I.2 Negative Bias Temperature Instability
I.2.7 Méthodes de caractérisations
A entrevista, como ferramenta da investigação qualitativa, permite a recolha da dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, possibilitando ao investigador obter uma perceção sobre a forma como os sujeitos interpretam aspetos do mundo que os rodeia (Bogdan & Biklen, 1994).
As entrevistas exploratórias, segundo Oppenheim (1992), são essencialmente heurísticas e procuram mais encontrar hipóteses do que recolher factos e números, pretendendo obter dos participantes um relato rico, profundo, autêntico e honesto relativo às suas experiências.
Deste modo, nesta investigação, as entrevistas realizadas foram assumidas como estudo exploratório e tiveram como principal objetivo compreender o modo como alguns professores do agrupamento de escolas selecionado, com funções de gestão ou coordenação, percecionam as tecnologias digitais em termos gerais e a sua utilização em contexto educativo, de forma a perspetivar como poderão as tecnologias contribuir para o desenvolvimento profissional e melhoria das práticas letivas dos docentes, e ainda, motivar estes professores para a colaboração no projeto de formação.
No Quadro 10, a seguir, sistematiza-se o guião das questões e objetivos da entrevista.
Quadro 10 – Objetivos específicos, questões e tópicos da entrevista
Objetivos específicos Questões da entrevista Tópicos
Caracterizar em geral a perspetiva dos professores sobre a importância das tecnologias digitais na sociedade e na sua vida pessoal.
Caracterizar o tipo de utilização que os professores fazem das tecnologias nos planos pessoal e social.
I. As tecnologias na vida em sociedade
Como é que os professores usam as tecnologias digitais no dia-a-dia em termos pessoais e sociais? Para fazer o quê em concreto?
Contextos Recursos
Práticas/atividades Utilidade das tecnologias
Caracterizar a perspetiva dos professores sobre a importância das tecnologias digitais na escola em geral e na atividade de ensino em particular. Caracterizar o tipo de utilização que os professores
em geral fazem das tecnologias no plano profissional (preparação de aulas, trabalho dos alunos, desde a sala de aula até contextos menos formais de aprendizagem).
II. As tecnologias na minha escola
Como é que enquanto professores usamos as tecnologias na escola? Para quê em concreto?
Que tipo de atividades já realizam os alunos com tecnologias em contexto curricular?
Contextos Práticas/atividades Recursos
Atores
Caracterizar a predisposição dos professores para a mudança com base na utilização das tecnologias digitais nas suas práticas.
Caracterizar a perspetiva dos professores acerca da utilidade didática e pedagógica das tecnologias (benefícios, constrangimentos e desvantagens). Identificar possibilidades concretas propostas pelos
professores para melhorar as práticas de ensino e de aprendizagem com recurso às tecnologias.
Identificar a perspetiva dos professores sobre a formação contínua e o seu formato para promover a integração das tecnologias na escola.
III. As tecnologias na melhoria das práticas
O que se poderia fazer de diferente com tecnologias na atividade docente?
O que melhoraria se as tecnologias fossem mais usadas nas práticas de ensino?
Será que os alunos poderiam aprender de forma diferente e obter melhores resultados? Práticas Propostas e cenários, na formação, de utilização pedagógica das tecnologias digitais
Consciencializar os professores para (a construção de) uma escola digital
Estimular os professores para a
promoção/fortalecimento da cultura digital na escola Estimular a reflexão sobre, por exemplo, o que se
aprende e o que se ensina na escola digital? Como são organizados os tempos e os espaços? Que mudanças são necessárias para que a escola esteja efetivamente inserida na cultura digital?
Identificar cenários desejados de utilização das tecnologias digitais no contexto mais amplo da escola no seu todo.
IV. Escola Digital
O que entendo por uma Escola Digital?
Contextos Práticas/Atividades
Optou-se por uma entrevista estruturada, na medida em que simplifica e reduz o tempo necessário de análise posterior (Bell, 2008), com um guião e formulário para resposta escrita, que foi adaptado de um guião de entrevista usado no projeto escol@ digit@l (Anexo B).
O tempo previsto total de realização desta entrevista exploratória foi de cerca de trinta minutos e solicitou-se aos participantes que respondessem livremente por escrito às quatro questões principais, sem preocupações de forma (como se estivessem a responder oralmente).
