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Quelles  autres  méthodes  possibles  ?

2   Les  réalisations

2.3.3   Quelles  autres  méthodes  possibles  ?

4.4.1 Estruturação do guião da entrevista piloto

Com a finalidade de efectuar uma avaliação prévia da percepção do ruído existente nas proximidades da via rodoviária em estudo, foram realizadas algumas entrevistas semi- -estruturadas, de resposta aberta, aos habitantes de edifícios localizados nos casos de estudo e distribuído um questionário para preenchimento. O objectivo desta entrevistas e do questionário piloto, era a consolidação das questões a serem integradas no questionário que viria a ser realizado posteriormente, no mesmo local, sobre as medidas de minimização de ruído.

O guião utilizado para a entrevista piloto abrange aspectos relacionados com a habitação, designadamente o contentamento relativamente à residência, envolvente exterior e respectiva exposição sonora, assim como características temporais associadas a esta exposição. Pretendia-se também aferir a percepção dos habitantes relativamente ao ruído de tráfego rodoviário e às medidas de minimização de ruído que entretanto foram implementadas, assim como avaliar a existência de eventuais expectativas ou de pré- -concepções relativamente a estes dispositivos.

As entrevistas tiveram ainda como objectivo a identificação dos sons percepcionados como mais incomodativos, bem como o levantamento do historial de implementação das respectivas zonas residenciais. De facto, constatou-se que, em alguns dos locais estudados, o edificado foi construído muito antes do alargamento da VCI (edifícios com mais de 30 anos), enquanto que, noutros, o edificado é mais recente. Estas entrevistas, usualmente realizadas no interior das habitações, permitiram também o conhecimento das disposição dos compartimentos dentro do edifício, a identificação do tipo de janelas e a identificação da percepção de efeitos não directamente relacionados com o ruído, mas com o tráfego rodoviário, como, por exemplo, a poluição atmosférica, materializada na sujidade dos vãos envidraçadas e na existência de poeiras, até ao nível do vigésimo andar. Em geral, nestas zonas antigas, a disposição dos compartimentos não é favorável em termos de exposição ao ruído, pois existem fracções com todos os compartimentos virados para a VCI, enquanto que noutras os compartimentos estão todos virados para a fachada mais sossegada. Um exemplo desta situação, é o que sucede no Bairro do Foco.

4.4.2 Estruturação do questionário

Tendo em conta os objectivos apresentados na secção anterior, o questionário realizado englobava uma primeira parte, que era preenchida pelo entrevistador, e em que se identificava a compartimentação da fracção em estudo e se registavam os níveis sonoros quer no exterior, quer no interior da habitação. De seguida, foram colocadas questões relativamente à residência (agradabilidade, grau de contentamento e períodos do dia de permanência na residência), questões relativamente à incomodidade induzida pelo ruído de tráfego rodoviário (questão normalizada para estudos sócio acústicos, de acordo com a norma ISO/TS 15666) e questões relativamente à percepção sonora de passagens de diferentes tipos de veículos que compõem o tráfego rodoviário. O questionário finalizava com o preenchimento de dados pessoais (tais como género, idade, nível de escolaridade e rendimento familiar). O Anexo 3 apresenta o guião para as entrevistas abertas e o modelo de inquérito piloto realizado.

4.4.3 Percepção do ambiente sonoro pelos residentes próximo da VCI

Apresenta-se de seguida um resumo comentado dos trechos mais significativos das 4 entrevistas semi-estruturadas realizadas. A transcrição completa de cada entrevista consta no Anexo 4.

Entrevista a um morador no Bairro do Foco, cuja habitação tem todos os compartimentos orientados para a fachada mais sossegada, virados para um jardim (entrevista 01):

- O inquirido em questão habita uma fracção com todos os compartimentos localizados na fachada mais sossegada e que dá directamente para uma zona de jardim. Quando questionado sobre o grau de contentamento relativamente à sua residência, afirma que:

“ Eu gosto de viver aqui nesta zona. Sinceramente, acho que esta zona, é uma das melhores zonas do Porto para viver. Pontualmente, no silêncio da noite. As duas três da manhã, se não estiver a dormir, ouve-se qualquer coisinha, mas nada que tire o sono, dentro de casa.No exterior da minha habitação, se estiver no jardim, é óptimo, não se ouve barulho.”

Tal como a maior parte dos inquiridos, quando questionados sobre o sons dos diversos tipos de veículos que integram o ruído de tráfego rodoviário, é de salientar o grande descontentamento relativamente ao ruído de escape produzido por motorizadas, referindo que:

“ O som das motorizadas irrita-me mais. … Por exemplo, se for uma mota mesmo mota, de cilindrada alta, até gosto de ouvir o barulho. Se calhar, incomoda-me mais aquelas motinhas pequeninas, sabe, principalmente quando os escapes estão alterados.”

