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CHAPITRE II. LA MECANIQUE DES FLUIDES NUMERIQUE (CFD)

2.8. Méthodes de discrétisation

Após terem sido abordadas algumas formas de desencadear emoções, e a sua utilidade prática, serão agora abordados os tipos de emoção, e a forma como se desencadeiam e como são exibidas ao nível do corpo. Mas antes, torna-se necessário apresentar algumas das suas características mais importantes, para posteriormente se compreender a sua representatividade nos contextos relacionais. Assim, e para caracterizar a emoção, faz sentido chamar aqui, aquilo que Marques-Teixeira considera como as

"qualidades únicas'1'' das emoções, (Quadro 2), e que entre outras, há pelo menos três Quadro 2 - Qualidades das Emoções. (In Marques-Teixeira, 2003: 51)

Instabilidade

\7

Duração

\7

Intensidade

[//

\7

JÂ

Localização <

\7

JÂ

y\ Parcialidade

rV

\7

JÂ

Conteúdo

\7

JÂ

Valência

\7

Intencionalidade

que descreve como características específicas: Em primeiro lugar, «são corporizadas e

manifestam-se em padrões de expressão facial, de comportamento e de activação autonómica, reconhecíveis e estereotipados» pelo que podemos vê-las em nós e nos

outros, mesmo contra a sua vontade. Em segundo lugar, «são menos susceptíveis às

nossas intenções», o que nos impede o seu controlo, nomeadamente nas emoções básicas,

jamesianas, por serem desencadeadas, frequentemente "antes e em oposição às

deliberações racionais que lhe dizem respeito" (W. James, 1890, in Marques Teixeira,

2003:51). E por último e como o autor defende, como sendo a característica mais

Marques Teixeira (2003), ao caracterizar e descrever as emoções, atribui-lhe «qualidades únicas que as

distinguem de outros estados mentais» considerando assim que (no Quadro 2, no sentido dos ponteiros do

relógio) para cada emoção há as seguintes qualidades: «a Intensidade: o seu grau de activação;

Parcialidade: focagem numa área restrita e expressão de uma perspectiva pessoal; Valência: com sinal positivo ou de aproximação ou o inverso; Intencionalidade: direcção do comportamento activado por um estado emocional; Conteúdo: tipo de emoção desencadeada; Localização: agregado mais ou menos corporalmente localizado, das manifestações corporais; Duração: tempo de activação do estado emocional; e Instabilidade: zona de desequilíbrio comportamental e psicológico», (p. 51)

sentimos perante o que vemos, como «quando se está triste o mundo parece mais

sombrio» (p.51) ou o inverso para uma emoção positiva.

Com esta abordagem pretende reconhecer-se, em primeiro lugar, que as experiências emocionais têm as suas próprias expressões faciais e corpóreas, que no conjunto identificam um tipo de emoção. Em segundo lugar, pretende dar-se relevância, ao facto de que as expressão emocionais e as formas como são percebidas subjectivamente pelos próprios que as sentem, permitem modificar a apreciação valorativa cognitiva, que é dirigida a si mesmo, e aos contextos em que decorrem. E estes fenómenos, ajudam a reconhecer a sua utilidade na vida intra e inter relacional, nomeadamente no tecido educativo.

Para reconhecer mais detalhadamente a emoção, o próximo sub-capítulo apresentará uma tipologia específica, essencialmente baseado nos trabalhos de Damásio (1995, 1999, 2000), por ser considerado este um trabalho de investigação consistente nesta temática, para os objectivos que aqui se pretendem atingir, além de lhe ser reconhecida maior actualidade e maior abrangência.

Das Emoções de Fundo

Este conceito de emoções de fundo, é encontrado em Damásio (1995, 2000), que os entende como processos reguladores da vida, tais como «o mal-estar, o bem-estar, a

calma ou a tensão» (p.72), que são principalmente desencadeadas por indutores internos

relacionados com a homeostasia e a homeoresia, e portanto, o seu alvo é mais interno do que externo. Dizem respeito aos processos de regulação biológica, de aferição endócrino- metabólica aos contextos circadianos, e no homem, permitem «ter os sentimentos de fundo

de fadiga ou energia, de esperança ou desencorajamento» (2000: 73)

E nesta apresentação, como podem ser detectadas?

