Chapitre 1 Etat de l’art : Production du biogaz, procédés de liquéfaction de méthane et leurs
B. Analyse exergétique
3.2. Méthodes d’optimisation numérique des procédés de liquéfaction du gaz naturel
4.1 Erosão em entressulcos
A cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar teve significativo efeito no controle da erosão em entressulcos (Figura 2). Na Figura 2a verifica-se que as perdas de solo por erosão em entressulcos (Ps) decresceram, exponencialmente e significativamente (p<0,01), com o aumento da cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar. Pan; Shangguan (2011) determinaram na presença de 100% de cobertura vegetal por gramínea redução de Ps da ordem de 94%, respectivamente. No presente trabalho os resultados apontam para uma redução de Ps da ordem de 96% com 100% de cobertura do solo, em relação ao solo desnudo.
Os resultados decrescentes, exponencialmente e significativamente (p<0,01), das perdas de água, concentração de sedimentos e matéria orgânica, com o aumento da percentagem de cobertura da superfície do solo corroboram com o exposto, além de serem concordantes com resultados de taxa de descarga, perdas de solo e MO por erosão de Pan ; Shangguan (2011), Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012).
a 0,649 a 0,381 b 0,213 b 0 20 40 60 80 100 120 Cobertura do solo, CS, % 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 P e rd a d e so lo , P s, kg m -2 Ps = 0,6626 e-0,02524 CS (R2 = 0,98; p<0,01) 0,056 c 0,024 c b 0,00 a 30,7 b 28,4 c 22,6 d 19,0 e 0 20 40 60 80 100 120 Cobertura do solo, CS, % 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 P er da de água, PA , L PA = 31,6535 e-0,00664 CS (R2 = 0,98; p<0,01) c 10,6 a 6,7 b 4,6 bc 0 20 40 60 80 100 120 Cobertura do solo, CS, % 0 2 4 6 8 10 12 14 C onc ent raç ão de s edi m ent os , C , g L -1 0,7 c 1,6 c C = 10,8183 e-0,02075 CS (R2 = 0,97; p<0,01) d 41,4 a 27,6 ab 15,8 b 10,5 b 0 20 40 60 80 100 120 Cobertura do solo, CS, % 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 M at ér ia or gâni ca, M O , g k g -1 MO = 40,6334 e -0,01409 CS (R2 = 0,99; p<0,01) 18,4 b
Médias seguidas de mesma letra não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
Figura 2. Processo de erosão em entressulcos em função da cobertura por resíduos de cana-de-açúcar: a) perdas de solo; b) perdas de água; c) concentração de sedimentos; d) concentração de matéria orgânica no sedimento erodido
A concentração de matéria orgânica decresceu exponencialmente quando a cobertura do solo foi aumentada (Figura 2d), porque a fração coloidal e a matéria orgânica são os primeiros constituintes a serem transportados pela enxurrada, por apresentarem baixa densidade (SCHICK et al., 2000). Martins Filho et al. (2009) também observaram, em parcelas com quantias variáveis de cobertura da superfície do solo por resíduos de cana-de-açúcar, que a concentração de MO no sedimento erodido foi reduzida significativamente com o aumento da cobertura do solo.
Pode-se observar que houve diferença significativa para as percentagens de cobertura por resíduos de 25%, 50%, 75% e 100%, em relação ao solo descoberto, tanto para as perdas de solo e água, concentração de sedimentos (C) e perdas de
matéria orgânica no sedimento erodido (Figura 2d). Tais resultados demonstram a efetividade da cobertura do solo na redução da erosão, o que também foi observado por Martins Filho et al. (2009), Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012) em solos cobertos por resíduos de cana-de-açúcar.
As menores taxas de descarga (q) foram obtidas com 100% de cobertura da superfície do solo (Tabela 3). A taxa de descarga com 0% de cobertura foi duas vezes maior em relação a 100% de cobertura, o que é justificado pela maior resistência físico-hidráulica ao escoamento ocasionada pelos resíduos de cana-de- açúcar. Tal resistência é expressa pelo incremento significativo dos valores do coeficiente de rugosidade de Manning (n) originado pela presença de resíduos na superfície do solo (Tabela 3), o que também foi observado por Martins Filho et al.(2009) e Sousa et al. (2012) com resíduos de cana-de-açúcar.
