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Méthodologie

Dans le document RAPPORT DU WORK PACKAGE 1 (Page 8-11)

Técnicas e Processos

Apresento, a seguir, um complemento das informações sobre algumas técnicas e processos empregados nesta pesquisa e que não foram discutidos anteriormente. A documentação fotográfi ca visa a esclarecer e ilustrar estes procedimentos e aprofundar a compreensão das questões abordadas.

Confecção das matrizes

As matrizes são produzidas através de diversos procedimentos, sempre com gesso estuque. O protótipo é preparado em uma base de argila ou sobre arranjos compositivos de elementos recolhidos diretamente da paisagem. Em alguns casos, desloco-me com os materiais para recolher matrizes na paisagem em questão (muitas vezes, em locais bastante curiosos). Crio paredes de contenção e despejo a mistura de gesso e água. Desmoldo o protótipo e limpo o molde o melhor possível, mas a limpeza defi nitiva do molde é feita com as primeiras cópias – elas limpam os resíduos de argila e os fragmentos que fi cam incrustrados. Estas vão determinar também se o molde é viável ou não. Se o protótipo tem partes retentivas, ou seja, que seguram a retirada do protótipo ou das cópias. Às vezes, as matrizes podem ser escavadas e adequadas e às vezes, as primeiras cópias já sinalizam que a matriz não vai funcionar. Eu trabalho com uma porcentagem de perda considerável nesta etapa, pois muitos moldes interessantes não chegam a gerar impressões viáveis.

Acima: Molde utilizado para composição da série Grafi smo Vegetal. Este molde foi registrado nesta imagem junto à sua primeira cópia ao lado, e a segunda cópia, abaixo. A primeira foi fotografada depois de ter passado pela primeira queima, quando dizemos que está em ponto de biscoito – a argila adquire uma coloração clara e rosada e mostra em sua superfície os resíduos da argila vermelha utilizada como suporte para o fragmento de raiz aérea do singônio durante a confecção da matriz. A peça logo abaixo é a segunda cópia, em ponto de osso, onde a argila completamente seca tem coloração cinza escuro.

Moldagem

A reprodução das copias é feita de duas formas: por prensagem e por despejo. No procedimento de moldagem por prensagem são abertas placas de argila de aproximadamente 1 cm. de espessura com a ajuda do rolo ou da plaqueira mecânica. Esta placa é colocada sobre o molde e com uma boneca de pano e pressão moderada é forçada a entrar nos sulcos e relevos da matriz. Quando a cópia impressa atinge o ponto de couro é retirada da matriz com repetidas batidas. Se a desmoldagem não ocorre no ponto correto de secagem a cópia é perdida. É preciso ter em mente que a argila perde uma porcentagem considerável de água no processo de secagem (em torno de 8 a 15 por cento), e encolhe proporcionalmente a este volume. O fato de o gesso ser absorvente, e favorecer a secagem da peça de argila, favorece também a desmoldagem, pois faz com que as cópias descolem-se do molde. Porém, se os relevos internos impedem este movimento de retração a peça trinca e muitas vezes quebra dentro do molde.

O outro processo utilizado para fazer as cópias é o processo de despejo. Uma argila líquida é preparada a partir da argila branca e da porcelana em pó, contendo também uma porcentagem de uma substância defl oculante – o silicato de sódio. Este tem a função de liquefazer a argila pastosa, tornando -a fl uida e homogênea, com o mínimo conteúdo de água possível, para agilizar o processo

do molde, facilitar o despejo do excesso de barbotina e garantir uma boa densidade das paredes. As primeiras cópias têm a função de limpar o molde e remover resíduos dos materiais que compunham o protótipo. Os moldes com paredes altas e detalhes muito sutis de superfície mostraram-se apropriados para este tipo de tiragem. As cópias são preparadas para secar defi nitivamente com apoio para as partes curvas e relevos com vãos livres. Até que atinjam o ponto de osso as peças não podem ser empilhadas ou acondicionadas com encaixes nas prateleiras. Em ponto de osso, as peças já bem secas, podem ser levadas para a primeira queima, a queima de biscoito, e estarão prontas para a entintagem e a queima fi nal.

Entintagem

Diversos processos de entintagem foram pesquisados em meu percurso. Um dos mais utilizados foi o processo de entintagem com uma base fundente pigmentada com uma porcentagem alta de óxidos metálicos – geralmente o óxido de cobre e o óxido de manganês, que produzem marrons profundos e negros metálicos. As bases para baixa temperatura são transparentes alcalinos (CMF090) e fundentes (CMF 1787) à base de chumbo, que produzem fantasmas brancos nos contornos devido a sua volatilização em baixas temperaturas. As bases de alta temperatura mais utilizadas eram formuladas no ateliê com porcentagens altas de cinza natural e feldspato potássico, ambos fundentes fortes.

Moldes de prensagem cheios. Abaixo: Moldes de despejo vazios.

A entintagem da cerâmica é um processo à base de água – primeiro a peça é encharcada da mesma forma que se encharca o papel para impressão. Estando saturada de água a tinta excedente é mais facilmente removida, revelando- se então por contraste a pigmentação retida nas reentrâncias e os detalhes do relevo.

Esmaltes reagentes de baixa temperatura e esmaltes bem fundentes na alta temperatura também foram utilizados cobrindo a peça toda em camadas grossas. Este procedimento favorece o acúmulo nas depressões e a exposição dos relevos, o que também se mostrou uma forma de revelar a imagem. Finalmente descubro que o fogo, em queimas como a de Raku, ou a queima primitiva, pode ser meu parceiro na entintagem. A capacidade de enegrecer a superfície que não está selada pelo esmalte é explorada nas séries fi nais de Grafi smos Vegetais, em que limpo o esmalte somente dos desenhos em relevo. Durante a queima em fogueira estes pontos expostos fi cam impregnados de fuligem, enegrescendo.

