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MÉTHODE

Dans le document 3. SITUATION EN 2001 (Page 10-15)

A Coleção Perseverança faz parte de acervo cultural, sua história, anterior a sua chegada ao museu do IHGAL, está conectada com a existência da Sociedade Perseverança, “fundada em 30 de março de 1879” (LIMA JÚNIOR, 2001, p. 169). Sua história que se constituiu como desafio para esta pesquisa, visto a necessidade de reconstruí-la através das etapas de divulgação, sobre as peças, a partir de materiais publicados em jornais, revistas, artigos, livros, entrevistas, catálogos e relatórios, além de uma produção imagética que, junto aos demais, tornou-se fonte para esta escrita.

Nesta narrativa descrevem-se os artefatos referentes ao Quebra do Xangô, o silêncio que imperou na relação entre religião e política e que perdura até os dias de hoje. Conforme Amorim (2007) “O silêncio é uma característica marcante no movimento da ‘Operação Xangô’”, fato que pode ser observado no documentário 1912- O Quebra de Xangô, na seguinte passagem:

Repórter: A senhora já ouviu falar do Quebra de Xangô?

Elza (Casa da Pomba Gira): Quebra de Xangô? Do Quebra? Não. Repórter: Já ouviu falar da Tia Marcelina?

Ângela Brandão (Casa dos Pretos Velhos): Quem? Repórter: Tia Marcelina.

Ângela Brandão (Casa dos Pretos Velhos): Não, eu conheço a tia Celina dali.

Pai Maciel (Federação dos Cultos Afro- Umbandistas de Alagoas): Tia Marcelina é verdade que ela foi a Yalorixá mais famosa do estado de Alagoas, porque foi ela que fundou o candomblé nesse estado, agora a nação de origem que ela fundou foi Nagô.

Repórter: E o senhor já ouviu falar do Quebra dos terreiros em 1912? Luiz Brandão (Casa dos Orixás): Rapaz eu já ouvi falar, mas não tenho conhecimento dele não.

Narradora: 1912, meu Deus. Meu Deus o que foi aquilo?

O silêncio do ato permite-nos retratar a memória, através da forma como as peças se apresentam no espaço museu, numa relação de interação, segundo Araújo; Silva (2009, p. 67), “entre um antigo passado e um presente em constante

mutação”. Essa interação remete a construção histórica entre esse passado e o presente, através da aquisição da consciência das heranças do passado e das exigências do presente que estão imbricadas nas histórias que os artefatos apresentam, no discurso que os terreiros de Alagoas construíram com a propagação de sua cultura, fazendo entender que “a memória não deixa de brincar com a identidade, embora mantenha um pacto com ela” (JEUDY, 1990. apud. AZEVEDO NETO, 2007, p. 9).

A história da Coleção Perseverança começa antes do acontecimento conhecido como Quebra do Xangô, em 1º de fevereiro de 1912, pois se pode observar, através do Jornal de Alagoas, nas edições de 4, 6, 7, 8 e 10 de fevereiro de 1912, a presença dos artefatos usados nos terreiros, principalmente na cidade Maceió, e que alguns desses artefatos tornaram-se resquícios do acontecido, e levariam a construção da coleção.

O episódio do Quebra tem seu início nas prolongadas disputas pela dominação dos dispositivos e mecanismos do poder, que para Rafael (2008, p. 31), acontece “pelo posto ocupado pelo grupo oligárquico dominado por Euclides Malta”21

, governador de Alagoas em exercício. As manobras políticas concorreram para mantê-lo no poder por quase doze anos, considerando o mandato intermediário exercido por seu irmão, Joaquim Vieira Malta (1903/1906), período conhecido como a “Era dos Maltas”.

A justificativa para a Operação Xangô, outro nome dado ao ocorrido, é que o Governador Euclides tinha estreita relação com as casas de Xangô, e que sua administração era orientada pelo “Leba”, nome associado à imagem do diabo, alguns orixás e pais e mães de santo. Este fato se tornou um dos motes adotados pela oposição, a Liga dos Combatentes Republicanos22, comandada pelo ex-

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Líder político, apelidado por Sílvio Romero, ainda em 1908, de oikocrata, familista primitivo e chefe da "casa reinante" das Alagoas (ROMERO, 1910). Advogado, oriundo de uma família de proprietários rurais, Euclides Malta foi uma espécie de "bacharel anacrônico", no dizer de Rafael (2008). O líder político era, afinal, um misto de jovem bacharel urbano que exaltava sua personalidade individual como modelo de valor próprio, superior às contingências da política. Porém, ao mesmo tempo, este mesmo personagem das gestas de poder alagoano revelou ser ponte entre as antigas estruturas locais, comandadas por coronéis semianalfabetos, e a sua própria geração de bacharéis emergentes e muito bem instruídos, que circulava no entorno dessa classe de latifundiários e donos de engenhos. Mais que isso, Euclides Malta criou um paradigma para as administrações futuras em Alagoas, na medida em que não somente foi modelo local para a construção da República, como também para o tipo de política oligárquica que misturava o bacharelismo, o coronelismo, o trabalho rural e o controle dos votos (FIGUEIREDO, 2014).

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A Liga dos Republicanos Combatentes em homenagem a Miguel Omena, liderada por Manuel Luiz da Paz, foi fundada em 1911. A Liga contava com vários comerciantes e ex-militares, pessoas

combatente Clodoaldo da Fonseca, para acionar a revolta que emergiu durante a disputa política de 1912, levando o ato da quebra dos terreiros como uma tomada de poder e um enfraquecimento do grupo oligárquico comandado pela família Malta.

Um dos pesquisadores do Quebra Quebra, outro nome dado ao fato, Ulisses Rafael (2008), sociólogo, afirma que no ato da invasão dos terreiros por parte dos integrantes da Liga dos Republicanos. Segundo Rafael (2008, p. 35) “[...] as peças, indumentárias e instrumentos utilizados nos rituais religiosos que foram destruídos”, são aquelas que estavam mais diretamente associadas à figura do Governador, das quais não se encontram exemplares na referida coleção.

Dans le document 3. SITUATION EN 2001 (Page 10-15)

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