Com o aumento da resistência ao escoamento (n), houve uma diminuição significativa dos números de Reynolds (Re) e Froude (Fr) (Tabela 3). Tais resultados são concordantes com os de Bezerra ; Cantalice (2006) e Sousa et al. (2012). Os valores de Re < 500 e Fr < 1 sugerem que o regime de escoamento foi o laminar lento, o qual pode ser considerado como típico do processo de erosão em entressulcos a exemplo de resultados obtidos por Cantalice et al. (2009) e Sousa et al. (2012).
Tabela 3. Características hidráulicas do fluxo superficial em entressulcos.
Cobertura q n Re Fr % m2 s-1 0 0,000016 a 0,020 a 17,6 a 0,95 a 25 0,000015 b 0,021 b 16,2 b 0,79 b 50 0,000012 c 0,050 c 12,9 c 0,39 c 75 0,000010 d 0,063 d 10,9 d 0,38 d 100 0,000008 e 0,083 e 9,1 e 0,22 e
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
4.2 Concentrações e taxas de enriquecimento por nutrientes presentes no sedimento erodido
As concentrações de P no sedimento erodido (Tabela 4) foram altas para 0 e 25% de cobertura do solo (CS), médios para 50 e 75% de CS e baixas para CS igual a100%. Estes resultados são concordantes com Schick et al. (2000), os quais observaram que o P está associado aos colóides do solo, cujo transporte é muito intenso com o aumento da presença da fração argila no sedimento erodido. Altas concentrações de P foram obtidas por Hernani et al. (1999), em estudo sobre diferentes sistemas de manejo e as perdas de MO e nutrientes por erosão. Eles observaram que estas altas concentrações de P foram devidas à sua adsorção específica e baixa solubilidade.
Tabela 4. Concentrações de nutrientes no sedimento erodido em função da percentagem de cobertura do solo.
Cobertura do solo P K Ca Mg Mg dm-3 --- Mmolc dm-3 --- 0 63,5 a 3,9 a 48,9 a 19,5 a 25 44,1 b 3,0 ab 30,1 b 11,6 b 50 37,5 c 2,0 bc 4,1 c 1,8 c 75 30,5 c 1,5 c 5,1 c 2,7 c 100 13,8 d 1,0 c 3,3 c 1,2 c
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
As concentrações de Ca e Mg para CS igual a 0% podem ser consideradas altas (Tabela 4). Com a presença de resíduos em superfície, para ambos nutrientes, os tratamentos diferiram significativamente em relação à CS de 0%. Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012) observaram que um incremento na cobertura do solo, por resíduos de cana-de-açúcar, significativamente, reduziu a concentração de Ca e Mg no sedimento erodido.
Quanto as concentrações de K, no sedimento erodido, verifica-se, a exemplo de Silva et al. (2012), que elas foram semelhantes para 0 e 25% de cobertura do solo (CS). Para 75% e 100% de CS por cana de açúcar, as concentrações de K foram significativamente menores, em comparação a 0 e 25% de cobertura do solo. Silva et al. (2012) não observam diferenças significativas para as concentrações de K no sedimento erodido, para 0, 25, 50, 75 e 100% de CS. Tal fato foi atribuído à aplicação de vinhaça e à alta mobilidade do K no solo.
Um problema na aplicação de P e K, segundo Silva et al. (2012), refere-se ao fato que os fertilizantes e corretivos são aplicadas em superfície e não há incorporação deles no solo. Em períodos chuvosos, dias após a aplicação destes produtos nas condições mencionadas, a erosão em entressulcos pode resultar em sérios problemas ambientais, quanto a qualidade das águas superficiais, devido a carga de nutrientes que a erosão introduzirá nos corpos d´água.
Verifica-se na Tabela 5 que o sedimento erodido apresentou-se, para alguns tratamentos, significativamente enriquecido por MO e nutrientes (P, K, Ca e Mg). Os níveis de enriquecimento (Er), obtidos como relação entre concentração de MO e nutrientes no sedimento erodido para aquela no solo original. Quando Er > 1, considera-se o sedimento enriquecido com MO, P, K, Ca e/ou Mg (SOUSA et al., 2012). Nesta condição o sedimento erodido apresentou-se, em relação a CS de 100%, significativamente enriquecido por: 1) MO, para CS de 0 a 25%; 2) P, para CS de 0 a 50%; 3) K, para CS de 0 a 75%; 4) Ca e Mg, para CS de 0 a 25%.