Um pormenor que importa a este estudo, é perceber como podem ser detectadas, o que o autor esclarece que são perceptíveis através de «pormenores subtis relacionados

com a postura corporal, como a velocidade e contorno dos movimentos, com modificações mínimas na quantidade e velocidade dos movimentos oculares e no grau de contracção dos músculos faciais» (p.73), e posteriormente (2003: 61) acrescenta que são

reveláveis através «manifestações subtis, tais como o perfil dos movimentos dos membros

ou do corpo inteiro - a força desses movimentos, sua precisão, frequência e amplitude - bem como expressões faciais». Damásio também sustenta que estas emoções de fundo, são

os estados de corpo que originam os «sentimentos de fundo» (2000: 326, 327), em que destaca por exemplo, a fadiga.

Das Emoções Básicas ou Primárias

São reacções instintivas, inatas, próprias dos animais inferiores e do homem, e algumas delas semelhantes, (Darwin, 1872, in LeDoux,95 2000) como resposta corporal a

um perigo real ou retido em memória.

São processadas, obedecendo a um desencadear neurológico: o estímulo (EEC) é percepcionado pelos órgãos da percepção (visual, táctil, auditiva ou gosto, entre outros) que processam a informação e depois detectado pela amígdala temporal, em cujos núcleos neuronais há representações de disposições que desencadeiam a activação {arousal) de um estado do corpo, característico do tipo de emoção, inerente à avaliação feita (fuga, aproximação), e que a seguir será exibida no corpo (fácies ou corpo propriamente dito). Sobre esta exibição não há controlo imediato neocortical, já que o conjunto de respostas desencadeadas pela amígdala podem ser musculares e ou viscerais (do SNA, sobre o qual não há controlo volitivo), respostas para os núcleos neuro-transmissores, e para o eixo hipotálâmico-hipofisário, que colocará em marcha respostas neuro-endócrino-metabólicas. São o tipo de emoções que, por terem uma avaliação neocortical do estímulo, mais tardia que a detecção da amígdala a esse estímulo, podem desencadear comportamentos menos adequados ou ííimpulsivos,\

Damásio (1995:146) considera-as reacções emocionais pré-programadas, por serem «reacções imediatas, quando são detectadas, no nosso corpo ou fora dele, com

determinadas características de estímulos», tal como o tamanho, a envergadura, o tipo de

O autor explora as pesquisas da obra de Darwin: The Expression of the Emotions in Man and Animals (1872), em que foram observadas semelhanças notáveis, como a perda de controlo de esfíncteres perante o medo ou o perigo, o pelo eriçado, a semelhança entre os grunhidos do homem zangado e o dos animais, a emissão de sons violentos, as expressões faciais semelhantes às expressões de animais.

Mas é importante que se mencione como estes autores, apresentam boas apresentações exemplificadas de «emoções sociais em chimpanzés, golfinhos, leões, lobos, e cães e gatos» (Damásio, 2000: 63, 64), e de como «as emoções se podem observar em animais e de como elas correspondem a

estados internos, como por exemplo: as deambulações orgulhosas de um macaco dominante, o comportamento aristocrático de um liderdominante, no comportamento humilhado de um animal que não domina os seus pares e tem que ceder espaço e alimento, a compaixão que um elefante demonstra para com outro quando está ferido ou sofre, o embaraço de um cão que fez o que não devia» (p.63, 64).

(determinando acções de aproximação). Darwin que estudou as expressões corporais em diferentes espécies, descreveu inúmeras semelhanças deste tipo de exibição emocional, entre os homens e os animais, e a comprovar o seu inatismo, exemplificou com o fenómeno dos cegos, que não tendo podido aprender as expressões faciais das emoções primárias, não deixavam de as exibir.

As características de transculturalidade e a universalidade das emoções primárias levaram a que os teóricos como Tomkins e Izard (já apresentados) criassem a Teoria Diferencial, com as onze emoções primárias: o Interesse, a Alegria, a Surpresa, a Angústia, a Cólera, o Nojo, o Desprezo, o Medo, a Vergonha, a Culpa e a Tristeza; e que Paul Ekman (1992), identificasse: o medo, a tristeza, a surpresa, a felicidade, a zanga e a aversão, a que Plutchik (1980, 1989, in Strongman, 1998) viria a acrescentar a aceitação, o pressentimento e a surpresa. Esta brevíssima exemplificação de emoções inatas, é suficiente, para podermos compreender como pode ser enriquecida a nossa exposição corpórea do experienciar deste fenómeno.

A experiência emocional, pode ter a exibição de uma emoção apenas, ou ter inúmeras expressões combinadas (tal como defendeu Plutchik, ao apresentar as suas díades emocionais, para emoções mais complexas) e podem ser vividas consciente e ou inconscientemente. O facto de serem perceptíveis pelo próprio e observáveis, podem ser assumidas conscientemente e ter impacto social e relacional, razão porque aqui têm especial importância, dado que algumas delas já foram apresentadas em estudos (Vieira e Relvas, 2003; Esteve, 1995; Lopes, 2003) anteriormente abordados.

