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Méthodes d’appariement alternatives aux plus proches voisins

No âmbito da P&D, os agricultores familiares em diversas partes do mundo sofreram grande impacto das políticas tradicionais para agricultura. Até o fim dos anos 1990, essas privilegiaram a monocultura e modernização tecnológica via transferência de tecnologia e contribuíram, em muitos casos, para a submissão do homem e a substituição de trabalhadores pela mecanização intensiva, assim como para a perda das terras e a migração forçada dos agricultores familiares que não obtiveram sucesso frente às “regras do jogo” dos mercados, do encarecimento da produção, entre outros problemas. Tais experiências levaram a repensar as concepções de desenvolvimento e os modelos de referência para realização de pesquisas que visem contribuir para a sustentabilidade dos agricultores familiares, dos povos tradicionais e à valorização das culturas locais.

Long (2007) ressalva que desde a década de 1960 os pesquisadores sociais têm buscado investigar os processos de desenvolvimento e as consequentes desigualdades geradas por estes, problematizando tanto as inovações, quanto os fatores culturais e as configurações

institucionais que lhes dão suporte. Esses estudos deram ênfase às questões como os valores tradicionais, as lutas de classe, as inconsistências do ‘moderno’, o papel do Estado e do capital internacional na promoção do desenvolvimento, discussões estas que, invariavelmente, versaram sobre o ‘poder’, deixando às margens das discussões e reflexões temas como: a construção social da sociedade e de suas transformações92. Porém, mais tarde, a desmistificação da ciência através do estudo etnográfico da prática científica e do conhecimento cotidiano trouxe para o campo da pesquisa um novo conjunto de imagens e representações de como se constrói e se organiza o mundo social; convergindo assim para um novo paradigma da pesquisa em inovações agropecuárias focando nas interações e interfaces entre a população local e os pesquisadores para a produção de soluções mais adequadas. 93

O interesse em promover a participação não é recente, não se restringe ao âmbito rural ou da pesquisa, e tem resultado na elaboração de propostas diversas, mas cabe reconhecer que a discussão sobre a participação na pesquisa agrícola tem resultado na criação de modelos próprios. Neste contexto identifica-se um movimento que ocorre tanto na Pesquisa como na Extensão Rural caracterizado pelo “enfoque participativo”. Sob esse enfoque busca-se a atuação efetiva dos participantes nos processos de tomada de decisão e construção de conhecimento, sem considerá-los meros receptores- nos quais são depositados os conhecimentos e informações -, valorizando-se os conhecimentos e experiências dos participantes, envolvendo-os na discussão, identificação e busca de soluções para problemas que emergem de suas vidas cotidianas (LOPES et al. 2001, p. 144).

Na pesquisa participativa aplicada ao campo da agricultura não se pretende substituir a investigação realizada nas estações experimentais, nem descartar a experimentação científica, entretanto é notório que dentro da diversidade de modelos alternativos propostos alguns, como no caso dos “agricultores experimentadores”, secundarizam o papel da pesquisa cientifica. Mais do que negar ou idealizar o potencial do conhecimento tradicional, o desafio da participação dos agricultores na pesquisa concentra-se em propiciar condições de integração dos diferentes tipos de conhecimento e empoderamento dos agricultores (com

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Long e Ploeg (1994, apud MENEZES E MALAGODI, 2011), teorizando sobre o universo rural, apontam que as concepções teóricas – convencionais - focadas nas forças estruturais macroeconômicas, como o movimento e acumulação de capital, ou em concepções dos processos tecnológicos como movimentos universais (a modernização, a revolução verde), ou ainda em uma genérica concepção do desenvolvimento das forças produtivas, deixaram de lado o debate sobre as práticas individuais e coletivas de reprodução, inovação e gestão, bem como sobre os laços grupais, familiares ou comunitários, formais ou informais, que se desenvolvem em conjunto com os processos produtivos (MENEZES; MALAGODI, 2011).

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Em geral, a abordagem defendida por Norman Long está focada no modelo de comunicação de Havelock, que se configura por processos interpretativos e de atores sociais; considerando, porém, que “o vínculo é um processo natural, sendo assim geralmente lento, ineficiente, sujeito a erros e prejuízos”. Então faz-se necessário uma intervenção externas para conduzir esses vínculos?

vistas à eliminação de eventual dependência da pesquisa). 94

Entretanto, as propostas diferenciam-se entre si quanto aos momentos em que se incorpora o agricultor no processo de pesquisa e pela forma como se idealiza a relação entre agricultores e pesquisadores95.