Tabela 5. Taxas de enriquecimento do sedimento erodido por matéria orgânica (MO) e nutrientes fósforo(P), potássio( K), cálcio(Ca) e magnésio( Mg).
Cobertura do solo MO P K Ca Mg % 0 1,7 a 2,1 a 2,8 a 1,8 a 2, a 25 1,1 ab 1,5 b 2,2 ab 1,1 b 1,5 b 50 0,8 b 1,2 b 1,5 bc 0,2 c 0,2 c 75 0,7 b 1,0 b 1,1 c 0,2 c 0,4 c 100 0,4 b 0,5 c 0,7 c 0,1 c 0,2 c
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
Considerando-se então que ER ≤ 1 é, em tese, uma condição ideal para
configurar a efetividade da presença de resíduos como prática de controle não só das perdas de solo, mas também das perdas de MO e nutrientes por erosão, determinou-se que para ER igual a 1, nas condições experimentais testadas, ser necessário uma cobertura mínima do solo (CS) para o não enriquecimento do sedimento por MO, P, K, Ca e Mg, nesta ordem, igual a: 37%, 61%, 82%, 21% e 32% (Tabela 6). Logo, os nutrientes P e K são os que necessitam de uma maior
cobertura do solo por resíduos, para garantirem uma taxa de enriquecimento igual a 1.
Pelo exposto, aplicações de fertilizantes e corretivos em superfície podem representar um problema ambiental, caso a cobertura do solo não seja suficiente para controlar as perdas de sedimento e os nutrientes presentes no mesmo. Este aspecto parece relevante, uma vez que há projetos de utilizar os resíduos da cana- de-açúcar na cogeração de energia e na produção do álcool de terceira geração. O presente trabalho, bem como os de Martins Filho et al. (2009), Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012), permite observar que a manutenção dos resíduos das áreas de produção de cana-de-açúcar é fundamental para a conservação do solo. Por fim, conclui-se que há a necessidade de mais estudos para subsidiar o quanto de palha poderá ser retirado dos canaviais sem comprometer a conservação do solo e da água.
Tabela 6. Correlações entre taxas de enriquecimento (ER) e cobertura do solo (CS) para o modelo ER = a e-b CS e CS para ER igual a 1.
Parâmetros ERMO ERP ERK ERCa ERMg a 1,680 2,080 2,903 1,894 2,609 b -0,014 -0,012 -0,013 -0,030 -0,030 R2 0,99 0,95 0,99 0,94 0,95 Significância p<0,01 p<0,01 p<0,01 p<0,01 p<0,01 CS para ER =1 (%) 37 61 82 21 32
a e b – constantes ajustadas; R2 – coeficiente de determinação.
4.3 Concentrações e perdas de nutrientes na água da enxurrada
É possível afirmar que a presença de resíduos sobre a superfície do solo reduz o efeito do impacto das gotas de água da chuva, dissipando a energia das gotas de água da chuva, o que reduz a desagregação do solo e preveni o selamento superficial, com consequente redução da taxa de enxurrada pelo aumento no represamento e na taxa de infiltração de água (LICHNER et al., 2011; SILVA et al.; 2012), o que explica o significativo decréscimo nos valores de perdas de água em função da cobertura do solo obtidos no presente trabalho (Tabela 7).
A concentração de P na água na enxurrada foi baixa, independentemente da porcentagem de cobertura da superfície do solo por resíduos de cana-de-açúcar (Tabela 7). Tais resultados apresentam a mesma ordem de grandeza dos valores obtidos por Bertol et al. (2004) em Nitossolo Háplico sob sistemas de manejo (solo sem cultivo, preparo convencional, semeadura direta) no cultivo de milho e feijão. Observa-se que a maior concentração de P ocorreu com 100% de cobertura. Isto pode ser explicado pelo manejo com a manutenção da palha após a colheita, a qual em parte mineralizou disponibilizando P para o transporte pela enxurrada e, também, pela aplicação de adubo fosfatado na superfície do solo. Tais resultados também são corroborados pelos de Bertol et al. (2004).
