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La méthode du simplexe

Do interesse na estrutura, principalmente vindo com o Cubismo, surge uma questão: a pintura poderia se converter em algum tipo de construção, como a arquitetura o é ?

O neoplasticismo é a mais completa e rigorosa expressão do abstracionismo geométrico. Foi criado pelo holandês Piet Mondrian, o qual se inspirou no cubismo, para chegar a formas retangulares de extrema simplicidade, ao mesmo tempo que empregava apenas as cores primárias e os brancos e cinzas claros como elementos luminosos.

Esta escola de arte consiste em estabelecer relações de posição, dimensão e proporção as mais simples e gerais, suscetíveis de serem aplicadas às demais artes, desde a arquitetura à paginação de um jornal. Desse modo, pretendia-se “uma Arte de clareza e disciplina que refletisse, de algum modo, as leis objetivas do universo”23 .

De acordo com JAFFÉ:

“na arte do De Stijl, dois princípios dominam a criação artística: a abstração completa, isto é, a exclusão de toda a referência a qualquer fenômeno da realidade perceptível e a limitação do vocabulário a linha e ao ângulo retos, isto é, à horizontal e à vertical. A coloração ficou reduzida às três cores primárias (azul, amarelo e vermelho) ao lado das três ‘não-cores’ primárias (o branco, o cinza e o preto)”24.

Esta realização coletiva de um estilo supra-individual teve igualmente, e em grande parte, sua fonte no Cubismo e através do domínio de um vocabulário estritamente geométrico, os mestres construtivistas ou neoplasticistas foram capazes de se abster de qualquer referência a objetos da percepção, desprendidos da realidade externa, tentando criar, contudo, obras que representassem a própria

23GOMBRICH, Ernst H. “A História da Arte”. Rio de Janeiro: LTC, 1999, 16a

edição. p. 582.

24

JAFFÉ, L.C. “Arte Abstrata Geométrica”, in História da Arte. Rio de Janeiro: Salvat, 1978. p. 216.

essência dessa realidade, com pretensões de universalidade. Segundo Piet Mondrian:

“Se, na verdade, a elaboração apropriada dos meios expressivos e a sua utilização - isto é, a composição - são a única expressão pura da arte, então esses meios expressivos devem encontrar-se em total conformidade com o que procuram exprimir. Para se tornarem a expressão direta do universal, é necessário que sejam universais, ou seja, abstratos.”25

Tudo o quanto seja acessório, não essencial e universal é eliminado, inclusive a linha curva, que Mondrian, nascido na Holanda, considerava expressão do efêmero da vida orgânica. O artista queria, no entanto, que as relações de composição que estabeleceu possuissem ou sugerissem a vitalidade da própria natureza.

Pesquisou e obteve, por outro lado, o equilíbrio e a assimetria. Contrariou inclusive, desse modo, a velha convicção de ser possível o equilíbrio somente na simetria. Impessoal por excelência, embora seu estilo seja inconfundível e inimitável como o de Van Gogh, sua antítese, sublimou plasticamente, com o seu espírito de lógica e de síntese, a nova sensibilidade humana criada pela mecanização.

Ainda, na indagação em busca da harmonia e da pureza conduzida por De Stijl, há evidentes raízes matemáticas e musicais e uma herança de longa data, especialmente nos países baixos: o triunfo do espírito humano sobre a natureza. Em holandês, a palavra ‘schoon’ engloba as noções de ‘belo’ e de ‘puro’. Nos quadros de Mondrian, a beleza identifica-se com a pureza.

Ao final da Primeira Guerra Mundial, o Neoplasticismo foi a vanguarda não só de uma nova Arte, mas sobretudo de uma nova consciência do tempo e logo o De Stijl se propagaria pela Europa influenciando novas escolas e movimentos em seu tempo.

O Quali-Signo do Neoplasticismo

Desta escola, selecionamos o quadro “Composição em Vermelho, Preto, Azul, Amarelo e Cinza”, do artista Piet Mondrian, cuja reprodução segue abaixo.

A base da pintura Neoplasticista é uma estrutura rígida e fechada na questão da busca por uma realidade universal, baseada em formas primitivas como a linha reta e seus cruzamentos. Diante deste problema temos ainda as cores: primárias em azul, amarelo e vermelho, além do negro e de seu opositor, o branco.

Antes de ser um objeto artístico, há uma evidente busca por uma arrumação de um caos anterior, o qual, sintetizado no minimalismo das formas e das cores, ganha harmonia, equilíbrio, limpeza. Tudo então parece resolvido pela mão do artista que se coloca no papel de um arquiteto compondo ambientes, jogando com os espaços vazios e os elementos da composição.

