos na maior parte das etapas de trabalho” (CAUTELA; POLLONI, 1986, p.45).
A tecnologia tem auxiliado na habilidade de manipular um grande volume de transações num custo unitário médio decrescente, de apoiar operações geograficamente dispersas por intermédio do processamento distribuído e de oferecer novos produtos e canais de distribuição (ALBERTIN, 2001, p.43-44). Nesse sentido, a TI foi e continua sendo muito utilizada para promover a comunicação, conforme se observa nas palavras de Lévy (1993, p.176): “A noção de interface remete a operações de tradução, de estabelecimento de contato entre meios heterogêneos. Lembra ao mesmo tempo a comunicação (ou o transporte) e os processos transformadores necessários ao sucesso da transmissão”. O autor afirma ainda que a incorporação de novos dispositivos pode ampliar a rede de relações:
Basta que seja conectada uma nova interface (a tela catódica, o mouse, uma nova linguagem de programação, uma redução de tamanho) à rede de interfaces que constitui o computador no instante t, e no instante t+1 se terá obtido um outro coletivo, uma outra sociedade de microdispositivos, que entrará em novos arranjos sociotécnicos, mediatizará outras relações, etc. (LÉVY, 1993, p.177).
Todo o aprendizado e os relacionamentos sociais passam a ser cada dia mais controlados e mediados por equipamentos informáticos. “Hoje, cada vez mais concebemos o social, os seres vivos ou os processos cognitivos através de uma matriz de leitura informática”
(LÉVY, 1993, p.15). Na visão de Gates, Rinearson e Myhrvold (1995), as escolas passarão a ser cada vez mais um local de interação e de troca de informações sobre as pesquisas desenvolvidas individualmente, em conformidade com os interesses individuais de cada um dos estudantes, apenas sob a orientação dos professores. Essa proposição está em conformidade com a afirmação de que
a mera transmissão de conhecimento, mesmo sendo necessidade essencial da sociedade, não precisa de professor, nem de escola, e muito menos de universidade. A função de transmissão vai migrando para os meios eletrônicos, com a vantagem sabida do maior alcance e da maior atração. Assim, futuramente professor e pesquisador serão indissoluvelmente sinônimos. Quem pesquisa teria o que transmitir (DEMO, 1994, p.34).
A indústria cinematográfica é a primeira a fazer uso intensivo de TI para manipulação de imagens, na área de entretenimento. A indústria da telefonia também está fazendo investimentos para poder utilizar imagens em seus equipamentos, e muito em breve outras indústrias passarão a encontrar novos usos para as imagens, na medida em que forem ficando mais fáceis de manipular e mais baratas as correspondentes tecnologias.
Mais que nunca, a imagem e o som podem tornar-se os pontos de apoio de novas tecnologias intelectuais. Uma vez digitalizada, a imagem animada, por exemplo, pode ser decomposta, recomposta, indexada, ordenada, comentada, associada no interior de hiperdocumentos multimídias. É possível (será possível em breve) trabalhar com a imagem e o som, tão facilmente quanto trabalhamos hoje com a escrita, sem necessidade de materiais de custo proibitivo, sem uma aprendizagem excessivamente complexa. Discos óticos ou programas disponíveis na rede poderão funcionar como verdadeiros kits de simulação, catálogos de mundos que poderão ser explorados empiricamente, através de imagens e sons sintetizados. Os imensos bancos de imagens reunidos pelas companhias de produção cinematográfica e televisivas serão indexados e acessíveis a partir de qualquer terminal da mesma forma que os bancos de dados de hoje. Estas massas de imagens óticas ou simuladas poderão ser filtradas, reempregadas, coladas, desviadas para todos os usos heterodoxos ou sistemáticos imagináveis. Em breve estarão reunidas todas as condições técnicas para que o audiovisual atinja o grau de plasticidade que fez da escrita a principal tecnologia intelectual (LÉVY, 1993, p.103).
Tanto as comunicações, quanto a aprendizagem e o entretenimento estão se tornando cada dia mais interativos, o que é muito útil para as organizações fazerem negócios com seus clientes e fornecedores. “Theodore Nelson inventou o termo hipertexto para exprimir a idéia de escrita/leitura não linear em um sistema de informática” (LÉVY, 1993, p.29), e essa não
linearidade está indo muito além dos textos, passando a representar uma idéia nova de busca e aprofundamento de informações e notícias em todas as áreas, o que é conhecido como surfar.
A TI não somente proporciona essa liberdade e interação na busca por informações, mas também pode ser utilizada para vigiar e controlar o que as pessoas fazem, variando conforme a intenção por ocasião de seu planejamento e de sua implantação, “no sentido de um maior aprendizado ou da mera automatização de funções; da liberdade ou da vigilância” (VASCONCELOS; MOTTA; PINOCHET, 2003, p.103).
A diversidade não é só observada nos possíveis usos que se pode fazer da TI, mas é interessante ressaltar as diferentes ferramentas que no momento estão disponíveis, e que se tornam obsoletas a cada dia, mediante o lançamento de inúmeros novos produtos.