Tabela 7. Perdas de água e Concentrações de nutrientes na água da enxurrada em função da cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar.
Cobertura Perda de água P K Ca Mg Na
% L Mg L-1 --- Mmolc L-1 --- 0 30,7 a 0,010 e 7,9 a 0,125 a 0,114 a 0,078 a 25 28,4 b 0,042 d 7,2 a 0,120 a 0,101 a 0,079 a 50 22,6 c 0,050 c 8,0 a 0,122 a 0,102 a 0,089 a 75 19,0 d 0,060 b 8,2 a 0,122 a 0,102 a 0,092 a 100 15,9 e 0,070 a 8,2 a 0,120 a 0,097 a 0,099 a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
Para o CONAMA 357/2005 o nível crítico de P total não pode exceder 0,020; 0,030 mg L-1,em ambientes lêntico, nas classes 1 e 2 respectivamente, para efeitos de eutrofização (BRASIL, 2005). Deste modo, a concentração crítica de P para efeitos de eutrofização de mananciais foi excedida nos tratamentos de 25%, 50%, 75% e a 100% de cobertura da superfície do solo por resíduos (Tabela 3). Klein ; Agne (2012) afirmaram que as transferências de P por escoamento superficial ocorrem devido a vários fatores, dentre eles o principal é a água que pode transportar materiais orgânicos, inorgânicos e partículas em suspensão. A taxa de infiltração de água no solo juntamente com a intensidade e duração da chuva, rugosidade superficial e a topografia são quem irão determinar a magnitude do escoamento superficial (KLEIN ; AGNE, 2012).
Observa-se que a relação entre a concentração de P na água em função da taxa de descarga da enxurrada (q) pode ser representada por uma função exponencial decrescente (Figura 3). Resultado semelhante foi obtido por Schiettecatte et al. (2007) para a taxa de enriquecimento de MO em função de q.
0,000008 0,000012 0,000016 Taxa de descarga, q, m2 s-1 0,00 0,03 0,06 0,09 F ósf or o na água, Pág ua , m g L -1 Págua = 0,4395 e-0,000020261 q (R2 = 0,80; p<0,01)
Figura 3. Concentração de fósforo na água em função da taxa de descarga da enxurrada.
As maiores e significativas taxas de descarga ocorreram com 0%, 25% e 50% comparativamente a 75% e 100% de cobertura do solo (Tabela 7). A taxa de descarga (q) representa o sedimento transportado por unidade de largura pelo tempo, a qual segundo Schiettecatte et al. (2007) é a melhor expressão da intensidade de erosão.
Um aumento em q corresponde a outro na capacidade de transporte de sedimentos, o que reduz a seletividade do processo de erosão em entressulcos e propicia o transporte de agregados e partículas de maiores tamanhos. O enriquecimento por P devido à erosão em entressulcos é atribuído à associação do fósforo com as frações mais finas do solo como matéria orgânica, silte e argila, as quais são preferencialmente transportadas pela enxurrada (KUHN et al., 2010). Esta é, provavelmente, uma explicação fundamental, para um melhor entendimento das
maiores concentrações de P na água da enxurrada nos tratamentos com cobertura por resíduos de cana-de-açúcar em relação à testemunha (0%).
As diferenças significativas dos valores médios de concentração dos nutrientes (K, Ca, Mg e Na) na água transportada pela enxurrada, para cada nível de cobertura por palha sobre a superfície do solo, são apresentadas na Tabela 7.
A concentração de K na água da enxurrada não apresentou diferença significativa entre os níveis de cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar. Esses resultados divergem de Bertol et al. (2004), que, ao estudarem concentração e a perda de K na água de enxurrada, obtiveram valores decrescentes à medida que aumentou o percentual de palhada. Contudo, os resultados são semelhantes aos de Souza et al. (2012) obtidos com as mesmas percentagens de resíduos de cana-de- açúcar.