Mas são também curiosamente prestáveis para o desenvolvimento desta pesquisa o tipo de relações que as pulsões ou necessidades de vida desencadeiam com as emoções e vice-versa. Por exemplo (Damásio, 2000, 2003; Fischer, Shaver, e Carnochan, 1990), o medo, a tristeza e o nojo, inibem a sensação de fome e a actividade sexual. Mas por outro lado, estas mesmas necessidades/ actividades são estimuladas pelas emoções de alegria, que é por sua vez, reciprocamente desencadeada pela saciação destas necessidades básicas. Todavia, se o indivíduo for bloqueado nessa saciação, são desencadeadas a tristeza, o desprezo, a zanga. Há uma relação íntima entre este tipo de fenómenos e a noção de homeostasia e homeoresia, e a noção de que os estímulos induzem emoções e que a vivência destas emoções podem em si mesmas constituir-se como EEC, para novo exibir de emoção e consequente comportamento emocional, tem aqui cabimento, e encontra nesta ideia um bom exemplo de interacção simbólica, nos contextos de vida.

Emoções Secundárias ou Sociais

Estas emoções, dada a sua natureza e objectivo, sobretudo porque se expressam moduladas pela aprendizagem e pelas relações sociais, têm aqui uma importância particular.

São também experiências de tonalidade emocional, que também podem ter iniciado com uma estimulação a partir das amígdalas temporais, e obedecendo a todo o processamento relativo ao das emoções primárias, mas agora há a nítida intervenção do processo cognitivo, com uma - possível senão determinante - deliberação do pensamento. Assim, podem ser submetidas ao controlo volitivo, e ser moduladas, inibidas ou adaptadas aos sentidos de ética, estética e funcionalidade relacional, bem como ao simbolismo de que estão imbuídas, conforme as experiências de vida, a culturalidade ou a aprendizagem.

Do ponto de vista do corpo (Damásio, 1995), estas emoções têm um processamento complexo e elaborado, mas importa sobretudo que, em essência, e por oposição às anteriores, há a actuação de um EEC ao nível da amígdala, a partir da qual será desencadeado o efluxo entre a amígdala e o córtex frontal ventromediano (não presente nas emoções básicas, primárias), que por sua vez, enviará através da amígdala as mensagens ao corpo e ao cérebro (nomeadamente a outros cortices pré-frontais), que irão desencadear o conjunto de acções que identificam a exibição destas emoções. O exibir deste tipo de emoções pode solicitar a intervenção do córtex pré-frontal, e portanto é de natureza também racional.

Segundo Damásio (2003) as emoções sociais incluem «a simpatia, a compaixão, o

embaraço a vergonha, a culpa, o orgulho, o ciúme, a inveja, a gratidão, a admiração e o espanto, a indignação e o desprezo» (p.62). No contexto social e inter relacional, há um

sem número de estímulos e respostas aos mesmos, porque estas emoções se podem decompor ou complexificar, em intensidade e tempo de expressão. Uma experiência de uma emoção básica, por exemplo de tonalidade negativa, que tiver ficado em «marcador

somático» pode no futuro modificar não só o mapeamento das organizações

neuroquímicas no corpo, como também o mapeamento das imagens mentais, relativamente a essa experiência vivida. Os sentimentos de fundo e os sentimentos (do domínio da consciência) podem agora inibir o desencadear deste tipo de emoções e também a sua exibição. As experiências emocionais são um contributo valioso de

e inserida no nosso marcador somático. A empatia é um dado biológico, estamos filogeneticamente preparados para emitir e percepcionar emoções nos outros, principalmente se está inserida em nós como experiência emocional consciente.

Esta ideia leva-nos a uma noção que importa referir: estas emoções utilizam os processos e os meios de activação das emoções primárias, mas nem sempre necessitam da presença de estímulo (EEC), já que algumas delas, tal como em Ekman (2004) se reconhece, podem ser desencadeadas a partir de memórias, crenças ou perspectivas interiores, mas há outras (e é aqui que a empatia importa ser reconhecida) que são moduladas a partir do tipo de impressão que damos aos outros. Como Damásio (200096)

esclarece «algumas qualidades físicas promovem certas respostas emocionais nos outros» (p.65, 66), pelo que algumas emoções sociais podem desencadear um feedback inconsciente de respostas emocionais.