Abaixo: Etapas do processo de entintagem de uma peça com óxidos metálicos e bases fundentes para alta temperatura.

À direita: Balança de precisão utilizada na formulação de esmaltes e bases para entintagem.

Queima

A pesquisa em cerâmica tem como centro a queima, que é determinante das diferentes qualidades de superfície obtidas. Pesquisar queimas e fornos diferentes gerou um repertório de possibilidades bastante interessante. As queimas de biscoito e parte das queimas de esmalte são realizadas em fornos elétricos ou à gás no ateliê da artista. As queimas de biscoito são feitas a 900°C. As queimas de esmalte em baixa temperatura chegam a 980°C e em alta temperatura a 1260°C. O processo de queima de biscoito deve respeitar sempre patamares em alguns pontos críticos: por volta de 100°C – perda da água física, por volta de 300°C – início da perda de água química, 500°C – inversão da sílica e volatilização dos últimos resíduos orgânicos.

Os processos de queima mais fascinantes, no meu entender, são aqueles que oferecem o maior grau de imprevisibilidade, seja pelo fl uxo do fogo e de suas marcas, seja pelos processos químicos que ele solicita, como os processos de redução, seja pelo efeito de seus combustíveis na superfície das peças. Ao longo de minhas pesquisas percebo que com poucos recursos é possível obter resultados bastante interessantes. Com o ceramista Jean Jackes Vidal investigo as possibilidades de um forno construído a partir de um cupinzeiro (que se mostrou, aliás, uma opção valiosa para ceramistas iniciantes), a queima em buraco (também conhecida por pit fi ring) ou a queima primitiva. Fornos tradicionais no Japão também oferecem resultados surpreendentes. A

Pg. 136 Imagens da confecção e queima de um forno a partir de um cupinzeiro. Imagens captadas em

workshop realizado no Centro

Universitário Belas Artes de São Paulo, com a participação determinante de Sérgio Barreiro. Pg. 137 Queima em Anagama. Dinâmica do processo conduzido por uma equipe de quase 20 ceramistas durante quatro dias. A retirada de amostras determina se a quantidade de esmalte produzido pelas cinzas depositadas é satisfatório.

queima de um forno Anagama é uma queima em que a madeira queimada para elevar a temperatura do forno produz cinzas que são esparramadas sobre as peças segundo o fl uxo do fogo e que se fundem na fase fi nal da queima (que chega a atingir 1300°C) depois de quatro dias de queima. Estas cinzas esmaltam as peças.

Nas imagens ao lado documento a primeira queima do forno construído pela colega ceramista Cristina Rocha, em Arthur Nogueira. O projeto do forno e as orientações para a realização da primeira queima foram enviados por Peter Callas, um pesquisador deste tradicional formato de forno. A primeira montagem das peças, o fechamento da porta com tijolos e os orifícios para alimentação podem ser vistos nas primeiras imagens. Durante os vários dias e noites de queima equipes se revezam até que o fogo adquira uma cor esbranquiçada e uma língua de fogo constante possa ser observada na chaminé. Nesta fase, o fogo é alimentado pelos orifícios laterais e fi nalmente lacrado para resfriar lentamente. Os resultados só serão conhecidos na semana seguinte. A esmaltação resultante das cinzas obtidas na queima tem aparência brilhante e a sua cor depende da composição da argila. Sua ocorrência é irregular e demonstra os fl uxos internos do fogo e das cinzas.

Outra modalidade de queima muito interessante pela sua imprevisibilidade e variações de resultados é a queima de Raku. Na sequência de imagens ao lado registro uma queima de Raku

realizada com uma turma do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Nesta queima também precisamos trabalhar em equipe, para atender à dinâmica dos processos, Inicialmente, as peças são montadas no interior de um forno feito em um latão e revestido de manta refratária. Com um maçarico a gás, a temperatura da queima é levada a aproximadamente 980°C a 1000°C. O forno então é aberto e as peças são rapidamente retiradas, com a ajuda de pinças de metal, e colocadas em um recipiente com serragem. A cada peça que entra neste recipiente, que chamamos de câmara de redução, mais serragem é jogada para cobrir completamente a superfície das cerâmicas. Este recipiente então é fechado com placas metálicas e os processos que ocorrem dentro desta câmara é que produzem as característica típicas da queima de Raku – argila enegrecida pela fuligem, o esmalte trinca com os choques térmicos e sua composição química é alterada pelos processos de redução. Este processo físico-químico consiste em impedir a entrada de ar durante a queima fi nal, o que acarreta a queima de oxigênio molecular, modifi cando as cores e superfícies dos esmaltes. Os óxidos metálicos são os ingredientes dos esmaltes mais afetados por estes processos, o óxido de cobre, por exemplo, é verde na oxidação e na redução pode produzir superfícies metálicas de cor prateada, acobreada, vermelhos intensos e azuis surpreendentes. A irregularidade e o fator surpresa nestes resultados é para mim motivo de profunda fascinação e eu interpreto este resultado como um registro da ação do imponderável durante a queima.

Queima de Raku. Dinâmica do processo de queima. Imagens captadas durante uma aula, com a participação de Yuuki Nakatani e dos alunos do quarto semestre em 2006.

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