No caso do K, a concentração na água da enxurrada foi relativamente alta (Tabela 7), em todos os tratamentos concordando com Bertol et al. (2004), o qual obteve para milho no sistema de semeadura direta sobre resíduos dessecados valores de 8,8 mg dm-3 de K. A maior concentração de K na água da enxurrada pode ser explicada pela deposição desse nutriente na superfície do solo, devido à decomposição dos resíduos da palha de cana de açucar e pela aplicação da vinhaça na área cultivada com cana-de-açúcar. Esta última prática é comum em áreas de produção de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. Considera-se que uma concentração de K superior a 2,0 mg L-1 presente na água é crítica para fins de irrigação (ALMEIDA, 2010). Deste modo, a água da enxurrada para todos os tratamentos apresentaram concentrações superiores ao referido valor ( 7,2 a 8,2 mg L-1, Tabela 7).
Quanto às concentrações de Ca, Mg e Na em água da enxurrada observa-se que estas não diferiram entre os tratamentos (Tabela 7). Para os nutrientes Ca e Mg suas concentrações na água da enxurrada foram semelhantes entre os tratamentos. Pode-se afirmar que os valores de concentração de Na foram muito baixos e que não ocorreu mudança no caráter sódico da água. Esses dados estão de acordo com Sousa et al. (2012), que observaram a não mudança do caráter sódico da água de irrigação analisada para as culturas do feijão e maracujazeiro. As concentrações de Ca, Mg e Na estão na faixa aceitável para água de irrigação segundo Almeida (2010): 0 a 200 mmolc/L de Ca; 0 a 50 mmolc/L de Mg; 0 a 400 mmolc/L de Na. Para
concentrações de Ca + Mg inferiores a 5,0 mmolc/L e Na inferiores a 3 mmolc/L a água pode ser classificada como sem restrição para irrigação, o que é o caso dos resultados do presente trabalho.
As perdas de K na água da enxurrada foram relativamente altas (4,4 a 5,1 kg ha-1, Tabela 8), as quais corroboram resultados de Bertol et al. (2004). Tais perdas relativamente altas podem ter ocorrido pela sistemática aplicação de vinhaça na área, além do fato de o K ser altamente solúvel em água. Provavelmente, esta também tenha sido a causa principal das perdas de K não diferirem significativamente entre si (p>0,05). Os resultados apresentados alertam para uma preocupação quanto às aplicações regulares de vinhaça em áreas de produção de cana-de-açúcar.
No caso das perdas de Ca e Mg, na água da enxurrada, estas foram baixas para todos tratamentos e não diferiram significativamente entre si (p>0,05, Tabela 8). As perdas de Ca e Mg foram inferiores às obtidas por Bertol et al. (2004) na água da enxurrada em solo desnudo (Ca = 321 kg ha-1; Mg = 254 kg ha-1) e sob plantio direto com palhada dessecada (Ca = 674 kg ha-1; Mg = 428 kg ha-1). Quanto às perdas de Na, estas foram baixas, uma vez que a concentração deste elemento no solo não é expressiva.
Tabela 8. Perdas de nutrientes na água da enxurrada em kg ha-1.
Cobertura (%) P × 10-3 K Ca Mg Na 0 6,1 a 4,8 a 3,1 a 0,8 a 1,1 a 25 26,1 b 4,4 a 3,0 a 0,7 a 1,1 a 50 30,7 c 4,9 a 3,0 a 0,8 a 1,3 a 75 36,9 d 5,1 a 3,0 a 0,8 a 1,3 a 100 43,0 e 5,0 a 3,0 a 0,7 a 1,4 a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
A razão de adsorção de sódio (RAS) foi inferior a 3 (mmolc L-1)1/2, em todos os percentuais de cobertura do solo por resíduos de cana, visto ser este valor de RAS considerado crítico (ALMEIDA, 2010), para a água ser classificada como não restritiva para fins de irrigação (Tabela 9).
Tabela 9. Atributos relativos a qualidade da água.
Cobertura RAS CE×10-3 DBO
520 Turbidez pH (mmolc L-1)1/2 dS m-1 mg L-1 UNT 0 0,2 a 0,2 a 0,7 a 4,4 a 6,2 a 25 0,2 a 0,2 a 0,6 b 3,7 b 6,2 a 50 0,3 a 0,2 a 0,6 b 3,4 c 6,2 a 75 0,3 a 0,2 a 0,6 b 3,0 d 6,2 a 100 0,3 a 0,2 a 0,5 c 2,9 e 6,2 a
RAS - razão de adsorção de sódio; CE – condutividade elétrica, DBO520 _ Demanda
bioquímica de oxigênio aos 5 dias. Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem, significativamente, pelo teste Duncan a 5% de probabilidade.