A forma das entrevistas, online, ou também designada de e-entrevista deriva das novas potencialidades disponibilizadas pelas TIC na área da investigação, segundo Patrocínio (2004), tendo já sido efetuados inúmeros trabalhos de investigação qualitativa online sintetizados por Clarke (2002) citado em Patrocínio (2004), que considera que o email é adequado para a realização de entrevistas online85. Apesar da perda de profundidade e riqueza do material verbal e não-verbal não recolhido, pelo formato diretivo de resposta escrita, elimina-se também em parte alguma subjetividade inerente à multidimensionalidade das significações exprimidas oralmente, podendo evitarem-se comentários pessoais ou avaliativos do investigador.
Segundo o mesmo autor, esta possibilidade introduzida pelo email abre uma forma de inquirir que permite respostas mais livres e com possibilidade de pedido de clarificação e de efetuar novas perguntas após devolução, num processo que pode ser interativo, ainda que virtual. Como aspetos positivos da e-entrevista destaca-se a possibilidade de efetuar o registo da entrevista eliminando os erros que podem advir da transcrição; o facto de não ser necessário o encontro num mesmo local e a entrevista poder ser respondida no momento mais conveniente por cada entrevistado; e também o maior cuidado, tempo e profundidade na elaboração das respostas dadas pelos entrevistados (Patrocínio, 2004).
No processo de recolha de dados, inicialmente, pretendeu-se efetuar entrevistas escritas online ou e-entrevistas à diretora da escola e coordenadores de departamento, com um guião e formulário para resposta escrita, enviado por email. Optou-se por efetuar as entrevistas online, com questões abertas e sub-questões, numa primeira abordagem, de forma a economizar tempo e recursos, tanto por parte da investigadora como dos professores visados. Caso, as respostas fossem incipientes ou pouco desenvolvidas seria marcada uma visita presencial para aprofundar e complementar a entrevista prévia online.
O que aconteceu nesta investigação foi que os professores, por falta de tempo, segundo eles, não enviaram as respostas no prazo definido, tendo apenas obtido duas respostas em dez numa primeira fase. Deste modo, optámos por restringir o número de respostas e em vez dos coordenadores de departamento, visto as duas respostas inicialmente obtidas serem das coordenadoras do jardim-de-infância e do 1.º ciclo, demos prioridade à marcação de entrevistas com os coordenadores de ciclo, tendo entretanto também recebido resposta da coordenadora de
3.º ciclo. Assim, a última entrevista foi com a diretora, tendo sido realizada de forma presencial utilizando o mesmo guião. As respostas neste caso foram registadas pela investigadora que enviou depois por email o resumo das respostas à diretora, que as leu e confirmou, dando-as como válidas, num processo nomeado de comprovação de dados pelos participantes (Lincoln & Guba, 1985), também utilizado depois para a síntese global das entrevistas.
Na realização da análise de conteúdo, seguiu-se também Bardin (2011), pelo mesmo processo que utilizámos na análise de conteúdo do Diário de campo, iniciando uma pré-análise com a leitura e organização do material recolhido, neste caso, quatro entrevistas, três respondidas de forma online e uma pessoalmente que depois foi transcrita, e com a preparação do material num ficheiro de Word, depois codificado e tratado no software NVivo.
Foram definidas dimensões, categorias e respetivos indicadores, equiparados aos definidos para os diários de campo, por diferenciação e analogia, com a reunião de um grupo de elementos com caraterísticas comuns, organizadas por questão da entrevista, que constituem um primeiro plano de análise de conteúdo, tal como constam no quadro Quadro 11 (a seguir).
Na análise das entrevistas efetuadas a professores da Escola, como já efetuado também na análise do diário de campo, foi escolhido o critério de categorização semântico, por categorias temáticas (Bardin, 2011), tendo sido adotado o sistemas de categorias, com definição operacional dos respetivos indicadores, apresentado no Quadro 12.
Quadro 11 – Plano de análise de conteúdo das entrevistas: dimensões, categorias e indicadores
Dimensões Categorias Indicadores
I. As tecnologias na vida em sociedade
Caracterização da perspetiva geral dos professores sobre a importância e tipo de utilização que os professores fazem das tecnologias nos planos pessoal e social.
