1.2 Une courte revue des méthodes proposées par les statisticiens
1.2.2 Méthodes basées sur un modèle
O conceito de inteligência coletiva criado por Pierre Lévy foi utilizado por Jenkins (2009) como forma de embasamento para problematizar o consumo coletivo e conectado. Para Lévy (1999, p. 134), o movimento social e cultural presente na cibercultura “não converge
sobre um conteúdo particular, mas sobre uma forma de comunicação não midiática, interativa, comunitária, transversal, rizomática”. Em Lévy (2005), o autor sugere que a inteligência coletiva é resultante da interação de ideias e conceitos nas “comunidades virtuais”, postulando que a mesma é uma nova maneira de pensar e negociar o conhecimento.
É uma inteligência repartida em todas as partes, valorizada constantemente, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efetiva das competências. Agregamos a nossa definição esta ideia indispensável: o fundamento e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas (ibidem, p. 20).
Podemos, assim, compreender a inteligência coletiva como a junção de sabedorias de vários sujeitos sobre um mesmo universo de conhecimento. Uma inteligência que é disseminada por toda parte, pois, segundo Lévy (1998, p. 29), “ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade”. No entendimento do teórico, o compartilhamento e a valorização do conhecimento coletivo de uma comunidade é o que importa. Para isso, o autor destaca a importância do ciberespaço para que os intercâmbios de informações e conceitos entre os inúmeros atores nas comunidades virtuais possam fluir independentemente das demarcações físicas, ou seja, a troca de conteúdos se dá, agora, em um ambiente desterritorializado7 no qual os componentes geográficos não são necessariamente condicionantes para a construção de um pensamento coletivo, e sim, os interesses em comum.
Um exemplo clássico de utilização explícita da inteligência coletiva pode ser encontrado nos sistemas wiki, pois oferecem uma mudança na produção e classificação de informações, bem como na mediação cultural, visto que não há mais os tradicionais intermediários no controle do conteúdo, como os meios de comunicação social, a escola, a igreja, o Estado. Por mediador cultural, entendemos os sujeitos ou instituições que escolhem e hierarquizam informações e demais conteúdos em um momento anterior ao repasse para o grande público. Segundo Lemos e Lévy (2010), distintas espécies de escolha e hierarquização brotam a partir do intelecto coletivo.
Uma rede de pessoas interessadas pelos mesmos temas é muito mais eficiente, não apenas que qualquer máquina de busca, mas, sobretudo, do que qualquer intermediação cultural tradicional, que tria, grosso modo e a priori, sem conhecer no detalhe as situações e as necessidades de cada um (LEMOS; LÉVY, 2010, p. 92).
7 Segundo Lemos (2006), desterriorializar é “se movimentar entre fronteiras, criar linhas de fugas, re-significar o
Essas novas configurações coexistem com as formas consolidadas pelas mídias mais tradicionais de midiatização, mas, agora, os processos comunicacionais envolvem as mãos de muitos por meio de processos de produção de conteúdos e avaliação coletiva, como acontece com o projeto Overmundo8 e a plataforma Wikipédia, definida por Jenkins (2009, p. 337) como “um esforço alternativo e multinacional de criar uma enciclopédia gratuita na Internet, escrita cooperativamente por um exército de voluntários, operando em aproximadamente 200 línguas diferentes”.
Alguns fenômenos de inteligência coletiva vêm ocorrendo neste início do século XXI principalmente em produtos de ficção, tais como as atividades dos fansubbin e spoilers. O primeiro fenômeno, o fansubbin, consiste em um esforço coletivo dos fãs para traduzir e produzir legendas amadoras para filmes e seriados de televisão, sem autorização dos criadores das obras, portanto, uma atividade de caráter ilegal. Costumam produzir antes dos produtos midiáticos serem lançados no país, estando, portanto, constantemente atentos aos lançamentos nos países de origem para que possam traduzir, gerar as legendas e disponibilizar no idioma nacional. A distribuição desses produtos legendados ocorre via Internet, geralmente em sites que permitem troca de arquivos entre os usuários, como Torrent, ou específicos, como o
OpenSubtitles (Figura 04), facilitando assim, através dessa atividade de inteligência coletiva, o
acesso do público a obras mais inacessíveis e que, não necessariamente, estão no filão comercial da grande indústria do entretenimento.
Figura 4 –The Newsroom & Open Subtitles
Fonte: Adaptado do Open Subtitle (http://www.opensubtitles.org/pt)
8 Overmundo é uma plataforma colaborativa lançada em 2006 com a missão de evidenciar a produção cultural brasileira que não é encontrada nos meios tradicionais. Disponível em: http://www.overmundo.com.br/
No segundo fenômeno, o spoiler, fãs de determinado produto midiático, como por exemplo um seriado, trocam entre si informações sobre o programa, detalhes da vida dos personagens, rumos da história etc. Normalmente, buscam saber mais sobre a trama (no caso da ficção) e investigam o que vai acontecer nos capítulos posteriores para ter conhecimento do desfecho das narrativas antes dos demais. Algo como dar “um furo de reportagem” sobre algum personagem ou situação, sem depender de informações oficiais dadas pela mídia. Costumam trocar informações em comunidades virtuais e a mediação cultural é do próprio grupo, mais especificamente, dos integrantes mais engajados nessas comunidades.
Como vimos, a cultura da convergência possibilita uma inédita reconfiguração do sistema midiático, em que as distintas novas mídias convivem, interagem e trocam influência, além de entrarem em diálogo com as necessidades do grande público, que também passam a ter possibilidade de produzir determinados conteúdos. Nesse cenário, para entender melhor o momento de mudança através do nosso objeto de pesquisa, é necessário compreender antes o modo como a TV se organizou historicamente, a partir de uma lógica unidirecional e de centralização de informação.