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Méthode numérique

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Chapitre IV : Résultats et discussions

3. Modélisation de la fonction diélectrique des revêtements

3.2. Méthode numérique

Na construção da estrutura das nossas oficinas dedicámos a fase inicial ao jogo. O jogo serviu como forma de estabelecer relações entre os vários membros do grupo e entre estes e o educador.

São vários os autores que seguimos como referencial teórico sobre a importância do jogo em educação. Para Sousa (2003), o jogo apresenta-se como uma ferramenta para o desenvolvimento da personalidade através de atividades lúdicas que são, por si só, espontâneas e naturais na criança. O prazer e satisfação associados ao jogo estimulam e promovem o sentimento de realização. Segundo Martins (2002), o jogo surge

numa “dualidade de desenvolvimento mútuo, em que as experiências adquiridas são reaproveitadas para a recriação de novos jogos que proporcionam novas experiências”.212

Plummer (2012) refere que

as atividades lúdicas de qualquer espécie oferecem oportunidades valiosas para as crianças experimentarem as consequências das suas ações e fazerem experiências com diferentes competências e diferentes resultados, sem terem medo de falhar ou de serem julgadas de forma negativa pelos outros. Ao exercitarem a sua imaginação como se fosse um músculo, as crianças aprendem a resolver problemas, a lidar com algumas decisões difíceis da vida, a ter uma compreensão pessoal de algumas das coisas confusas que acontecem no seu mundo. Isto também ajuda a fortalecer a sua resiliência emocional – a capacidade de tolerar emoções como a frustração sem se sentirem dominadas por elas.213

Procurámos adaptar os jogos ao contexto da investigação considerando o factor cultural e a situação sensível experienciada pelos sujeitos (terramoto), utilizando palavras e personagens da cultura nepalesa (Ver jogo Lakney, Camião, Pataka em Anexo VII). Desenvolvemos jogos que destacassem o espírito de cooperação, de ajuda e de autoestima, explorando a atividade lúdica como forma de comunicação, socialização, expressão, desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo-emocional (Ver Quadro 9).

No contexto em questão, a noção de cooperação teve um papel relevante. Através do jogo pretendeu-se, não só, facilitar o contacto inicial, mas, também, reforçar a ideia de compromisso e de entre ajuda fundamentais para o entendimento de que de uma situação difícil cada um se fortalece na união ao próximo.

Quando as crianças jogam jogos cooperativos, quase sempre sentem uma sensação de aceitação, prazer, contribuição e sucesso. (...) Em atividades de cooperação, não há perdedores. A competição amigável reduz a importância do resultado, libertando a criança para disfrutar um do outro e da experiência de jogar em si. Os participantes recebem uma nova liberdade para aprender com os seus erros em vez de temê-los ou escondê-los. Quando as crianças sabem que o seu valor como pessoas não será abalado pelo resultado de um evento ou a pontuação num jogo, os jogos e os parceiros de jogo surgem sob uma nova luz, mais positiva. ( ... ) Quatro componentes essenciais compõem um jogo cooperativo de sucesso: cooperação, aceitação, inclusão e diversão.214

212 Martins, 2002, p. 23.

213 Plummer, “Como aumentar a autoestima das crianças”, Porto Editora, Porto, 2012, p. 218.

214 Tradução livre da autora: “When children play cooperative games, they almost always feel a sense of

acceptance, joy, contribution, and success. (...) In cooperative activities, there are no losers. The friendly, low- -key competition reduces the importance of outcome, freeing children to enjoy each other and the experience of playing itself. Participants are given a new freedom to learn from their mistakes rather than fear them or hide them. When children know that their value as persons will not be shattered by the outcome of an event or the score in a game, then games and playmates can be approached in a new, more positive light. (...) Four essential components make up a successful cooperative game: cooperation, acceptance, inclusion, and fun”. Orlick, “The cooperative sports & games book: Challenge without competition”, Pantheon, 1978, p. 4.

DOMINANTES NA EXPLORAÇÃO DO JOGO COGNITIVO PSICOMOTOR AFETIVO-EMOCIONAL SOCIALIZAÇÃO PERCEPÇÃO SENSORIAL EXPRESSÃO COMUNICAÇÃO

Quadro 11 - Dominantes na exploração do jogo

Fonte: Martins (2002)

3.3 “Porque a criança nasce poeta e ator...”215

Baden-Powell, Leon Chancerel, Herbert Read e Peter Slade são alguns dos autores de renome que nos orientam sobre a importância da expressão dramática, considerando-a, aliás, como a principal forma de atividade educativa deixando, contudo, bem claro que expressão dramática não é teatro, mas sim uma forma natural de ludismo infantil.

É uma criação, uma capacidade. Faz florescer a paciência, a compreensão, a felicidade, a liberdade, a observação e a humildade. Nasce a partir do jogo e é alimentado, guiado e proporcionado por um pai sensato ou por um hábil professor. Pode tomar a forma de jogos, dramatização, drama na classe, exercícios de atuação, livre expressão, improvisação, método ativo e drama criativo. Muitas pessoas perguntam quais são os objetivos do drama infantil. Provavelmente a mais curta é: uma equilibrada felicidade individual. Mas isso é apenas uma respostas parcial, acima de tudo é um excelente meio educacional, de promoção da saúde, do desenvolvimento total da personalidade.216

Vigotsky (1970) e Bolton (1983) referem o drama como completamente distinto do drama teatral, considerando-o apenas como um jogo que leva ao pensamento abstrato, em que a criança concebe imaginativamente ações e objetos que não estão imediatamente presentes na perceção do real da criança. Bolton destaca o valor do drama no desenvolvimento social da

215 Magalhães e Gomes, “A criança e o Teatro”, Coleção Educativa, série nº 5, 1974, p. 12. 216 Peter Slade, 1954 apud Sousa, 2003, p. 29.

criança, identificando objetivos encorajando respetivamente o trabalho em grupo, capacidades de ouvir e entender, respeito pelos outros, liderança e crença na democracia.217

O facto de a nossa própria formação estar desde muito cedo intimamente ligada à expressão dramática e, mais tarde, ao teatro com trabalho de atriz muitas vezes direcionado para o público infantil, foi mais um elemento de peso quando elaborámos estas oficinas e sempre que somos educadora responsável pela criação de atividades de educação pela arte.

As atividades desenvolvidas têm como objetivo o desenvolvimento da criatividade, da expressividade, da consciência de valores ético-morais e estéticos no processo de desenvolvimento bio-psico-sócio-motor da criança.218

Partindo de um conto tradicional da África do Sul, onde os contos tradicionais eram contados oralmente e em performances de drama e dança, criaram-se atividades para oficinas de expressão onde se visa englobar a expressão plástica, dramática e todos os tipos de expressão que resultarem do desafio proposto.

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