Visão
Importância Utilidade Potencialidades Utilização Pessoal e social Com os alunos Como professor
Dificuldades dos professores Recursos e ferramentas Recursos e ferramentas Avaliação da utilização Pelos professores
II. As tecnologias na minha escola Caracterização da perspetiva dos professores sobre a importância das tecnologias digitais na escola e do tipo de utilização que fazem das tecnologias no plano profissional.
Visão Utilidade Potencialidades Atitudes dos professores Favoráveis
Utilização Nas disciplinas curriculares Em atividades e projetos Dificuldades dos professores Recursos e ferramentas Recursos e ferramentas Metodologias e estratégias Com tecnologias digitais (Pr1) Relação pedagógica (Pr3)
Trabalho extra-aula (Pr4)
Efeitos das tecnologias No processo de ensino-aprendizagem Na comunicação Na motivação
III. As tecnologias na melhoria das práticas
Caracterização da predisposição dos professores para a mudança, da sua perspetiva acerca da utilidade didática e pedagógica das tecnologias para melhorar as práticas de ensino e de aprendizagem, identificando a sua perspetiva sobre a formação contínua para promover a integração das tecnologias na escola.
Visão Importância Potencialidades Atitudes dos professores Resistências
Utilização Nas disciplinas curriculares Dificuldades dos professores Recursos e ferramentas Recursos e ferramentas Metodologias e estratégias Com tecnologias digitais (Pr1) Usadas com os alunos (Pr1) Efeitos das tecnologias
No processo de ensino-aprendizagem Na motivação
Na atenção Formação de professores Relevância Benefícios Modelo e método de Formação Caraterísticas Mais-valias
IV. Uma Escola Digital
Consciencialização dos professores para (a construção de) uma escola digital, estimulando a reflexão e promoção de uma cultura digital na escola com a identificação de cenários desejados de utilização das tecnologias digitais.
Visão Utilidade Potencialidades Atitudes dos professores Resistências Utilização
Com os alunos Como professor
Problemas e constrangimentos Recursos e ferramentas Recursos e ferramentas Metodologias e estratégias Com tecnologias digitais (Pr1) Efeitos das tecnologias No processo de ensino-aprendizagem
Quadro 12 – Plano de análise de conteúdo das entrevistas: definição operacional dos indicadores
Categorias Indicadores Definição operacional
Visão
Importância Utilidade Potencialidades
Referências sobre a importância e utilidade do uso de tecnologias digitais e suas potencialidades.
Atitudes dos professores Favoráveis Resistências
Referências às atitudes favoráveis ou resistentes dos professores face à utilização das tecnologias digitais em contexto educativo.
Utilização Pessoal e social Com os alunos Como professor
Referências a diferentes tipos de utilização das tecnologias digitais, ao nível pessoal e social, com os alunos e enquanto professor. Nas disciplinas curriculares
Em atividades e projetos
Referências à utilização das tecnologias digitais ao nível curricular específico de cada disciplina e do desenvolvimento de atividades e projetos.
Problemas e constrangimentos Referências a problemas, constrangimentos e aspetos negativos da utilização das tecnologias digitais em contexto educativo. Dificuldades dos professores Referências às dificuldades dos professores na utilização das tecnologias digitais. Recursos e ferramentas Recursos e ferramentas Referências aos recursos, equipamentos, aplicações e ferramentas digitais utilizadas
em contexto educativo. Metodologias e estratégias Com tecnologias digitais (Pr1) Usadas com os alunos (Pr1)
Relação pedagógica (Pr3) Trabalho extra-aula (Pr4)
Referências às metodologias e estratégias necessárias ou associadas à utilização das tecnologias digitais.
Avaliação da utilização Pelos professores Referências dos professores à necessidade de avaliar a utilização das tecnologias digitais pelos professores.
Efeitos das tecnologias Na comunicação No processo de ensino-aprendizagem Na motivação
Na atenção
Referências aos efeitos da utilização das tecnologias digitais na comunicação, no processo de ensino-aprendizagem, na motivação e na atenção dos alunos. Formação de professores Relevância Benefícios Referências à relevância e benefícios da formação de professores em geral. Modelo e método de
Formação Caraterísticas Mais-valias Referências à metodologia e método de formação usado nas oficinas formação e respetivas mais-valias.
A análise dos dados e resultados da análise de conteúdo das entrevistas encontra-se desenvolvida no subcapítulo 5.1.2.3. Estudo exploratório 3 – Reconhecimento do contexto e entrevistas exploratórias no capítulo 5. Apresentação e análise de resultados.