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1 Prise de décision et évaluation de la performance 27

1.2 Méthodes pour l’évaluation de la performance 31

A morte de um membro da família, em geral, recai sobre os sobreviventes como um peso. Gera inúmeros sentimentos: mágoa, desgosto, dor, alívio, arrependimento, culpa, remorso, solidão, desamparo.

Nos primeiros tempos depois da morte dele parecia que eu estava sonhando, que aquilo não estava acontecendo comigo. Muitas visitas. As pessoas ficavam surpresas porque imaginavam que eu ia desmoronar (Tulipa).

Eu tive que assumir os negócios e foi muito difícil, os filhos vivendo cada um a sua vida, não podiam me ajudar (Margarida).

Pode tornar-se um peso na alma. A viuvez representa o rompimento de um vínculo que perdurou nesse grupo em média por 30 anos. Um fio que teceu ou participou das diferentes tessituras realizadas por essas mulheres.

Representa o peso de um papel nascido da morte. Ao romper-se, outros também se desfizeram e como uma teia de aranha, a destruição e a possibilidade de manter laços com o externo, são ameaçados. Quando é grande a ligação entre duas pessoas, como pode ocorrer entre marido-mulher, a morte de um deles pode ocasionar um forte desequilíbrio para o que sobrevive.

Eu conto com os meus filhos e vizinhos. Desde a morte de meu marido não vejo a família dele (Amarylis).

Eu sinto muita falta de meu marido, muita mesmo [...] ele era carinhoso, nós conversávamos muito, saia junto com ele, agora é diferente (Liria).

Foi só o marido falecer os sogros se afastaram. Nunca mais os parentes de meu marido vieram aqui. Nunca brigamos. Só que desligou. Eles não vieram aqui eu não fui lá (Angélica).

O impacto causado pela viuvez nesse grupo parece estar associado à própria condição, ou seja, por meio dos depoimentos identificamos um tempo de luto ou após a convivência com situações até então desconhecidas ou deixadas na juventude: preconceitos, inveja (da condição de ser viúva por existir uma analogia entre ser viúva e ter liberdade), o sentimento de morte social, retornar a competir no mercado afetivo e recasar-se, segundo vimos o eterno dilema proposto às viúvas. Os depoimentos abaixo falam pó si:

As mulheres chegam e dizem que felicidade a sua em ser viúva. Elas dizem isso porque com certeza não são felizes no casamento. Eu penso assim. Não pergunto para elas, eu acho que elas não são felizes, porque se fossem não desejariam a morte deles (Angélica).

[...] acho que há muitos preconceitos. Antes me chamavam para ir para ranchos, agora que fiquei viúva, não chamam mais. Os casais não querem gente sozinha perto deles (Tulipa).

É terrível ser viúva. Tem-se sempre a impressão de que as mulheres estão de olho em nós, com medo de tomar seus maridos. Me acautelo, não quero dar meu direito para ninguém. O preconceito existe. A viúva para uns esta sempre à cata de homens. É horrível (Margarida).

Essas atitudes são demandadas, quer porque esse é o comportamento pessoal, ou porque é o esperado. Outra questão apontada é o receio da concorrência dessas mulheres no mercado afetivo ou matrimonial, pois persiste a idéia de que precisam ser satisfeitas sexualmente.

O luto é definido por Carbone (2001, p. 20) como um "processo, no qual uma sucessão de sentimentos e respostas se mesclam e se substituem, diante da morte do cônjuge, com o qual se estabeleceu um vínculo profundo e duradouro".

Quando ele morreu, eu senti um choque porque ele era companheiro [...] e faleceu de repente, de madrugada. Ouvi ele roncando, morreu quieto. Pedi socorro. Eu já estava preocupada, mas não imaginava que fosse partir tão cedo (Tulipa).

[...] mesmo ele estando mal tinha esperança de que não morresse. Tenho uma lembrança triste da morte, porque vi meu pai morrer. Essa lembrança nunca saiu da minha cabeça [...] foi muito difícil (Margarida).

O luto foi sempre considerado como uma manifestação importante nas sociedades, com regras e normas como pudemos descrever. A oportunidade de reverenciar o morto e demonstrar em público os sentimentos pessoais à comunidade, com certeza ratificando o pensamento de Hannah Arendt (1983) de que tudo o que não é público não é verdadeiro.

No entanto, a maneira das pessoas lidarem com a finitude e os sentimentos que desperta, foram encontrando oportunidades de deixar de existir, em nome do prático, da rapidez, da higiene.

A utilização do preto para anunciar um período de pesar por um ente próximo, é uma experiência registrada pelas idosas na época de infância e juventude. Algumas dessas experiências são referendadas como negativas e marcantes, responsáveis pela atitude da idosa em não externar seus sentimentos por meio de vestimentas pretas. Mas é a fala de Tulipa que sintetiza e expressa o processo que vivenciaram e que saltita aos nossos olhos: a mudança de mentalidade.

Eu não usei preto. Eu talvez não usei porque meu marido sofreu quando sua mãe morreu, porque colocaram nele uma camisa preta e zombaram dele na escola. Quando meu pai morreu usei preto. Ai perguntei o que é isso ai (Margarida).