“Composição em Vermelho, Preto, Azul, Amarelo e Cinza”, de Mondrian, deixa transparecer estas questões de forma muito clara. Quando olhamos o quadro, temos a certeza de que a solução encontrada foi a mais adequada. Tudo tem seu espaço definido. Cada quadrante, em sua cor, nos convida a perceber seu interior e a ficarmos atentos na informação que eles encerram.

Há celas mais destacadas hierarquicamente ao olhar, porém não são capazes de enfraquecer os outros espaços a sua volta. Retângulos coloridos, onde cada cor transmite uma sensação, estão dispostos no que sobra das linhas verticais e horizontais em tons negros. Algumas destas linhas se cruzam, formando núcleos nos quais os retângulos em cor brincam a sua volta. Algumas linhas horizontais começam e terminam entre paralelas verticias.

A cor vermelha, em forma de retângulo à esquerda, determina o primeiro ponto ao qual nosso olhar é convidado, especialmente por ser uma cor quente em contraste aos tons mais neutros que compõem a tela. De forma circular, o retângulo negro, o amarelo superior, outro negro mais à direita, além de um novo retângulo amarelo abaixo e o azul fecham uma panorâmica circundante que culmina no retângulo central, este sem cor alguma. Existem ainda áreas neutras envolvendo os retângulos coloridos, as quais também

ganham uma cor neutra, em nosso caso, o cinza-claro.

De estrutura compacta, mas surpreendentemente leve aos olhos, de formas limpas e equilibradas, “Composição em Vermelho, Preto, Azul, Amarelo e Cinza” pode ser classificada como emblemática do pensamento Neoplasticista e, em última análise, a base para a produção de uma Arte preocupada em resolver alguns problemas de composição cujo foco é a estrutura mais primordial, lançando mão dos mínimos elementos e o máximo de sua arrumação.

Campanha Institucional - Casa da Cultura (Revista da Ampla N. 7)

Localizada às margens do rio Capibaribe, no lado nordeste da cidade do Recife, a Casa da Cultura é o centro mais indicado para quem quer conhecer de perto o diversificado artesanato pernambucano. O local reúne 150 lojas comerciais as quais oferecem aos seus visitantes peças e objetos confeccionados nas várias regiões do Estado. Bonecas de pano, xilogravuras, redes, tapetes, bordados e rendas são alguns dos produtos típicos do artesanto local presentes na Casa.

Além do artesanato, a Casa da Cultura abriga algumas das principais instituições e grupos culturais de Pernambuco. No local, ainda é possível assistir a apresentações de grupos folclóricos, musicais e de dança no anfiteatro recém-construído.

A Casa da Cultura ocupa o prédio onde funcionou a antiga Casa de Detenção do Recife, construção militar iniciada em 1850. Em 1974, depois da transferência dos detentos para outras penitenciárias, o prédio foi restaurado e adaptado para abrigar o atual centro cultural, inaugurado em 14 de abril de 1976. Em 1980, a Casa da Cultura foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado.

A proposta desta campanha foi divulgar para a sociedade pernambucana os novos investimentos em infra-estrutura, em melhoramentos tecnológicos, em acesso, entre outras bem-feitorias. Composta de anúncios de jornal e revista, bem como filme para TV, esta campanha traz alguns dos aspectos mais preponderantes da cultura do estado em fotos que representam o artesanato, a culinária típica, além da arquitetura. Especialmente as peças de mídia impressa, por terem tido uma maior veiculação na grande mídia, foram os elementos de sustentação da campanha e demonstram de forma clara qual a linha estética utilizada.

Numa panorâmica inicial sobre os anúncios impressos percebemos a grande quantidade de elementos visuais e referências fotográficas, os quais dão sustentação ao discurso das peças publicitárias desta campanha. Além disso, pela grande quantidade de

informações também presentes em forma de texto, temos uma peça complexa do ponto de vista da hierarquia e composição destas mesmas informações em conjunto com os elementos visuais. O grande dilema era fazer algo bastante informativo sem parecer desinteressante do ponto do vista estético.

Semiótica da campanha

A opção criativa para esta campanha foi, como podemos perceber, a de estabelecer nichos localizados para cada nível de informação, bem como ordenar o espaço do anúncio de forma harmônica, com bastante aproveitamento da área total da peça, conferindo-lhe, assim, uma aspecto de planta-baixa arquitetônica.