A pesquisa básica, ou seja, pesquisa cientifica experimental ou teórica que visa a aquisição de conhecimento para a compreensão de certos fenômenos, sem qualquer particular aplicação, pode parecer ter menos potencial para a adoção de uma abordagem participativa; isso não implica, necessariamente, que a pesquisa básica deva ser não-participativa, mas remete ao fato que o grau de participação dos interessados pode ser inferior ao observado em projetos de pesquisa mais aplicados, onde as investigações são realizadas principalmente para servir a um propósito prático específico e imediato (SELENER, 1997; SUMBERG et al., 2003). Estudos empíricos mostram que os métodos participativos são aplicados principalmente em estágios em que o conhecimento é orientado para a ação (NEEF; NEUBERT, 2010).

Os desafios da pesquisa aplicada no contexto de modelos alternativos de desenvolvimento são majoritariamente concebidos como questões relativas às formas de interação entre conhecimento científico-popular, técnico-empírico, ou especialista-tradicional. Esforços realizados em décadas anteriores para produzir diálogo entre formas de conhecimento distintas geraram referentes- como a pesquisa-ação - que vem sendo retomados e valorizados. Para Thiollent (2002, p.4), “a pesquisa-ação é realizada em um espaço de interlocução onde os atores implicados participam na resolução dos problemas, com conhecimentos diferenciados, propondo soluções e aprendendo na ação”. Nesse espaço, os pesquisadores, extensionistas e consultores exercem um papel articulador, facilitador, mas também, como observa Noya (1998 e 1999), de aprendizado em contato com o saber dos interessados. Dessa forma, possíveis manipulações devem ficar sob o controle da metodologia e da ética.

Uma das propostas que atende a este ideal é a ideia de co-construção de inovações (TRIOMPHE; SABOURIN, 2006) ou de Concepção de Inovação em Parceria (CIP), a qual associa o princípio da pesquisa-ação (THIOLENT, 2002) e a mobilização dos saberes locais

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A proposta empregada nesse projeto se suporta na tese defendida por Girard e Navarrete (2005) que defende uma redefinição das funções da agricultura na sociedade, onde no contexto dos "sistemas de conhecimento agrícola" devem-sedesenvolver novos modos decolaboração entre agricultores, agentes de desenvolvimento e cientistas; considerando a hipótese de que o conhecimento agrícola pode emergir de uma sinergia entre o conhecimento empírico e o científico.

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Segundo Ernest Stringer (1999 apud THIOLLENT, 2002, p.4), a participação é mais efetiva quando: Possibilita significativo nível e envolvimento; capacita as pessoas na realização de tarefas; dá apoio às pessoas para aprenderem a agir com autonomia; fortalece planos e atividade que as pessoas são capazes de realizar sozinhas; lida mais diretamente com as pessoas do que por intermédio de representantes ou agentes.

(GEERTZ, 1983) para propor uma metodologia de elaboração, experimentação e validação de inovações técnicas e organizativas. Essa metodologia propõe a participação estruturada e conjunta dos pesquisadores, agricultores (atores locais), agentes de desenvolvimento, extensionista, docentes, etc., cada um contribuindo com as suas competências, em torno de um objetivo ou de um objeto comum (SABOURIN, 2006). Ao situar esse ideal no âmbito da perspectiva sistemica, coloca-se o desafio de atuar sobre os sistemas locais de conhecimento e inovação.

Embora seja grande a diversidade de métodos alternativos de pesquisa (que contemplam de alguma forma a participação do agricultor) muitas analises tendem a restringir-se a apresentação de uma sequência operacional normativa – a ser seguida pelos pesquisadores; não abordando adequadamente, assim, a complexidade dos processos sociais de diálogo na geração conjunta de conhecimentos e inovações. Reconhecendo a pesquisa como processo mediado por condicionantes diversos, alguns autores tem se dedicado a elucidar os potencializadores e limitantes do diálogo e colaboração na geração e difusão de conhecimento e inovação, exploraremos as contribuições de Jean-Pierre Darré (1999, 2004) , e Michael Callon (1986) .

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