A mudança de mentalidade contribuiu muito para não usar o preto [...] (Tulipa).

A fala de Tulipa resume as demais. Aries diz que "hoje se consumou uma inversão completa dos costumes, ou tal parece ter ocorrido, numa geração (1990, p. 613). Em sua análise ele assegura que desde a metade do século XIX mudanças sutis são identificadas: a dissimulação - ocultar do doente que irá morrer, não chamar o padre ou outro religioso que impressionasse o doente, levando-o a suspeitar da possibilidade de morte, supressão da comunicação do doente de suas últimas vontades e outros.

As entrevistadas referendam a condição de ausência, de estar sem chão, de não ter idéia do rumo da vida. Atitudes de tutela tomadas pelo marido antes de sua

morte, são interpretadas pelas viúvas como demonstração de amor, carinho, de valorização a sua pessoa e aos descendentes.

Na realidade esses maridos adotaram atitude tutelar durante toda a vida em comum do casal. Duas hipóteses emergem dessa ação: é possível que eles, antecipando as dificuldades das esposas para começarem a interagir com as questões da vida prática, procuraram desempenhar o papel tutelar que compreenderam ser de sua competência? Ou é a forma de controlar até onde é possível o destino da família? São questões a refletir. Assim, Liria e Angélica contam suas experiências:

[...] ele deixou tudo certo, antes de morrer. Passou o que podia para meu filho, vendeu nossa casa e comprou um apartamento, quando ele morreu fui morar com meu filho e ganho mais o aluguel por mês (Liria)

.

[...] ele sempre foi muito organizado. Ele deixou os papéis do INSS tudo em ordem, tudo estava até grampeado. Eu só tive o trabalho de levar lá (Angélica).

O que fazer após o cerimonial? Como tudo na modernidade, ele é "limpo", rápido, curto e higienizado. O preto não é mais a sua cor oficial, mesmo porque o preto tingiu as roupas que desfilam nas instâncias do poder de acordo com Harvey (2003).

Cerimoniais a parte, o luto tem um sentido em nossa vida. E por caber no âmbito afetivo, percebemos, por meio das falas das idosas, que para cada uma haverá um tempo de reconciliação e revisão.

Fiquei deprimida, demorei para me recuperar, no coração eu fiquei de luto por mais de um ano [...] (Liria).

O que a gente vai fazer [...] o melhor é tocar a vida até quando Deus quiser [...] (Violeta).

A utilização de roupas pretas não ocorreu, religião e espiritualidade possuem vínculos desde sempre na alma humana. Frente à finitude, sentimos necessidade de atribuir significados, de encontrar explicações e alimentar esperanças de reencontros, se for o desejado.

O termo espiritualidade, em sua acepção, categoriza os conteúdos que emergiram dos depoimentos das idosas, como também a vivência e participação ativa dessas mulheres nas ações pastorais e comunitárias da Igreja Católica em Passos.

Duas idosas são membros ativos desde a juventude. Com o casamento compartilharam atividades enquanto casal, formaram um círculo de amigos que após a morte de seus maridos, constitui-se em fonte de apoio e estímulo para se reorganizarem.

Acreditar na ajuda divina gera sensação de conforto e bem-estar. Esse tema tem instigado pesquisas na área da saúde que buscam comprovar a relação entre orações intercessoras e resultados mais satisfatórios em procedimentos invasivos, em recuperações pós-traumas, entre outras.

Sousa afirma que o fato da religião poder funcionar

[...] como um fator positivo ao manejo (coping) de situações de estresse é algo bastante encontrado na literatura. A afirmação de que a religiosidade possa ser uma fonte rica para encontrar propósitos de vida, assim como para formular orientações cognitivas e avaliações de situações vitais, evidencia seu potencial como função mental de buscar sentidos para vive. [...] Há, atualmente, crescente evidência científica de que a atividade religiosa geralmente associa-se a variados critérios de saúde mental e de bem-estar subjetivo (SOUSA et ai., 2001/2002, p. 2).

Essas referências se materializam por meio das faias de algumas idosas. Designar a fé estimula a mobilização das potencialidades internas dessas idosas no enfrentamento da solidão, da ausência, do refazer de seu caminho. O envolvimento com atividades religiosas nesse grupo acontecia antes da viuvez e 70% do grupo contavam com a companhia do marido, e tais atividades se mantiveram.

A crença no auxilio da oração e do apoio espiritual por meio dela é comungada pelas mulheres, tanto em praticar orações intercessoras quanto no sentir-se confortada por saber que a elas também são dirigidas. Identifica-se um conforto espiritual.

Se não fosse a oração dos católicos, evangélicos, foi o que me ajudou a dar conta do recado, força e resistência para enfrentar. Fé é uma âncora, segura na mão de Deus e vai. Não tenho medo de nada [...] (Hortência).

Deus é o meu rochedo. Ele nunca me abandona. Eu rezo e rezei para ele nunca me abandonar, para ficar sempre comigo, e a cada ano que passava eu dizia: - se agüentei um ano, agüento mais um, E Deus vai estar comigo. Ele vai dar ombros fortes para eu agüentar [...] (Tulipa).