Outro ponto a ser focado, é a natureza de emoções sociais, inerentes aos momentos de opção pessoal. Quando assumimos preferir esta ou aquela forma de estar, perante uma filosofia política ou religiosa, ou algo mais elementar como gostarmos de chocolate, arenque, ou da cor vermelha, em detrimento de café, lula e da cor laranja, nestas "opções" estiveram vivências de tonalidade emocional, que tiveram como base, as aprendizagens pessoais, de natureza intra relacional, com os outros, e em geral, com o mundo. Uma vez apreendidas as percepções e as (eventuais) avaliações das emoções primárias, poderemos, num plano mais cognitivo, construir comportamentos que emergem de emoções sociais, de livre arbitrium, de aceitação ou recuo, perante pessoas, grupos (experienciando enfado, tristeza, ou neutralidade com uns, e alegria ou felicidade com outros), objectos (sentindo alegria ou apreciando as formas estéticas de uns e curiosidade ou espanto com outros) ou actividades, sentindo que entramos em fluxo (Csikszentmihalyi , 2004) com algumas, e sentindo aversão com outras.

O autor, defende que se reflecte o fenómeno de história evolucionária, já que «para quem observa tais

respostas, e por vezes para quem as exibe, estas emoções aparecem sem qualquer motivo aparente, porque a sua origem reside nos mecanismos automáticos da emoção social», (p.66)

7 CSIKSZENTMIHALYI, defende nesta obra que executar ou levar acabo qualquer actividade, é tanto mais despoletador de prazer, quanto mais esse prazer se relacionar com a forma e menos com a substância e além disto , considera que há uma motivação interior para a acção, que em alguns se baseia numa activação (arousal) para continuar as tarefas, e noutros passa a ser cognitivamente construída. Para explicar o fenómeno filogenético do corpo em fluxo, diz: «estamos programados geneticamente para obter prazer da

sexualidade.É o modo inteligente com que a evolução garante que os indivíduos se comprometam em actividades que provavelmente os conduzirão à procriação e à manutenção da espécie» (p.158). Este

Quase tudo, com que entramos ou não em interacção, directa ou indirecta, desde pessoas, projectos e lugares, está carregado de um simbolismo, ao qual as reacções e avaliações emocionais não são de modo algum alheios.

Damásio (2003: 181) identifica grupos de emoções sociais que aqui serão apresentadas, para emprestar fundamentação aos fenómenos relacionais no tecido educativo, e como estes podem ser possivelmente reconhecidos, contornados e alterados.

O conjunto integra emoções complexas como:

- O embaraço, a vergonha, a culpa, podem ter com EEC um comportamento ou problema (deficiência física ou percebida «como se», borbulhas, obesidade, magreza extrema, etc.), com consequências comportamentais de evitamento (de punição, de apreciação negativa), de reequilíbrio do próprio ou de grupo e auto-vigilância sobre regras de comportamento social. Têm como base a tristeza, o medo e tendências submissivas.

- O desprezo e a indignação, de tonalidade negativa, têm como EEC, a violação de regras sociais, a injustiça, e têm como consequências: a punição da violação ou a reversão da injustiça, e o policiamento de regras de comportamento social. As emoções primárias que lhe estão subjacentes são a zanga e o nojo.

- A simpatia e a compaixão, são estimuladas (EEC) pelo sofrimento de outras pessoas, e têm como consequência: o dar conforto e reequilibrar a pessoa ou o grupo. Têm como base a tristeza e o apegamento, como processo de vinculação.

- O espanto, a admiração, a elevação, a gratidão e o orgulho, de tonalidade

agradável, são estimuladas pelo reconhecimento (no outro ou no próprio) de uma contribuição para a cooperação e para a solidariedade, tendo como consequências a recompensa pela cooperação. Têm como base a felicidade e a alegria.

Como acaba de ser exposto, o contexto relacional é rico em composições emocionais que se interligam, se estimulam entre si, (dado o efeito de contágio que as emoções têm ao nível dos seres vivos) e se projectam nos outros. Podem ser percebidos pelos outros, e desencadear assim, comportamentos ou sentimentos emocionais de resposta, e nesta amálgama está sempre implícita uma intencionalidade, um significado valorativo situacional, que o sujeito pode mais ou menos direccionar para os seus objectivos. É este conjunto de fenómenos, nomeadamente no que diz respeito à relação

conceito, integra nuances da função biológica das emoções e busca, quando o fluxo é conseguido o mesmo tipo de harmonia.

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