Ainda no mesmo prédio, foi possível entrevistar um morador, cuja habitação tem todos os compartimentos orientados para a VCI (entrevista 03), em cuja resposta, relativamente ao grau de contentamento com a sua residência, é saliente a influência do ruído de tráfego rodoviário:

“ Eu vivo num dos melhores locais da cidade do Porto, que é designada pela zona do Foco, e o prédio é excelente, apesar de ter 35 anos. O inconveniente é estar localizado próximo da VCI, a auto-estrada, Porto–Lisboa. Habito nesta casa há 15 anos, o próprio ruído já faz parte da minha vida, embora eu seja alérgico ao ruído, mas, ao fim de 15

anos, o ruído já faz parte da minha vida, e já não tenho tantos problemas como tinha.( …) O ruído das motas e dos veículos pesados quando buzinam é bastante incomodativo.”

No que respeita às medidas implementadas, é de salientar a influência benéfica da introdução de radares, designadamente na melhoria das condições de circulação nesta via, com a redução de acidentes e também a consequente diminuição dos níveis sonoros. “Verificou-se uma ligeira atenuação do ruído com a instalação dos radares e concomitantemente com a colocação do revestimento de piso com características anti- ruído que o IEP efectuou. Tenho pena que não existam mais radares em locais mais estratégicos, como, por exemplo, aqui mais próximo desta curva. Os radares fazem com que a velocidade de circulação dos veículos não seja tão elevada e, como tal, o ruído. Não há duvida nenhuma, diminuiu bastante, talvez ai uns 20%, em relação ao passado. Mas continuo a notar todo este barulho ensurdecedor, sobretudo de motas e camiões ou pior ainda, de carros em alta velocidade”. (…) “O ruído durante a noite e nos fins-de-

semana é totalmente diferente. Nas horas de ponta, não existe barulho, existe sim é condicionamento de trânsito. Quando existem filas, o barulho é mais atenuado. Esse é outro dos graves problemas desta auto-estrada. Não existem tantos desastres como antigamente. A colocação dos radares foi benéfica. Antes dos radares, existiam constantemente acidentes e a auto-estrada estava complemente bloqueada.”

Um outro aspecto que ficou saliente nesta entrevista e que se detectou em todas as outras entrevistas, cujos inquiridos residiam em fracções que davam directamente para a VCI, independentemente do piso onde habitavam (até mesmo no 19º piso), está relacionado com a poluição atmosférica. O inquirido afirma que :

“ A consequência de toda a poluição dos pneus, dos fumos, é terrível. Os vidros das janelas e as varandas têm de ser limpas constantemente. Deve ser uma das piores zonas de poluição. Se fizerem uma medição, deve ser uma das piores do país. Aliás, parece que é. Segundo li na comunicação social, a pior é a Avenida da Liberdade, em Lisboa, e esta aqui não deve andar longe disso.“

No que respeita a variações sazonais do ruído de tráfego rodoviário é interessante notar que, no Verão, os valores dos níveis sonoros são apercebidos com uma ligeira diminuição, facto que foi associado à estrutura arbórea da envolvente. E, decorrente desta associação, verificou-se a existência de um relacionamento entre a plantação de árvores para a redução do ruído:

“(…) Só me apercebo quando existe mais movimento. É engraçado que, no Verão, as árvores estão todas cheias de folhas e atenuam o ruído. No Inverno, o som propaga-se com mais facilidade.”(….) ”Eu, pessoalmente, acho que com taludes de plantação de arvoredo ou então com as barreiras acústicas. Mas, para mim, sobretudo entre a Ponte da Arrábida e este local, se a obra não for cara, a solução era o tapamento em túnel da VCI, aproveitando a parte superior com jardim, até porque existe altura suficiente.”

No que respeita a moradores de bairros sociais, verificou-se a existência de outros problemas, como, por exemplo, um deficiente isolamento sonoro (a sons aéreos e de percussão) entre compartimentos. Facto este mais saliente num morador no Bairro de Francos, cuja habitação não tem nenhum compartimento orientado para a VCI (entrevista 02):

“O isolamento sonoro é deficiente, ouve-se tudo, os passos, o mudar os móveis, o apoiar uma cadeira. Ouve-se tudo”.

Neste caso, o indivíduo praticamente não se sentia incomodado com o ruído de tráfego rodoviário proveniente da VCI, dado a orientação da sua habitação. No entanto refere que:

“Por exemplo, às vezes ouve-se o passar de veículos pesados e as respectivas buzinas, mas não é permanente, já estou habituado, a mim não me incomoda. Provavelmente, a estas pessoas (as que estão directamente voltadas para a VCI) e às pessoas idosas, esta situação (a passagem de veículos pesados) e as respectivas buzinas, talvez incomode quando querem descansar, mas a mim não.”

Quando questionado sobre medidas de minimização de ruído, este inquirido aponta como solução a introdução de vidros duplos ou a colocação de barreiras acústicas, caso este tipo de medida “corte “ o ruído. No entanto, quando confrontado com a possibilidade de este tipo de medida (barreira acústica) provocar a obstrução da paisagem e o sombreamento das habitações, opta pela introdução de vidros duplos:

“(…) ou os vidros duplos ou então aquelas barreiras se efectivamente cortar o ruído.”…”Então é preferível a introdução de vidros duplos”.

Por outro lado, na entrevista a uma moradora no bairro social Bessa Leite, cuja habitação tem a sala, um quarto e a cozinha orientados para a VCI (entrevista 04), os problemas da incomodidade induzida pelo ruído são significativos, levando à introdução de janelas duplas, por parte desta moradora:

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