Num claro exercício de preenchimento dos espaços, a dificuldade da eleboração deste tipo de peça gráfica reside exatamente nesta busca pela organização mais interessante, mais bonita, mais informativa e que ao mesmo tempo não perca sua espontaneidade.

Neste sentido, o papel das ferramentas informatizadas de manipulação de imagens foi o de servir como espaço privilegiado por onde foi se construindo a arquitetura do anúncio, além de, com efeito, proporcionar toda uma ordem de recortes, ajustes de cor, colagens e iluminação específicos para cada etapa da busca pela arrumação mais plástica para o conteúdo dos anúncios, como sugere o esquema abaixo:

Retas, horizontais e verticais, se tocam, criando espaços por onde circulam informações, sejam elas imagens ou textos. A grande idéia da campanha institucional da Casa da Cultura é a possibilidade de se organizar muita informação sem transformar a peça em algo caótico e de difícil aceitação.

Com cores vibrantes, cada cela encerra sua carga de significação independente da outra, conferindo, para estes retângulos, uma autonomia relativa atrelada à função do todo (o anúncio, de

maneira geral).

Esquematicamente montado e bem composto, harmônico sem ser simétrico, de cores marcantes mas de paleta pouco numerosa. Imagens que contam histórias, textos que parecem elementos decorativos. A sua volta, elementos que servem de moldura para que nada fuja ao controle geométrico - rígido, mas de uma incompreensível flexibilidade e de grande possibilidade de combinações.

As relações de espaço, diagramação e composição dos anúncios de mídia impressa presentes na campanha da Casa da Cultura denotam uma nova plasticidade para os elementos textuais e visuais, convertendo-os em massas compactas de cor: o grande retângulo verde, acima à esquerda, bem como um outro retângulo - este bege, mais à direita; e ainda outros menores, como o roxo, abaixo à esquerda e o laranja, abaixo à direita, paracem, todos eles, formarem um híbrido entre texto e cor.

O mesmo ocorre com as fotografias, as quais possuem, cada uma, tons bastante individuais, proporcionando também uma mescla entre os elementos internos de cada foto e suas cores, dando também a impressão de massa compacta de cor.

Outro elemento marcante do ponto de vista imagético é a moldura que envolve cada retângulo. Simulando uma textura de couro, costurada sobre um fundo de cor, este será o elemento responsável pelo arremate das informações, capaz de determinar as fronteiras entre uma informação e outra.

Com evidente influência da estética neoplasticista, as peças de mídia impressa desta campanha possuem ainda uma ligação mais profunda com esta escola, conferida pelas ferramentas informatizadas as quais fizeram parte da construção dos anúncios.

Marcadamente, a dinâmica construtiva do The Stjil vislumbrava um exercício de composição o qual era fruto de exaustivas

experimentações e alternativas de arrumação dos elementos (naquele caso, a cor em seu mais puro matiz, além de linhas retas e o espaço entre elas).

Isto é algo que coincide, e muito, com os procedimentos de elaboração das peças da campanha da Casa da Cultura, na medida em que, para se chegar a tais resultados, houve um trabalho de experimentação das diversas diagramações possíveis até chegar aquilo que pareceu mais interessante, do ponto de vista estético.

O papel das ferramentas informatizadas de tratamento de imagem é marcado pela contribuição destes aparatos no sentido de viabilizar a elaboração estética, seja pela rapidez dos procedimentos, seja pelo controle e flexibilidade nos efeitos, seja pela capacidade de processar textos e imagens ao mesmo tempo na tela e a cada tentativa de nova arrumação das informações.

Pelo seu papel emblemático, que diz respeito a uma das grandes vantagens dos dispositivos tecnológicos atuais de tratamento da imagem, a informática esteve para esta campanha como algo capaz de suscitar as mais variadas alternativas de diagramação, ao mesmo tempo em que condensava imagem e texto em uma massa visual, através de procedimentos de retoques cromáticos, iluminação e superposição de camadas, além da aplicação de sombras e volume.

Apenas como um exercício para enfatizar o caráter de construção quase arquitetônica destas peças gráficas da campanha em questão, vejamos a figura que se segue:

Nestas imagens, a partir de uma simulação feita com ferramentas computacionais, pudemos tranformar o anúncio (mais à esquerda) em uma massa compacta de cores e formas retangulares (mais à direita), cujas cores são uma resultante dos tons mais presentes em cada nicho retangular.

Vemos, dessa forma, como o esqueleto desta peça publicitária atual vem trazer em sua formação toda uma sorte de referenciais no Neoplasticismo, dando grande importância a aspectos como simplicidade, organização, hierarquia e clareza das informações.

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