A Condutividade elétrica da água da enxurrada não foi influenciada pela cobertura do solo significativamente (p>0,05, Tabela 9). Além do exposto, os valores de CE foram nas referidas condições inferiores a 0,7 dS m-1, que é o valor que determina a classe sem restrição para uso da água na irrigação em função da condutividade elétrica. A concentração de DBO5 variou de 0,5 a 0,7 mg L-1 de O2 (Tabela 9). Tais valores encontram-se dentro do limite estabelecido pela Resolução Conama no 375/2005 para corpos de água doce de Classe I (3 mg L-1 de O
2). c para decompor a matéria orgânica existente na água num período de 5 dias.
Na Figura 4 observa-se que a cobertura da superfície do solo por resíduos teve significativo efeito na redução da DBO5 da água da enxurrada. Trabalhos de Martins Filho et al. (2009), Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012) demonstraram que o aumento da percentagem de cobertura do solo por resíduos de cana-de- açúcar reduzem a concentração de matéria orgânica presente na enxurrada. Tais resultados corroboram, portanto, os resultados apresentados na Figura 2d.
0 25 50 75 100 Cobertura do solo, CS, % 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 DB O5 20 DBO520= 0,7044 - 0,0018 CS (R2 = 0,82; p<0,05)
Figura 4. Demanda bioquímica de oxigênio aos 5 dias (DBO520) da água da
enxurrada, em função da cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar.
A concentração de turbidez variou de 4,4 a 2,9 NTU (Tabela 9), cujas
concentrações estão abaixo do limite estabelecido pela Resolução Conama no
375/2005 para corpos de água doce de Classe I (40 UNT). A análise estatística demonstrou que houve diferença significativa (p<0,05) de turbidez entre as porcentagens de cobertura do solo, tal que o maior valor foi obtido para 0% de cobertura por resíduos de cana-de-açúcar. Na Figura 5 observa-se que a cobertura da superfície teve significativo efeito na redução da turbidez da água da enxurrada. Isto era esperado, uma vez que trabalhos de Martins Filho et al. (2009), Sousa et al. (2012) e Silva et al. (2012) demonstraram que o aumento da percentagem de cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar reduzem a concentração de sedimentos presentes na enxurrada.
0
25
50
75
100
Cobertura do solo, CS, %
2,4
2,8
3,2
3,6
4,0
4,4
4,8
Tu
rb
id
ez
, U
N
T
Turbidez = 4,25 - 0,0155 CS (R
2= 0,94; p < 0,01)
Figura 5. Turbidez da água da enxurrada em função da cobertura do solo por resíduos de cana-de-açúcar.
Os valores de pH apresentados na Tabela 9 não apresentaram diferença significativa para todas coberturas com 0%, 25% , 50%, 75% e 100%. Os valores variaram no intervalo de 6,1 a 6,3. Tal faixa de valores está dentro da amplitude considerada normal que é de 6,5 a 8,4 para uso da água na irrigação (AYER e WESTCOT, 1999). A classificação da acidez, para todos os valores de cobertura do solo, pode ser considerada como fraca. Esta classificação está de acordo com Ayer ; Westcot (1999).
Pelos resultados apresentados para RAS, CE, DBO5, turbidez e pH foi
possível avaliar que a água proveniente da enxurrada, devido a processo de erosão em entressulcos, enquadra-se nos limites estabelecidos pela Resolução Conama no 375/2005 para corpos de água doce de Classe I. Tal classe refere-se as águas que podem ser destinadas para: consumo humano após tratamento simplificado; proteção das comunidades aquáticas; recreação de contatos primários, tais como natação, esqui aquático e mergulho. Contudo, deve-se ressaltar que as
concentrações de K e P na água da enxurrada podem ser consideradas críticas para fins de irrigação e início de eutrofização da água. No Brasil a legislação do CONAMA no 375/2005 estabelece que o nível crítico de P total na água é de 0,020 – 0,025 mg L-1 para corpos de água doce Classe I.